“O que queremos para a Venezuela é o que queremos para o Brasil: respeito à Constituição. Digo sempre que, quando se fala em democracia, em respeito aos direitos humanos, não existe fronteira. As fronteiras não nos separam, ao contrário. É claro que as razões pelo agravamento da crise da Venezuela em grande parte são internas. Mas a presença do Brasil, a força, a influência do Brasil, poderiam ter minimizado o agravamento da crise na Venezuela se tivesse tido uma postura que não a da omissão e a da conivência ao longo dos últimos anos”, afirmou o senador Aécio Neves, após reunir-se, nesta terça-feira (14/06), com o líder político venezuelano Henrique Capriles, que está no Brasil para pedir que o governo brasileiro, junto ao Mercosul e à Unasul, exija da Venezuela o cumprimento do referendo constitucional previsto na Constituição naquele país.
Pronunciamento em Brasília
O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, voltou a cobrar, nesta quinta-feira (22/10), uma reação do governo Dilma Rousseff contra a decisão da Venezuela de vetar a indicação do ex-presidente do STF Nelson Jobim para integrar a missão da Unasul (União de Nações Sul-americanas) que acompanhará as eleições parlamentares marcadas no país para 6 de dezembro. Aécio destacou que o governo brasileiro se submete aos interesses de um regime que perdeu as características de uma democracia. O senador criticou também as tentativas de parlamentares da base governista de maquiar dados sobre a crise social e econômica no Brasil.
Aécio critica silêncio do governo brasileiro após Venezuela vetar Jobim na missão da Unasul que acompanhará eleições parlamentares
O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, reforçou nesta terça-feira (20/10), as críticas de parlamentares da oposição ao silêncio do governo brasileiro diante da decisão da Venezuela de vetar o ex-presidente do TSE, Nelson Jobim, na missão da Unasul (União das Nações Sul-americanas) que acompanhará as eleições legislativas marcadas para dezembro no país vizinho.
Diante da recusa do governo venezuelano e da falta de garantias de que a missão poderá de fato acompanhar as fases do processo eleitoral e verificar se existe igualdade na disputa, o TSE desistiu de participar da missão da Unasul.
“Assistimos agora ao TSE se manifestar, de forma veemente e positiva, em relação também à não aceitação da indicação do ex-ministro Nelson Jobim como presidente desta comissão. E nada oficial do governo federal. Mais uma vez, o governo caudatário. O que assistimos é o governo do Brasil abdicando da sua liderança regional natural que a natureza e o trabalho de séculos de brasileiros nos possibilitaram ter”, disse Aécio Neves em aparte ao senador Aloysio Nunes Ferreira, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.
Para o senador, o governo brasileiro é omisso e faz vistas grossas à escalada autoritária no governo de Nicolás Maduro. “Quando se fala de liberdade e democracia não há de se respeitar fronteiras. Infelizmente, a submissão do governo brasileiro causa gravíssimos prejuízos à liberdade e à democracia nesse país irmão que é a Venezuela”, afirmou.
Leia, a seguir, o pronunciamento feito pelo senador Aécio Neves sobre as eleições na Venezuela:
“Nos últimos meses, temos vivido intensamente as preocupações em relação ao que acontece não apenas na Venezuela, mas na região, mas, obviamente, pela gravidade da situação especial, na Venezuela. E essa questão, como aqui disse adequadamente o Senador José Agripino, de observadores internacionais foi sempre colocada, inclusive quando nós lá estivemos, como talvez a virada de página. Seria a concessão, o gesto que o governo Maduro faria no sentido de legitimar quaisquer que fossem os resultados das próximas eleições marcadas agora para o início de dezembro. Essa reação patrocinada pela Unasul, na verdade, vai ao encontro na direção das nossas mais profundas e graves preocupações.
E o que é mais grave ainda é que nós temos assistido a manifestações, Senador Renan, inclusive com o apoio de V. Exª, marcantes do Parlamento brasileiro em relação a essa questão da supressão dos direitos e das liberdades democráticas na Venezuela. Assistimos agora ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se manifestar, de forma veemente e positiva, em relação também à não aceitação da indicação do ex-ministro Nelson Jobim como Presidente desta comissão. E nada oficial do Governo Federal. Mais uma vez, o Governo caudatário.
Mais uma vez, o Poder Executivo olhando para frente como se nada enxergasse, como se não fosse ele, de alguma forma, também responsável pela aliança que ele firmou, que com o governo venezuelano firmou e, na verdade, a incapacidade de cobrar avanços de maior transparência nas várias ações daquele país, em especial aos, ainda, presos políticos, o que assistimos é o governo do Brasil abdicando da sua liderança natural regional que a natureza e o trabalho de séculos de brasileiros nos possibilitaram ter.
Na verdade, se aqui, internamente, as coisas vão, da forma que sabemos, muito mal na economia, no ambiente social, muito mal na questão moral, agora também assistimos a responsabilidade do governo federal também pela falta de transparência que me parece orientará ou conduzirá mais essas eleições venezuelanas. Fica aqui o apoio do PSDB a essa moção aqui apresentada pelo senador José Serra, mas em especial, os cumprimentos à Vossa Excelência pelo papel que tem desempenhado à frente da Comissão de Relações Exteriores desta Casa.
Firme, sempre equilibrado, como é da natureza da Vossa Excelência. Mas sempre firme para dizer aquilo que repetimos tantas vezes, quando se fala de liberdade e democracia não há de se respeitar fronteiras. Infelizmente, a submissão do governo brasileiro causa gravíssimos prejuízos à liberdade e à democracia nesse país irmão que é a Venezuela.”
Plenário do Senado
“O governo brasileiro tem que mostrar de que lado está”, diz Aécio Neves sobre as violações à democracia na Venezuela
O senador Aécio Neves cobrou uma ação imediata do governo brasileiro em resposta aos episódios de violência ocorridos na Venezuela nesta quinta-feira (18/06). “O governo brasileiro precisa mostrar de que lado está: se do lado da democracia, de seus representantes, ou do lado do autoritarismo daquele país”, declarou.
“Nós vamos exigir é uma posição dura do governo brasileiro. Se não [ocorrer], nós vamos, do ponto de vista político, dentro do Congresso, fazer as retaliações necessárias em defesa da democracia. O que ocorreu hoje não atinge aos senadores que estão aqui; atinge a dignidade do povo brasileiro”, destacou Aécio, que chegou ao Brasil na madrugada desta sexta-feira (19/06).
Aécio, o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP), e outros parlamentares participaram da comitiva de senadores brasileiros que foi nesta quinta-feira (18) a Caracas para se reunir com presos políticos da Venezuela, mas acabou impedida e vítima de agressões por parte de apoiadores do regime de Nicolás Maduro.
“Nós fomos recebidos pela intolerância de um regime que não aceita o contraditório”, disse Aécio, que acrescentou: “Se havia alguma dúvida de que ocorre uma escalada autoritária naquele país, voltamos sem dúvidas”.
Organismos internacionais
Aloysio Nunes lembrou que Brasil e Venezuela são signatários de acordos que preveem o respeito à democracia nos dois países, e que por isso a gestão de Dilma Rousseff pode exigir o cumprimento dos direitos humanos pelo regime de Caracas.
“O governo brasileiro tem o dever de reagir à essa provocação. Tomar providências nos âmbitos de OEA, Unasul e Mercosul”, disse.
O tucano ressaltou que “a visita começa agora”, e que o testemunho dos senadores que participaram da comitiva contribuirá para que o Brasil conheça melhor a realidade venezuelana.
Plenário
O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima, falou que os parlamentares da oposição promoverão uma reunião na manhã desta sexta-feira e, em seguida, irão ao Plenário para expor o que viram na Venezuela.
“O nosso objetivo era uma visita humanitária a presos políticos e a reafirmação de nosso compromisso com a democracia. Estaremos, todos nós, fazendo o relato dos episódios que testemunhamos”, afirmou.
Diplomacia à deriva
O Brasil perdeu mais uma oportunidade histórica de se colocar à altura de seu papel de liderança no continente.
Com a crise política, econômica e social na Venezuela e a escalada crescente da violência e a ameaça real à estabilidade institucional do país, esperava-se do governo brasileiro uma ação diplomática pró-ativa e firme, coerente com a tradição centenária do Itamaraty, pautada no respeito aos direitos humanos, à defesa da liberdade e da democracia.
Leia mais: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/aecioneves/2014/02/1416724-diplomacia-a-deriva.shtml.

