Futuro em Jogo

Aécio Neves – Folha de S. Paulo – 30/11/2015

Mantenho minha crença de que ainda poderemos nos tornar o primeiro grande país desenvolvido do mundo com uma economia de baixo carbono.

A mudança do atual regime de desenvolvimento para um modelo sustentável não é apenas um grande desafio, mas a nossa maior oportunidade econômica, comercial e de mudanças sociais do século 21.

Pena que, engolfado por múltiplas crises e tendo como prioridade apenas sobreviver ao verdadeiro desmanche de um projeto de poder, o governo brasileiro chegue hoje a Paris, na mais importante conferência mundial sobre o clima da atualidade, sem ter o que apresentar de substantivo.

Corremos o risco de ver, mais uma vez, o manejo artificial e conveniente de estatísticas para de alguma forma não expor a realidade. E a realidade é a retomada do crescimento do desmatamento na Amazônia e os efeitos de uma das mais extensas tragédias ambientais do mundo, a de Mariana, ainda pouco dimensionados em suas consequências.

Além disso, carregamos os saldos negativos das crises hídrica e energética, o sepultamento da política de biocombustíveis e a contradição da expansão de incentivos ao transporte individual, um dos maiores emissores de gases de efeito estufa no mundo, em detrimento do investimento em sistemas de transporte coletivo eficientes e menos poluidores.

No campo legal, o Brasil já tem institucionalizados instrumentos para o alcance de uma economia de baixo carbono. Definimos, inclusive, metas de médio prazo.

A questão central é que, tal como acontece nas demais políticas públicas nacionais, não há qualquer efetividade para torná-las factíveis e reais. As metas são concretas. Os meios são vagos. Lembro que, em 2009, instituiu-se às pressas a Política Nacional de Mudanças do Clima – PNMC, muito mais para dar algum protagonismo político à então candidata Dilma Rousseff do que como uma política estratégica para o país.

A PNMC brasileira previa dobrar o reflorestamento de 5,5 milhões de hectares para 11 milhões na década seguinte. Até hoje pouco foi feito. Também não saiu do papel o Inventário Florestal Nacional, incluindo a mensuração do estoque de carbono das florestas brasileiras. Seis anos depois, as principais iniciativas para reduzir as emissões são apenas promessas.

O século 21 poderá ser o século ambiental, se formos capazes de enfrentar com generosidade e responsabilidade os atuais desafios, a bordo de uma inédita e necessária solidariedade entre as nações em torno dessa causa comum, que será crucial para o destino do nosso processo civilizatório.

O Brasil tem o dever de avançar mais nesse tema e, quem sabe, tornar-se referência de um novo modelo de desenvolvimento sustentável.

Leia também aqui.

“Quem vai pagar a conta da irresponsabilidade do governo Dilma são os mais pobres”, diz Aécio

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, alertou, nesta sexta-feira (30/01), que as falhas do governo federal provocam danos principalmente nos mais pobres. Ele advertiu que a responsabilidade pelo momento crítico da economia com elevação de impostos e tarifas é exclusivamente do governo. Aécio também criticou a presidente Dilma Rousseff por reduzir os direitos trabalhistas.

“Quem tem a responsabilidade por esse quadro é exclusivamente o governo. Cabe à oposição denunciar, fiscalizar e impedir manobras fiscais, manobras contáveis que vieram sendo feitas sem qualquer constrangimento ao longo dos últimos anos”, afirmou o senador, que participou de debates sobre a crise energética e a conjuntura política nacional, em Brasília.

Para Aécio, a economia reflete a decisão de Dilma “que não pensou no Brasil e, sim nas eleições”. “Se o governo tivesse agido de forma responsável ao longo do ano passado, as medidas tomadas agora certamente teriam menos impacto para a população. Mas quem vai pagar a conta da irresponsabilidade do governo Dilma são os mais pobres”, disse.

Na avaliação do senador, agora o governo não tem como esconder a realidade do quadro que ele denunciou durante a campanha.  “Tudo que denunciamos durante a campanha eleitoral hoje aparece para a população brasileira de forma absolutamente cristalina. Seja com relação aos dados da economia, aos dados fiscais do governo, seja com relação à corrupção na Petrobras, às denúncias cada vez mais graves em relação aos desvios nos fundos de pensão e no BNDES. Portanto, cada vez mais vai ficando claro que quem venceu as eleições foi a mentira”, disse.

 

Receita

O senador destacou que as medidas adotadas pelo governo, de ajuste fiscal e corte de direitos trabalhistas, contrariam as propostas do PSDB. “A receita do atual governo não é nossa receita”, ressaltou ele. “A receita do atual governo é fazer o ajuste pelo aumento de impostos por um lado e a supressão dos direitos trabalhistas por outro.  Essa não é a receita do PSDB e não podemos deixar que isso seja confundido com ela.”

Aécio lembrou que, durante a campanha, no ano passado, ele advertiu sobre os riscos que o país viveria. “Cada vez mais, a cada dia que passa, se comprova que os nossos alertas eram os alertas corretos. A presidente da República não permitiu que o Brasil debatesse, durante a campanha eleitoral, medidas para superação da crise.”

O parlamentar lembrou que a imagem reproduzida por Dilma nos seus discursos contradiz a realidade. “Ela [a presidente da República] vendeu o país da fantasia: do conto da Carochinha, onde tudo ia muito bem, o país crescia, do pleno emprego e não havia necessidade de qualquer ajuste”, afirmou.

Aécio acrescentou que: “O custo dos ajustes é muito mais alto pela irresponsabilidade do governo, que não tomou, no momento que deveria ter tomado, as providências para conter esses equívocos todos e, infelizmente vai sobrar, mais uma vez, para o bolso do cidadão brasileiro, do contribuinte brasileiro”.

Aécio Neves – Entrevista em Brasília

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista coletiva, nesta sexta-feira (30/01), em Brasília, onde participou de reunião da bancada do PSDB, no Congresso Nacional, para discutir a crise energética e a conjuntura política nacional.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre a eleição no Congresso, qual a orientação do PSDB?

A minha posição pessoal é muito clara e eu venho trazê-la hoje à nossa bancada como presidente do partido. No momento que existem duas candidaturas da base governista e uma candidatura que se coloca como independente e que surge a partir da iniciativa de um partido político que, inclusive no segundo turno esteve conosco na última eleição presidencial, o caminho natural do PSDB é fortalecer a candidatura do deputado Júlio Delgado. É a candidatura que, a meu ver, apresenta as melhores condições de garantir a independência fundamental que a Câmara dos Deputados não teve nos últimos anos.

E no Senado não é diferente. A candidatura do senador Luiz Henrique na verdade atende esta mesma aspiração: não termos um Legislativo acuado, submisso, e principalmente, submetido às vontades e às orientações do Palácio do Planalto, como assistimos durante todo este último período e de forma mais escancarada ainda no final do ano passado no momento em que, com uma violência enorme, o comando do Legislativo, atendendo a orientação do Palácio do Planalto, feriu de morte a Lei de Responsabilidade Fiscal ao operar a LDO.

Portanto, na minha visão, temos duas grandes oportunidades, em apoiar a candidatura de Julio Delgado na Câmara Federal, apresentando uma agenda para o Poder Legislativo que iniba mais uma vez a edição das medidas provisórias, que inclusive possa votar, e ele tem este compromisso, o projeto que relatei no Senado Federal, aprovado por unanimidade no Senado no início da legislatura passada e que ficou engavetado também por orientação do Palácio do Planalto na Câmara que impede que medidas provisórias possam tratar de temas não correlatos, criando uma mínima relação de respeitabilidade entre os poderes.

No Senado, da mesma forma, estaremos ao lado do senador Luiz Henrique. Inclusive, hoje à tarde, no ato de lançamento da sua candidatura que, a meu ver, é uma candidatura extremamente competitiva.

 

Os seus colegas de partido disseram que independentemente do que aconteça no domingo no Congresso, vai ser um ano muito difícil na Casa. O senhor concorda com eles, independentemente de quem estiver na presidência será um ano complicado para os parlamentares?

Acho que poderá ser um grande ano para o Poder Legislativo, sobretudo em razão da fragilização do governo federal. O que estamos assistindo no dia a dia é o atestado absoluto de falência do governo. Um governo que não tem sequer a hombridade, a dignidade de reconhecer os seus erros, que não se julga no dever de explicar à população brasileira o que o Brasil de hoje é tão diferente do Brasil cantado em verso e prosa na campanha eleitoral poucos meses atrás.

Este é o grande momento de afirmação do Poder Legislativo. Não podemos continuar submetidos única e exclusivamente como ocorreu ao longo dos últimos anos à agenda do governo federal. E mais do que isso, do ponto de vista das denúncias sucessivas, das denúncias que não cessam de irregularidades de corrupção no governo, devemos centrar fileiras para já, imediatamente, nesta semana colhermos as assinaturas necessárias à recriação da CPMI da Petrobras, além de outras que estão sendo também cogitadas.

Mas a prioridade deve ser o Congresso Nacional retomar as investigações em relação aos desvios na Petrobras porque estamos ainda vendo a ponto do iceberg. Acho que temos a responsabilidade enquanto poder fiscalizador das ações do Poder Executivo, de avançarmos nessas investigações que já vem sendo feitas com competência pelo Ministério Público, pela Polícia Federal, mas o Poder Legislativo não pode deixar de dar também a sua contribuição.

 

As últimas medidas da Petrobras impactam fortemente alguns investimentos inclusive no Nordeste, região em que a presidente Dilma teve grande votação. Como o senhor avalia?

É uma vergonha. Destruíram a nossa maior empresa e não tiveram sequer a capacidade de agora, reconhecendo os desvios, minimizar essas perdas. Hoje, a perda de grau de investimento feita pela Moody’s (de Baa2 para Baa3) é uma sinalização clara de como o mundo vê o Brasil e não é só a Petrobras. Infelizmente, o que o Brasil hoje está provando é o veneno, o fel de um governo que agiu irresponsavelmente ao longo de todos os últimos anos. Tudo que denunciamos durante a campanha eleitoral hoje aparece para a população brasileira de forma absolutamente cristalina. Seja com relação aos dados da economia, aos dados fiscais do governo, seja com relação à corrupção na Petrobras, às denúncias cada vez mais grave em relação aos desvios nos fundos de pensão e no BNDES. Portanto, cada vez mais vai ficando claro que quem venceu as eleições foi a mentira.

 

Sobre a saúde na economia, registra o primeiro déficit primário desde 2001. Como a oposição pode colaborar para mudar este quadro.

Quem tem a responsabilidade por esse quadro é exclusivamente o governo. Cabe à oposição denunciar, fiscalizar e impedir manobras fiscais, manobras contáveis que vieram sendo feitas sem qualquer constrangimento ao longo dos últimos anos. Mas isso não dura para a vida toda. Estamos percebendo, agora, de forma absolutamente clara, que o governo não priorizou o Brasil. O governo priorizou as eleições. E medidas que agora estão sendo tomadas, se tivessem sido tomadas de forma responsável, e não foram, ao longo do ano passado, ao longo dos últimos anos, certamente minimizariam seus efeitos para a população brasileira.

Quem vai pagar a conta da incompetência e irresponsabilidade do governo da presidente Dilma são os mais pobres. E estamos vendo aí. A receita do atual governo não é nossa receita. Vou falar sobre isso hoje aqui. A receita do atual governo é fazer o ajuste pelo aumento de impostos por um lado e a supressão dos direitos trabalhistas por outro.  Essa não é a receita do PSDB e não podemos deixar que isso seja confundido com ela.

 

O setor elétrico está tendo várias crises. A presidente Dilma falava tempos atrás em redução de tarifa e não é o que está acontecendo.

Mais um grande engodo. Me lembro muito bem que no Congresso Nacional quando eu alertava para os riscos da Medida Provisória nº 579 fui acusado diretamente pela presidente de pessimista e torcer contra o Brasil.

Não se faz redução de tarifas, sem que haja uma política fiscal responsável, sem que haja planejamento. O que a presidente fez com o setor elétrico é mais uma demonstração da marca autoritária do seu governo, do absoluto desconhecimento que ela tem sobre do setor, e isso se estende à Petrobras, comandada por ela com mãos de ferro, durante todos esses últimos 12 anos. E, mais uma vez, o preço está sendo pago pela população brasileira, pelo contribuinte  brasileiro, com a perspectiva de aumentos expressivos na conta de luz, mais de 20% agora já no início do ano.

Cada vez mais, a cada dia que passa, se comprova que os nossos alertas eram os alertas corretos. A presidente da República não permitiu que o Brasil debatesse, durante a campanha eleitoral, medidas para superação da crise. Ela vendeu o país da fantasia: do conto da Carochinha, onde tudo ia muito bem, o país crescia, do pleno emprego e não havia necessidade de qualquer ajuste.

Hoje o custo dos ajustes é muito mais alto pela irresponsabilidade do governo, que não tomou, no momento que deveria ter tomado, as providências para conter esses equívocos todos e, infelizmente vai sobrar, mais uma vez, para o bolso do cidadão brasileiro, do contribuinte brasileiro.

 

Sobre eleições na Câmara

Desde o final do ano passado, o PSDB assumiu compromisso com Júlio Delgado. O PSDB agirá como partido político. O PSDB não se permitirá cooptações individuais, qualquer candidato que acha que poderá fazê-lo irá se frustrar. O PSDB votará em Júlio Delgado na sua integralidade. É o que eu espero.

Aécio Neves: O PSDB apoia as candidaturas de Júlio Delgado, na Câmara, e Luiz Henrique, no Senado

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, afirmou nesta sexta-feira (30/01) que o partido apoiará as candidaturas do deputado federal Júlio Delgado (PSB-MG) à Presidência da Câmara e do senador Luiz Henrique (PMDB-SC) ao Senado. Ele ressaltou que as duas candidaturas representam a bandeira do partido em defesa de um Legislativo fortalecido e independente.

“A candidatura de Júlio Delgado é de um partido que esteve conosco no segundo turno das eleições presidenciais. Além disso, é a candidatura é a que melhor tem condições para garantir à Câmara a independência que não houve nos últimos anos. A [candidatura] de Luiz Henrique atende a essa mesma aspiração: não termos um Legislativo submisso, submetido às vontades do Palácio do Planalto”, destacou.

Aécio destacou que, nesta sexta-feira, a bancada do PSDB no Senado fará um ato de apoio a Luiz Henrique. O presidente nacional da legenda e parlamentares tucanos participam de seminários sobre a crise energética no país e a conjuntura política nacional, em Brasília.

 

Perspectivas
Para Aécio, 2015 pode ser “um grande ano para o Legislativo”. Para o senador, o quadro de “falência” do governo federal dá a possibilidade do Congresso se fortalecer junto à sociedade. E uma das ações esperadas é a instalação de uma nova CPI para apurar as denúncias que envolvem a Petrobras.

“Estamos assistindo ao atestado de falência do governo federal, um governo que sequer tem a hombridade de reconhecer erros e explicar à população porque o Brasil real é tão diferente daquele cantado durante as eleições. É por isso que esse é o grande momento de afirmação do Legislativo – não podemos continuar única e exclusivamente com a agenda do Palácio do Planalto”, afirmou o senador.

Aécio acrescentou que o PSDB vai “centrar fileiras” para obter as assinaturas necessárias para a instalação de uma nova CPI sobre a Petrobras. “Temos a responsabilidade de avançarmos nessas investigações – que estão sendo conduzidas com muita competência por Polícia Federal e Ministério Público, mas que não podem ficar sem a nossa contribuição”, relatou.

Aécio culpa excesso de intervencionismo do governo por crise de energia no país

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, anunciou nesta terça-feira, em Brasília, que o Instituto Teotônio Vilela – instituição vinculada a legenda e dedicada a pesquisas, irá elaborar um conjunto de propostas para o setor de energia do país a partir da avaliação de especialistas. O parlamentar tucano culpou durante a abertura do seminário “A Crise Energética Brasileira” o excesso de intervencionismo por parte do governo federal pelos problemas atuais do setor energético do Brasil. Aécio também criticou o aparelhamento das estatais do país.

 

Sonora de Aécio Neves

“Infelizmente, o aparelhamento e a própria falta de visão em relação à necessidade de serem elas compostas pela meritocracia, por pessoas qualificadas, elas foram sucateadas e viraram instrumentos não apenas de barganhas políticas, mas para usar um termo muito caro, aqueles que governam também de malfeitos.”

O presidente interino do ITV, Luiz Paulo Vellozo Lucas, afirmou que o país precisa de mudança na condução de diversos setores, inclusive de energia.

 

Sonora de Luiz Paulo Vellozo Lucas

“Mudanças de verdade em direção a um futuro em que exista previsibilidade no ambiente econômico, respeito aos contratos, e que os marcos regulatórios sejam amistosos em relação aos investimentos privado e que a palavra do governo seja uma palavra sempre coerente e indicativa do que se espera da iniciativa privada no setor de infraestrutura e, particularmente, no setor de energia.”

 

Boletim

Aécio Neves – Entrevista sobre alianças regionais

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista, nesta terça-feira (18/03), em Brasília (DF). Aécio Neves falou sobre as alianças regionais do partido, em destaque a coligação do Rio Grande do Sul – formada com o DEM e Solidariedade. O senador també comentou sobre a crise no setor de energia e o Marco Civil da Internet.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre alianças no Rio Grande do Sul

Estamos acertando os palanques regionais e agora é o momento, como dizia lá atrás, cada coisa a seu tempo, das costuras dos palanques regionais. Estamos fazendo isso de forma extremamente harmoniosa. Acho que não há nenhuma questão insolúvel hoje. Ao contrário, selamos uma aliança no Sul e isso é extremamente importante porque nos reposiciona no quadro do Rio Grande do Sul. PSDB, Democratas e Solidariedade, que juntos representam, além de uma chapa forte, têm cerca de 5 minutos de tempo de televisão, somados. Vamos negociar agora conjuntamente, visando o atendimento do interesse nacional da coligação.

 

Em torno de quem?

Lá não temos candidato majoritário. Fizemos aliança proporcional o que vai nos permitir avaliar o quadro, porque dentro desta aliança têm setores que preferem aliança com PMDB, outros com PDT, e até com o PP. O que era importante era consolidarmos a nossa aliança, porque o nosso papel passa a ser um papel mais relevante na negociação política. Estamos falando de partidos que representam 5 minutos e outros quatro ou cinco partidos menores que podem se somar a esee grupo.

Essa aliança proporcional atende aos interesses de ambos os partidos nos posiciona como agora um interlocutor mais estruturado no Rio Grande, que era uma preocupação que tínhamos.

 

O candidato não será de nenhum dos três partidos?

É provável que não. Hoje você tem lá três forças políticas constituindo candidaturas majoritárias. O PMDB, o PDT e o PP. Vamos ver onde está uma afinidade maior deste grupo.

 

A senadora Ana Amélia (PP) é a mais próxima?

Tem de estar mais próximos a eles lá. Não descarto nenhuma das alternativas. O PMDB tomou uma decisão neste sábado importante, que estamos aguardando, que é a definição por uma candidatura contra o governo nacional do PT, que é a candidatura do (José Ivo) Sartori, ex-prefeito de Caxias do Sul.  O PMDB tomou o caminho numa disputa por uma candidatura, que de um outro lado representava o apoio ao governo federal, contra o governo federal. Então, abre-se mais uma alternativa de negociação. Um desses três será o palanque da nossa coligação no Rio Grande do Sul. Estamos conversando sobre isso hoje.

 

Sobre a crise no setor de energia

Uma percepção generalizada da gravidade da situação econômica do país, esta situação de energia que alertávamos lá atrás, extremamente trágica. Os interlocutores com os quais temos conversado, falam que este custo chegará a R$ 30 bilhões. O governo acenou em uma medida extremamente populista por um lado, não mediu as conseqüências dessa medida e, agora, são os cidadãos brasileiros, as empresas brasileiras que vão pagar o custo desta medida absolutamente desastrada, provisória.

Nós que botamos a cara, fomos acusados de sermos contra a baixar a tarifa. Na verdade, indiretamente, o custo já chega ao trabalhador. E, irresponsavelmente, estamos assistindo o governo adiar isso para 2015, o que só vai agravar a situação. O governo tem receio sequer, isso mostra o nível de fragilidade do governo, de alertar as pessoas com alguma campanha de contenção, pelo menos com informações. Até uma decisão da Aneel, absolutamente correta, de que as pessoas devam ser alertadas para o período do dia onde a energia é mais cara, definindo e fazendo escalas durante o dia, o governo federal vetou essa proposta porque achava que isso poderia sinalizar racionamento.

Isso é uma irresponsabilidade, porque a conta vai vir, vai vir alta, e esse adiamento só agrava a questão porque não há nenhuma orientação do ponto de vista de você ter uma utilização mais racional da energia. Então é isso é o governo. É um governo que só tem como objetivo a reeleição. Não se administra mais o Brasil. Esse ministério, nunca houve antes na história do Brasil um ministério de tão pouca expressão como esse. Acho que a própria presidente da República terá uma dificuldade enorme de lembrar o nome sequer desses ministros que ela nomeou ontem.

Isso apequena a República, apequena a própria presidente da República. Virou o samba do crioulo doido. Se você admite que apoia o governo, leva um ministério. Se não, leva uma Chesf. Nunca a ação política foi tão mercantilizada como estamos assistindo hoje no Brasil, nos estertores desse governo. Não se tem mais constrangimento desses entendimentos à luz do dia. E enganam-se aqueles que acham que essa desqualificação do governo não tem efeito na vida das pessoas. Tem sim. Tem nas ações da saúde, da educação, da infraestrutura, e de todas as outras áreas.

 

Sobre o Marco Civil da Internet, o governador Eduardo Campos disse que a Dilma errou ao colocar o assunto em pauta em ano eleitoral. Qual a avaliação que o senhor faz?

A nossa posição tem sido essa já na Câmara, onde o assunto está sendo discutido. Nós somos a favor da neutralidade, mas achamos que esse projeto traz uma possibilidade de um intervencionismo inadequado do governo. Através de um decreto a presidente pode fazer uma intervenção que consideramos perigosa. Principalmente vindo de um governo que, volta e meia, apresenta o seu perfil intervencionista, inclusive em relação à mídia. Então, não acredito que esta matéria esteja madura para ser votada imediatamente. A posição do PSDB é de aguardar que essa negociação possa avançar e esse viés intervencionista que traz o projeto possa ser revisto. O PSDB não está confortável.

 

Aguardar até o ano que vem se for necessário?

Se for necessário. Vai ter um grande encontro internacional sobre essa questão. Quem sabe dali não se possa tirar experiências que possam permitir um amadurecimento desse projeto. Vejo uma ansiedade muito grande do governo nessa votação. E a nossa posição sempre foi pela neutralidade, mas contra esse intervencionismo ou essa possibilidade de intervencionismo do governo federal.

 

Sobre apoio do PSDB no Rio de Janeiro

Estamos conversando com o César. A decisão que o PSDB tomará no Rio de Janeiro será em conjunto com o Democratas, no que depender do PSDB. Temos lá manifestações de apoio de partidos importantes, que têm uma outra opção para o governo do estado, como o Solidariedade,  PSD e parcelas do próprio PMDB, mas vamos buscar construir uma candidatura ao governo, uma candidatura própria ao governo, com os nossos aliados, em especial o Democratas e o PPS, que têm conversado permanentemente no Rio de Janeiro. Tudo a seu tempo.

 

Sobre participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na chapa do partido

Seria uma honra para qualquer pessoa, qualquer candidato ter o Fernando Henrique como companheiro. Mas isso jamais foi cogitado. Nem por nós e nem por ele.  O fato concreto é que Fernando Henrique é, hoje, uma figura pública extremamente respeitada no Brasil. E, acho, influente também no processo eleitoral. O que saiu é real: as pesquisas qualitativas, todas elas, mostram que há hoje uma compreensão mais ampla da sociedade brasileira, independente de renda, de nível social, da importância da figura do Fernando Henrique, da importância do governo do presidente Fernando Henrique, para que nós chegássemos até aqui. Então há, sim, uma intenção de tê-lo cada vez mais presente – como ele tem estado nas negociações. Tivemos nessa sexta-feira um dia inteiro de reuniões – que essas vocês não identificaram – desde as 9 da manhã até às 18 horas. Várias reuniões setoriais, com gente que está conduzindo o programa de governo, alguns políticos, empresários. Então, há um engajamento dele cada vez maior nesse projeto. Mas não se cogita essa questão da composição da chapa. Pelo menos por enquanto.

 

Sobre o candidato a vice na chapa do partido

Tudo na hora certa.

 

Pode ser do DEM?  

É uma possibilidade concreta, tem que ser avaliada. Temos uma aliança hoje muito avançada com o Democratas, com o Solidariedade, e temos nomes do próprio partido, que serão avaliados. Nós não temos pressa pra isso. Nós vamos definir essa questão no final do mês de maio. É o nosso time.

 

Sobre matéria que diz que o lançamento da pré-candidatura do partido foi adiado 

Não tem nada. Eu vi isso, mas não sei de onde surgiu. Na verdade, não estava nada marcado. Existia uma proposta de eventualmente fazer alguma coisa em São Paulo, e eu vou estar em São Paulo com o governador Geraldo Alckmin no sábado, no Congresso Paulista de Municípios, em uma cidade inclusive governada pelo PSDB. Vamos estar juntos e vamos conversar um pouco sobre isso. Mas não há uma previsão de lançamento. Não tem a necessidade de fazer isso.

Nosso esforço agora é esse, ao qual estou me dedicando: finalizar a construção dos palanques regionais e, de forma cada vez mais clara, mostrar que já deu. Acho que o termo é esse. Acho que o sentimento que nós colhemos, inclusive, nessas avaliações, nas viagens que fazemos, nas próprias pesquisas. Já deu em relação a isso que está aí. O absurdo da continuidade da maquiagem fiscal, aliada à incapacidade de se construir um governo minimamente eficiente, e à perda de rumos.

Nós vemos aqui um governo que virou uma biruta de aeroporto, não sabe para que lado aponta. Esse é o retrato, hoje, que talvez melhor reflita um sentimento que não é meu não, é da própria base. Não se sabe o que o governo quer aprovar, não se sabe quem fala pelo governo aqui ou na Câmara Federal. As figuras amanhecem ministros e dormem fora, e vice-versa, sem que seja dada importância maior a isso.

Eu achei um quadro preocupante a imagem, a foto, de ilustres desconhecidos assumindo – com todo respeito pessoal que todos mereçam ter –, sem a dimensão, a experiência para ocupar cargo de ministros de Estado. Na verdade, esse é o retrato do governo da presidente Dilma.

 

Sobre o PMDB-RJ.

Tenho recebido manifestações de setores do PMDB, que recebo com muita satisfação. Mas o PSDB, ao lado do Democratas, ao lado do PPS, está construindo uma alternativa, um palanque, uma candidatura no Rio. Obviamente, se houver setores que hoje apoiam o governador Sérgio Cabral, como, por exemplo, já manifestou o Solidariedade, que hoje participa do governo, o PSD, que também participa do governo, e setores do PMDB, de uma simpatia, um eventual apoio a nossa candidatura, isso é bem vindo. Mas isso é uma manifestação que vem deles. O governador Sérgio tem reiterado o seu compromisso com a presidente da República e eu respeito.

É o que eu estou vendo. Isso não impede que forças que estão hoje na base de sustentação dele estejam nos apoiando. Mas nós vamos apresentar, nosso esforço é para apresentar uma alternativa para o Rio de Janeiro. Sem pressa nenhuma, na hora certa. Estamos construindo isso.

 

Existe preferência pela chapa puro sangue no PSDB Nacional?

Não existe. Agora vamos viver a época das especulações. As pessoas ouvem muitas coisas aí, não sei onde, e transformam em opinião minha. Essa construção da chapa será a partir de um entendimento, do qual participará, especialmente, o presidente José Agripino, do Democratas. Essa é a minha palavra, de forma cabal em relação a isso. É até bom que eu diga. Essa decisão será tomada no final de maio, num entendimento que passará pelo presidente José Agripino Maia, do Democratas, e pelo presidente do Solidariedade, Paulinho da Força. São os partidos que já se manifestaram publicamente em favor da nossa candidatura. Então, a partir daí qualquer coisa é possível. E temos boas alternativas que eu não vou especular porque senão vira fato. Mas o prazo é esse. Até porque não nos interessa antecipar isso. Não será tomada uma decisão distante ou alheia à vontade do Democratas e do Solidariedade.

 

O senhor esteve hoje com o governador Geraldo Alckmin?

Não. Falei com ele pelo telefone e combinamos essa agenda de sábado agora. É um tema que me agrada muito, porque é a questão dos municípios. Grande parte deles em insolvência em razão do abandono da agenda federativa por parte do governo. Tudo que o governo se comprometeu a fazer, do ponto de vista federativo, não fez. Falhou. Faltou com a verdade nos acordos que fixou aqui no Congresso Nacional. E o próprio ministro teve que aqui, de forma vergonhosa, desfazer um entendimento que seria muito importante para os estados. Vamos falar disso tudo. Vamos falar do mal que esse governo faz também para a Federação. Esse vai ser um encontro emblemático porque nós vamos externar algumas das propostas que nós temos para a questão municipalista, para os municípios e para os estados.