Entrevista do senador à Rádio Jovem Pan

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista, neste domingo (17/04/2016), à Rádio Jovem Pan. Aécio falou sobre a votação do pedido de impeachment na Câmara dos Deputados, Michel Temer, candidaturas do PSDB e do PMDB em 2018, entre outros assuntos.

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre período entre o votação do pedido de impeachment da presidente na Câmara e a votação no Senado.

Em primeiro lugar, numa hora como essa, em que os ânimos estão um pouco exaltados, nós temos que ter muita serenidade. E eu não tenho dúvidas de que o que a história registrará não lá adiante, mas dentro de muito pouco tempo, é que fez-se cumprir a Constituição no Brasil. Esse é, no momento, a meu ver, o mais extraordinário de tudo que estamos vivendo. A presidente da República cometeu crime de responsabilidade. Ao contrário do que o ministro advogado-geral José Eduardo Cardozo quis dizer, não é possível querer graduar o crime, o ‘pode-se cometer até aqui, e a partir daqui não’. Ela cometeu o crime de responsabilidade e vai responder por ele, exatamente como determina a Constituição. Não tenho dúvidas de que hoje a admissibilidade é aprovada.

Amanhã – respondendo bem objetivamente a sua pergunta – nós já temos uma conversa com o presidente Renan Calheiros. A nossa ideia é que, sendo feita a leitura amanhã, na terça-feira, portanto depois de amanhã, está sendo constituída a comissão processante no Senado, e em 10 sessões, portanto, calculamos alguma coisa que não ultrapasse o dia 10 de maio, possa ser, aberto o processo com maioria simples dos senadores. Aí nós teremos um prazo de até 180 dias, que eu considero extremamente longo. Nós temos que nos sentar à mesa, saber que tem um Brasil a ser reconstruído, e o que nós pudermos antecipar nesse prazo – obviamente garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório – quanto mais rapidamente definirmos de forma a extinguir em definitivo esse processo, melhor para todos, melhor para o Brasil.

Em 1992, o Lula foi um dos líderes políticos em favor do impeachment de Fernando Collor, e, em seguida, se declarou na oposição e passou a cuidar da sua candidatura à Presidência. O PSDB vai arcar com o peso de garantir a governabilidade a um eventual governo de Michel Temer, e isso implica necessariamente em participar do governo?

Em primeiro lugar, o PT tem uma marca que ele carregará para sempre, e eu na campanha dizia muito isso e repito agora para todos os ouvintes da Jovem Pan. O PT sempre que teve que decidir ou optar entre o PT e o Brasil, o PT ficou com o PT. Esse foi mais um dos episódios. Eu poderia citar a eleição de Tancredo no Colégio Eleitoral, porque não interessava para eles que Tancredo fosse eleito, posso citar o Plano Real, a própria Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo Itamar.

Nós, do PSDB, que cometemos equívocos, e somos criticados por muitos deles, temos uma outra marca e a levaremos para sempre conosco. Nós temos responsabilidade para com o Brasil. Afastada a presidente da República, pela via constitucional do impeachment, nós estaremos pensando em como ajudar aquele que a Constituição determina que a suceda, que é o vice-presidente da República, a nos tirar desse abismo, das profundezas em que o PT nos colocou.

Existem muitas formas de fazer isso. Tenho tido conversas como presidente do partido com o vice-presidente da República, acho que é prudente que aguardemos o desfecho de todo esse episódio, mas nós apresentamos, e vocês acompanharam, uma agenda para o Brasil, uma agenda de reformas profundas, de enxugamento do Estado, de profissionalização das empresas estatais, dos fundos de pensão, de reformas estruturantes, de uma política externa pragmática em favor do Brasil, para nos livrar desse bolivarianismo anacrônico, atrasado, que também trouxe enormes prejuízos a todos nós.

Essa agenda estará à disposição do atual vice-presidente da República, se ele assumir a Presidência da República, e ele contará com nosso apoio integral, mesmo que, para isso, nós saibamos, e essa análise está aí na boca, na pena dos mais qualificados analistas políticos do país, o PSDB pagará um preço por isso. Nessa hora é hora de nos diferenciamos. É o Brasil que está à frente, vamos ajudar o vice-presidente da República a superar a crise na qual o governo do PT nos mergulhou.

Sobre possibilidade de redução do prazo de tramitação no Senado.

Há uma convergência, e óbvio não incluo nessa convergência aqueles que querem estender o tempo, não sei com que objetivo, mas para acreditar que alguma coisa nova possa surgir, mas há uma convergência de que, até em razão daquilo que o Supremo Tribunal Federal, a partir do relatório do ministro Barroso, determinou, que dez sessões deliberativas serão suficientes para que a comissão processante possa apresentar o seu relatório.

O nosso entendimento é de que, e é isso que iremos arguir amanhã com o presidente Renan Calheiros, é que a partir de terça-feira essa comissão seja instalada, e, na própria terça-feira, possa eleger o seu comando, o seu presidente e o seu relator e, em dez sessões, aí depende da capacidade de realizarmos essas dez sessões, mas não acredito que isso ocorrerá no prazo maior do que 15 dias, nós possamos ter esse processo votado no plenário do Senado por maioria simples.

Esse é o sentimento que colho de inúmeras, dezenas de conversas que tenho tido nessas últimas 48 horas, e acho que o sentimento pós a votação de hoje irá orientar, irá estimular aqueles que querem, garantido o amplo direito de defesa, um tempo mais curto para essa decisão.

Sobre candidaturas do PSDB e do PMDB em 2018.

Primeira questão que é essencial: o PSDB tem um projeto para o Brasil, acredita nele, construiu uma proposta, ao contrário do que fez a presidente da República. Discutimos amplamente com a sociedade e esse projeto será reapresentado em 2018, obviamente com as suas atualizações.

Alguns dizem que talvez fosse mais “oportuno”, para não dizer “oportunista”, que nós nos preservássemos de um eventual desgaste de um governo que precisará tomar medidas duras. Mas nós não faremos isso. Vamos cuidar agora de 2016, do dia de amanhã, da necessidade do resgate da confiança, da credibilidade em nossa economia, para que os investimentos voltem a vir e os empregos voltem a ser gerados. E eu acho que, inclusive isso, até um eventual desgaste de apoiar um governo que terá, e aí, claro, é necessário que o vice-presidente da República, em assumindo a presidência, tenha também a coragem, a altivez de apresentar ao Brasil essa agenda.

Nosso apoio obviamente dependerá dessas condições ou da sua postura, que nós esperamos que seja correta. Vamos apoiá-lo, vamos ajudar para que essa agenda seja efetivada e vamos apresentar em 2018 o nosso projeto para o país. O governo Michel, se ocorrer, e eu acredito que ocorrerá, será um governo de transição, que terá que tomar medidas emergenciais e que nós, mesmo com o desgaste que isso possa nos trazer, não teremos a menor dúvida em apoiá-las, porque o Brasil depende do êxito delas.

O Sr. acha que há condições de se discutir uma emenda parlamentarista, num movimento de grande convergência nacional?

Como você sabe, somos parlamentaristas. O PSDB é o único partido que traz no seu programa a defesa do Parlamentarismo. Mas, até por acreditar tanto nele, e falo francamente essa é minha opinião pessoal porque nós não aprofundamos ainda essa discussão dentro do partido, de que vindo num momento de crise possa, mais uma vez, se inviabilizar.

O que defendo, já tive a oportunidade de dizer isso ao vice presidente Michel, em acontecendo a substituição da atual presidente da República, ele deve entre as primeiras medidas a serem apresentadas, apresentar dois ou três pontos em relação à reforma política: a cláusula de barreira, o voto distrital misto e o fim das coligações proporcionais.

Porque isso pode nos dar a base, aí sim para que o presidente eleito em 2018 possa propor a emenda parlamentarista. Se pudesse desenhar o futuro, eu diria isso: um governo de emergência do presidente Michel, com reformas estruturais no campo trabalhista, na própria reforma do estado, enfrentando a questão previdenciária. Em 2018, um grande debate no país e, se vencêssemos as eleições em 2018, aí eu acho que com essas reformas de base feitas, incluindo na questão política, nós possamos pensar na apresentação da emenda parlamentarista.

Aécio Neves – Entrevista à Rádio Jovem Pan

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista, neste domingo (17/04/2016), à Rádio Jovem Pan. Aécio falou sobre a votação do pedido de impeachment na Câmara dos Deputados, Michel Temer, candidaturas do PSDB e do PMDB em 2018, entre outros assuntos.

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre período entre o votação do pedido de impeachment da presidente na Câmara e a votação no Senado.

Em primeiro lugar, numa hora como essa, em que os ânimos estão um pouco exaltados, nós temos que ter muita serenidade. E eu não tenho dúvidas de que o que a história registrará não lá adiante, mas dentro de muito pouco tempo, é que fez-se cumprir a Constituição no Brasil. Esse é, no momento, a meu ver, o mais extraordinário de tudo que estamos vivendo. A presidente da República cometeu crime de responsabilidade. Ao contrário do que o ministro advogado-geral José Eduardo Cardozo quis dizer, não é possível querer graduar o crime, o ‘pode-se cometer até aqui, e a partir daqui não’. Ela cometeu o crime de responsabilidade e vai responder por ele, exatamente como determina a Constituição. Não tenho dúvidas de que hoje a admissibilidade é aprovada.

Amanhã – respondendo bem objetivamente a sua pergunta – nós já temos uma conversa com o presidente Renan Calheiros. A nossa ideia é que, sendo feita a leitura amanhã, na terça-feira, portanto depois de amanhã, está sendo constituída a comissão processante no Senado, e em 10 sessões, portanto, calculamos alguma coisa que não ultrapasse o dia 10 de maio, possa ser, aberto o processo com maioria simples dos senadores. Aí nós teremos um prazo de até 180 dias, que eu considero extremamente longo. Nós temos que nos sentar à mesa, saber que tem um Brasil a ser reconstruído, e o que nós pudermos antecipar nesse prazo – obviamente garantido o direito à ampla defesa e ao contraditório – quanto mais rapidamente definirmos de forma a extinguir em definitivo esse processo, melhor para todos, melhor para o Brasil.

Em 1992, o Lula foi um dos líderes políticos em favor do impeachment de Fernando Collor, e, em seguida, se declarou na oposição e passou a cuidar da sua candidatura à Presidência. O PSDB vai arcar com o peso de garantir a governabilidade a um eventual governo de Michel Temer, e isso implica necessariamente em participar do governo?

Em primeiro lugar, o PT tem uma marca que ele carregará para sempre, e eu na campanha dizia muito isso e repito agora para todos os ouvintes da Jovem Pan. O PT sempre que teve que decidir ou optar entre o PT e o Brasil, o PT ficou com o PT. Esse foi mais um dos episódios. Eu poderia citar a eleição de Tancredo no Colégio Eleitoral, porque não interessava para eles que Tancredo fosse eleito, posso citar o Plano Real, a própria Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo Itamar.

Nós, do PSDB, que cometemos equívocos, e somos criticados por muitos deles, temos uma outra marca e a levaremos para sempre conosco. Nós temos responsabilidade para com o Brasil. Afastada a presidente da República, pela via constitucional do impeachment, nós estaremos pensando em como ajudar aquele que a Constituição determina que a suceda, que é o vice-presidente da República, a nos tirar desse abismo, das profundezas em que o PT nos colocou.

Existem muitas formas de fazer isso. Tenho tido conversas como presidente do partido com o vice-presidente da República, acho que é prudente que aguardemos o desfecho de todo esse episódio, mas nós apresentamos, e vocês acompanharam, uma agenda para o Brasil, uma agenda de reformas profundas, de enxugamento do Estado, de profissionalização das empresas estatais, dos fundos de pensão, de reformas estruturantes, de uma política externa pragmática em favor do Brasil, para nos livrar desse bolivarianismo anacrônico, atrasado, que também trouxe enormes prejuízos a todos nós.

Essa agenda estará à disposição do atual vice-presidente da República, se ele assumir a Presidência da República, e ele contará com nosso apoio integral, mesmo que, para isso, nós saibamos, e essa análise está aí na boca, na pena dos mais qualificados analistas políticos do país, o PSDB pagará um preço por isso. Nessa hora é hora de nos diferenciamos. É o Brasil que está à frente, vamos ajudar o vice-presidente da República a superar a crise na qual o governo do PT nos mergulhou.

Sobre possibilidade de redução do prazo de tramitação no Senado.

Há uma convergência, e óbvio não incluo nessa convergência aqueles que querem estender o tempo, não sei com que objetivo, mas para acreditar que alguma coisa nova possa surgir, mas há uma convergência de que, até em razão daquilo que o Supremo Tribunal Federal, a partir do relatório do ministro Barroso, determinou, que dez sessões deliberativas serão suficientes para que a comissão processante possa apresentar o seu relatório.

O nosso entendimento é de que, e é isso que iremos arguir amanhã com o presidente Renan Calheiros, é que a partir de terça-feira essa comissão seja instalada, e, na própria terça-feira, possa eleger o seu comando, o seu presidente e o seu relator e, em dez sessões, aí depende da capacidade de realizarmos essas dez sessões, mas não acredito que isso ocorrerá no prazo maior do que 15 dias, nós possamos ter esse processo votado no plenário do Senado por maioria simples.

Esse é o sentimento que colho de inúmeras, dezenas de conversas que tenho tido nessas últimas 48 horas, e acho que o sentimento pós a votação de hoje irá orientar, irá estimular aqueles que querem, garantido o amplo direito de defesa, um tempo mais curto para essa decisão.

Sobre candidaturas do PSDB e do PMDB em 2018.

Primeira questão que é essencial: o PSDB tem um projeto para o Brasil, acredita nele, construiu uma proposta, ao contrário do que fez a presidente da República. Discutimos amplamente com a sociedade e esse projeto será reapresentado em 2018, obviamente com as suas atualizações.

Alguns dizem que talvez fosse mais “oportuno”, para não dizer “oportunista”, que nós nos preservássemos de um eventual desgaste de um governo que precisará tomar medidas duras. Mas nós não faremos isso. Vamos cuidar agora de 2016, do dia de amanhã, da necessidade do resgate da confiança, da credibilidade em nossa economia, para que os investimentos voltem a vir e os empregos voltem a ser gerados. E eu acho que, inclusive isso, até um eventual desgaste de apoiar um governo que terá, e aí, claro, é necessário que o vice-presidente da República, em assumindo a presidência, tenha também a coragem, a altivez de apresentar ao Brasil essa agenda.

Nosso apoio obviamente dependerá dessas condições ou da sua postura, que nós esperamos que seja correta. Vamos apoiá-lo, vamos ajudar para que essa agenda seja efetivada e vamos apresentar em 2018 o nosso projeto para o país. O governo Michel, se ocorrer, e eu acredito que ocorrerá, será um governo de transição, que terá que tomar medidas emergenciais e que nós, mesmo com o desgaste que isso possa nos trazer, não teremos a menor dúvida em apoiá-las, porque o Brasil depende do êxito delas.

O Sr. acha que há condições de se discutir uma emenda parlamentarista, num movimento de grande convergência nacional?

Como você sabe, somos parlamentaristas. O PSDB é o único partido que traz no seu programa a defesa do Parlamentarismo. Mas, até por acreditar tanto nele, e falo francamente essa é minha opinião pessoal porque nós não aprofundamos ainda essa discussão dentro do partido, de que vindo num momento de crise possa, mais uma vez, se inviabilizar.

O que defendo, já tive a oportunidade de dizer isso ao vice presidente Michel, em acontecendo a substituição da atual presidente da República, ele deve entre as primeiras medidas a serem apresentadas, apresentar dois ou três pontos em relação à reforma política: a cláusula de barreira, o voto distrital misto e o fim das coligações proporcionais.

Porque isso pode nos dar a base, aí sim para que o presidente eleito em 2018 possa propor a emenda parlamentarista. Se pudesse desenhar o futuro, eu diria isso: um governo de emergência do presidente Michel, com reformas estruturais no campo trabalhista, na própria reforma do estado, enfrentando a questão previdenciária. Em 2018, um grande debate no país e, se vencêssemos as eleições em 2018, aí eu acho que com essas reformas de base feitas, incluindo na questão política, nós possamos pensar na apresentação da emenda parlamentarista.

Encontro com juristas favoráveis ao impeachment

“Acima dos partidos políticos, acima das conveniências eleitorais e partidárias de quem quer que seja, existe um Brasil democrático, sólido nas suas instituições e que vai vencer essa luta, e vai, com a força do povo e em respeito absoluto à Constituição, dar a si próprio uma nova chance”, disse Aécio Neves, durante encontro, esta manhã (14), na Câmara dos Deputados, com juristas e advogados defensores do impeachment da presidente Dilma Rousseff por crime de responsabilidade.

Na reunião, com a presença do ex-presidente do STF Carlos Velloso e líderes da oposição, o presidente do PSDB destacou o protagonismo da sociedade nas mudanças que vem ocorrendo na vida pública do país nos últimos anos.

Assista a trecho do pronunciamento de Aécio Neves durante encontro com juristas.

“Brasil vai vencer essa luta com a força do povo e em respeito à Constituição”, afirma Aécio em reunião com juristas defensores do impeachment

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, afirmou, nesta quinta-feira (14/04), que o impeachment da presidente Dilma Rousseff dará ao Brasil uma nova chance para superar a grave crise econômica e social provocada pelos erros cometidos no comando do país.

Em reunião, ocorrida hoje, na Câmara dos Deputados, com juristas defensores do afastamento da presidente da República, Aécio ressaltou que o processo de impeachment tem amparo jurídico previsto na Constituição e conta com o apoio da maioria da população brasileira.

“Pelos seus próprios erros e equívocos, a atual presidente da República e o seu governo não apresentam mais as mínimas condições de permitir ao Brasil construir uma nova etapa da sua história. Acima dos partidos políticos, acima das conveniências eleitorais e partidárias de quem quer que seja, existe um Brasil democrático, sólido nas suas instituições e que vai vencer essa luta, e vai, com a força do povo e em respeito absoluto à Constituição, dar a si próprio uma nova chance”, destacou Aécio Neves.

O encontro teve a participação de líderes da oposição, advogados, de ex-ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Velloso. A reunião também contou com as presenças de membros dos Institutos dos Advogados de São Paulo, Pernambuco e Paraná, professores da USP, PUC/SP e FGV.

“É fundamental que o embasamento jurídico e que os pressupostos sejam atendidos, e eles foram largamente atendidos nas peças apresentadas pelos ilustres juristas [Miguel] Reale Júnior, Hélio Bicudo e pela Janaína Paschoal. O sentimento que hoje, a meu ver, é da grande maioria dos brasileiros, é de que atendidos os pressupostos jurídicos à materialidade do crime de responsabilidade cometido pela senhora presidente da República no exercício do seu mandato, há sim, aquilo que considero para um processo dessa magnitude também essencial, o ambiente político, a constatação generalizada da sociedade brasileira de que o Brasil precisa de uma nova chance”, afirmou o senador.


Crime de responsabilidade causou danos ao país

O presidente do PSDB também rebateu a defesa da presidente Dilma feita pelo advogado-geral da União na Comissão Especial do Impeachment. Aécio afirmou que o relatório aprovado pela maioria dos deputados, recomendando a abertura do processo de impeachment, deixou claro que houve crime de responsabilidade na gestão das contas do país com graves danos à economia e à sociedade.

“Ao contrário daquilo que tentou nos dizer o advogado-geral da União, houve dolo sim na tomada daquelas medidas, pois elas não só afetaram o resultado eleitoral, por terem mascarado a real situação do país, como nos levou à destruição de pilares fundamentais da economia e, a partir deles, de ganhos sociais que ao longo de décadas os brasileiros vinham contabilizando”, afirmou Aécio.

Na coletiva à imprensa, o senador falou sobre a expectativa para a votação do impeachment na Câmara dos Deputados no próximo domingo. Ele afirmou que a mudança de posição de partidos aliados do governo sinaliza que o processo será aprovado.

“É a demonstração cabal de que essa não é uma ação golpista das oposições, como gosta de repetir o governo. Se ela hoje corre um risco real de ser afastada do cargo é porque esse consenso atingiu sua própria base de sustentação. Vários daqueles que a acompanharam até agora estão percebendo que não é mais possível manter este governo”, destacou.

Aécio Neves afirmou ainda que a tramitação do impeachment no Senado, após aprovação na Câmara, dará à presidente Dilma nova oportunidade de se defender das acusações que lhe são feitas.

“Acredito que, a partir de domingo, a Câmara dos Deputados entregará ao Senado Federal a responsabilidade de julgar a presidente da República. Faremos isso com serenidade, com base nos autos, com amplíssimo direito de defesa oferecido à presidente da República e aos seus representantes”, afirmou o presidente do PSDB.

Aécio Neves – Pronunciamento no Encontro com juristas

“Acima dos partidos políticos, acima das conveniências eleitorais e partidárias de quem quer que seja, existe um Brasil democrático, sólido nas suas instituições e que vai vencer essa luta, e vai, com a força do povo e em respeito absoluto à Constituição, dar a si próprio uma nova chance”, diz Aécio sobre consenso da sociedade em favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff.


Íntegra do Pronunciamento:

De forma muito especial com os eminentes juristas que permitem hoje ao Congresso Nacional, a partir dessa reunião na Câmara dos Deputados, compreender de forma ainda mais clara as razões objetivas, sobretudo do ponto de vista jurídico, que justificam o avanço do processo de impeachment em discussão no Congresso Nacional. Me permitam saudar a todos em nome de uma das mais extraordinárias figuras que conheci ao longo de toda minha caminhada pessoal e política, eminente, humanista, cidadão exemplar, jurista dos mais eminentes, um dos mais respeitados ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal – para a honra de todos nós mineiros –, nosso co-estaduano, ministro Carlos Velloso. É uma honra enorme tê-lo aqui, com a coragem, com a firmeza, a clareza e com a competência de sempre, a iluminar os caminhos que temos buscado trilhar.

Saúdo, a todos os senhores juristas aqui presentes através do ministro Carlos Velloso e também do Dr. José Horácio Alves, presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), fazendo aqui, tornando pública uma referência que fiz a ele agora há pouco – me lembro que talvez tenha sido exatamente o IASP a primeira das entidades a manifestar-se clara e corajosamente a favor do encaminhamento do processo de impeachment no momento em que não eram tantas as vozes que nele acreditavam.

Portanto, gostaria que todos os iminentes juristas aqui presentes se sentissem citados e homenageados através dessas duas figuras. Cumprimento os inúmeros parlamentares, de vários partidos que aqui estão, na figura dos coordenadores da frente pró-impeachment, deputado Carlos Sampaio e deputado Mendonça Filho. Na verdade cabe a mim apenas uma rápida palavra para que possamos utilizar esse precioso tempo com tantos iminentes, figuras da vida jurídica do país, que aqui irão falar.

Para fazer uma pequena referência sobre o momento pelo qual passa o Brasil. Certamente ministro Velloso, senhores e senhoras parlamentares, no futuro os estudiosos, os curiosos, aqueles que se interessam pela vida nacional haverão de mergulhar seus estudos sobres essas últimas semanas por que tem passado país, em especial o Congresso Nacional.

Devo fazer uma primeira referência àquela que, para mim, é a razão principal de termos chegados até aqui, uma inédita e extraordinária mobilização da sociedade brasileira, que trouxe a todos nós um novo sentido de cidadania. Os brasileiros, na verdade, nos últimos anos, em, sobretudo nos últimos meses, pegaram nas mãos a condução do seu próprio destino. E passaram a dizer a seus representantes de que forma gostariam que o país viesse a ser conduzido do ponto de vista moral, do ponto de vista da eficiência e dos resultados da gestão pública.

É óbvio que isso, por si só, não seria suficiente para estarmos nesse momento na iminência de termos votado na Câmara dos deputados a admissibilidade do processo de impeachment. Se chegamos até aqui, é obvio e é natural que os fundamentos jurídicos foram plenamente atendidos. Mas devo dizer, até porque sou, talvez ao lado de alguns poucos aqui, remanescente ainda do impeachment do ex-presidente Collor. Eu estava no plenário dando naquele instante o meu voto pela interrupção do mandato do presidente Collor, porque naquele instante, também, encontrávamos ali os imperativos jurídicos que justificavam aquele afastamento.

É obvio e é natural e temos que ter essa compreensão de que o impeachment é sim um processo jurídico e político. E é fundamental que o embasamento jurídico e que os pressupostos sejam atendidos, e eles foram largamente atendidos nas peças apresentadas pelos ilustres juristas [Miguel] Reale Júnior, Hélio Bicudo e pela Janaína Paschoal.

É claro que houve, ao contrário daquilo que tentou nos dizer mais de uma vez o advogado-geral da União, que houve dolo sim na tomada daquelas medidas, pois elas não só afetaram de alguma forma o resultado eleitoral, por terem mascarado a real situação do país, como nos levou à destruição de pilares fundamentais da economia e, a partir deles, de ganhos sociais que ao longo de décadas os brasileiros vinham contabilizando.

Portanto, o sentimento que hoje, a meu ver, é da grande maioria dos brasileiros, é de que atendidos os pressupostos jurídicos à materialidade do crime de responsabilidade cometido pela senhora presidente da República no exercício do seu mandato, há sim, aquilo que considero para um processo dessa magnitude também essencial, o ambiente político, a constatação generalizada da sociedade brasileira de que o Brasil precisa de uma nova chance.

Lamentavelmente, pelos seus próprios erros, pelos seus próprios equívocos, a atual presidente da República e o seu governo não apresentam mais as mínimas condições de permitir ao Brasil construir uma nova etapa da sua história. Acima dos partidos políticos, acima das conveniências eleitorais e partidárias de quem quer que seja, existe um Brasil democrático, sólido nas suas instituições e que vai vencer essa luta, e vai, com a força do povo e em respeito absoluto à Constituição, dar a si próprio uma nova chance.

Muito obrigado.

“Lula faz maldade com Dilma”, diz Aécio em entrevista ao Correio

Depois de mais de oito meses das eleições presidenciais de 2014, o tucano Aécio Neves esboça um sorriso ao ser questionado sobre o que faltou naquela campanha para sair vitorioso: “Faltou voto, né?”. Em seguida, ele emendou: “Vou responder com franqueza. Foi uma luta absolutamente desigual. Não perdi para um partido político. Perdi para uma organização criminosa que se apoderou do Estado”, afirmou, no fim da manhã da quinta-feira passada, no gabinete do 11º andar do Senado.

Ao longo de quase uma hora de entrevista, Aécio falou sobre a derrota em Minas, a crise política e econômica do governo Dilma Rousseff, a Operação Lava-Jato e os reflexos da investigação no Executivo e, agora, cada vez mais fortes, no Legislativo. Mostrou certo desconforto ao ser questionado sobre o fato de petistas o chamarem de golpista e, por último, mirou no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “(Sugerir que Dilma viaje) é uma grande maldade que Lula está fazendo. O Brasil tem uma presidente sitiada. E isso, na verdade, parece uma certa vingança dele. Ela vai para onde? Vai para ser vaiada?”.

A entrevista com o senador Aécio Neves ocorreu horas antes das denúncias do executivo Júlio Camargo, da Toyo Setal, de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), recebeu US$ 5 milhões em propinas relativas à compra de dois navios-sondas da Petrobras. O episódio motivou o anúncio de Cunha de que rompeu com o governo e, agora, é oposição. Ontem, o senador mineiro divulgou nota sobre o caso.

O recesso do Congresso a partir desta semana vai acalmar o clima político de Brasília?
Do ponto de vista de agenda parlamentar, sim. Mas a Lava-Jato não para, não é? A crise não para. Ela apenas se agrava, o Brasil parou. Esse talvez seja o componente não visível, a gente fica vendo denúncia disso, denúncia daquilo… Amanhã vai prender não sei quem. Mas tem uma questão que, a meu ver, fragiliza ainda mais a presidente, que é a economia. A expectativa de receita do governo está muito abaixo do que se previa. Tem uma crise que permeia todas as outras, estou falando do desemprego, da inflação, dos juros altos. É isso que vai emoldurar tudo aí, que é a crise de confiança hoje no Brasil. Ninguém está investindo. Esse programa de concessões que tem sido pouco explorado… Tudo parado, todo mundo com pé atrás. Essa é a crise potencializadora das outras. Sem confiança, você não retoma o crescimento, não administra a base no Congresso. Ninguém respeita mais o governo.

E qual é a solução?
Eu tenho de ter cautela, como presidente do PSDB. Nós não somos protagonistas do desfecho. O desfecho, qualquer que seja, será sempre de responsabilidade do atual governo. Seja para se manter — se reunir as condições de governabilidade, que não estão fáceis —, seja para um outro desfecho que, se tiver de ocorrer, será de responsabilidade do governo. Seja na questão das regras de responsabilidade fiscal, seja pela questão da propina de campanha, seja pela capacidade de se sustentar mesmo, de tocar o país. Eu tenho conversado com muita gente do setor privado. Até dois meses atrás, as conversas eram sobre quando o Brasil retomaria o crescimento. As pessoas falavam: “Será que isso melhora antes da eleição municipal, ou na eleição ainda estará muito grave?”. De dois meses para cá, a conversa não é mais essa. É até quando ela (Dilma) aguenta.

E qual é a expectativa do senhor?
Como presidente do PSDB, tenho de garantir que as instituições funcionem. Toda hora que eu perceber que há uma tentativa de pressão, de manipulação — como tentam fazer volta e meia setores do PT, seja na Polícia Federal, seja no Ministério Público, seja nos tribunais —, temos que denunciar e fazer a contrapressão. Eu vou dizer: vai ter impeachment? Hoje, eu não acho que tenha condições para isso. Não há ainda, o que não impede que venha a ocorrer. O Brasil tem uma legislação para ser cumprida. Eu vejo o advogado-geral da União confessando os crimes das chamadas pedaladas e já querendo estabelecer as penas: “O crime houve, mas sempre houve. Ninguém afastou presidente por causa disso”. Então, para ele (Luís Inácio Adams), houve o crime. Tem uma legislação que pune esse crime e o processo tem de correr, senão os tribunais não são mais necessários. Tem crime, tem de ser punido. Se não teve crime, tem de ser absolvido. E é isso que a presidente não entendeu. Cabe a ela, em vez de focar na oposição, gastar energia, se concentrar em responder e apresentar a versão aos tribunais.

O que acha da sugestão do ex-presidente Lula de pedir para Dilma viajar o país?
Isso é uma grande maldade que o presidente Lula está fazendo. O Brasil tem uma presidente sitiada. E isso, na verdade, parece uma certa vingança dele. Ela vai para onde? Vai para ser vaiada? Hoje, os custos das viagens presidenciais foram para a estratosfera. Antes, tinha o escalão precursor para definir local, palanque. Agora tem de ir um exército antes, para limpar a área. E mesmo assim não consegue. A presidente está sitiada. Além das questões econômicas, há as morais. Ela mentiu aos brasileiros, os brasileiros sabem disso. A cada dia que passa vai ficando mais claro. A mentira foi deliberada, tinha um objetivo, que era vencer as eleições. Não sou eu que estou dizendo, está na cabeça das pessoas. Olha, nós vamos ter, entre agosto e setembro, uma pororoca no Brasil, um encontro das águas turvas.

O fenômeno da pororoca acabou, senador…
Então teremos a reinvenção da pororoca. Nós vamos ter, entre agosto e setembro, votações dessas questões gravíssimas nos dois tribunais (TCU e TSE). Não somos nós, da oposição, que estamos criando esses fatos. Houve crime de responsabilidade, segundo relatório do ministro do TCU e agora já admitido pelo advogado-geral da União, que é extremamente grave. A votação tem de ser técnica, deve ser pela condenação, mas isso, evidentemente, cabe ao tribunal. Temos uma questão no TSE que não somos nós que estamos dizendo. É um dos delatores. Agora, os delatores dizem que houve dinheiro da propina. Por que o Ricardo Pessoa disse que foi extorquido? Ele fala do responsável pela campanha da Presidência da República, o tesoureiro do PT. “Ah, mas o tesoureiro não atuava na campanha.” Engano, o tesoureiro arrecada sim, e o dinheiro que ele arrecadou foi para a campanha. Tem mais de R$ 30 milhões arrecadados no estilo Vaccari, que foram para a campanha, foram transferidos para o diretório e para a campanha. Não sou eu que estou dizendo, é a polícia. Nós vamos ter o início das denúncias em relação aos envolvidos na Lava-Jato. Isso se prevê para o começo de agosto, quando começarem as denúncias.

Inclusive contra os parlamentares…
Principalmente os parlamentares. Estou dizendo: é o quadro da nova pororoca. Isso vai criar uma instabilidade enorme. Há várias delações de que ainda não se tem conhecimento. E vai ter o início das denúncias do STF, que podem atingir muita gente. Além disso, novas operações Lava-Jato podem chegar ainda mais próximo do governo. E, com tudo isso, dois componentes que, a meu ver, são nitroglicerina pura: economia degringolando e desemprego aumentando de forma muito vigorosa. Eu conversei com o Robson (Andrade) da CNI na semana passada e ele disse que, pela primeira vez na história, todos os setores da indústria, sem exceção, estão demitindo.

Quanto tempo o país sobrevive nessa situação?
Eu não tenho bola de cristal. Se ela (Dilma) não reassumir o comando do país, eu acho que, naturalmente, as dificuldades dela serão muito maiores. As pessoas falam sobre o negócio do impeachment. Eu não estou esperando a queda da presidente, eu estou esperando que ela assuma o segundo mandato. Não assumiu até hoje, não tem governo. Agora, se ela não assumir, no vácuo o país não pode ficar. O país não pode navegar três anos no vácuo. Ou ela assume o governo e encontra forças, resgata um pouco a confiança, ou não vai a lugar nenhum. E o que falta? Falta humildade. A presidente precisa ter humildade não para dizer que as coisas estão difíceis, mas para reconhecer que as coisas estão muito difíceis por causa dela, por causa do governo dela, do despreparo da incompetência, da corrupção. Ela deveria ter tido essa coragem na campanha eleitoral, para dizer onde o país estava mergulhado. E não ter mentido, porque a mentira é a arma daqueles a quem falta coragem. Enquanto ela não reconhecer, ela não inspira confiança.

Existe uma ansiedade no Congresso com a Operação Lava-Jato.
Há uma aposta de setores do governo de que é possível se transferir essa crise para o Congresso. Mas isso, mais uma vez, é um autoengano. Acho que o Congresso terá problemas se as coisas avançarem. Obviamente que o Congresso vai ter de dar respostas para a sociedade, não apenas para a oposição. Mas é absolutamente impossível que essa crise se descole do seu fator motivador, que é o Poder Executivo. Dividir isso vai ser sempre uma tentativa. Mas eu reconheço que, aqui no Congresso, vamos ter problemas, e isso nem começou ainda.

A crise, de qualquer forma, envolve dois Poderes…
É muito preocupante, porque o Congresso deveria ser o poder do equilíbrio, moderador. Eu não sei a dimensão do que está por vir, mas teremos de conviver com isso. Nosso papel vai ser sempre lutar para preservar o Congresso. Os problemas devem ser individualizados, não podem ser institucionalizados. Se tiver problemas mais graves envolvendo parlamentares, temos de deixar claro que eles terão de se explicar. Agora, não permitiremos que essa tentativa de manobra do governo tenha resultado, de o governo se livrar da responsabilidade, porque as pessoas não acreditam. Isso foi uma tentativa envolvendo alguns setores para tentar criar um cenário em que as empresas se organizaram para lesar o Estado. Em conluio com alguns diretores da Petrobras, caracterizaram a empresa e o governo como grandes vítimas disso. Isso é um absurdo, caiu no primeiro momento que o dinheiro desse esquema montado irrigava as campanhas do PT e dos aliados. Com essas denúncias sucessivas, fica claro que se montou uma estrutura criminosa na Petrobras, e sabe-se lá onde mais.

Numa perspectiva histórica, se for considerada a queda de Dilma, teremos dois dos quatro presidentes eleitos pelo voto da população fora do poder. O país não se iguala a republiquetas?
Pelo contrário. Eu acho que é bom para o país que presidentes que cometeram crimes sejam punidos, não por um movimento político, mas porque cometeram crimes. Se a gente for dimensionar o crime do (Fernando) Collor, algumas pessoas dizem que talvez ele fosse julgado no tribunal de pequenas causas. O que foi importante naquele processo do Collor? As instituições se mostraram muito fortes. O Brasil passou por um governo de transição, que foi o governo Itamar (Franco). Acabou sendo o governo da estabilidade da moeda, talvez um dos maiores avanços estruturais. Mas muita gente tinha preocupação, nós tínhamos uma democracia de seis, sete anos. O que transformará o país numa republiqueta é se as nossas instituições se curvarem ao peso do governo, à pressão do governo.

O PSDB estaria preparado para um eventual governo de coalizão com o PMDB?
Essa nunca foi uma questão discutida internamente. Acho que o país, para iniciar um processo de retomada do crescimento com as medidas necessárias, precisará ter um presidente legitimado.

O PSDB não teme que um governo Michel Temer, se vier, construa uma alternativa por dentro que possa tirar a posição do PSDB hoje?
Não posso especular. Se houver um governo Temer, vamos ter que nos reunir e discutir. O PSDB tem uma responsabilidade. Nós, desde o fim da eleição, nos reconectamos com setores da sociedade dos quais estávamos divorciados, que há décadas não davam bola para o PSDB, nem o PSDB se preocupava com eles. A forma como essa eleição se polarizou no final despertou um pedaço do Brasil, que de alguma forma se identificou com o PSDB. E o nosso papel é manter isso vivo. Digo permanentemente: nosso foco não pode ser apenas a disputa congressual. Aqui, somos minoria. Nosso discurso é para fora. O PSDB é hoje o partido sintonizado com grande parte das pessoas que estão indignadas com tudo o que está aí. E o que nós temos que fazer? Temos que nos mostrar preparados para iniciar um novo ciclo no Brasil, seja agora, seja no fim deste mandato.

O que faltou em 2014 para o PSDB vencer a eleição?
Voto, né? (risos). Mas vou responder com muita franqueza: foi uma luta absolutamente desigual. Não tenho receio de repetir: não perdi para um partido político. Perdi para uma organização criminosa que se apoderou do Estado, que se financiou e financiou seus aliados, inclusive para ampliar a sua coligação, para garantir tempo de tevê. Utilizou empresas públicas, como Correios e outras de forma absolutamente condenável. Mentiu aos brasileiros. Nunca se manipulou tanto o Estado por um projeto de poder. E o terrorismo eleitoral? Houve cidades no interior do Maranhão em que tive, no segundo turno, 7%. Isso porque as pessoas não tiveram a opção de votar em outra candidatura. Era votar (no PT) ou perder o Bolsa Família. Carros de som andavam nas regiões remotas, era a mesma gravação, temos isso no processo, “Se votar no 45, seu título de eleitor está cadastrado e você automaticamente desligado do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida”. Não foi uma eleição com um grupo político, onde a gente pudesse ter debatido ideias e projetos para o país. Tivemos uma presidente que mascarou a verdade, iludiu, adiou medidas, que é o mais grave. Além da mentira, medidas que poderiam ter sido tomadas um ano antes da eleição, ou no próprio ano da eleição, para minimizar o custo hoje para os brasileiros, não foram tomadas.

O senhor fala em reajuste de energia?
Sim, a desconcentração dos reajustes de energia, de combustíveis, a requalificação dos programas. O Pronatec saltou de R$ 5 bilhões para R$ 7 bilhões no ano da eleição. Agora, vai cair para menos de R$ 5 bilhões este ano. O Fies saltou de R$ 7 bilhões para R$ 13 bilhões, ou seja, quase dobrou em um ano. Que fiscalização que tinha? Nenhuma. Era dar, distribuir. Aquele seguro defeso, de 2013, era de R$ 500 milhões, passou para R$ 2 bilhões, agora vai cair para R$ 300 mihões. O que fizeram? Usaram o que não tinham, distribuíram como se fosse aquela velha e antiga compra de votos. Sabiam que era preciso contingenciar recursos. Transferiram a responsabilidade para a Caixa, o Banco do Brasil, o BNDES, para pagar contas do Tesouro, pegaram dinheiro do Tesouro para ampliar esses programas. Anunciaram isso como a oitava maravilha do mundo, sabendo que, no ano seguinte, não teriam condições de mantê-los. Eu perdi para essa estrutura. O que fizemos foi quase que milagroso. Por isso, a dimensão da indignação das pessoas hoje. Isso funciona quase como uma gangorra. Como nós polarizamos no final, essa derrocada do PT valoriza o PSDB.

Como assim?
Nós temos pesquisa, com algo que antes era inimaginável para nós. Na faixa de 16 a 24 anos, temos — o PSDB, não sou eu — muito mais aprovação do que o PT numa faixa que sempre foi deles e era dificílimo para nós do PSDB. Não duvido que numa próxima pesquisa venhamos na frente no geral.

A pesquisa da CNI mostrou que o senhor está à frente de Lula e que Geraldo Alckmin também está no páreo. Como está isso dentro do PSDB? O senhor tem a primazia por ter resgatado a história do partido na sua campanha. Isso é suficiente?
Eu me orgulho muito de ter ajudado a resgatar o legado do PSDB. O PSDB, até a nossa candidatura, estava no divã, vivia uma crise de consciência, não sabia se defendia ou não defendia (as privatizações), atemorizado com as críticas. (A campanha do resgate) foi algo que não foi improvisado. Desde o início falei que nosso caminho era resgatar. Se nós, que falamos em nome do partido, não temos firmeza para mostrar que confiamos no que fizemos, imagine os eleitores que são mais distantes da gente? Então, esse foi um ponto de inflexão do PSDB. Nós nos reconciliamos com a nossa história e começamos a brigar por ela. Esse é um grande ativo que reconstruímos. Mas não podemos cair na armadilha de antecipar o cenário eleitoral. É muito positivo o PSDB ter um nome como o do Geraldo, o Serra é sempre um nome que estará se movimentando. O que temos que ter é responsabilidade para, no momento da decisão, o candidato ser aquele que tem melhores chances de vencer, e aí é pelo Brasil e não é nem por nós. Se amanhã tiver um candidato em melhores condições do que eu, isso vai ficar claro. Se não, ficará claro para os outros também. O meu papel agora, reeleito presidente do PSDB pelos próximos dois anos — e aí a campanha me ensinou muito — é ir a lugares onde a gente inexiste. Um partido como o PSDB, opção real de poder, tem nove estados sem um deputado. Um! Tem sete, oito, em que temos um.

Então, a missão é crescer…
A missão é reorganizar o partido. Estou lançando uma grande campanha de filiação, com foco nas universidades. Vamos para a periferia, enfrentá-los nesse discurso também, resgatar o nosso papel — o que ainda não consegui fazer como gostaria, de início, dos programas de transferência de renda. Isso começou com o PSDB. E o governo do PT está tirando isso agora. O PT ampliou, mas está tirando com a inflação. Começo em Alagoas, em 14 de agosto, uma ampla campanha conectado em videoconferência com o Brasil inteiro. Estamos preparando nossa militância jovem, que já está ganhando DCEs e DAs, o que não acontecia.

Na última convenção se viu um PSDB mais jovem e diverso. É isso?
Estamos apostando nisso. Meu papel é esse. O PSDB está sem medo. Perdeu o medo de ir para os debates. Nossa garotada, minha filha estuda na PUC, é tímida, não entra, mas outro dia me dizia: há dois anos, era PT com PCdoB, aí vinha o cara do PSol, do PSTU, e se restringia a essas disputas. Agora, não. Tem uma chamada onda azul nas universidades baseada no PSDB, num pensamento mais liberal, em que estão indo e estão ganhando. Então, houve esse despertar. Isso é a coisa mais bacana que está acontecendo.

Minas está resolvido, em relação à derrota?
Não escondo que foi uma frustração. Tenho que ter humildade para reconhecer os nossos erros ali, talvez um distanciamento maior meu. Nossa campanha, não obstante a qualidade do candidato (Pimenta da Veiga), não engrenou. Mas hoje as pesquisas mostram que eu teria mais de 70% de intenções de voto.

O senhor ficou muito confiante e acabou deixando de lado?
Houve uma certa delegação para a estrutura que tínhamos lá. Talvez eu não tenha percebido que havia certa fadiga também, que não existia no fim do meu mandato. Tem gente que acha que fui governador de Minas até a eleição (presidencial). As pessoas não lembram direito que eu não era governador e estava aqui há quatro anos. Talvez eu não tenha calibrado bem isso, mas é do jogo político. A política tem isso mesmo, fadiga de material.

Essa caravana a partir de Alagoas tem como ideia dar uma dimensão nacional do PSDB?
Temos uma programação intensa. A cada 15 dias estaremos visitando dois estados. Estamos batizando de caravana da gratidão. Vamos fazer algo sem preocupação eleitoral, reunindo esses setores do partido: juventude, mulheres, negros, a área sindical. É um grande momento para o PSDB. Vamos para Alagoas, para o Rio Grande do Sul; estive em Manaus e foi extraordinário.

Nesses locais onde vocês não são conhecidos, o trabalho será mais forte?
Temos que ter algumas prioridades. Encontrar o discurso para o Nordeste é um grande desafio, sempre foi para nós. Mas isso nunca esteve tão fértil quanto agora. Como agora não é processo eleitoral, as coisas podem ser feitas mais devagar. A nossa ideia é mostrar que quem tirou as conquistas que o Nordeste teve foi este governo.

Como o senhor vê os movimentos do Lula em relação a Dilma? O Lula sempre teve uma boa relação com o senhor, não teve?
Eu sempre tive com o Lula uma relação republicana. Eu o conheci aqui em Brasília (na época da Constituinte). Eu não sei se ele tem rancor comigo, porque ele me deixava no banco no time do Congresso. Mas no fim da campanha ele começou a, não sei se pelo receio do que podia vir, se apequenar no discurso, com ataques absolutamente sem sentido para um ex-presidente da República. Acho que o Lula hoje é um líder cercado por todos os lados e quase à beira de um ataque de pânico. Ele vê que o grande legado dele está indo embora. Mas a responsabilidade que ele quer transferir para a presidente, ele não pode fazer, porque é dele. Ele é responsável por este governo.

Dentro desse discurso, tem a afirmação do golpismo. Como o senhor lida com isso?
Isso é uma tática do PT absolutamente conhecida e absolutamente clara. Se você fala que o Tribunal de Contas vai investigar, o PT diz que é golpe. Se disser que o TSE tem averiguar sobre irregularidades nas contas, é golpe. Se o povo vai para a rua, é o golpe da direita. Se vocês publicam que o Vaccari (João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT) foi preso e que o delator disse que foi dinheiro para a campanha, é imprensa golpista. Nessa estamos todos juntos, somos todos golpistas, menos o PT.

O PSDB perdeu o medo do Lula?
Perdeu. Hoje, é o Lula quem tem medo do PSDB.

Até as 19h de 26 de outubro, a eleição estava na sua mão. Mas tudo mudou. Como estaria a vida de Aécio Neves em caso de vitória?
A minha vida pessoal talvez não estivesse tão tranquila como está hoje. Agora consigo estar com meus filhos de manhã cedo, na hora do almoço, consigo chegar para estar com eles antes de dormir. Para o Brasil, se nós tivéssemos ganhado as eleições, a perspectiva seria outra. Não pelo meu mérito pessoal. Talvez meu mérito seria montar uma equipe extremamente qualificada e não ia passar pelo drama da presidente da queda da confiança. Porque eu iria fazer coisas nas quais eu acredito. A presidente está fazendo coisas nas quais ela não acredita. Ela terceirizou a economia para alguém que defende as teses que ela combateu a vida inteira, a política para quem ela desprezou durante os quatro primeiros anos de seu mandato.

O senhor teria convidado o Levy?
Para ser ministro? Não, não teria convidado o Levy.

Qual seria o ajuste econômico do PSDB?
O ajuste que o PT faz é absolutamente rudimentar. Ele tem dois pilares e não conseguiu sair deles: aumento de carga tributária e supressão de direitos. O ajuste que nós faríamos geraria expectativas de longo prazo, o que o PT não consegue. Teria o fortalecimento das agências reguladoras e mais previsibilidade. Sabia que íamos passar por tempos difíceis e não escondi isso durante a campanha. Quem escondeu foi a presidente. Ela ficava nos acusando de que faríamos ajuste e não me permitiu sequer esse debate, que seria saudável para o Brasil. Que tipo de ajuste, onde poderiam ser feitos cortes? Ela não admitia. Como fazer o processo de enfrentamento da inflação galopante? “Não tinha inflação”. Como trazer de volta os investimentos? “Investimentos estão vindo para o Brasil, o Brasil vai voltar a crescer”. Em um dos debates, eu disse que o Brasil iria crescer 0,3%. “O Brasil vai crescer mais de 3%, que números são esses, vocês são uns pessimistas”. Cresceu 0,1%. Não é possível que ela não soubesse disso.

A contração econômica seria inevitável, independentemente de quem ganhasse as eleições?
Haveria contração, mas ela se agrava porque o governo não inspira confiança. Como você supera retração? Com investimentos públicos e privados. Os privados não vieram e os públicos foram reduzidos 35% neste primeiro semestre. Essa equação para a qual estamos indo é altamente recessiva. Com juros na estratosfera para enfrentar uma inflação que não é de demanda, é de preços controlados. Não temos um projeto de retomada de indústria, de modernização, de competitividade, investimento em produtividade. Os investimentos em infraestrutura ficaram no meio do caminho. Qual é a realidade perversa do Brasil hoje? Nós voltamos a ser o que éramos há 60 anos, exportadores de commodities.

Como o senhor está encarando a questão do governador Fernando Pimentel?
É preciso que se investigue. Não tenho informações que permitam antecipar qualquer cenário. Mas todos nós, homens públicos, temos que responder a quaisquer questões que surgem. Tenho e sempre tive uma relação muito positiva com o Pimentel. Agora, as denúncias que estão vindo pela Polícia Federal têm de ter uma explicação. Eu não torço para que Minas se desorganize, para que o governador de Minas seja expulso. O que falta em Minas hoje é respeito às conquistas que são dos mineiros. É preciso que ele pare de governar olhando para o retrovisor, talvez para mascarar a baixa qualidade do seu governo e a impossibilidade de ele cumprir as promessas que fez para a população. Está na hora de ele também assumir o governo.

Quando o senhor fala em olhar para trás, fala de Eduardo Azeredo, que, para vocês, também é uma coisa cara?
Azeredo está respondendo a processo. Tem que ter o direito de se defender e, assim como qualquer outro, se for responsabilizado, não será, como outros, tratado como herói nacional. Eu me refiro a uma tentativa de desconstrução de avanços que fizeram de Minas referência nacional e internacional.

Como o senhor, que está morando agora em Brasília, avalia o governo de Rollemberg?
Tenho uma ótima relação com o Rodrigo. Ele pegou uma herança complicada e está tentando enfrentar as dificuldades. Não dá para fazer uma avaliação de resultados, mas o vejo muito empenhado. Governante tem que saber que governar é enfrentar dificuldades e é preciso que se enfrente com coragem e falando a verdade. E não mascarando a realidade e tentando responsabilizar os outros por falhas e incapacidades que são as suas próprias.

Será mantida a aliança com o PSB nas eleições municipais?
Podemos até manter a aliança. Essas eleições municipais vão pegar o PSDB em um ótimo momento e o PT nas cordas. Se hoje a máscara já caiu para alguns, no ano que vem vai cair para todos. No ano que vem vamos ver, infelizmente, o agravamento da situação econômica, fruto da obra do governo do PT. Estamos fazendo um levantamento no partido das 300 maiores cidades do Brasil, sempre abertos para alianças. Já há um deslocamento de aliados tradicionais do PT que não querem disputar eleições próximos ao PT.

A qualidade de vida em Brasília é tudo
Estou adorando ficar mais tempo aqui em Brasília. Minha vida ficou mais racional. Passo um fim de semana aqui, outro em Minas. Agora consigo estar com meus filhos de manhã cedo, na hora do almoço, consigo chegar para estar com eles antes de dormir. Estou com filho pequeno, né? (o casal de gêmeos). Brasília permite uma qualidade de vida que não há em outra cidade grande.
O lugar que mais me atrai aqui é o Jardim Botânico. Estou correndo lá direto porque fica perto de casa. É lindo. Tem uma pistinha que dá quase cinco quilômetros. Já levei as crianças lá. É o lugar a que tenho ido. Para mim, foi a novidade, porque o resto eu já conhecia.

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