Aécio Neves – Entrevista em Teresina (PI)

O presidente nacional do PSDB e pré-candidato à Presidência da República, senador Aécio Neves, concedeu entrevista, nesta sexta-feira (27/06), em Teresina (PI). Aécio Neves falou sobre a chapa no Piauí, eleições 2014, PMDB, denúncia de monitoramento de prefeitos pelo governo e Bolsa Família.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre viagem ao Piauí.

É com uma alegria muito grande que chego hoje a Teresina, acompanhado dos meus companheiros do PSDB, companheiro Silvio Mendes, prefeito Firmino, lideranças, parlamentares, para selarmos aqui um entendimento. Um entendimento em favor do Piauí, em favor do Brasil, da boa política. Da política feita com respeito, com seriedade e também com eficiência.

A grande verdade é que este ciclo de investimentos por que passou o Brasil excluiu o Piauí. Dos grandes investimentos estruturantes feitos no Brasil, inclusive nessa região, o estado ficou fora. O que temos é que, rapidamente, efetivar uma reconciliação do Piauí com o governo central, garantindo investimentos que visem o desenvolvimento da região, seja na sua infraestrutura, na geração de energia, que é uma questão essencial aqui para o estado, no seu porto. Enfim, um conjunto de ações de infraestrutura que permita que o estado do Piauí cresça com indicadores ainda mais sólidos e vigorosos do que aqueles que vêm crescendo.

O Piauí tem um potencial de crescimento extraordinário. A sua fronteira Sul já é uma fronteira desbravada, que cresce na produção de grãos, de soja, especificamente. Tem um potencial turístico também extraordinário, o Delta do Parnaíba é uma das coisas mais extraordinárias e lindas que alguém pode conhecer. Temos que ter um projeto de desenvolvimento econômico e social. Com começo, meio e fim.

O Brasil virou hoje um grande cemitério de obras inacabadas por toda parte, com sobrepreços. Isso pune, e pune todos os brasileiros. O que quero hoje aqui, no momento em que selamos uma aliança com o governador Zé Filho, é propor um novo ciclo de desenvolvimento para a região e, em especial, para o Piauí, em parceria com os companheiros que estão aqui.

 

O apoio de lideranças do PMDB no Nordeste terá repercussão nacional?

Claro que sim. O que está havendo, de forma muito clara, é um distanciamento de lideranças importantes de vários partidos, especialmente do PMDB, do governo central. Porque o governo da presidente Dilma fracassou. Fracassou na condução da economia, ao nos deixar como herança a inflação voltando a atormentar a vida e a mesa do trabalhador brasileiro, o menor crescimento entre todos os países da região. Do ponto de vista da infraestrutura, como disse, é um governo que não entrega, pois as obras são orçadas por um preço, não ficam prontas, e esse preço já passou do dobro, como acontece com a transposição do São Francisco, a Transnordestina, Abreu e Lima, refinaria construída em Pernambuco, para citar apenas alguns exemplos.

E no campo social, onde o PT dizia que era o grande construtor de um novo Brasil, o que estamos percebendo é que a saúde piora a cada dia. Nos últimos onde anos de governo do PT, a cada ano o governo federal participa com um pouco menos do financiamento da saúde. Era 56% quando eles assumiram de financiamento do governo central, hoje são 45%. Na educação, em qualquer ranking internacional o Brasil está no final da fila em qualidade da educação.

E na segurança pública, essa tragédia com a qual somos obrigados a conviver todos os dias, e aqui na região isso é extremamente grave, sem que o governo federal assuma a sua parcela de responsabilidade. Há uma omissão criminosa do governo federal na questão da segurança pública brasileira. Para se ter uma ideia, 87% de tudo que se gasta em investimentos em segurança no Brasil vêm dos estados e municípios, apenas 13% vêm da União. E há uma aplicação de investimentos do orçamento muito aquém daquilo que seria minimamente razoável. O Fundo Penitenciário, por exemplo, no governo da presidente Dilma, apenas 10% de tudo que foi aprovado foi efetivamente gasto.

O que queremos é um governo onde a decência possa se juntar à eficiência, onde o governo possa entregar às pessoas, aos cidadãos, serviços de maior qualidade.

E uma outra questão que é extremamente grave, e que está na base da nossa proposta, é a refundação da Federação no Brasil. Os municípios hoje são pedintes do governo federal, isso não pode continuar acontecer. A Federação está acabando no Brasil. Temos que resgatar a capacidade dos municípios brasileiros e também dos estados enfrentarem suas dificuldades, com mais recursos, para atender melhor à população.

 

Sobre o ex-governador José Serra e o candidato a vice.

É uma honra para qualquer um ter o Serra como companheiro. Ele estará no nosso projeto de governo. A questão da Vice-Presidência será decidida na próxima segunda-feira, após uma consulta ampla que está sendo feita não apenas ao PSDB, mas aos partidos que estão ao nosso lado. Agora, nesse instante, há uma hora, o PTB, em uma convenção nacional, em Salvador, na Bahia, acaba de homologar, por aclamação, o apoio do PTB à nossa candidatura. É um partido que também será consultado, como outros que já integram a nossa coligação. Vamos ter uma composição de chapa que nos leve à vitória.

 

Sobre palanque no Piauí.

Conto certamente com a liderança dos companheiros do PSDB, a começar por eles aqui no Estado. Falei do prefeito Firmino, um dos grandes quadros do PSDB em todo o Brasil, com o companheiro, ex-prefeito Silvio, também um quadro político extraordinário, que honra qualquer partido, e que participará da chapa majoritária que hoje empresa seu apoio à nossa candidatura. Vamos fazer uma belíssima campanha, mostrando de forma muito clara quais são as prioridades do Estado, de que forma o governo federal vai estabelecer parcerias com estados e municípios para que essas prioridades sejam atendidas. Estou extremamente feliz com essa construção política que aqui foi feita. E alianças com o PMDB estão ocorrendo em muitos estados brasileiros. Os senhores terão notícia ainda durante esse final de semana de outras alianças do PSDB com o PMDB em alguns outros estados.

 

Sobre denúncia publicada pelo jornal Extra de que Secretaria ligada à Presidência da República monitora prefeitos com objetivos eleitorais.

O que há é um afastamento crescente de partidos e de lideranças desse governo. O que o PT faz, na verdade, mais uma vez, é confundir aquilo que é público com aquilo que é partidário e privado. O PT, ao promover essa caça às bruxas, na verdade, comete um crime eleitoral, porque a estrutura do Estado brasileiro e funcionários do Estado brasileiro não podem estar exercendo funções de campanha eleitoral, como fica claro nessa denúncia recentemente publicada. Por isso estamos arguindo a Justiça Eleitoral, ao Ministério Público, inclusive por crime de improbidade em relação ao ministro responsável por essa área e por fazer dossiês. Ele é conhecido e reconhecido no Brasil – vocês se lembrarão do episódio dos “Aloprados” – por fazer dossiês falsos em relação a adversários.

O Brasil está cansado daqueles que se apropriaram do Estado Brasileiro em benefício próprio, ou em busca de um projeto de poder. Vamos redemocratizar o Brasil. Respeitar os adversários, ter generosidade para com os cidadãos, cuidar da saúde, cuidar da educação, cuidar da segurança pública com eficiência. É isso que me move e, a partir de hoje, fortalecidos no Piauí por essa extraordinária aliança que nos traz o seu apoio.

 

Sobre o Bolsa Família.

Os programas sociais que dão resultado serão mantidos pelo governo do PSDB e aprimorados. Em relação ao Bolsa Família, ele será mantido e será ampliado. O Bolsa Família nasce, na verdade, de uma construção do PSDB, no governo do presidente Fernando Henrique com o Bolsa Escola e Bolsa Alimentação, que são unificados e se transformam no Bolsa Família. Governar é melhorar aquilo que está dando certo e, obviamente, inovar. Programas sociais, que vêm dando certo, serão ampliados no governo do PSDB.

Aécio Neves ressalta história da Bahia ao receber título de cidadão de Salvador

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, recebeu, na noite desta segunda-feira (12/05), o título de Cidadão Soteropolitano na Câmara de Vereadores de Salvador. Em uma noite marcada pela emoção e reverência à sua trajetória política, o tucano foi recebido pelo prefeito ACM Neto e por lideranças locais e destacou em seu discurso a contribuição dos baianos na construção da identidade brasileira.

“Aqui se forjou inicialmente – e definitivamente – a formidável mistura de povos e culturas que dá lastro à brasilidade, com uma incomparável contribuição dos negros africanos vindos do Golfo do Benim e do Sudão, imortalizados em obras grandiosas como o “Navio Negreiro”, de Castro Alves”, afirmou Aécio Neves no início de seu discurso.

A iniciativa de conceder a honraria a Aécio Neves foi da Mesa Diretora da Câmara, que destacou a atuação do então governador de Minas para a revitalização da bacia do Rio das Velhas, maior afluente do Rio São Francisco. Também foi lembrada a atuação de Aécio como parlamentar que contribuiu para a aprovação de propostas que beneficiam os baianos.

A homenagem na Câmara de Vereadores de Salvador foi o último compromisso do dia do tucano na Bahia nesta segunda-feira. A agenda começou em Feira de Santana, segunda maior cidade do estado, com um encontro com lideranças regionais e da comunidade local. À tarde, Aécio falou com uma rádio local e deu entrevista coletiva para imprensa.

 

Capoeiristas e baianas

Na chegada ao Paço Municipal, Aécio foi recebido por um grupo de capoeira e pelas tradicionais baianas. A sessão em homenagem ao presidente nacional do PSDB foi marcada por momentos de emoção, protagonizados pelo Coral da Câmara de Vereadores, regido pelo maestro Carlos Veiga Filho. Ao som de “Tocando em frente”, a canção preferida do senador, e “Coração de Estudante”, que marcou a campanha das Diretas Já e o luto nacional pela morte do avô, o ex-presidente Tancredo Neves, Aécio disse que a homenagem serve de inspiração para os desafios que ele terá pela frente.

“Estou honrado em receber a cidadania soteropolitana, gesto de grande generosidade do povo de Salvador e dos muitos companheiros de jornada que tive o privilégio de fazer aqui, no curso dos anos. Incorporo-a, neste momento, às razões do meu afeto, como uma preciosa manifestação de apreço e amizade, que anima meu espírito e redobra meu ânimo para enfrentar os deveres e grandes desafios que me esperam”, afirmou Aécio Neves.

 

Líderes baianos

A sessão solene na Câmara de Vereadores foi acompanhada por líderes comunitários e diversas autoridades, entre elas o prefeito de Salvador ACM Neto (DEM), os deputados federais do PSDB, Antônio Imbassahy e Jutahy Jr, e o ex-governador da Bahia, Paulo Souto, o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB), o presidente da Casa, vereador Paulo Câmara, e o vereador Leo Prates (DEM).

O prefeito ACM Neto diz que é um orgulho para Salvador ter Aécio Neves como Cidadão Soteropolitano. Neto fez questão de ressaltar que o tucano foi sua inspiração no início de sua trajetória política.

“Aécio Neves é um mineiro do Brasil. Tratei com eles várias vezes questões da Bahia e do Nordeste. Ele sempre se preocupou que o país pudesse se desenvolver de forma mais igual. Um país que pudesse sonhar. Foi isso que ele fez em Minas. Essa homenagem é por tudo que Aécio fez pela Bahia e pela Brasil e pelo que ele vai fazer pelo futuro do país”, ressaltou.

No palanque tudo é fácil

A presidente Dilma Rousseff acha que é “simples” enfrentar a seca no Nordeste.

Em discurso no Piauí, durante mais um dos eventos do calendário eleitoreiro do governo, Dilma declarou que o segredo é “conviver com a seca”.

Façamos um esforço para acompanhar seu raciocínio. Segundo a presidente, “a seca não é uma maldição, a seca é uma ocorrência, é algo que ocorre”, comparável aos “invernos rigorosos” dos países do Hemisfério Norte, que “duram seis, sete meses, todo ano, chova ou faça sol”. Conceda-se que o tal inverno rigoroso que dura “sete meses” seja apenas um arroubo retórico para reforçar seu argumento. Mas Dilma continua, animada: “Eles têm um inverno forte, que acaba com toda a produção, a neve mata tudo o que cresce, e eles sobrevivem muito bem, obrigada, e fortes. Nós também podemos enfrentar a seca, sim”.

Dilma descobriu agora que “a seca não deve ser combatida”. Em lugar disso, é preciso haver “ações emergenciais” para ajudar os agricultores a contornar os efeitos da estiagem enquanto as condições climáticas não melhoram. É a institucionalização do assistencialismo – e nesse campo, como de hábito, chovem apenas promessas.

Em novembro de 2012, quando o Nordeste enfrentava a maior seca em meio século, Dilma lançou o programa Mais Irrigação e garantiu que o sertão seria transformado em “um dos maiores produtores de alimentos que nosso país e o mundo necessitam” e que “a vítima da seca deixará de ser flagelado para se tornar um produtor rural”. Os investimentos anunciados para tão ousado objetivo somavam R$ 10 bilhões.

Seis meses depois, em abril de 2013, Dilma esteve no Ceará para prometer um novo pacote contra a estiagem, no valor de R$ 9 bilhões. Desse dinheiro, R$ 3,1 bilhões eram o quanto o governo estimava deixar de arrecadar em razão da renegociação de dívidas de agricultores que tiveram prejuízos com a seca. Outra parte dizia respeito à prorrogação de programas assistenciais, o Garantia Safra e o Bolsa Estiagem. Havia, portanto, pouco “dinheiro novo” no pacote, formado basicamente por verbas já empenhadas, seguindo a tradição dos governos petistas de reciclar programas antigos para apresentá-los como novidade.

Mas isso não é tudo. A caríssima e controversa transposição das águas do Rio São Francisco, prometida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o “compromisso não de um presidente, mas de um retirante nordestino”, tornou-se um autêntico elefante branco. Além dos seguidos atrasos em seu cronograma, a obra, se e quando estiver concluída, vai produzir água a um preço proibitivo para os pequenos agricultores, o que obrigará o governo a recorrer a subsídios, adicionando sacrifícios aos contribuintes.

Agora, em 2014, depois de tantas promessas, Dilma diz que é preciso aceitar a seca como um fato da vida, a exemplo do que fazem os agricultores do Hemisfério Norte ante a dureza do inverno. A presidente tem razão, mas há importantes diferenças. Em vez de prometer bilhões em “ações emergenciais” e em projetos que mal saem do papel, os países do Hemisfério Norte estimularam o desenvolvimento de avançadas técnicas agrícolas mesmo em pequenas propriedades, o que permite aos produtores retomar seu trabalho em alto nível após o inverno, reduzindo os prejuízos. Em relatório sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre a agricultura, a União Europeia diz que há uma “vasta gama de opções” para lidar com o problema, todas baseadas em tecnologia para prevenção. Considerar o inverno inevitável não significa aceitar, como uma fatalidade, as perdas decorrentes dele.

Ao dizer que é “simples” lidar com a seca no Nordeste, Dilma esbanja a mesma arrogância de seu criador, Luiz Inácio Lula da Silva, que, ao deixar a Presidência, disse que era “fácil” governar o Brasil. Quando se governa do palanque, tudo parece mais simples mesmo. Mas já passou da hora de tratar o centenário flagelo da seca no Nordeste com mais responsabilidade. Não se pode mais admitir que o sertanejo continue a ser tratado como mera commodity eleitoral, sempre à espera do caminhão-pipa.

 

Leia também aqui.

Aécio Neves e Eduardo Campos se encontram em Recife

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, encontrou-se, nesta sexta-feira (21/02), em Recife, com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Em entrevista coletiva após o encontro, Aécio Neves defendeu o diálogo entre homens públicos em favor do Brasil e afirmou que o país precisa de novos caminhos.

“É muito saudável para o Brasil que homens públicos que estão hoje militando em campos políticos diferentes, em partidos diferentes, tenham capacidade de conversar, e conversar sobre o Brasil. Quanto mais conversamos, maior convergência encontramos em relação à preocupação com o futuro do Brasil. Minha conversa com Eduardo não é uma conversa em razão da eleição, é uma conversa permanente que se iniciou há mais de 20 anos e não há porque ser interrompida agora. Ao contrário, no que depender de mim essas conversas continuarão, porque política é isso, é a arte do entendimento, da construção de caminhos. O Brasil precisa urgentemente de novos caminhos e esse é um ponto muito forte de identidade entre o governador e eu”, disse.

 

Brasil novo

Aécio Neves e sua esposa, Letícia Weber, estiveram na residência do governador Eduardo Campos, onde conheceram seu filho caçula, Miguel. Também estavam presentes o vice-presidente do PSDB, senador Cássio Cunha Lima, o presidente do PSB-MG, deputado federal Júlio Delgado, o ex-ministro Fernando Bezerra, e o líder do DEM na Câmara, deputado federal Mendonça Filho, entre outros.

Aécio Neves defendeu a política em que o adversário não seja tratado como inimigo. O presidente do PSDB afirmou que Campos e ele podem ser adversários nas eleições desse ano, mas estão juntos em defesa de um Brasil novo.

“Hoje foi uma visita muito pessoal, fiz questão de vir aqui conhecer Miguel e dar um beijo na minha querida amiga Renata, e ao lado de outros companheiros aqui. Acho que a política precisa ser um pouco mais leve, as pessoas não podem fazer política com raiva, com ódio, considerando que alguém que está no outro campo político é seu inimigo. Não é. Podemos até ser adversários na disputa eleitoral, mas somos aliados em favor de um Brasil novo, ético, eficiente. É isso que me traz aqui”, disse Aécio Neves.

 

Solidariedade

Após a visita ao governador, Aécio Neves participou de encontro com o presidente nacional do Solidariedade, deputado federal Paulinho da Força, e lideranças do partido em Pernambuco. Na manhã desta sexta-feira, também reuniram-se em Recife, Aécio Neves e lideranças do PSDB e do DEM no Estado. O presidente do PSDB destacou a importância que o Solidariedade terá na construção das propostas que serão apresentadas pelo PSDB nas eleições deste ano.

“O Solidariedade está muito próximo a nós. A oficialização dos entendimentos ocorrerá apenas em junho, mas conto muito com a participação do Solidariedade, inclusive na elaboração das nossas propostas. Tenho vários eventos marcados, a partir de março, com lideranças sindicais, com setores, principalmente da indústria brasileira, para discutir questões relativas a essa retomada de crescimento, com os aposentados. O Solidariedade, no que depender de mim, terá um papel de destaque nessa construção. Assim como o Democratas, com quem temos conversado”, disse Aécio.

Para Aécio, o PT transformou o Brasil em um cemitério de obras inacabadas

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, se encontrou nesta sexta-feira, no Recife, com lideranças do estado de Pernambuco, inclusive com o governador Eduardo Campos. Em entrevista após os encontros, Aécio criticou a gestão no setor de infraestrutura do governo do PT.

 

Fala do senador Aécio Neves 

“Hoje, o Brasil se tornou em um grande cemitério de obras inacabadas por toda parte, inclusive aqui no estado, como [a refinaria] Abreu e Lima, a transposição do São Francisco, a Transnordestina, as hidrovias da região central. Porque o PT demonizou, na verdade, por mais de dez anos as parcerias com o setor privado. Tenho dito sempre que o aprendizado do PT tem custado muito caro ao Brasil.”

 

E destacou que a falta de investimentos no setor tem prejudicado a economia do país.

Fala do Senador Aécio Neves 

“O governo do PT optou por um alinhamento ideológico, inclusive na região, com resultados muito ruins para o Brasil em todas as áreas. Somos a sétima economia do mundo, mas apenas o 25º país exportador, porque o Brasil não está conectado nas cadeias globais de produção, por uma visão equivocada do governo, e exatamente pelo custo Brasil e ausência de investimentos planejados em infraestrutura.”

 

Boletim

Sonora

Aécio Neves – Entrevista sobre o encontro com lideranças do PSDB e do DEM

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista, nesta sexta-feira (21/02), em Recife (PE). Aécio Neves comentou sobre a situação econômica do Brasil, os problemas de infraestrutura enfrentados pelo país, as alianças do PSDB e eleições 2014.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre o encontro com lideranças do PSDB e do DEM em Pernambuco.

Falamos de política, Brasil e Pernambuco. Houve uma antecipação muito grande do processo eleitoral desde o ano passado, por ação do próprio governo. Fiz um relato aqui da situação do Brasil, tenho muita confiança de que estamos vivendo no Brasil o encerramento de um ciclo. O governo do PT falhou na condução da economia, a herança que vamos receber é de um crescimento pífio, inflação alta, descontrole das contas públicas e uma perda crescente da credibilidade do Brasil, que impacta inclusive nos investimentos que seriam absolutamente necessários para que pudéssemos estar crescendo a níveis melhores. O governo falhou na gestão do estado da infraestrutura.

Hoje, o Brasil se tornou em um grande cemitério de obras inacabadas por toda parte, inclusive aqui no estado, como [a refinaria] Abreu e Lima, a transposição do São Francisco, a Transnordestina, as hidrovias da região central. Porque o PT demonizou, na verdade, por mais de dez anos as parcerias com o setor privado, seja concessões, seja PPP. Considerava isso quase um crime de lesa-pátria. Ao final, se curva a essas parcerias, mas faz isso longe do tempo, com atraso enorme. Tenho dito sempre que o aprendizado do PT tem custado muito caro ao Brasil. Perdemos competitividade externa, o Brasil é hoje um país muito pouco competitivo. O governo do PT optou por um alinhamento ideológico, inclusive na região, com resultados muito ruins para o Brasil em todas as áreas. Somos a sétima economia do mundo, mas apenas o 25º país exportador, porque o Brasil não está conectado nas cadeias globais de produção, por uma visão equivocada do governo, e exatamente pelo custo Brasil e ausência de investimentos planejados em infraestrutura.

No campo social, a criminalidade cresce no Brasil inteiro com uma omissão permanente do governo federal, uma omissão quase que criminosa do governo federal. 87% de tudo que se gasta em segurança pública no Brasil hoje vêm de estados e municípios, apenas 13% da União, que tem a responsabilidade do controle de fronteiras, tráfico de drogas, que está na matriz principal do aumento da criminalidade, tráfico de armas, tudo isso é responsabilidade do governo federal, que concentra mais de 60% da arrecadação e participa com 13% do investimento em segurança. Na saúde, uma outra tragédia nacional, há onze anos, em 2002, quando deixamos o governo, 56% do conjunto de investimento em saúde pública eram da União. Hoje, são 45%. Quem paga a conta? Municípios, principalmente, e estados, em parte. Precisamos fazer um esforço para a refundação da Federação no Brasil.

O PSDB está se preparando para esse grande debate, um debate nacional. Não é o projeto de um partido político, estamos discutindo o projeto de um país. Mais quatro anos de governo do PT farão imensamente mal ao Brasil. então, vim aqui me reunir com os companheiros de Pernambuco, faço uma visita de caráter pessoal ao governador Eduardo e estamos andando pelo Brasil. Ontem, tivemos mais um evento grande no interior de São Paulo, na Baixada Santista. Fizemos o lançamento da pré-candidatura do PSDB ao governo do meu estado, de Minas Gerais. Queremos isso, um debate franco, amplo, sobre todas as questões e estamos preparados para debater com o governo em cada um dos campos onde esse debate for necessário.

Sobre a situação econômica do país.

Todos os indicadores econômicos são preocupantes. O Brasil comemora muito hoje os índices de desemprego, que são baixos. Isso é muito positivo, mas não podemos perder de vista que o Brasil está se transformando no país no pleno emprego de dois salários mínimos. Onde isso vai nos levar? Temos que planejar investimentos em inovação, em competitividade para recuperarmos o poder da indústria brasileira, indústria de manufaturados. Voltamos a ser o que éramos na década de 50 do século passado: exportador de commodities, de matéria prima. Então, o governo comemora esses indicadores de empregabilidade que não são suficientes para o Brasil dar um salto na vida das pessoas. Então, esta é uma discussão que vamos tratar.

A deterioração dos indicadores econômicos é clara. O governo usa de artifícios que já se estabeleceu chamar de contabilidade criativa para mascarar o seu fracasso. O resultado da balança comercial é o pior em 13 anos. E só foi positivo por que exportaram, entre aspas, plataformas de petróleo que nunca saíram do Brasil. Cerca de R$ 7 bilhões contabilizados como exportação para um saldo final de US$ 2,5 bilhões. A nossa dívida bruta vem aumentando fortemente. O BNDES é hoje uma grande caixa preta que privilegia alguns amigos do rei ou da rainha em detrimento do conjunto da economia. A Petrobras hoje é empresa não financeira mais endividada do mundo. Ela perdeu simplesmente 85% do seu valor de mercado em quatro anos. Isso não é brincadeira. A Eletrobras que era uma empresa superavitária, depois do intervencionismo irresponsável do governo comandado pela presidente da República hoje é uma empresa que precisa ir ao BNDES para obter recurso para capital de giro. Esse populismo do governo tem trazido danos enormes ao Brasil.

Então, em todas as áreas, o governo deve ao Brasil. O que quero dizer hoje como presidente do maior partido de oposição é que estamos prontos para o enfrentamento, vamos fazer isso em altíssimo nível, mas vamos ter oportunidade de dizer aos brasileiros que o PT precisa encerrar esse ciclo para iniciarmos outro que seja ético do ponto de vista do comportamento e eficiente do ponto da gestão pública.

 

Sobre a relação com o PSB nacionalmente.

Desde o início dessa discussão, vamos chamar, eleitoral, no início do ano passado, sempre estimulamos que outras forças políticas pudessem entrar no jogo. O próprio governador Eduardo, a própria Marina, nós, inclusive, congressualmente, atuamos juntos com o PSB para impedir as manobras do PT para inviabilizar o partido da Marina, que acabou não se realizado, não se viabilizando. O PT, na verdade, é que sempre quis uma polarização. O PT fez o que pode fazer para inviabilizar a candidatura de Eduardo, sufocando alguns dos seus aliados e conseguindo, no caso do Ceará, especificamente, atrair para o seu campo, e tentou inviabilizar de todas as formas o partido da Marina.

Vejo como positiva a vinda para o campo oposicionista de atores políticos que em um passado não muito remoto atuavam no campo governista. O próprio governador Eduardo, a própria ex-ministra Marina. Então, acho que é positivo para o debate essa candidatura, a candidatura do Eduardo, como a candidatura do Randolfe que se apresenta também, através do PSOL.

Nós do PSDB não tememos essa discussão. E eu acho que todos que se colocarem na disputa, naturalmente, terão discurso de oposição ao governo, porque se fosse de apoio ao governo estariam apoiando a atual candidata. Então, acho que o caminho natural é uma migração desse discurso, que antes era de apoio ao governo para um discurso oposicionista.

O que pretendo manter em relação ao governador Eduardo é uma relação de absoluto respeito, tenho com ele uma relação pessoal que já beira os 30 anos. Acho, repito, positiva para o debate a sua candidatura. E vamos fazer em altíssimo nível. Ele tem toda a condição de ser competitivo, de chegar lá em condições de competitividade.

Agora, eu posso dizer que tenho uma expectativa que possamos, em um eventual segundo turno, estarmos juntos. Porque ambos temos em comum o sentimento de que o governo do PT faz muito mal ao Brasil.

 

Sobre alianças regionais com o PSB.

Essas alianças estaduais seguem uma lógica de muita naturalidade. Não é algo imposto. “Vamos fazer uma aliança aqui.” Mas onde estivemos juntos durante dez anos não há porque não estarmos juntos agora na campanha eleitoral, a começar pelo meu estado onde há uma aliança, e ontem o PSB de Minas Gerais esteve presente no ato de lançamento da pré-candidatura do PSDB declarando ali o seu apoio. Acho que a convivência harmoniosa entre nós existirá no Brasil inteiro, mas calculo que talvez em oito a dez estados o palanque pode ser o mesmo.

 

Sobre uma possível aliança com o PSB em Pernambuco.

O governador Eduardo está fazendo o que deve fazer, construindo aqui o seu palanque. A decisão do PSDB será tomada pela instância estadual do partido, em razão também das suas prioridades do ponto de vista de eleições de parlamentares. Não vou influenciar nessa decisão. E acho absolutamente natural que o governador lance o seu candidato, como eu ontem. O que posso dizer é que em Minas, ontem, o PSB formalizou o apoio à pré-candidatura do PSDB.

Vejo que tem setores aqui do PSDB – não quero avançar o sinal, porque não tomaram essa decisão formal –, mas existem setores do PSDB que tem aqui uma relação com o governador Eduardo. Não haverá da nossa parte qualquer impedimento ou qualquer ação da direção nacional que impeça essa manifestação do partido. Tenho aqui um extraordinário companheiro, queria frisar isso, que está se recuperando de problemas de saúde que é o Sérgio Guerra, que vai estar comandando este processo como sempre fez. O Sérgio é uma das lideranças nacionais mais importantes do PSDB, meu companheiro de direção partidária, preside o Instituto Teotônio Vilela, eu presido o partido, e estamos afinadíssimos. E o Sérgio, que esperamos possa estar se recuperando rapidamente, vai saber conduzir da melhor forma, ao lado dos nossos deputados, esse processo.