Aécio Neves – Trechos do debate com 300 empresários em São Paulo

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, fez palestra e participou de debate, nesta segunda-feira, com 300 empresários, em São Paulo. O encontro faz parte da série Cafés da Manhã Estadão Corpora, realizado pelo jornal O Estado de S.Paulo.

 

Leia trechos da fala do senador Aécio Neves: 

Brasil

O Brasil tem jeito. Talvez essa não seja a expectativa de muitos quando se preparam para ouvir um candidato da oposição, mas o Brasil tem muito jeito. O problema não é o Brasil, o problema é o governo que aí está.

 

Modernização da economia

Do ponto de vista econômico, após o governo Itamar, com a concepção do Plano Real, e depois com a sua consolidação no governo do presidente Fernando Henrique, com a modernização da nossa economia, com a privatização essencial de setores que precisavam sair das mãos do Estado, como telefonia, siderurgia, aviação, dentre tantos outros, o Brasil veio avançando.

 

Confiabilidade e LRF

O Brasil resgata a credibilidade perante o mundo, volta a ser o interlocutor confiável, respeitador de contratos e de convênios. Do ponto de vista interno, vem a Lei de Responsabilidade Fiscal, um marco absolutamente definitivo na vida nacional, e iniciam-se ainda naquele período do governo Fernando Henrique, no final do seu governo, os programas de transferência de renda, que passaram a ser um instrumento também importante de atendimento na nossa avaliação circunstancial e temporária das populações mais vulneráveis.

 

Flexibilização

A partir da metade do segundo mandato do presidente Lula começa a haver uma flexibilização daqueles pilares macroeconômicos e isso continua no governo da atual presidente da República, que traz consigo, infelizmente, um viés autoritário e intervencionista que muito mal vem fazendo ao Brasil.

 

Retrocesso

O lamentável é que enquanto deveríamos estar aqui discutindo fundamentalmente a questão da produtividade, a agenda da competitividade perdida no Brasil, estamos voltando a falar de inflação, de credibilidade do Brasil perante agentes externos e internos.

 

Base governista

Esse gigantismo do Estado brasileiro fez com que a presidente da República ficasse refém de forças políticas que a imobilizaram. E a pergunta que eu faço, e faço isso no Congresso corriqueiramente, é: para que uma base desse tamanho se nenhuma agenda estruturante foi colocada e conduzida pelo governo?

 

Custo Brasil

Guerra absoluta ao Custo Brasil. Essa é uma necessidade absolutamente urgente de quem queira governar com seriedade o Brasil. Isso de dá em várias vertentes. Desde a questão tributária, passa pela questão da segurança jurídica, pela questão da infraestrutura e da criação de um ambiente adequado para que as parcerias e os investimentos com o setor privado voltem ao Brasil.

 

Infraestrutura e planejamento

Tenho dito que, ao lado disso, o Brasil precisa de um choque de infraestrutura, e do resgate do planejamento na vida pública brasileira. O Brasil hoje é o Brasil do improviso. O Brasil é hoje um cemitério de obras abandonadas por toda parte. Vejo agora o açodamento do governo para inaugurar obras pelo meio do caminho, como se pudesse enganar a realidade, enganar os brasileiros.

 

Energia

Temos que ter uma política descentralizada para enfrentar o desafio da energia compreendendo as realidades de cada região, os potenciais de cada região, acho que seria um avanço extraordinário. O Brasil além desse viés intervencionista ao qual estamos submetidos, vem nessa área sofrendo pela absurda falta de planejamento do governo. Parques eólicos no Nordeste estão prontos sem linhas de transmissão.

 

Petrobras

Não é apenas a Petrobras que nos preocupa, mas a incapacidade do governo de conduzir adequadamente a política macroeconômica fez da empresa instrumento para esta política, com consequências perversas para o caixa da empresa. A Petrobras é vítima de um novo sistema de partilha que a onera com a obrigatoriedade de participação de 30% no mínimo em cada um dos lotes, ao mesmo tempo em que tem o seu caixa estrangulado por uma decisão política do governo. E a consequência disso é o que fizeram com o setor de etanol em todo o Brasil.

 

Etanol

Talvez esta tenha sido a grande fronteira nova que o Brasil conseguiu construir ao longo de muitas décadas, competitiva, ambientalmente adequado, socialmente extremamente importante pela gama de empregos que gera, e, na verdade, nos últimos cinco anos, 43 usinas fecharam, inúmeras outras estão com problemas prestes a fechar até o final do ano. Mais de 100 mil empregos diretos nessas usinas o Brasil perdeu. A incapacidade do governo de compreender qual caminho seguir na produção de ene, e, na verdade, nos últimos cinco anos, 43 usinas fecharam, inúmeras outras estão com problemas prestes a fechar até o final do ano. Mais de 100 mil empregos diretos nessas usinas o Brasil perdeu. A incapacidade do governo de compreender qual caminho seguir na produção de energia está fazendo com que o Brasil que tem um potencial absolutamente diferenciado em relação às maiores economias do mundo no que diz respeito à matriz energética, esteja hoje passando por dificuldades graves.

 

Consumo x Investimentos

É uma falsa questão. O que ocorreu no Brasil foi sim, a partir da crise de 2009, um forte estímulo ao crescimento da economia pelo consumo. Isso é elogiável. Era o caminho que tínhamos a partir da oferta de crédito farto, mas não poderia ser o único caminho. Não investimos na outra ponta que era da oferta. Esta é que é a grande realidade. E para sustentar o consumo em padrões adequados é fundamental que nos preocupamos com a oferta. E tudo isso passa pela criação de um ambiente adequado para a retomada dos investimentos.  Nos últimos números do IBGE, que mostra um crescimento de 0,2% nesse primeiro trimestre, já aponta, pela primeira vez, uma queda no consumo das famílias, e isso, a meu ver, é consequência também da falta de planejamento no campo dos investimentos de segurança jurídica, para que pudéssemos ter crescido no campo da oferta.

 

Inflação

Tenho dito. Para nós, com inflação, é tolerância zero. É possível sim sinalizarmos de forma clara que queremos o centro da meta de inflação, e não o teto. Após o primeiro ano, é possível iniciarmos um processo de estreitamento das, que hoje me parecem excessivamente largas.

 

Agronegócio x Sustentabilidade

Esse 0,2% só não foi algo mais vexatório e dramático porque, nesse primeiro trimestre, a agropecuária cresceu 3,6%. Venho sempre falando que da porteira para dentro, ninguém é mais produtivo do que o Brasil. Na década de 90 para cá, o Brasil aumentou em 40% a sua área plantada. E a produção aumentou 220%. Temos de superar também esta outra falsa contradição entre o agronegócio e a questão ambiental. Não tem ninguém no mundo moderno que se coloca de forma adequada como alternativa para presidir o Brasil que não vai ter uma visão de sustentabilidade. Ela é essencial. Ela é imposta pela sociedade hoje. Esta falsa discussão é que tem de ser superada.

 

Ministério da Agricultura

É preciso que o Ministério da Agricultura saia do balaio das trocas políticas, das compensações partidárias. O Ministério da Agricultura tem de estar sentado junto ao Ministério da Economia, do Planejamento, formulando políticas com representantes que falem em nome do setor. O que não vem acontecendo ao longo dos últimos anos. Uma área tão vital, tão essencial ao crescimento da economia, à geração de empregos e renda, não pode ficar no final da fila na hora das composições políticas para agradar partido A e partido B.

 

Parcerias

Minas é o estado brasileiro que tem o maior conjunto de parcerias com o setor privado em todas as áreas. No saneamento, na saúde, na educação, nas rodovias, agora, no sistema prisional. Porque onde o capital privado pode vir complementar as necessidades de investimentos, suprir a incapacidade do Estado de investir, ele é e deve ser muito bem-vindo. Temos que estimular estas parcerias com regras absolutamente claras e que não sejam alteradas ao longo de todo o processo.

 

Política externa

O Brasil hoje é passivo na sua política externa. A política externa do Brasil hoje é este alinhamento que estamos assistindo. O Brasil precisa ter foco, quais são os setores onde somos competitivos, onde temos escalas, onde podemos realmente alcançar novos mercados. São esses que devem ser estimulados. Introduzir as empresas brasileiras nas cadeias globais de produção, nos setores onde somos competitivos é um gesto minimamente de inteligência.

 

Indústria

A perda de participação da indústria na construção do nosso PIB é extremamente grave. O Brasil está se voltando ao que era na década de 50 com JK, na verdade, exportador de commodities. A indústria brasileira tem uma presença de 13% na constituição do nosso PIB. Somos um dos países menos produtivos do mundo.

 

Inovação

Quando se fala em inovação, os fundos setoriais que financiam a inovação no Brasil, são os mesmos criados há 14 anos pelo presidente Fernando Henrique. Para o fundo setorial de apoio científico e tecnológico, para se ter uma ideia da importância que este governo dá à inovação, nos últimos três anos foram R$ 13 bilhões aprovados no orçamento. O governo não gastou R$ 5 bilhões.

 

Aparelhamento

O aparelhamento do Estado brasileiro, que se colocou não a serviço de um projeto de país, mas a serviço de um projeto de poder, é o mais nocivo de toda nossa história republicana. Alcançou instituições imaculadas, como o Ipea, IBGE, Embrapa, e está em toda a administração pública, porque o PT abriu mão de um projeto transformador de país e hoje se contenta com um projeto de poder.

 

Controle da mídia

Controle social da mídia quer dizer censura, controle dos meios de comunicação. Sou da geração dos filhos da democracia. Vi o que quanto custou a tantos brasileiros nos permitir viver no país que vivemos hoje. Esse é um patrimônio que não temos o direito de permitir sequer que seja ameaçado. Liberdade de imprensa é o principal valor em qualquer sociedade democrática. Controle da mídia, que era algo discutido intramuros, já é externado por algumas das principais lideranças do partido.

 

Copa do Mundo

Não estamos mais na década de 1970. Acho que o Brasil tem grandes chances de ganhar dentro de campo. E vamos ganhar em campo, dar alegria aos brasileiros, que estão tão carentes em alegria, e vamos ganhar de novo em outubro, tirando esse governo que está aí. Acho que as coisas são completamente compatíveis. No fora campo, esse sim é um problema que será cobrado do governo. Menos de 40% de tudo que foram acertado, compromissado pelo governo, será entregue.

 

Saúde

Estamos caminhando para viver no Brasil um Estado unitário. A Federação está indo embora. O governo central gastava 54% do conjunto dos investimentos em saúde pública, agora passou para 45%, são os municípios que pagam a conta.

 

Segurança Pública

Há hoje uma omissão criminosa do governo federal na questão da segurança pública, 87% de tudo que se gasta vêm dos estados e municípios. Apresentei quando cheguei no Senado, até pela experiência que tinha em Minas Gerais dos contingenciamentos sucessivos dos recursos da área de segurança, e apresentei projeto que impedia que recursos do Fundo Penitenciário e do Fundo Nacional de Segurança Pública fossem contingenciados.

 

Masmorras

Me lembro que o ministro da Justiça disse há algum tempo que as cadeias brasileiras eram masmorras medievais. Concordo com ele. E nesses três anos em que ele está a frente do Ministério da Justiça, do que foi aprovado no Fundo Penitenciário para transformar as masmorras em cadeias minimamente dignas, apenas 10,5% foram executados, cerca de 90% contingenciados. Quando o diagnóstico fica tão distante das intenções, assistimos o que estamos assistindo.

 

Direitos trabalhistas

Os direitos trabalhistas são inegociáveis. O que tenho dito é que a partir de demandas dos próprios sindicatos, e elas vêm existindo em determinados setores, possa haver uma relação mais direta entre trabalhadores e empresários. E o Estado deve estimular essa interlocução. Eu não comprometeria e imprudência de dizer, até porque não vamos, acabar com direitos conquistados.

 

Bolsa Família

O Bolsa Família está enraizado, faz parte sim da paisagem econômica e social das famílias. Apresentei, há cerca de um ano, projeto de lei que eleva o Bolsa Família à condição de política de Estado, exatamente para retirá-lo do âmbito de um ministério, de uma secretaria, regulado por decretos, podendo ser instrumento de ameaças permanentes àqueles que eventualmente possam vencer as eleições e, com isso, ele pode ser qualificado. Na última semana, aprovamos por um voto projeto de minha autoria que garante que quem alcançar emprego com carteira assinada cuja remuneração passe do teto para receber o Bolsa Família, ele possa receber por seis meses ainda o benefício.

 

Certificação

Em Minas Gerais para você ocupar um cargo na área administrativa ou financeira de qualquer órgão da administração direta, você tem que passar por uma certificação feita por um órgão externo ao estado. No nosso caso, a universidade federal.

 

Legado petista

Se me perguntarem qual o mais perverso legado desse período do governo do PT, diria que foi o absoluto pouco comprometimento com a ética e com a decência na administração dos recursos públicos. Nesse governo, o que era proibido é ser pego. O que estamos assistindo em várias áreas do governo é a complacência com o equívoco. Isso é o filho danoso e perverso do aparelhamento da máquina público. Quando você não qualifica, não estabelece critérios para a indicação das pessoas, não acompanha a ação das pessoas, é um sinal de que tudo pode. Essa será uma revolução a ser feita. Resgatar na sociedade brasileira o respeito ao setor público, a partir de uma ação responsável dos agentes públicos. Quero viver, rapidamente, a partir de 2015, em um país onde ética e eficiência possam caminhar juntas.

Aécio Neves – Entrevista Coletiva em Curitiba

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista coletiva, nesta segunda-feira (19/05), em Curitiba (PR), onde participou de encontro com lideranças políticas da região e do lançamento do Livro “José Richa – Imagens e História de um Político de Verdade”.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre homenagem a José Richa.

Quero agradecer, em especial, ao governador Beto Richa por me receber mais uma vez aqui em Curitiba para um evento que, para mim, tem um significado que traz uma dimensão muito além da dimensão política que é participar de uma homenagem ao ex-governador José Richa. Me lembro – antes apenas de responder sua pergunta – que quando cheguei na Assembleia Constituinte, era uma disputa enorme para ver quem conseguia se sentar ao lado de José Richa, ali na parte final, à esquerda do plenário. Era a cadeira que menos ficava vazia. Richa, com sua tranquilidade, serenidade e a sua extraordinária dimensão de homem público, foi uma referência, e creio nisso, para toda uma geração de homens públicos na qual me incluo. Portanto fiz questão de estar aqui hoje para abraçar o Beto (Richa), a família e todos os paranaenses que permitiram, ao longo da história, que o Brasil tivesse oportunidade de desfrutar da qualidade, do idealismo, da competência do governador José Richa. Quando em 82 demos o primeiro e mais consistente passo para a reconciliação do Brasil com a democracia e o fim da ditadura foi a eleição de José Richa no Paraná, ao lado da eleição de (Franco) Montoro em São Paulo, de Tancredo Neves – meu avô – em Minas Gerais, e de Leonel Brizola no Rio de Janeiro, além de algumas outras, mas essas principalmente, que criaram o primeiro grande momento de fortalecimento das forças de oposição. Portanto José Richa teve um papel essencial em todo o processo de redemocratização do Brasil e me orgulho muito de ter podido ser um dos seus discípulos durante todo período da Assembleia Nacional Constituinte. Portanto, essa homenagem, que se faz hoje a José Richa, é uma homenagem que vai muito além das fronteiras do estado. É uma homenagem todos aqueles que acreditam na política como instrumento de transformação efetiva da vida das pessoas, todos aqueles, hoje, se sentem, de alguma forma, homenageados. Tenho certeza que vamos construir ainda belas páginas da história da boa política paranaense e brasileira, honrando a história de José Richa, de Tancredo, dentre tantos outros.

 

Sobre tom da campanha.

Temos um projeto para o Brasil. Costumo dizer que o PSDB não tem a alternativa, a opção, de apresentar uma proposta diferente dessa que está aí. É nossa responsabilidade e vamos cumpri-la. Vamos apresentar um projeto para o Brasil, programático, onde o aparelhamento absurdo da máquina pública possa ser substituído pela meritocracia, onde essa gestão que assusta investidores possa ser substituída por um cenário de estabilidade, de respeitos às regras, de fortalecimento das agencias reguladoras, onde o investimento possa voltar a vir para o Brasil, onde essa visão anacrônica e ideologizada da nossa política externa, que não tem nos levado a lugar algum, possa ser substituída por uma visão mais pragmática em defesa dos interesses reais do Brasil, com parcerias com outras nações do mundo. Enfim, temos um modelo diferente para apresentar aos brasileiros. Na condução da economia, na gestão do estado, e nos avanços dos indicadores sociais. E, portanto a nossa campanha será uma campanha focada em um novo Brasil. Se os nossos adversários, ao final de 12 anos, só têm a oferecer aos brasileiros o medo, a desesperança, vamos apresentar a coragem para fazer mudanças e trazer de novo esperança aos lares dos brasileiros.

 

Sobre pesquisa realizada em Londrina.

Fico extremamente feliz com esses indicadores, até porque a campanha, na verdade, só se inicia, eu acho que em primeiro lugar a companhia do Beto deve estar me identificando lá com o governo do Beto Richa – e acho que a partir do momento em que as nossas propostas vão tendo uma capilaridade maior, as pessoas vão tomando conhecimento delas, eu acho que a tendência é de crescimento. Eu tenho andado por todo o Brasil, nessa última semana fui a vários estados do Nordeste, fui a estados da região Sudeste e há claramente um sentimento hoje de mudança e um sentimento crescente no Brasil. Cada vez mais o PSDB e os nossos aliados se consolidam como a mudança verdadeira, a mudança corajosa e a mudança real que o Brasil precisa viver. Portanto, acredito que em outras partes do Brasil, inclusive do estado, há sim uma tendência de fortalecimento daqueles que querem interromper esse ciclo que aí está e iniciar um novo ciclo onde a ética, onde a eficiência pode caminhar juntas. Cada momento que as pessoas tomarem conhecimento das nossas propostas, acho que existe uma tendência de crescimento. E ainda chama atenção pelo baixo nível de conhecimento que existe ainda em relação a nossa candidatura, sobretudo se comparada à candidatura da atual presidente da República. Fico muito feliz. Agradeço essa homenagem pela população de Londrina e já estamos marcando inclusive uma vista breve a Londrina para agradecer essas manifestações assim como a outras regiões do Estado.

 

Sobre indicação de vice na chapa do PSDB.

Em primeiro lugar eu fico muito feliz de ver que existem nomes dessa dimensão, dessa importância, que de alguma forma se coloca como alternativas a composição da chapa. Eu tenho dito e reintegro aqui hoje, em Curitiba, de que essa decisão é uma decisão colegiada. Ela não será uma opção individual do candidato e tão pouco do PSDB. Temos outras forças políticas que se somam a nós. Estamos conversando com todas elas. Essa é uma decisão que pretendo que esteja tomada até o início do mês de junho, provavelmente dia 10 de junho, já que a nossa convenção nacional será dia 14 e eu aproveito para convidar todos os companheiros que aqui estão, já falei com Beto pessoalmente que certamente estará lá inclusive falando em nome dos governadores do PSDB. Será dia 14 de junho em São Paulo. Então, temos nomes muito qualificados. A decisão será uma decisão natural. Faço apenas um registro em relação ao comportamento absolutamente correto, altivo, de enorme responsabilidade política do companheiro José Serra. Tenho sim conversado com ele. Ele tem se disposto a nos ajudar, inclusive na formatação de determinadas propostas do nosso programa de governo e ele estará nesse jogo político do nosso lado, isso que é irrelevante. Portanto, estou muito feliz de que ao final desse processo ver o PSDB unido e mais do que isso, usando um termo que o Beto usou rapidamente quando conversávamos logo que cheguei, o partido está determinado a construir um belíssimo resultado tanto no Paraná quanto no Brasil. O partido está motivado e isso é muito importante para chegarmos ao segundo turno e vencermos as eleições

 

Sobre declaração do ex-presidente Lula sobre regulação para a mídia.

É incrível que o Partido dos Trabalhadores e o partido que lutava pela democracia seja hoje o partido que quer trazer a agenda da censura novamente para a discussão. Isso é inconcebível. Defendemos a democracia lá atrás, citei aqui José Richa. Poderia falar das nossas origens, mas foram tantos brasileiros. Exatamente para que houvesse entre outras coisas absoluta liberdade de imprensa. Isso para nós é absolutamente inegociável. Onde tiver um candidato, um parlamentar, um governador, um presidente do PSDB, haverá um defensor intransigente da democracia, da independência dos poderes e, sobretudo, da liberdade de imprensa. Esse é um valor inalienável aqueles que acreditam que a democracia é um bem de todos. Aqueles que acham que a democracia só serve quanto instrumento da sua manutenção no poder, aí lamentavelmente trazem esse tipo de discussão. Combateremos isso e tenho certeza que o Brasil não retrocederá no que diz respeito a suas liberdades.

 

Sobre medidas impopulares.

O Brasil precisa de um governo que fuja da demagogia. O Brasil precisa de um governo que faça aquilo que seja necessário sem olhar as curvas de popularidade. Quanto a medidas impopulares, elas já foram tomadas pelo atual governo. Vamos tomar medidas que corrijam as medidas, como por exemplo, aquelas que nos levaram hoje a ter o recrudescimento da inflação. Não há nada mais impopular, nada mais perverso, danoso para o cidadão brasileiro, sobretudo de baixa renda, do que o retorno da inflação, do que o baixo nível de investimentos, do que um crescimento pífio que será o pior dentre todos os países da América do Sul e da América Latina em toda última década. Esse é o crescimento do Brasil. Essa perda crescente de credibilidade do país. Afugenta investimentos, afugenta empregos.

A indústria no Brasil hoje tem uma participação no PIB que tinha na época, em que o ilustre mineiro presidia o Brasil Juscelino  Kubitschek. Temos hoje a mesma participação da indústria na formação do PIB que tínhamos na década de 50, em torno de 13%. Essas são as medidas que precisaríamos corrigir, mas faremos isso com absoluta serenidade.  Faremos isso com absoluta transparência. É óbvio que existem aí preços represados, que nós precisamos ao longo do tempo são regras claras.

O Brasil não pode mais continuar tendo sua política fiscal maquiada como vem tendo. Vou citar apenas um dado aqui para aqueles, talvez os de economia que estejam aqui estejam mais atentos a essa questão. Tivemos, no ano passado, um superávit primário de 1,9% do PIB. Nesse 1,9%, que já foi o mais baixo de todo o ciclo de governo do PT, portanto já mostrando uma incapacidade do governo de fazer essa economia, ele foi formado em metade por recursos do REFIS, cerca de 20 bilhões, campo de Libra da Petrobras, em torno de 15 bilhões, e o adiamento de gastos que deveriam ter ocorrido no ano passado para esse ano em torno de mais 0,3% desse conjunto.

Então tivemos, na verdade, um superávit em que 60% foram maquiados. Foram de receitas não correntes. Isso mostra a fragilidade fiscal na qual hoje estamos inseridos, ao qual estamos submetidos. E ninguém se engana mais. O Brasil está hoje, a verdade é essa, no final da fila. Tenho conversado com investidores de todo o mundo, tenho feito palestras fora do Brasil, e, infelizmente, o sentimento que se tem hoje em relação ao Brasil é de risco. Um país que não cumpre contratos, um país que intervém de forma absolutamente estabanada em setores vitais da economia, como o setor elétrico, por exemplo. Um país que desorganizou todo o seu processo de regulação, colocando as agências reguladoras no pacote das distribuições de espaços, em busca de apoio político. Então, reorganizar isso é necessário. Temos que fazer isso com absoluta serenidade. Mas podem estar certos: o governo do PSDB não será o governo da demagogia.

 

Sobre Eduardo Campos.

Nossa estratégia é muito clara. E ela não se altera em razão de pesquisas ou o que quer que seja. Queremos apresentar ao Brasil uma alternativa a isso que está aí. Em todos os campos vamos estar prontos para a discussão. Seja na economia, onde fracassaram, seja na gestão do Estado, na demonização das privatizações durante 10 anos, e isso gerou um atraso enorme ao Brasil… o velho Tancredo costumava dizer que o ativo mais valioso da política é o tempo. E que o tempo perdido você não recupera. Você pode, nos anos que estão por vir, tomar outras medidas, mas aquelas que deixaram de ser tomadas em determinado momento, aquele tempo já foi.

E é isso que aconteceu com o Brasil. Se nós hoje temos gargalos, inclusive aqui na região, em Paranaguá, em rodovias, ferrovias que não chegam, é porque durante 10 anos eles demonizaram a participação do setor privado de forma envergonhada – agora ao final se curvam a essa necessidade, mas fazem isso de forma improvisada, sem absolutamente nenhum planejamento. E nos indicadores sociais, o governo fracassou.

Estamos voltando a ter analfabetismo no Brasil. Olha que coisa absolutamente inacreditável. Na saúde, a situação é trágica a cada ano, e o governo federal vem a cada ano gastando menos do que gastava. Quando eles assumiram o governo, 54% de tudo o que se investia em saúde pública era da União; hoje é apenas 45%. Na segurança, é uma outra tragédia, e aí sim é a omissão é criminosa. Hoje, 87% de tudo o que se gasta em segurança pública no Brasil vem dos cofres estaduais e municipais, e o Beto sabe do que estou dizendo. A solidariedade do governo é praticamente nenhuma. Nem em relação às fronteiras. Aqui no Paraná seja talvez o exemplo melhor. O Beto fez um esforço enorme para criar aí uma patrulha, para criar dentro da Polícia Militar o batalhão de fronteira, e por quê? Porque o controle das nossas fronteiras, que deveria ser responsabilidade da União, não vem tendo apoio da União. Tráfico de drogas, tráfico de armas, responsabilidade da União. E a União não participa da forma como deveria participar desse esforço. O Brasil não tem um plano nacional de segurança.

Os recursos de fundo de segurança, fundo penitenciário, são contingenciados sucessivamente a cada ano. Portanto, é contra isso que nós estamos nos movimentando. Em relação às diferenças ao Eduardo, é claro que nós temos diferenças. Se não tivéssemos, estaríamos no mesmo partido, apoiando a mesma candidatura. E é bom que essas diferenças sejam debatidas. Olha, eu não temo as nossas diferenças, tampouco eu temo as nossas convergências, quando elas são boas pro país.

 

Sobre aliança com o PSB no Paraná.

Ninguém vai contra a realidade. Em Minas Gerais, não é diferente do que acontece no Paraná. O PSB participa do meu governo desde que eu me elegi na primeira vez, em 2002. Continua participando até hoje. A secretária de Educação de Minas Gerais é do PSB, uma grande secretária. Tem outra secretaria importante na área de esportes, que cuida inclusive da realização da Copa, é do PSB. Eu, assim como o Beto, Beto e eu apoiamos candidatos do PSB para a prefeitura da capital dos nossos estados. Então, o que vai acontecer é que as figuras do PSB obviamente trabalharão para o seu candidato, o que é muito natural. Vejo isso com absoluta tranquilidade. Nós, do PSDB, trabalharemos para o PSDB.

 

Sobre Copa do Mundo e eleições.   

De forma alguma. Isso valia lá atrás. Hoje não. Vamos torcer para o Brasil ganhar a Copa do Mundo, trazer a alegria para a nossa gente, e vamos mudar o Brasil. Vamos encerrar esse ciclo de governo que está aí. Eu acho que essas duas coisas são absolutamente compatíveis. Eu acredito muito nesse time que está aí, obviamente, ninguém é favorito como já foi no passado, quatro ou cinco seleções estão em condições de disputar o título, pelo menos quatro ou cinco, Alemanha, Argentina, Espanha, talvez a Holanda, mais ou menos nessa ordem, sempre com alguma surpresa… você viu que eu conheço futebol, não é? Mas esses são os times, e o Brasil está entre eles. Vou torcer para ganhar.

Agora, o que é lamentável sobre Copa do Mundo é que tudo aquilo que foi prometido ou grande parte daquilo que foi prometido como o grande legado, obras de infraestrutura, de mobilidade, nas redes hospitalares e educação. Nada disso aconteceu. Ficou tudo no meio do caminho. Por que? Porque hoje no Brasil temos um governo que promete muito e entrega muito pouco. Tivemos manifestações, em junho do passado, com demandas em todas as áreas, de transporte, de mobilidade, transporte público, de melhoria na educação, na saúde, de ética na política.

Não vejo que nenhuma dessas demandas tenha sido adequadamente atendida por esse governo. Exatamente pela incapacidade de gestão que tem demonstrado em todas as áreas. O Brasil é um grande cemitério de obras inacabadas com sobrepreços em todas as áreas. Essa, sim, é uma responsabilidade que o governo haverá de responder.  Portanto, vamos lutar para vencer em campo e para vencer as eleições. As duas coisas vão ser muito boas para o Brasil.