Aécio Neves – Entrevista – Viagem a Cascavel

Local: Cascavel – Paraná

SEM REVISÃO

Entrevista 1. Assuntos:  Privatização de aeroportos, PPPs, PSDB, eleições

(Contém trecho da entrevista do governador Beto Richa)

Em relação às privatizações, o PSDB e o PT estão cada vez mais parecidos em seus programas de governo? É possível ainda distinguir alguma sigla da outra? Com essa atitude de alguma forma o governo do PT se rende aos argumentos do PSDB?

Eu disse algumas semanas atrás e quero repetir aqui hoje, em Cascavel, que há um software pirata em execução no Brasil porque o original é nosso. Quem concebeu toda esta construção macroeconômica de câmbio flutuante, de superávit primário, foi o PSDB. O Beto já falou aqui da Lei de Responsabilidade Fiscal da modernização da nossa economia com as privatizações, o Proer que foi absolutamente fundamental para a solidez do nosso sistema financeiro. Estamos vendo em outras partes do mundo, o que ocorre quando o sistema financeiro está frágil e todas essas conquistas, inclusive a maior delas, o Plano Real, foram feitas com oposição ferrenha, em especial do PT. Eu diria que temos de esperar sempre, e até nos alegrar quando as pessoas mudam de posição. Eu reconheço méritos do governo do presidente Lula. O maior deles foi, sem dúvida alguma, ter esquecido o discurso de campanha e se apropriado das políticas do PSDB. Não alterou nenhuma delas. Não houve ruptura entre o final do governo do presidente Fernando Henrique e o governo do PT. Não porque o PSDB tivesse mudado suas posições, mas porque setores do PT, setores, evoluíram e agregaram ao seu discurso, pelo menos na sua prática, propostas que vinham do governo do PSDB ampliando algumas delas como os programas sociais iniciados também no governo do PSDB.

Em relação ao processo de concessões, sempre houve uma oposição muito renhida, muito ideológica do PT, contrário às parcerias Público-Privadas. Para se ter uma ideia, em 2003, o governo federal aprovou a lei das Parcerias Público-Privadas, PPPs. Grande discussão no Congresso, anunciada pelo presidente recém-eleito como um grande marco na nova administração pública federal, até hoje, o governo federal não fez uma PPP sequer. E esta proposta que ocorre agora da concessão dos aeroportos, muitos de nós governadores, eu pessoalmente levei, acompanhado do então prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, hoje ministro do Desenvolvimento Econômico, a então chefe da Casa Civil, no ano de 2005 e 2006, Dilma Rousseff, a proposta de concessão do metrô da capital do meu estado, de Belo Horizonte, e do aeroporto Tancredo Neves, em Confins. Exatamente o modelo que depois de enfrentar todas as resistências deles, hoje, eles assumem.

Fico imaginando o ministro Guido Mantega, com seus apertos nas suas contas, na hora em que ele vir entrar esses R$ 25 bilhões da concessão de metade de três aeroportos, ele deve pensar lá, na hora que pode pensar, falando baixo porque lá não pode falar muito alto porque a bronca é mais alta ainda, ele deve pensar: porque demoramos tanto tempo para acordar e não assumimos mais essa proposta do PSDB lá atrás. Teria sido melhor para o Brasil e para o próprio governo deles.

O ex-presidente Fernando Henrique declarou que o senhor é o candidato natural do partido à Presidência em 2014. Gostaria de saber se o senhor se vê como candidato natural e estender a pergunta ao governador Beto Richa, o senhor entende que o senador é o candidato natural do partido?

Eu, como muitos que estamos aqui, li a entrevista do presidente Fernando Henrique, tenho conversado muito com o presidente Fernando Henrique e ele é talvez hoje o mais instigante pensador brasileiro, reconhecido não apenas no Brasil, independentemente das questões partidárias, de se gostar ou não do PSDB, ele é uma referência fora do Brasil. É um pensador contemporâneo hoje mais atento a o que ocorre no mundo em razão dos fóruns dos quais participa, com outros ex-presidentes e, mesmo, dos fóruns que participa internamente. Ele fez uma manifestação, eu tive oportunidade de público, agradecer, em torno do meu nome, mas está é uma decisão que terá que ser tomada a seu tempo. Política é a arte de administrar o tempo. Uma decisão, por mais correta que possa parecer, tomada no tempo errado, é uma decisão errada.

O PSDB tem uma responsabilidade grande, hoje, que é de se apresentar como um partido que pensa o Brasil. A agenda, na verdade, que está em curso no Brasil, hoje, é a agenda proposta pelo PSDB lá atrás. O PT não inovou nisso. Portanto, é hora do PSDB se apresentar ao Brasil, discutindo os problemas reais das pessoas, condenando o aparelhamento da máquina pública, falando em investimentos em infraestrutura, em parcerias com o setor privado, valorizando o cooperativismo, como estamos fazendo aqui, cobrando investimentos na saúde por parte do governo federal. Alertando para o gravíssimo processo de desindustrialização por que passa a economia brasileira. Estamos voltando à década de 1950, quando éramos grandes exportadores de commodities, de matérias-primas. Há 10 anos, 60% da pauta de exportações brasileiras eram de produtos manufaturados. Portanto, produtos que agregavam valor internamente, que geravam empregos, como vocês fazem aqui na Coopavel. Hoje, é o inverso. Hoje, 60% de tudo que se exporta são commodities e ficamos à mercê do preço das commodities no mercado internacional, que inclusive caíram esse último mês. Portanto, existe uma série de questões que têm que ser discutidas pelo partido, pelos nossos aliados, antes de definirmos quais serão os nomes, ou o nome que conduzirá nossas bandeiras. Quero incluir, entre os vários nomes que o PSDB tem, o nome do governador do Paraná, um nome extremamente qualificado, com todas as condições de encampar, de empunhar todas essas bandeiras que vão diferenciar o atual modelo de gestão que está no governo federal, que, a meu ver, está exaurido, para um outro, que tenha capacidade propositiva, que tenha ousadia, coragem de propor as reformas que esse governo deixou para trás.

Fala do Governador Beto Richa

Na verdade, tenho o maior respeito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, uma das grandes cabeças desse País. Um intelectual muito respeito e um homem público exemplar. Fez um extraordinário governo nesse País, com avanços inquestionáveis, conquistas que até hoje o Brasil se aproveita delas. Inestimáveis contribuições, como a criação da Rede de Proteção Social, que depois mudaram de roupagem, de nome, para ter uma outra paternidade. O respeito internacional que teve o País no governo FHC, a consolidação das instituições democráticas. E o mais importante de tudo, a estabilidade da nossa economia, que foi a base, o alicerce para o crescimento vigoroso que o Brasil conheceu de lá para cá. Além de outras contribuições, como a Lei de Responsabilidade Fiscal, que trouxe a responsabilidade aos administradores públicos de zelar pelo bem público, de gastar menos do que arrecada. Enfim, grandes contribuições. E, hoje, continua sendo um grande conselheiro do PSDB.

Evidente que tem um grande peso a manifestação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, não apenas internamente, no PSDB, mas em todo cenário político. E o nome do Aécio é lembrado por todos, e não poderia ser diferente. Um grande político, homem que tem o prazer de servir à sua comunidade, à nossa sociedade, e muito bem. Já exerceu vários cargos políticos no Brasil e em todos eles teve o destaque pela sua postura ética, pela sua competência, pela gestão resultados que promoveu, sobretudo, no Governo de Minas Gerais. Ao longo de oito anos governando Minas, que é um grande estado brasileiro, em todas as pesquisas de opinião pública foi apontado o melhor governador do Brasil. E merece o carinho, a aprovação e o respeito dos mineiros e o reconhecimento de todos brasileiros. Ainda mais levando-se em conta a situação financeira que ele recebeu o Estado de Minas. Conseguiu sanear as finanças, dar a volta por cima e fazer um grande governo que serve de exemplo para os demais estados e todos administradores estaduais ou municipais desse País. Então, sua trajetória política e sua história de vida o credenciam a ser um grande candidato à Presidência da República. O PSDB tem a felicidade de ter grandes nomes, ser um partido referência em boas administrações públicas, de resultados, com ética, privilegiando a agenda que nos é apresentada pela sociedade brasileira. Então, por essas razões o Aécio é um grande nome e temos também outros nomes que devem ser respeitados. Concordo que o Aécio é hoje a bola da vez no PSDB, e outros partidos pensam também dessa maneira. Mas, agora, é cedo, extemporâneo lançar uma candidatura nesse momento. O momento é de discutir com a sociedade um grande projeto para o Brasil, o momento é de garantir oportunidades a todos que queiram apresentar o seu nome. E, nesse aspecto, conheço bem o Aécio, é uma pessoa tranqüila. Não tem obsessão pelo poder, está na política para servir, dar o melhor de si para o fortalecimento da nossa sociedade. E, dessa forma, tem o nosso respeito e de todos os brasileiros.

Entrevista 2. Assuntos: Cooperativismo, Ineficiência do governo federal

A cada um de vocês, primeiro de orgulho de como o brasileiro, perceber o que está acontecendo, ao longo dos anos no estado do Paraná pela força do campo. Não fosse, e todos sabemos disso, e é preciso que esta seja uma compreensão nacional, não fosse a força do agronegócio, já no ano de 2011 teríamos tido um importante déficit na nossa balança comercial. Foi o agronegócio impulsionado em grande parte pela força da atividade aqui no Paraná que alcançamos o superávit e R$ 75 bilhões, e ao final o Brasil teve o superávit de apenas R$ 30 bi. Não fosse a contribuição decisiva do agronegócio teríamos encerrado o ano passado com um déficit muito expressivo na nossa balança comercial e com todas as consequências perversas, para a nossa economia, desse déficit. Isto é apenas um simbolismo que demonstra a importância do agronegócio na economia brasileira. Venho de um estado que, também, tem na agricultura e na pecuária, sua mais importante matriz econômica. Isso me permitiu, sou de uma família de pequenos produtores rurais, pequenos produtores de café, vejo a luta e acompanho ao longo da minha vida, sobretudo do pequeno produtor que luta com todas as dificuldades, às quais aqui se referiu o Beto (Richa) em relação ao acesso ao crédito, ao próprio custo da produção, a carência da nossa infraestrutura e não é diferente o que ocorre no Paraná, o que ocorre em alguns outros estados. Aqui, felizmente, há um governador sintonizado com este setor, que tem a noção clara na necessidade das parcerias com o setor privado, com o agronegócio, com as cooperativas – e o cooperativismo é o mais inteligente e eficaz sistema de aglutinação de forças, sobretudo dos pequenos e médios produtores para que tenham resultado positivo ao final. E a parceria do governador Beto (Richa), ele já me contava o esforço do porto de Paranaguá para, de alguma forma, desobstruir, pelo menos em parte, ou em determinados meses do ano, o fluxo excessivo de navios que ali aguardam o momento de embarcar e desembarcar. Há o problema das rodovias às quais ele (Beto Richa) aqui se referiu, mas enfim, a minha palavra é de agradecimento pela oportunidade, Beto, de estar mais uma vez ao seu lado, no Paraná e vendo o vigor da economia deste estado, que é o que de melhor há hoje no Brasil. Repito, para encerrar, pretendo estar ainda em outras oportunidades meu caro Dilvo (Dilvo Grolli – presidente da Copavel), ao seu lado, em Brasília, quando estiver lá com os membros da cooperativa, aprofundando o nosso conhecimento à importância do associativismo na vida da economia brasileira. O Ronalto Scucato, que você deve conhecer, que é uma grande referência em Minas Gerais, uma grande liderança do cooperativismo é, sem dúvida alguma, talvez um dos meus conselheiros mais próximos. Fizemos em Minas uma legislação que possibilitou a agilização do associativismo em diversos segmentos e tem dado resultado enorme para nosso estado. Portanto, venho aqui, de um lado, ver o êxito de um jovem, eficiente, preparado e correto governador que é o Beto Richa, cuja presença nacional é cada vez mais marcante, mais bem avaliado governador de todo Brasil. E vejo aqui Dilvo, ao seu lado, e dos seus associados, uma esperança muito grande de que este Brasil saberá encontrar o seu caminho, saberá enfrentar os gargalos que temos ainda hoje da ineficiência da gestão pública nacional, da falta de investimentos e de planejamento na infraestrutura. Espero poder, ainda por muitas vezes, estar aqui vivenciando um tempo novo, onde os investimentos não façam parte apenas da propaganda oficial, mas sejam efetivamente parte da realidade e da vida daqueles que trabalham e produzem para alimentar o Brasil.

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+