Em entrevista ao Canal Livre, Aécio Neves defende uma “nova via” para o Brasil

O presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, concedeu entrevista ao programa Canal Livre, da Band, neste domingo (07/06), e abordou temas centrais do cenário político nacional, incluindo eleições de 2026, necessidade de uma alternativa de centro para o país, economia, segurança pública, reforma dos poderes e desafios enfrentados pela democracia brasileira.

Assista aqui a íntegra da entrevista

Aécio Neves é entrevistado pelos jornalistas Fernando Mitre, Sheila Magalhães, Rodolfo Schneider e o cientista político Fernando Schüler, no programa Canal Livre (Band).

Leia os principais trechos:

Centro democrático e eleições de 2026

Ao comentar a possibilidade de disputar a Presidência da República, Aécio afirmou que qualquer candidatura de centro precisa ser consequência de um movimento mais amplo da sociedade e não apenas de uma decisão partidária. “Nós temos que despertar o centro brasileiro, aqueles que hoje votam no Lula porque dizem não ao Bolsonaro, ou votam no Bolsonaro porque dizem não ao Lula. Mas nós temos que dar a essas pessoas a oportunidade de votar sim. Sim para um novo projeto de pacificação, de união nacional”, afirmou.

O presidente do PSDB destacou que existe espaço para uma alternativa que represente os brasileiros que não se identificam com os extremos e afirmou que seguirá trabalhando para fortalecer esse campo político.

O papel histórico do PSDB

Durante a entrevista, Aécio relembrou o papel desempenhado pelo PSDB ao longo das últimas décadas e defendeu a importância da legenda para a construção de um projeto nacional. “O PSDB é maior do que o número de deputados, de governadores ou de prefeitos que possa ter. O PSDB é um projeto de país, é um projeto transformador de país”, declarou.

Segundo ele, o partido foi o único que não aderiu nem ao bolsonarismo nem ao lulopetismo, preservando sua independência e coerência programática.

Economia, responsabilidade fiscal e crescimento

Ao analisar a situação econômica do país, Aécio criticou o aumento dos gastos públicos e afirmou que o governo federal repete erros que já produziram graves consequências para a economia brasileira. “Eu faço um paralelo com esse Lula 3 muito próximo do que foi o Dilma 1 do ponto de vista da gastança desenfreada”, disse.

Para o presidente tucano, a retomada do crescimento passa necessariamente por responsabilidade fiscal, controle dos gastos públicos e estímulo ao investimento privado. “Nós temos que ter uma política fiscal responsável, rígida, retomar o caminho das privatizações, discutirmos uma nova reforma na Previdência Social e, principalmente, é preciso que haja um governo que dialogue”, defendeu.

Aécio também defendeu a reforma administrativa como uma das medidas prioritárias para reorganizar as contas públicas e modernizar o Estado brasileiro.

Programas sociais e superação da pobreza

Questionado sobre políticas sociais, Aécio afirmou que o Brasil precisa avançar da simples transferência de renda para políticas que promovam autonomia e geração de oportunidades. “O governo do PT, na minha opinião, se aprofundou, se especializou na administração da pobreza, não na sua superação”, avaliou.

Ele voltou a defender a criação de mecanismos que incentivem a qualificação profissional e a inserção produtiva dos beneficiários dos programas sociais. “Nós precisamos construir portas de saída”, afirmou.

Segundo Aécio, o objetivo deve ser garantir que os programas sociais sejam instrumentos de emancipação econômica e não apenas de assistência permanente.

Reforma dos poderes e Supremo Tribunal Federal

Outro tema abordado foi a necessidade de uma ampla reforma institucional. Aécio defendeu a abertura de um debate nacional sobre o funcionamento dos poderes da República. “O próximo Presidente da República deve ter uma missão primária antes de todas as outras, que é propor uma reforma dos poderes, liderar esse diálogo nacional”, disse.

Entre as propostas apresentadas, destacou a adoção de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal. “Eu acho que nós devemos fazer como fizeram na Alemanha, mandato de 12 anos para ministros do Supremo Tribunal Federal”, propôs. Segundo ele, a medida contribuiria para fortalecer o equilíbrio institucional e reduzir tensões recorrentes entre os poderes.

Congresso Nacional e reforma política

Aécio também criticou o atual modelo de funcionamento do sistema político e defendeu a implantação do voto distrital misto. “Eu só vejo a inversão dessa lógica para um Congresso mais qualificado se nós tivermos o distrital misto”, afirmou. Para ele, o modelo permitiria maior proximidade entre eleitores e representantes, além de fortalecer a qualidade da representação política.

Segurança pública e combate ao crime organizado

Ao tratar da segurança pública, o presidente tucano afirmou que o tema foi negligenciado pelo governo federal e defendeu uma atuação mais firme no combate às organizações criminosas. “O governo do PT, durante todos esses anos, foi leniente no combate à criminalidade, na agenda de segurança pública”, disse.

Ele relembrou propostas apresentadas pelo PSDB em eleições anteriores, como o fortalecimento da proteção das fronteiras, a criação de estruturas nacionais de coordenação da segurança e a execução integral dos recursos dos fundos destinados ao setor.

Caso Banco Master e delação de Daniel Vorcaro

Questionado sobre as investigações envolvendo o Banco Master e a possível delação de Daniel Vorcaro, Aécio afirmou que os desdobramentos podem produzir impactos relevantes no cenário político nacional. “Eu ainda acho que vai mexer muito e ninguém vai ficar imune a isso”, disse. Segundo ele, eventuais apurações devem atingir todos os envolvidos, independentemente de posição política, e precisam ser conduzidas pelas instituições competentes.

Pacificação nacional

Ao encerrar a entrevista, Aécio voltou a defender a construção de um projeto nacional capaz de reunir diferentes setores da sociedade em torno de objetivos comuns. “Eu não gosto de ‘terceira via’. Eu acho que é uma nova via que o Brasil precisa”, afirmou. E concluiu: “Existe vida inteligente entre os extremos.”

PSDB-Cidadania oficializa Aécio como pré-candidato à Presidência da República

A federação formada pelo PSDB e Cidadania formalizou nesta terça-feira (26/05) o convite ao deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) para que considere disputar a Presidência da República nas eleições de 2026. O chamamento foi apoiado pelos diretórios estaduais das duas siglas, consolidando uma articulação nacional que visa apresentar uma alternativa de centro democrático ao país.

Aécio Neves recebeu a indicação de forma honrosa, destacando a importância de ouvir segmentos da sociedade antes de definir sua decisão final. “Recebi com uma honra enorme essa manifestação tão contundente dos companheiros da Federação PSDB-Cidadania, do companheiro Paulinho da Força Sindical, presidente do Solidariedade. Acho que nos clamando a despertar, a nos posicionarmos, a encontrarmos caminhos para apresentar uma alternativa para o Brasil. Sou presidente do PSDB e presidente agora da Federação PSDB-Cidadania, e acredito que temos uma contribuição muito grande a dar ao país”, afirmou.

O presidente tucano destacou que pretende avaliar a viabilidade da candidatura e reforçou que o processo será conduzido de forma transparente, ouvindo tanto a sociedade quanto os partidos aliados. “Não gosto de chamar de terceira via, porque não vejo nas outras duas uma via que nos leve ao futuro. Portanto, eu chamo de ‘A via’. Quem sabe possamos construir esse caminho de transformação para o Brasil. A Federação vai tomar uma decisão nas próximas semanas”, disse.

Durante o encontro, estiveram presentes o presidente nacional do Cidadania, deputado federal Alex Manente (SP), o presidente do Solidariedade, deputado federal Paulinho da Força (SP), além de dirigentes históricos do PSDB, como Roberto Freire, e líderes da bancada, incluindo Adolfo Viana, líder da bancada na Câmara, e Plínio Valério, líder da bancada no Senado.

A decisão da federação reflete o desejo das siglas em apresentar uma alternativa política ao país, fora da polarização entre os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), consolidando Aécio Neves como representante de um projeto nacional tucano. “Parte da população está indignada e angustiada com a precariedade das opções colocadas. Agora é hora de conversar, ouvir e perceber se há espaço para a construção desse caminho”, afirmou Aécio.

O deputado federal mineiro já tem ampla experiência política, incluindo mandatos como governador de Minas Gerais (2003-2010), senador e presidente da Câmara dos Deputados. Em 2014, disputou a Presidência da República e chegou ao segundo turno, consolidando seu protagonismo no cenário nacional.

O chamamento ocorre em um momento estratégico para o PSDB e o Cidadania, após a consolidação da nova bancada federal da federação e a definição de pré-candidatos aos governos estaduais, reforçando a atuação do partido como um eixo de centro democrático, liberal na economia, inclusivo socialmente e responsável na gestão pública.

O convite oficializado à Aécio Neves representa a intenção das siglas de colocar à disposição da sociedade brasileira uma candidatura à Presidência capaz de unir experiência, conhecimento e compromisso com políticas que promovam equilíbrio, desenvolvimento e soluções concretas para o país.

Leia abaixo a entrevista de Aécio Neves concedida após a reunião da Federação PSDB/Cidadania.

Deputado, do que depende na sua decisão, sim, a esse convite feito hoje?

Olha, eu recebi com uma honra enorme essa manifestação tão contundente dos companheiros da Federação PSDB Cidadania, do companheiro Paulinho da Força Sindical, presidente do Solidariedade. Acho que nos clamando a despertar, a nos posicionarmos, a encontrarmos caminhos para apresentar uma alternativa para o Brasil. Sou presidente do PSDB e presidente agora da Federação PSDB-Cidadania e, acredito, que temos uma contribuição muito grande a dar ao país.

Portanto, a partir desse chamamento liderado pelo companheiro Roberto Freire, vamos avançar nas conversas, não apenas com partidos políticos, mas também com partidos políticos, mas na sociedade, com aqueles que estão, como eu, indignados e angustiados com a precariedade das opções que estão hoje colocadas. Agora, é hora de conversa. Política é, sobretudo, conversar, ouvir, para que nós percebamos se há espaço realmente para a construção desse caminho.

Não gosto de chamar de terceira via, porque eu não vejo nos outros dois uma via que nos leve ao futuro. Portanto, eu chamo de a via. Quem sabe nós possamos construir essa via, esse caminho de transformação para o Brasil. Portanto, agora é hora de reflexão, de conversas e, nas próximas semanas, conjuntamente, a Federação vai tomar uma decisão. Não me coloco nesse instante, eu preciso deixar isso muito claro, como pré-candidato à Presidência da República, mas eu me coloco como um brasileiro indignado com o que vem acontecendo com o Brasil e otimista em relação à possibilidade que nós possamos ter de construir um caminho diferente.

O Sr. é um político experiente, e o tempo é curto, você acha que dá para ter viabilidade em uma pré-candidatura lançada agora?

Olha, política é a arte de administrar o tempo. Temos que ouvir, temos que esperar ver como é que as coisas caminham. O quadro vem se alterando com uma certa rapidez, né? Vejo o quadro ainda com alguma instabilidade. O que eu tenho certeza absoluta é que somos capazes de apresentar um projeto transformador para o Brasil, liberal na economia, inclusivo no campo social, responsável na área fiscal, ousado nas reformas que precisam atingir todos os poderes e reconectarmos o Brasil com o mundo, com o mundo desenvolvido, com a política externa pragmática que defenda os nossos interesses e não os nossos aliados ideológicos, como aconteceu no Brasil nos últimos tempos, nesse e no último governo.

Portanto, estou muito honrado com essa manifestação. Não tenho uma data para tomar uma decisão e ela vai depender fundamentalmente do apelo, da resposta que setores importantes da sociedade brasileira e do mundo político derem a essa iniciativa que, por si só, já vai fazer parte da minha história, do meu currículo, do presidente Roberto Freire, do presidente Alex e dos companheiros do PSDB.

Esse eventual prejuízo na candidatura de Flávio Bolsonaro em relação ao caso Vorcaro pode abrir uma possibilidade para o senhor atrair o voto da direita?

Olha, não penso nessa construção buscando atingir ou atacar quem quer que seja. Quero olhar para frente, quero olhar para o futuro. O Brasil perdeu muito tempo olhando para os lados. É claro que os brasileiros vão estar dizendo se esse ou aquele candidato merece a sua confiança. Não é essa a questão, para mim, central. Se alguém vai se desgastar mais, se alguém vai se desgastar menos. O que eu quero ver é se eu tenho realmente capacidade, e eu não sei se a tenho, se eu tenho capacidade para construir um projeto viável. Repito o que disse ontem: Se vocês me perguntarem se eu tenho disposição de liderar um projeto transformador para o Brasil, eu digo que sim. Se vocês me perguntarem se eu estou preparado para construir esse projeto, eu digo que sim. Me preparei toda a minha vida durante esses 40 anos de mandato. Agora, se vocês me perguntarem se isso é viável, é vocês que vão dizer. É o tempo que vai dizer e é o reflexo que estamos fazendo hoje aqui na sociedade que vai nos levar a uma decisão. Não preciso ser candidato à Presidência da República para contribuir com o Brasil na superação dessa polarização.

Portanto, vamos continuar aqui trabalhando, conversando, sobretudo ouvindo. E quem sabe isso pode significar a possibilidade da construção da via, do caminho que tenho certeza grande parte dos brasileiros ainda aguarda que seja construído.

Deputado, em Minas Gerais o PSDB e a federação tende mais para Alexandre Kalil ou para Gabriel Azevedo?

Olha, o companheiro Paulo Abi-Ackel que é o nosso presidente regional do partido, tem tido conversas com todas essas forças. Tenho um respeito enorme pelo Gabriel. Gabriel começou conosco no PSDB, é um idealista, é alguém que, certamente, vai ainda contribuir muito para com a Minas Gerais, para com o Brasil. É um talento nato, vive lá também as suas angústias, as suas dificuldades.

Conversei também recentemente com o ex-prefeito Kalil, todos me estimulando muito uma candidatura minha ao Senado, mas agora eu tenho que recuar um pouco nessa questão mineira, deixar que o deputado Paulo Abi-Ackel, que é o presidente do partido, conduza essas conversas para eu me concentrar na responsabilidade, na missão que me foi dada hoje aqui.

Ouvir a sociedade dentro e fora dos partidos políticos e chegarmos à conclusão de que é possível ou não construir esse caminho, porque o nosso planejamento era para prepararmos a federação para os desafios de 2026.

Sobrevivemos de forma muito vigorosa nessa janela partidária, crescemos com o trabalho dos companheiros da Federação, do Adolfo em especial, do Paulo, o partido cresceu. Portanto, se prepara para voltar a ter um papel relevante, decisivo nas grandes questões nacionais.

Mas o projeto estava se encaminhando para a construção disso pelos próximos quatro anos com o exaurimento, com o cansaço, com a fadiga, que já é grande e vai ser ainda maior dessa polarização. Mas o que estamos vendo hoje é uma nova manifestação e essa nova manifestação vai me levar a uma profunda reflexão. Obrigado.

Entrevista após reunião da federação PSDB-Cidadania – Brasília – 26-05-26

Deputado, do que depende na sua decisão, sim, a esse convite feito hoje?

Olha, eu recebi com uma honra enorme essa manifestação tão contundente dos companheiros da Federação PSDB Cidadania, do companheiro Paulinho da Força Sindical, presidente do Solidariedade. Acho que nos clamando a despertar, a nos posicionarmos, a encontrarmos caminhos para apresentar uma alternativa para o Brasil. Sou presidente do PSDB e presidente agora da Federação PSDB-Cidadania e, acredito, que temos uma contribuição muito grande a dar ao país.

Portanto, a partir desse chamamento liderado pelo companheiro Roberto Freire, vamos avançar nas conversas, não apenas com partidos políticos, mas também com partidos políticos, mas na sociedade, com aqueles que estão, como eu, indignados e angustiados com a precariedade das opções que estão hoje colocadas. Agora, é hora de conversa. Política é, sobretudo, conversar, ouvir, para que nós percebamos se há espaço realmente para a construção desse caminho.

Não gosto de chamar de terceira via, porque eu não vejo nos outros dois uma via que nos leve ao futuro. Portanto, eu chamo de a via. Quem sabe nós possamos construir essa via, esse caminho de transformação para o Brasil. Portanto, agora é hora de reflexão, de conversas e, nas próximas semanas, conjuntamente, a Federação vai tomar uma decisão. Não me coloco nesse instante, eu preciso deixar isso muito claro, como pré-candidato à Presidência da República, mas eu me coloco como um brasileiro indignado com o que vem acontecendo com o Brasil e otimista em relação à possibilidade que nós possamos ter de construir um caminho diferente.

O Sr. é um político experiente, e o tempo é curto, você acha que dá para ter viabilidade em uma pré-candidatura lançada agora?

Olha, política é a arte de administrar o tempo. Temos que ouvir, temos que esperar ver como é que as coisas caminham. O quadro vem se alterando com uma certa rapidez, né? Vejo o quadro ainda com alguma instabilidade. O que eu tenho certeza absoluta é que somos capazes de apresentar um projeto transformador para o Brasil, liberal na economia, inclusivo no campo social, responsável na área fiscal, ousado nas reformas que precisam atingir todos os poderes e reconectarmos o Brasil com o mundo, com o mundo desenvolvido, com a política externa pragmática que defenda os nossos interesses e não os nossos aliados ideológicos, como aconteceu no Brasil nos últimos tempos, nesse e no último governo.

Portanto, estou muito honrado com essa manifestação. Não tenho uma data para tomar uma decisão e ela vai depender fundamentalmente do apelo, da resposta que setores importantes da sociedade brasileira e do mundo político derem a essa iniciativa que, por si só, já vai fazer parte da minha história, do meu currículo, do presidente Roberto Freire, do presidente Alex e dos companheiros do PSDB.

Esse eventual prejuízo na candidatura de Flávio Bolsonaro em relação ao caso Vorcaro pode abrir uma possibilidade para o senhor atrair o voto da direita?

Olha, não penso nessa construção buscando atingir ou atacar quem quer que seja. Quero olhar para frente, quero olhar para o futuro. O Brasil perdeu muito tempo olhando para os lados. É claro que os brasileiros vão estar dizendo se esse ou aquele candidato merece a sua confiança. Não é essa a questão, para mim, central. Se alguém vai se desgastar mais, se alguém vai se desgastar menos. O que eu quero ver é se eu tenho realmente capacidade, e eu não sei se a tenho, se eu tenho capacidade para construir um projeto viável. Repito o que disse ontem: Se vocês me perguntarem se eu tenho disposição de liderar um projeto transformador para o Brasil, eu digo que sim. Se vocês me perguntarem se eu estou preparado para construir esse projeto, eu digo que sim. Me preparei toda a minha vida durante esses 40 anos de mandato. Agora, se vocês me perguntarem se isso é viável, é vocês que vão dizer. É o tempo que vai dizer e é o reflexo que estamos fazendo hoje aqui na sociedade que vai nos levar a uma decisão. Não preciso ser candidato à Presidência da República para contribuir com o Brasil na superação dessa polarização.

Portanto, vamos continuar aqui trabalhando, conversando, sobretudo ouvindo. E quem sabe isso pode significar a possibilidade da construção da via, do caminho que tenho certeza grande parte dos brasileiros ainda aguarda que seja construído.

Deputado, em Minas Gerais o PSDB e a federação tende mais para Alexandre Kalil ou para Gabriel Azevedo?

Olha, o companheiro Paulo Abi-Ackel que é o nosso presidente regional do partido, tem tido conversas com todas essas forças. Tenho um respeito enorme pelo Gabriel. Gabriel começou conosco no PSDB, é um idealista, é alguém que, certamente, vai ainda contribuir muito para com a Minas Gerais, para com o Brasil. É um talento nato, vive lá também as suas angústias, as suas dificuldades.

Conversei também recentemente com o ex-prefeito Kalil, todos me estimulando muito uma candidatura minha ao Senado, mas agora eu tenho que recuar um pouco nessa questão mineira, deixar que o deputado Paulo Abi-Ackel, que é o presidente do partido, conduza essas conversas para eu me concentrar na responsabilidade, na missão que me foi dada hoje aqui.

Ouvir a sociedade dentro e fora dos partidos políticos e chegarmos à conclusão de que é possível ou não construir esse caminho, porque o nosso planejamento era para prepararmos a federação para os desafios de 2026.

Sobrevivemos de forma muito vigorosa nessa janela partidária, crescemos com o trabalho dos companheiros da Federação, do Adolfo em especial, do Paulo, o partido cresceu. Portanto, se prepara para voltar a ter um papel relevante, decisivo nas grandes questões nacionais.

Mas o projeto estava se encaminhando para a construção disso pelos próximos quatro anos com o exaurimento, com o cansaço, com a fadiga, que já é grande e vai ser ainda maior dessa polarização. Mas o que estamos vendo hoje é uma nova manifestação e essa nova manifestação vai me levar a uma profunda reflexão. Obrigado.

Projeto de Aécio torna São João del-Rei Capital Nacional da Arte Sacra

“A riqueza do patrimônio histórico de São João del-Rey está em suas igrejas, na arquitetura de seus casarios, mas principalmente no vigor cultural da sua população que, por séculos, tem mantido vivos os ritos, festas e tradições religiosas”, diz Aécio

O deputado federal Aécio Neves apresentou, nesta segunda-feira (13/04), ao Congresso Nacional, projeto de lei (PL 1769/2026) que declara o município de São João del-Rei Capital Nacional da Arte Sacra.

Considerada a maior cidade mineira fundada no início do século 18, no auge do ciclo do ouro, o município abrigou a Capela de Nossa Senhora do Pilar, conhecida como a primeira edificação de arte sacra, à época localizada no Arraial Novo do Rio das Mortes, cuja ocupação data de 1704.

A capela original foi destruída em 1709. Anos depois, em 1721, foi erguida a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, hoje Catedral Basílica, e uma das mais importantes do barroco.

Entre as igrejas do século XVIII que o município abriga estão: a Igreja do Rosário, fundada em 1720, a Igreja do Carmo, de 1733, a Igreja de Nossa Senhora das Mercês, de 1769 e a Igreja de São Francisco de Assis, de 1744, que tem projeto e decoração de Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido como “Aleijadinho”, considerado o maior nome do barroco brasileiro e um dos mais importantes escultores e arquitetos do período colonial.

Constam também entre os expoentes da arte sacra são-joanense Valentim Correa Paes, Manoel Victor de Jesus, Venâncio José do Espírito Santo, Luiz Pinheiro de Souza e Joaquim Francisco de Assis Pereira.

“A riqueza do patrimônio histórico de São João del-Rey está em suas igrejas, na arquitetura de seus casarios, mas principalmente no vigor cultural da sua população que, por séculos, tem mantido vivos os ritos, festas e tradições religiosas do período colonial. São tradições tricentenárias revividas todos os anos nas ruas, preservando a história e a memória da época”, disse o deputado Aécio Neves.

As festas religiosas na cidade são consideradas uma das mais importantes entre as celebradas em todo o Brasil pela Igreja Católica Apostólica Romana e reúnem milhares de pessoas durante a Quaresma.

A Irmandade de Nosso Senhor dos Passos, fundada em 1733, promove a Festa de Passos, que conserva antigos ritos que relembram a Paixão de Cristo.

A Paróquia de Nossa Senhora do Pilar e a Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento, fundada em 1711, preservam uma das mais antigas tradições, os “Ofícios de Trevas”, cantados inteiramente em latim na Quarta, Sexta e Sábado da Semana Santa. Nem mesmo o Vaticano mantém essa tradição integralmente.

Música sacra

As práticas religiosas preservadas em São João del-Rei fazem da cidade também um centro de música sacra, com orquestras que atuam desde o período colonial, especialmente a Orquestra Lira Sanjoanense, fundada em 1776, e a Orquestra Ribeiro Bastos.

“Ambas são consideradas as orquestras mais antigas das Américas em atividade ininterrupta. A música colonial brasileira por elas executada há mais de dois séculos permanece viva nas celebrações da população, não está apenas nos museus, o que contribui enormemente para a manutenção da tradição sacra”, justifica Aécio em seu projeto de lei.

Museu de Arte Sacra

O Museu de Arte Sacra em São João del-Rey abriga um acervo de 450 objetos, entre alfaias (roupas, utensílios e adornos), paramentos litúrgicos pertencentes a confrarias, ordens e irmandades religiosas, acumulados ao longo dos anos.

“É notável a presença de diversos escultores, pintores, entalhadores, prateiros, ourives, costureiros, restauradores e outros profissionais que dedicaram grande parte de seu trabalho a prover as igrejas da cidade”, diz o texto do projeto de lei.

Se aprovada a proposta, a “cidade onde os sinos falam”, como São João del-Rey é conhecida em razão dos toques centenários praticados em suas igrejas há 300 anos, será considerada oficialmente a Capital Nacional da Arte Sacra, título concedido pela Lei Municipal 6.103/2024, mas ainda sem amparo na legislação federal.

O reconhecimento oficial incentiva e viabiliza medidas governamentais de proteção do acervo histórico e artístico, mas também estimula e valoriza o apoio de empresas e de particulares a projetos e a formação de parcerias público-privada (PPP).

Aécio convida Ciro Gomes para disputar eleições presidenciais pelo PSDB

O presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves, convidou hoje (14/03), em Brasília, e nome do partido, o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes para disputar as eleições presidenciais pela legenda.

O convite foi feito após Aécio ter conversado com lideranças tucanas e foi anunciado na abertura da reunião nacional do PSDB, marcada para esta terça-feira, na Câmara dos Deputados, reunindo a nova bancada federal do partido.

Ciro Gomes é pré-candidato a governador nas eleições do estado do Ceará e disse que avaliará a nova convocação feita pelo partido. Ciro retornou ao PSDB em outubro passado. Ele foi o primeiro governador eleito pela legenda no país, em 1990.

“Todos nós temos acompanhado o quão pobre está o quadro sucessório nacional. Até por experiência própria, eu não acho que essa eleição esteja definida, longe disso. O Brasil precisa de um projeto de futuro, de um projeto de desenvolvimento, quem sabe até quase que de um novo Plano Real, que reflita a realidade atual das relações trabalhistas, da economia do desenvolvimento, uma revisão dos nossos programas sociais. Por isso, depois de conversar com muitos companheiros e companheiras de todo Brasil, e longamente com o governador Ciro Gomes, com o governador Marconi (Perillo) e com os nossos outros candidatos a governadores, e eu estou estimulando o companheiro Ciro Gomes a se colocar como uma alternativa para o Brasil”, anunciou Aécio.

O presidente tucano comemorou as novas filiações ao PSDB durante a janela partidária encerrada este mês e disse que o partido disputará eleições para governador em sete estados.

“O PSDB, depois da janela partidária, reúne hoje sua nova bancada, fortalecida na Câmara e no Senado, e reúne seus candidatos a governador – são sete candidatos a governador, mas isso para o PSDB ainda não é o suficiente pela responsabilidade que nós temos com o Brasil”, disse.

E acrescentou: “Como presidente nacional do PSDB, apesar de reconhecermos que Ciro tem um projeto exitoso e muito bem construído no Ceará, mas ele é hoje maior do que as fronteiras do seu grandioso Estado. Por isso, fiz a ele um apelo para que ele se disponha a liderar um novo caminho para o Brasil, um caminho do centro democrático, um caminho liberal na economia, inclusivo do ponto de vista social, responsável no campo da gestão pública. Tudo que o PSDB sempre foi e que tanta falta faz ao país’, declarou.

Ciro Gomes respondeu: “Vamos, meu caro Aécio, amadurecer com muito respeito. Eu não sei o que resta de lembrança no povo brasileiro da minha caminhada, já de quatro eleições, mas a minha angústia com o Brasil não me permite descartar pura e simplesmente, e o meu respeito e os meus deveres com o Ceará também não me permitem aceitar prontamente o desafio. Amadureçamos”.

Além da nova bancada, participaram do encontro líderes de vários estados, da direção nacional e tucanos históricos como Teotonio Vilela e Jose Anibal; prefeitos de Maceió, João Henrique Caldas, e Rio Branco, Tião Bocalom; e os pré-candidatos a governador pelo partido.

Fotos: Alexssandro Loyola/PSDB

Abaixo a íntegra das declarações de Aécio e Ciro

Aécio Neves

O PSDB, depois da janela partidária, reúne hoje sua nova bancada, fortalecida na Câmara e no Senado, reúne seus candidatos a governador – são sete candidatos a governador, mas isso para o PSDB ainda não é o suficiente pela responsabilidade que nós temos com o Brasil.

Todos nós temos acompanhado o quão pobre está o quadro sucessório hoje, o quadro nacional. Até por experiência própria, não acho que essa eleição esteja definida, longe disso, há seis meses das eleições.
Nesse encontro do PSDB, o primeiro após esse período de novas filiações, quero dizer que nós queremos contribuir de forma mais efetiva no debate nacional. O Brasil precisa de um projeto, de um projeto de futuro, de um projeto de desenvolvimento, quem sabe até quase que de um novo Plano Real, que reflita a realidade atual, das relações trabalhistas, da economia do desenvolvimento, uma revisão dos nossos programas sociais. E esse debate não existe hoje no Brasil. O debate está empobrecido.

E por isso, eu, depois de conversar com muitos companheiros e companheiras de todo Brasil, conversei hoje longamente com o governador Ciro Gomes, com o governador Marconi, com os nossos outros candidatos a governadores, e eu estou estimulando o companheiro Ciro Gomes a se colocar como uma alternativa para o Brasil.

Não encontro hoje no quadro político nacional alguém com tantas qualificações, tão atualizado em relação à realidade brasileira e com tanta contribuição a dar ao Brasil.

Portanto, como presidente nacional do PSDB, apesar de reconhecermos que ele tem hoje um projeto exitoso e muito bem construído no Ceará, mas Ciro é hoje maior do que as fronteiras do seu grandioso Estado.

Por isso, fiz a ele um apelo para que ele se disponha a liderar um novo caminho para o Brasil, um caminho do centro democrático, um caminho liberal na economia, inclusivo do ponto de vista social, responsável no campo da gestão pública. Tudo que o PSDB sempre foi e que tanta falta faz ao país.

Ciro Gomes

É uma surpresa, mas muita honra e alegria, essa convocação daquele que já foi o meu partido que eu ajudei a fundar e ao qual eu volto nesse momento duro da vida brasileira.

Como disse o presidente Aécio, eu estou construindo até o presente momento, por um imperativo meu de dever com minha comunidade, com o estado que me deu origem, que é o estado do Ceará, uma alternativa ao governo do estado lá.

Entretanto, um apelo, uma lembrança ou uma convocação como essa, que me foi feita agora, não pode ser considerada apenas um agrado ao meu já sofrido coração. Há que ser uma convocação a ser amadurecida, amadurecida junto à minha comunidade, antes de mais nada ao Ceará, de onde eu venho, às pessoas que me deram a honra e a alegria de participar da vida pública brasileira.

E eu só não descarto imediatamente esse honroso convite por uma circunstância, aquilo que o presidente Aécio falou: Nosso país está vivendo talvez um dos piores momentos da sua história moderna. Não falo isso por qualquer tipo de hipérbole, metáfora ou figura de linguagem. Falo isso preocupado com o fato de que um terço das empresas brasileiras estão na antessala da falência; um terço dos CNPJs brasileiros registrados hoje, 26 mil, 9 mil deles estão no Serasa. Falo porque 82 milhões de pessoas da sociedade brasileira, nossas comunidades, famílias, estão com o nome sujo no SPC. Isso é um colapso de crédito que impede por si só, afora outros fatores, o país de crescer.

A economia brasileira, hoje, se nós juntarmos o desalento, o desemprego aberto, que volta a crescer, mais a informalidade que está, por exemplo, causando problemas aí fora pela impossibilidade de se achar um ponto de equilíbrio na regulação dessa informalidade, que se deu o nome de empreendedorismo, agora é o pessoal da entrega do iFood, dos Uber da vida, a economia brasileira já 40% estão na informalidade.

Se você juntar tudo isso com a notícia generalizada de corrupção, em que não faltam elementos absolutamente constrangedores alcançando, e eu espero que tudo isso seja esclarecido sem o prêmio da impunidade, alcançando figuras altas da República Brasileira, inclusive na Suprema Corte do país, isso está explodindo no imaginário popular como uma descrença quase total na democracia.

A democracia não sobrevive só desse ciclo de voto de quatro em quatro anos. Hoje, se nós somamos as rejeições recíprocas dos tais intérpretes da polarização despolitizada, temos 80% do povo brasileiro votando A porque não quer votar em B, e votando em B porque não quer votar em A. Vamos então, meu caro Aécio, amadurecer com muito respeito. Eu não sei o que resta de lembrança no povo brasileiro da minha caminhada já de quatro eleições, mas a minha angústia com o Brasil não me permite descartar pura e simplesmente.

E o meu respeito, os meus deveres com o Ceará também não me permitem aceitar prontamente o desafio. Amadureçamos.

Aécio Neves

A gente tem uma data para a decisão? Para concluir apenas agradeço a manifestação do governador Ciro Gomes, que o Brasil inteiro conhece. E o Brasil é muito maior do que a soma de Lula e Bolsonaro. A partir desse momento o PSDB oferece ao debate nacional a figura qualificadíssima, preparada e corajosa de Ciro Gomes.

Aécio conversa com Michel Temer sobre alternativa para a polarização

O deputado federal e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, se encontrou nesta sexta-feira (20/03), em São Paulo, com o ex-presidente Michel Temer (MDB). Durante o encontro, eles conversaram sobre o quadro político nacional. O ex-governador de Minas afirmou que o partido busca formar uma força vigorosa no centro democrático como alternativa ao atual quadro de polarização política no país.

“Estive hoje em São Paulo com o ex-presidente Michel Temer para uma longa conversa sobre o quadro político nacional, num momento que ainda inspira atenção e responsabilidade diante do acirramento da polarização no país. Ambos concordamos que, a seis meses da eleição, o cenário ainda não está totalmente definido. Há espaço para diálogo, construção política e, eventualmente, para o surgimento de alternativas aos dois polos que hoje dominam o debate nacional”, disse o deputado.

Aécio afirmou que as conversas entre lideranças dos dois partidos serão mantidas nas próximas semanas.

“Combinamos manter essas conversas com mais assiduidade nas próximas semanas, inclusive com a participação de outras lideranças do MDB, como o presidente Baleia Rossi, e também do PSDB. A reaproximação entre PSDB e MDB, com o objetivo de formar uma força vigorosa no centro democrático, sempre foi uma aspiração que compartilhamos. Continuamos acreditando que esse caminho poderá se consolidar, assim que as condições políticas permitirem, disse Aécio Neves.

Aécio também se encontrou nesta sexta-feira, em São Paulo, com o ex-governadores do Ceará, Ciro Gomes e Tasso Jereissati.

“Fizemos uma análise do quadro político do Ceará, onde o governador Ciro desponta nas pesquisas eleitorais como o candidato mais forte ao governo. Discutimos também o cenário político nacional. Todos concordamos que ainda há espaço para alternativas ao quadro colocado até o momento”, afirmou o ex-governador de Minas e candidato tucano à Presidência da República em 2014.

Aécio também se reuniu com governador Tarcísio de Freitas

Na semana passada, Aécio reuniu-se com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Palácio dos Bandeirantes, acompanhado do presidente estadual do PSDB, Paulo Serra, ex-prefeito de Santo André, e do vice-presidente estadual do partido, Vinícius Camarinha, prefeito de Marília. Na pauta, o quadro político nacional e paulista.

“O governador Tarcísio vem fazendo uma gestão com resultados muito relevantes para a população, algo sempre muito caro ao PSDB. O governador fez questão de destacar os avanços que São Paulo teve no período em que foi governado pelo PSDB, em especial pelo governador Mário Covas. O PSDB passa por um momento de reestruturação em todo o país, e estou certo que também em São Paulo, sairemos dessas eleições mais fortes para voltarmos a liderar um projeto no centro democrático tão necessário ao país”, disse Aécio.