A conta do desemprego

Aécio Neves – Folha de S. Paulo – 20/03/2017

A recessão na qual fomos jogados pela má gestão econômica vem corroendo inúmeras conquistas sociais, fazendo aumentar o número de brasileiros pobres e miseráveis. Cresce o número de adultos e crianças vivendo em domicílios nos quais a renda por morador é inferior a um quarto do salário mínimo. Isso se dá justamente no momento em que se impõem restrições orçamentárias e ajustes indispensáveis ao reequilíbrio das contas públicas.

Falo sobre isso em meu artigo de hoje para a Folha de S.Paulo.

PT é um partido sem causa

“As reformas que estão em curso não são uma opção que temos hoje, não é uma decisão programática do PSDB e dos partidos aliados. É uma necessidade imperativa. Ou fazemos ou não temos um Brasil amanhã. Ou esses 12 milhões de desempregados vão se transformar em 15, 20 milhões. A irresponsabilidade do PT levou a maior crise dos últimos 120 anos, essa é a grande verdade”, afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, ao criticar as ações feitas pela bancada federal do PT contra as reformas propostas pelo governo.

Em coletiva nesta sexta-feira (25/11), em Brasília, durante o Encontro Nacional de Prefeitos eleitos pelo PSDB, Aécio disse que os erros cometidos pelos governos do PT e as investigações de corrupção que envolvem ex-ministros e principais dirigentes do partido impedem cobranças por parte de petistas.

“Não vejo qualquer autoridade em qualquer membro do PT para cobrar desse governo o que quer que seja em qualquer campo, seja administrativo, seja moral”, disse.

Ajuste fiscal não pode ser dissociado de uma agenda social prioritária

No momento em que o Brasil enfrenta o inadiável debate sobre as medidas de saneamento das contas públicas e as reformas capazes de ancorar a retomada do crescimento, é importante alertar para a prioridade que precisa ser dada à questão social. A agenda do ajuste fiscal não pode ser dissociada de uma agenda social igualmente prioritária.

A gravidade da situação econômica brasileira é maior do que se imaginava. Novas estatísticas do IBGE mostram que falta trabalho para 22,7 milhões de brasileiros. Isso significa que as portas estão fechadas para 13,6% da população em idade produtiva, o que atinge diretamente a vida de milhões de famílias. São dívidas que se acumulam, jovens que abandonam os estudos para ajudar os pais, sonhos que são adiados.

É para essa população mais vulnerável que precisamos olhar no momento de implantar as medidas essenciais do ajuste das contas públicas. Nos últimos dois anos, estima-se que a nossa economia encolheu em torno de 7%. A renda per capita caiu e os brasileiros já estão mais pobres. Recolocar o país nos eixos após anos de descalabro vai exigir, portanto, novos sacrifícios.

Em tal contexto de crise, é fundamental minimizar os impactos da recessão econômica, aperfeiçoando os gastos sociais e projetando programas de inclusão mais sustentáveis. Trata-se de proteger os mais frágeis no momento em que enfrentamos o desafio de construir um arcabouço de desenvolvimento responsável.

O tempo da demagogia se esgotou. O país dá provas de amadurecimento quando a questão das reformas é colocada pelo governo de forma transparente para a sociedade. A PEC que limita os gastos públicos, já aprovada na Câmara dos Deputados, é o primeiro passo, apenas. Faz mais de década que as despesas públicas crescem à frente do PIB em um percurso letal. O déficit do setor público ficará próximo dos R$ 170 bilhões este ano.

Limitar o teto para gastos é, portanto, o marco zero de qualquer projeto sério de mudança. A próxima reforma a ser enfrentada pela nação será a da Previdência. O populismo impediu que fosse feita há alguns anos, quando o problema ainda não era tão grave. Agora, não há escapatória.

São questões como essa que devem ser debatidas com responsabilidade e maturidade. Sem prejuízo para a população mais fragilizada, que carece de uma rede de proteção efetiva. O mesmo governo que defende com propriedade medidas duras para salvar o país deve ser enfático na busca de mais eficiência e de foco nos investimentos sociais.

É urgente a definição dessa agenda responsável, debatida com prefeituras, Estados e organizações, e que tenha compromisso com a proteção e a inclusão daqueles que, longe das estatísticas marqueteiras, permanecem excluídos.

Leia mais aqui.

Visita a Cuiabá

“Ninguém faz nada sem parcerias. Ninguém faz nada por discurso e com boas intenções. Em uma crise grave como esta porque passa o Brasil, não dá para improvisar”, diz Aecio Neves, durante ato de apoio à candidatura de Wilson santos, em Cuiabá (MT), acompanhado pelo governador Pedro Taques.

Aécio Neves Cuiabá

Foto: George Gianni