Uma Prioridade Ética

Aécio Neves – Jornal Estado de Minas – 21/05/2016

Decorridos apenas cinco dias do afastamento da presidente Dilma, o país foi sacudido por uma informação estarrecedora: o déficit das contas públicas já superava os R$ 150 bilhões, valor bem maior do que o informado pelo governo até então. Esta semana, após novas análises, o valor estimado era ainda maior. O que já era muito ruim ficou dramático.

O que ainda virá dos subterrâneos das finanças públicas? A transparência não era, definitivamente, uma marca do governo anterior. A aposta em uma nova matriz econômica, eivada de equívocos e artifícios pouco ortodoxos, não apenas demoliu a solidez fiscal que ancorava a credibilidade da política econômica junto aos mercados, empresários e consumidores como levou o país a uma das piores recessões de sua história. A herança recebida do governo petista ainda está por ser conhecida em sua real dimensão.

Já se sabe, no entanto, que o quadro fiscal é calamitoso e requer reação imediata. A equipe econômica escalada pelo presidente Michel Temer se mostra à altura do desafio a ser enfrentado. O grupo reúne executivos e economistas experientes, de sólida formação acadêmica e com bons serviços prestados à administração pública. Não se pode dizer que não conhecem as entranhas da burocracia e das finanças públicas.

O que mais se espera desta equipe é que seja capaz de restaurar a confiança no país. Há uma longa batalha pela frente até que o país possa se recuperar dos atropelos cometidos por uma gestão credora de ideias ultrapassadas e letais aos fundamentos de uma economia moderna e globalizada. O Brasil saiu dos trilhos de forma vergonhosa, perdeu protagonismo no mundo e se viu rebaixado pelas principais agências de classificação de risco.

Agora, não há truque de marketing capaz de adoçar a realidade. A recente estimativa de déficit nas contas públicas faz antever novos cortes e ajustes de orçamento. Como a nova equipe é muito focada na questão fiscal – e certamente não poderia ser diferente, dado o emaranhado de problemas a enfrentar –, cabe aqui um alerta: tudo o que vier a ser feito deve respeitar a população, especialmente as classes mais pobres.

Os brasileiros já estão por demais sacrificados. Nada menos que 60 milhões de pessoas estão com ficha suja na praça, segundo entidades lojistas. O atraso no pagamento de contas de água e luz bateu recorde em março. Inadimplência, perda do poder de compra, desemprego, são esses os verdadeiros frutos do laboratório petista, finalmente desvestidos do marketing que os apresentava como o mais ambicioso projeto social já implantado no país. A ilusão está desfeita, mas o preço é alto.

No necessário enfrentamento das calamidades que agrediram a nossa economia há que se considerar, como prioridade, a questão da preservação de programas sociais que atendem as populações carentes. Áreas ligadas a serviços essenciais de saúde, segurança e assistência social não podem ser paralisadas. Acima de tudo, cuidar deste Brasil desprotegido deve ser um imperativo ético para o novo governo. Uma prioridade ética.

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Nota do senador Aécio Neves

É um desrespeito à inteligência dos brasileiros o programa do Partido dos Trabalhadores exibido, agora há pouco, na TV. O partido que insiste na divisão dos brasileiros põe-se agora na condição de vítima e diz fazer um chamamento à união, quando, na verdade, formula críticas diretas a todos aqueles que, graças à democracia, lutam pela verdade e pela responsabilidade do poder público, acreditando na legitimidade de nossas instituições.

Realmente, o partido tem razão quando diz que o país tem força e sabe qual é o caminho. É o povo brasileiro que garante que essa crise profunda não arrase todas as nossas esperanças. E, com consciência, é o povo que percebe as consequências danosas de um governo que sempre privilegiou o marketing e a mentira em detrimento da verdade limpa, dos desafios honestos.

A oposição segue com coragem, ao lado do país, dos brasileiros e da justiça, certa de que a verdadeira união não se dará com novas ilusões de quem está enterrando o país na maior crise de sua história, mas com o desejo real de recuperar a credibilidade, a confiança e as possibilidades de trabalho para cada brasileiro.

Senador Aécio Neves
Presidente Nacional do PSDB

Queda Livre

Aécio Neves – Folha de S. Paulo – 22/02/2016

O novo rebaixamento da nota de risco do Brasil, apenas seis meses depois de o país perder o selo de bom pagador, não surpreendeu ninguém.

Ainda que previsível, diante da deterioração crescente da economia e da incapacidade do governo de reagir, esse é um fato que jamais deveria ser banalizado. Mas são tantas as notícias ruins, que corremos o risco de nos acostumarmos com elas.

O rebaixamento afeta o dia a dia de todos os brasileiros, mesmo que, para muita gente, pareça algo incompreensível. É a vida cotidiana que se torna ainda mais dura. Significa juros mais altos para nossas empresas, redução de investimentos, produtos mais caros, inflação e mais inadimplência, além do desemprego crescente. É também um período de maior dificuldade para o governo brasileiro se financiar e mais impostos no futuro para pagar essa dívida e a necessidade de cortes maiores das despesas.

O Brasil precisou percorrer uma longa estrada, que se iniciou com FHC e o Plano Real, em 1994, para ganhar o selo de bom pagador. Em menos de uma década, o governo do PT, com suas políticas equivocadas, nos tirou essa conquista.

É preciso registrar que o total de desempregados no país cresceu 41,5% em um ano e já ultrapassou 9 milhões de brasileiros. A redução nas vendas mostra o consumo das famílias em queda acelerada em todos os segmentos. Com a inflação alta e o crédito apertado, os brasileiros diminuíram a compra de eletrodomésticos, automóveis, roupas, material de construção, alimentos. Na etapa seguinte, o que se corta são os serviços. Quem é pai ou mãe sabe o quanto dói mudar a escola do filho.

É o Brasil, sem disfarces ou truques de marketing, mostrando a sua cara.

O rebaixamento não é obra do acaso. A tormenta tem nome, sobrenome e RG. Não veio de fora, como um ataque alienígena, como sempre querem fazer crer para justificar o injustificável. Segundo Lisa Schineller, da agência S&P, “o rebaixamento foi resultado da política doméstica, de ações ou falta de ações domésticas”. É, portanto, obra de um governo, de um partido, de um conjunto de ideias rasas e equivocadas que estão destruindo um patrimônio de conquistas que é de todos nós.

De uma amostra de 30 países que perderam o grau de investimento desde 1980, poucos recuperaram suas posições. A vida entre as nações da segunda divisão vai cobrar um preço alto dos brasileiros. E não há saída fácil.

Será preciso liderança política, uma equipe competente e compromisso com uma ampla agenda de reformas para superarmos a atual crise, que já é a maior das últimas décadas. Infelizmente faltam a este governo convicção, capacidade e estatura moral para conduzir o país nesta direção.

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Desafio

Aécio Neves – Correio de Uberlândia – 17/02/2016

Não há assunto que deva ocupar mais as autoridades públicas neste momento do que a epidemia de casos relacionados ao vírus zika. O Brasil tornou-se epicentro de uma preocupação de proporções mundiais. Todos os esforços precisam ser dedicados a combater a doença e proteger a população. Estados e Municípios estão abandonados pelo Governo Federal, como ocorre no conjunto dos serviços da saúde, em um lamentável “salve-se quem puder”.

Parece incrível que o Brasil diante de todos os gravíssimos problemas que enfrenta tenha em um mosquito seu principal inimigo da hora. Mas é a mais pura verdade. A epidemia de doenças que têm no Aedes aegypti o seu vetor – a dengue, a chikungunya e a microcefalia – é o retrato da falência de um governo incapaz de cuidar dos serviços básicos à população.

A presidente Dilma Rousseff age atrasada e age muito mal ao transformar o combate ao mosquito em uma cruzada cujo primeiro objetivo é tornar-se escudo para proteger o governo do desgaste que vive em função do fracasso econômico. A guerra contra a Aedes deveria ter sido deflagrada pelo governo do PT muito antes.

O resultado do descaso pode ser medido agora pelo tamanho do desafio que todo o País vive. Em apenas quatro meses, o número de casos de microcefalia relacionados ao zika multiplicou-se por 12. Não foi por falta de aviso. Há anos, o Brasil convive com explosões de dengue. Antes de bater recorde em 2015 e matar como nunca (quase 900 vítimas fatais), a doença vivera seu pico histórico em 2013. Não se viu ação à altura por parte deste governo que há 13 anos comanda a nação. Ilustra esta omissão o absoluto desleixo em relação a nossos centros de pesquisa.

O Instituto Butantã, por exemplo, passou meses à espera de aval da Anvisa para iniciar a fase de testes da vacina contra a dengue e, agora, clama pela liberação de verba federal para buscar um antídoto contra o vírus zika. É um tempo precioso que se desperdiça e vidas que se perdem. Nunca antes neste país, a ciência foi tratada com tanto descaso.

Transformada em uma das moedas do troca-troca político-partidário que enovela o governo petista, o Ministério de Ciência e Tecnologia perdeu mais de um quarto de sua verba ano passado, concentrado em quitar dívidas pretéritas e não em produzir mais saber. A Fiocruz viu 22% do seu orçamento serem reduzidos, desde 2014. Sem ciência, sem estrutura adequada de saneamento, o país vale-se de técnicas rudimentares de combate às doenças, apela ao voluntarismo, depende da iniciativa da população e do altruísmo de alguns cientistas. Torce pelo triunfo da sorte.

O Brasil, infelizmente, vive problemas de toda natureza, e são graves. Mas, entre todos eles, a prioridade deve ser sempre salvar vidas, dar conforto a mães e qualidade de vida a filhos que viverão com limitações pelo resto de suas vidas. É na face pungente de cada bebê vitimado que a presidente da República e o governo federal deveriam se inspirar antes de ir para a guerra contra o Aedes aegypti, e não em suas estratégias de marketing.

A Campanha da Fraternidade, lançada semana passada, elegeu como tema, para este ano, o direito essencial de todos ao saneamento público. A iniciativa é mais que oportuna. É hora de cobrar do poder público menos retórica e mais responsabilidade.

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Realidade e Marketing

Aécio Neves – Folha de S. Paulo – 15/02/2016

O final de semana foi pródigo em imagens planejadas com afinco para ganhar o noticiário e a simpatia popular: ministros estrategicamente espalhados pelos Estados e até a presidente da República, no Rio, na tentativa de passar a ideia de uma aliança entre governo e população, combatendo um inimigo comum.

Nada contra o esforço de mobilização nacional de combate ao mosquito Aedes aegypti. O lamentável é quando a máquina de propaganda se sobrepõe às iniciativas efetivas do poder público. Não é de hoje que a saúde pública no Brasil vai de mal a pior.

Metade das residências brasileiras não tem acesso a esgotos coletados e tratados. Ao contrário do que diz a presidente, o seu governo não prioriza o saneamento no país. Este ano, os recursos reservados no Orçamento para o setor tiveram forte queda na comparação com 2015. Sobre esse tema, é oportuno lembrar a proposta do PSDB de isentar de impostos empresas de saneamento como forma de aumentar os investimentos no setor. Assumida pela candidata Dilma como compromisso, na campanha eleitoral de 2010, foi abandonada em seguida.

O mosquito sem controle reflete omissões e erros imperdoáveis. Por exemplo: em meio a uma emergência mundial decretada pela OMS, o Ministério da Saúde atrasou em meses a entrega aos Estados de kits para exames de detecção de dengue. A vida real não comporta tal lentidão. Só nas três primeiras semanas deste ano, o número de casos de dengue cresceu 48% em relação ao mesmo período de 2015.

De 2013 a 2015, o programa de pesquisas e estudos sobre a dengue perdeu fôlego –ano passado, o pagamento efetivado pelo governo foi menos da metade do previsto. No verão de 2015 a dengue explodiu no Nordeste. Agora, temos um surto de microcefalia associada ao vírus da zika.

A realidade não comunga dos roteiros do marketing.

Apesar da grave crise enfrentada pelo país, o governo federal e as empresas públicas mantêm um bilionário orçamento de publicidade. Juntos, Petrobras, Caixa, Banco do Brasil e Correios possuem verba anual de mais de R$ 1 bilhão! No caso da Petrobras e dos Correios não há sequer o pretexto da disputa de mercado. O governo federal tem orçamento semelhante.

Pois bem, em vez de distribuir panfletos em esquinas de grandes e poucas cidades, por que não encontrar uma forma de, ao menos esse ano, destinar grande parte desses valores ao patrocínio de grandes e estratégicas ações de comunicação, informação e mobilização da sociedade? Se o dinheiro público pode patrocinar a divulgação da Olimpíada, por que não pode patrocinar também a defesa da população?

O desafio é novo, urgente e imenso. Não será vencido com mais do mesmo.

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Programa do PT zomba dos brasileiros ao ignorar a corrupção e ao ironizar panelaços, afirma Aécio Neves

O senador Aécio Neves afirmou, nesta quinta-feira (06/08), que o programa de TV que o PT levará ao ar na noite de hoje zomba da inteligência dos brasileiros ao não trazer uma palavra sequer sobre os escândalos de corrupção na Petrobras e a prisão dos dirigentes do partido, e ainda ironizar os panelaços realizados contra o governo da presidente Dilma Rousseff.

“O governo do PT perde hoje mais uma extraordinária oportunidade de falar a verdade. Zomba da inteligência dos brasileiros. O programa de 10 minutos não foi capaz, seja pela voz do seu presidente nacional, seja pela voz do ex-presidente da República ou da própria presidente Dilma, de dizer uma palavra sequer em relação ao que vem acontecendo no país na Operação Lava Jato, sobre a prisão do tesoureiro do partido, sobre o fato da maior liderança do partido do ponto de vista da sua organização, o ex-ministro José Dirceu, estar preso”, questionou Aécio Neves, em entrevista coletiva no Senado.

Sobre a nova pesquisa Datafolha, divulgada hoje, e que mostrou que 71% dos brasileiros consideram o governo Dilma ruim ou péssimo, Aécio Neves atribuiu ao estelionato eleitoral praticado pelo PT, que levou o país à recessão econômica, à inflação e ao desemprego.

“É inacreditável o PT achar que com o marketing, com as trucagens de um programa continuarão a enganar os brasileiros. Os brasileiros têm sim muitas razões para se indignar. O governo e a presidente da República pagam cada dia mais caro o preço da mentira e do descompromisso com a verdade e com a ética. É o conjunto da obra que faz com que hoje a presidente Dilma tenha a pior avaliação dentre todos os presidentes da República”, afirmou Aécio Neves.


Panelaços

O presidente tucano criticou também o ataque do PT, em seu programa de TV, às pessoas que têm se manifestados nos panelaços.

“O PT zomba de forma agressiva daqueles que se manifestam nos panelaços, seja por qualquer outra via, contra a corrupção, que se manifestam contra a carestia, contra a inflação, com a perda de investimentos e com o crescimento negativo da nossa economia”, disse.


Crise social

Aécio Neves considerou que a crise social é a de maior alcance hoje no país em razão das consequências na vida dos brasileiros mais pobres.

“Para vencer as eleições, como a presidente dizia, faz-se o diabo. E fizeram o diabo. Só que quem está pagando a conta hoje é a população mais pobre. É o desemprego. Já são 350 mil postos formais que perdemos no Brasil apenas este ano, metade disso no Nordeste. É a inflação de alimentos já em dois dígitos há mais de ano, juros escorchantes com 50 milhões de famílias já endividadas. É um governo que perdeu a capacidade de governar. A presidente, infelizmente, hoje, não governa mais o Brasil”, avaliou.