Aécio Neves – Entrevista sobre o encontro com o governador Geraldo Alckmin

O senador Aécio Neves concedeu entrevista coletiva, nesta quinta-feira (16/01), em São Paulo, e falou sobre o encontro que teve com o governador Geraldo Alckmin. Aécio Neves ressaltou que apresentou ao governador as possíveis alianças que o PSDB poderá fazer em todos os estados.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre o encontro.

O governador Alckmin não é apenas o governador de São Paulo, é uma das lideranças, se não a maior liderança do PSDB no país. Fizemos uma análise sobre preocupações que não são apenas nossas, são de muitos brasileiros, com a situação da economia no Brasil, com o recrudescimento da inflação, com perda da credibilidade da economia brasileira que afeta investimentos que seriam extremamente importantes para que pudéssemos ter empregos no Brasil cada vez de melhor qualidade.

Ouvi muito do governador e trouxe a ele aqui uma radiografia das alianças e dos entendimentos que o PSDB vem buscando fazer em todos os estados. Ouvi o governador sobre muitos deles, todas essas decisões passarão sempre por essa consulta, pela experiência que ele tem como governador de São Paulo, como ex-candidato do partido à Presidência da República, selando aquilo que na minha avaliação é o essencial para que nos possamos vencer as eleições, a unidade do PSDB.

O que eu posso estar adiantando é que nós estaremos competitivos em praticamente todos os estados. Teremos candidaturas a governador em maior número do que qualquer outro partido, e estaremos disputando, ou com candidatos próprios, ou coligados, em mais de 20 estados brasileiros.

Portanto, o quadro hoje é um quadro mais favorável do ponto de vista dessas alianças do que em outros momentos e onde haver alguns impasses a palavra do governador Alckmin e as orientações do governador Alckmin será sempre extremamente importante.

 

Sobre declaração do vice-presidente do PSB, Roberto Amaral.

Eu conheço muito pouco o senhor Roberto Amaral. A minha interlocução com o PSB é feita prioritariamente com o presidente do partido.

 

Sobre a relação com o PSB.

Extremamente positiva.  A relação que tenho com o governador Eduardo é uma relação antiga, ela precede candidaturas, e por isso é uma relação extremamente natural. Vou repetir aqui o que disse recentemente. Acredito nas coisas naturais da política. O PT introduziu na política brasileira algo extremamente perverso no momento em que começa a tratar adversários como se fossem inimigos. Não acho que alguém, simplesmente por estar no outro campo político, só tenha defeitos. E tampouco acho que alguém, apenas por ser meu aliado, só tenha virtudes.

Então, respeito a candidatura do governador Eduardo Campos. Ela é saudável para o processo político nacional. Quem tentou inibir outras candidaturas foi exatamente o PT quando buscou cercar a candidatura do governador Eduardo, criando dificuldades, para que ela se inviabilizasse, ou quando tentou, do ponto de vista congressual, inibir ou inviabilizar a candidatura da ex-ministra Marina.

Queremos um debate plural. Quem acredita no Brasil, quem quer construir algo novo para o Brasil não pode temer outros concorrentes. Portanto, a minha relação com o governador existe antes de eventuais candidaturas nossas. No que depender de mim, continuará a existir essa boa relação durante a disputa eleitoral, e no futuro, independente de qual seja o resultado.

 

A campanha se intensifica após a Copa?

Acho que sim.  Acho que, como disse o governador, não temos candidaturas colocadas formalmente ainda. Esse é o momento da discussão de programas, de projetos, de nós, cada vez mais – falo como presidente do PSDB – nos comunicarmos melhor com a população. Mostramos de forma muito clara como vamos enfrentar a questão da segurança pública para superar a absoluta e irresponsável omissão do governo federal nessa gravíssima questão.

Apenas para citar um exemplo, poderia citar inúmeros outros, apenas 10,5% do fundo penitenciário nos últimos três anos, daquilo que foi aprovado pelo Congresso, foram executados.  87% de tudo que se gasta em segurança pública no Brasil vêm dos estados e municípios, apenas 13% da União. Temos que dizer como daremos garantia ao aumento do financiamento da saúde, como ele será feito. Vamos falar de gestão. Essa é a nossa preocupação. Temos que, cada vez mais, mostrar que o PSDB tem uma proposta alternativa de mudança de verdade no Brasil em relação àquilo que está aí.

E aí as alianças e os entendimentos, a formação de chapa, tudo isso virá com naturalidade, no tempo certo. Mas campanha, pra valer, no Brasil, só depois da Copa do Mundo.

 

Sobre saúde, segurança pública e “rolezinhos”.

Temos no Brasil historicamente um governo federal que reage. Um governo federal que não planeja, não percebe aquilo que vem acontecendo no Brasil. Seja em relação à saúde, por exemplo, onde houve uma mudança radical no perfil do brasileiro, uma mudança demográfica onde os brasileiros hoje envelhecem mais, se tem uma população envelhecida muito maior do que tinha há 20 anos. O governo não se precaveu para essa nova formatação demográfica.

Na área da segurança pública é um improviso permanente, o governo lava as mãos como se vivesse em um outro país. Acho saudável que pelo menos eles percebam aquilo que está acontecendo no Brasil. Esse é o governo que lava as mãos. Que coloca sobre os ombros dos estados, principalmente, a responsabilidade total sobre a questão da segurança pública. Tráfico de drogas, controle das nossas fronteiras, todos esses são crimes federais e a União, repito, não agiu de forma planejada até hoje. No Fundo Nacional de Segurança, não há uma transferência planejada para estados e municípios. Ninguém sabe com quanto vai contar ao longo do ano.

E existe esse fenômeno novo, dos “rolezinhos”. Acho que o diálogo sempre é extremamente importante. Agora, infelizmente, o governo federal, seja nessa questão, ou em outras em relação especificamente à segurança pública, o governo federal até hoje não atuou no sentido de apoiar os estados com recursos, mas, sobretudo com inteligência e planejamento.

Sem trégua na inflação

RIO – Sem respeitar classe social, a inflação incomodou os brasileiros em 2013. A alta de preços foi mais sentida em produtos com muita relevância no cotidiano de consumidores, como os alimentos, que pesaram mais no bolso dos brasileiros de baixa renda. O tomate foi um dos vilões. Os serviços, que têm peso maior no orçamento das famílias mais ricas, também subiram com força. Serviços de beleza, empregada doméstica e aluguel ficaram mais caros. Boa parte das consultorias espera que, este ano, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, usado nas metas de inflação do governo) fique pouco abaixo dos 5,8% registrados em 2012. Mas, para especialistas, não há o que comemorar. Será o quarto ano seguido que o IPCA ficará acima do centro da meta, que é 4,5% (há uma margem de tolerância de dois pontos percentuais para baixo ou para cima). E os analistas veem uma piora no perfil da inflação e pressões mais fortes vindas dos preços administrados em 2014.

Boa parte dos economistas acredita em novo reajuste dos combustíveis no ano que vem. Seria uma tentativa de dar fôlego aos investimentos da Petrobras. Em 30 de novembro, a estatal reajustou em 4% a gasolina e em 8% o diesel nas refinarias, mas, segundo os analistas, a alta foi aquém das necessidades daCopa empresa.

‘Efeito Copa’ nos preços

Outros especialistas veem ainda, em 2014, um “efeito Copa” de alta dos preços de passagens aéreas e hotéis. Já alimentos e serviços deverão sair de cena. O calendário eleitoral deve coincidir com a alta dos preços. O IPCA acumulado em 12 meses deverá subir a partir de maio do ano que vem e chegar ao pico em setembro, ou seja, às vésperas do primeiro turno das eleições.

A Tendências Consultoria aposta que a taxa deverá chegar em setembro com alta de 6,13% em 12 meses e desacelerar para fechar o ano em 6%. Isso sem reajuste de gasolina, nem reajuste de tarifa de ônibus em grandes capitais. Em 2013, aliás, a suspensão dos aumentos de ônibus em várias capitais, após as manifestações populares de junho, ajudou a evitar uma alta maior da inflação. Sem a atuação do governo em várias frentes — com redução da tarifa de energia, desoneração da cesta básica, manutenção das tarifas de transporte público e controle dos preços da gasolina — o IPCA ficaria em 7,3% em 2013, segundo a Tendências.

Para o ano que vem, o que pode complicar o cenário, na visão da Tendências, é um eventual rebaixamento da nota de crédito do Brasil por agências de classificação de risco. Isso levaria o dólar para R$ 2,55, e o IPCA encerraria o ano em 6,2%.

O economista Luis Otávio Leal, economista chefe do banco ABC Brasil, acha que os preços administrados são a principal fonte de preocupação para 2014.

— Este ano, teremos os preços administrados abaixo de 1%. Ano que vem, deverão ficar em 4,5%. A grande pressão virá deles, que têm peso de 25% no índice. A estrutura da inflação está pior. Não fosse isso, o Banco Central não elevaria os juros. O governo tem usado a Petrobras para combater a inflação, mas, como boa parte dos investimentos que se esperam para os próximos anos vêm da estatal, achamos que não há como não fazer novo reajuste — afirma Leal.

A Copa do Mundo também deverá ser outro foco de pressões inflacionárias. Segundo Milton Pignatari Filho, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, preços de passagens aéreas e de diárias mais altas e toda uma gama de serviços de turismo e vestuário, que devem ter reajustes ao longo do primeiro semestre em razão do Mundial, devem deixar a inflação mais complicada no ano que vem. Só o “efeito Copa” pode significar um ponto percentual na inflação de 2014, segundo seus cálculos.

— As altas deverão afetar também quem viaja a trabalho. O repasse desse tipo de aumento é imediato. Vimos isso com o reajuste da gasolina. Nem bem tinha saído a decisão, os postos já tinham subido os preços — afirma.

Leite longa vida subiu 23% este ano

A LCA faz a mesma avaliação. Para o próximo ano, estima uma inflação com mais pressão de transportes, com destaque para passagens aéreas. A estimativa da consultoria é de que o preço das passagens suba 22% em 2014, depois de uma alta projetada em 6,5% em 2013. Segundo a consultoria, o último reajuste dos combustíveis, de 30 de novembro, deve gerar impactos ainda na inflação do primeiro semestre de 2014, principalmente com reflexo no custo do diesel no frete. A consultoria espera um IPCA de 5,9% no ano que vem.

— Esperamos alguma desaceleração na alta de alimentos na esteira dos preços de commodities. Nossa estimativa é de inflação de alimentos de 7,4% em 2014, contra 8,1% em 2013. Já o grupo transportes deve vir com alta mais forte, puxada por passagens aéreas, por causa da Copa — afirma o economista da LCA Consultores Fabio Romão.

A alta dos juros básicos, que voltaram a ficar acima de dois dígitos (a Taxa Selic está em 10% ano desde 27 de novembro), e o reajuste do salário mínimo menor em 2014, por outro lado, devem ajudar a conter a alta dos preços livres. Até novembro, os itens com mais impacto no IPCA são os serviços: o aluguel aparece em primeiro (11,17%), seguido por refeição fora de casa (8,23%), empregado doméstico (10,31%), plano de saúde (7,95%), cursos regulares (8,22%), remédios (4,67%) e higiene pessoal (5,97%). Apesar da fama do tomate, o leite longa vida teve grande destaque entre os alimentos, devido a uma restrição na oferta internacional e subiu 23,02% até novembro. O lanche teve alta de 10,95% e o pão francês, de 14,22%.

— Este ano, o aumento do leite, alimento básico, com peso importante no orçamento das famílias, foi muito grande. Aliás, neste ano, o pão, o leite e o lanche em geral ficaram mais caros — lembra Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

Leia também aqui

Uma oportunidade especial para Minas se mostrar ao mundo

Artigo do governador Antonio Anastasia – Jornal O Tempo – 17/06/2013

 

Não poderia ser mais positiva a expectativa de Minas para a Copa das Confederações, que começa neste sábado e tem Belo Horizonte como uma das cidades-sede. Além de sua importância por si só, o torneio servirá como um desafiador teste para a Copa de 2014. Nos últimos anos, o governo do Estado se empenhou ao máximo na preparação da nossa casa para receber estas duas competições. E esse esforço está resultando em um destino turístico mais estruturado e também em um legado duradouro para todos os mineiros.

Cada detalhe foi pensado para que torcedores, atletas e demais profissionais possam contar com infraestrutura adequada. Por meio de uma inovadora parceria público-privada, o Mineirão foi transformado em uma moderna arena multiuso e adequado às especificações da Fifa, sendo entregue rigorosamente dentro do prazo e do valor previstos. Entre todas as arenas da Copa de 2014, o “Gigante da Pampulha” foi o estádio mais testado em partidas importantes, como o jogo da seleção brasileira contra o Chile, e em espetáculos internacionais, como o memorável show do ex-beatle Paul McCartney.

O estádio Independência, campo oficial de treinamento, também foi modernizado, e o Sesc Venda Nova recebeu melhorias para abrigar delegações. Mas a preparação para esses grandes eventos vai além dos gramados. Estamos desenvolvendo, por exemplo, ações integradas de logística, como as parcerias do governo do Estado com a Prefeitura de Belo Horizonte para melhorar a mobilidade na capital, por meio de obras como o sistema Bus Rapid Transit (BRT) – que ficará pronto em 2014 para transportar 800 mil passageiros/dia –, e com o governo federal para ampliar o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, cuja capacidade passará dos atuais 10,3 milhões de passageiros/ano para 15,6 milhões.

O governo de Minas fez também um cuidadoso planejamento com vistas à segurança dos cidadãos mineiros e dos visitantes.  Além da criação de um batalhão para a Copa, com 1.500 militares, nos dias de jogos haverá policiamento ostensivo em aeroportos, terminais rodoviários, estações de metrô, centros de treinamento e áreas turísticas. Tudo será monitorado por 400 câmeras conectadas ao Centro Integrado de Comando e Controle, no qual 20 órgãos de segurança atuam de forma integrada para prestar atendimento ágil aos cidadãos. Profissionais de saúde pública também estão preparados para garantir assistência adequada, sendo que vários deles participaram de simulações de situações de crise.

O Estado promoveu, ainda, o treinamento de 1.650 voluntários para atuar na Copa das Confederações em locais de grande circulação e desenvolveu programas de capacitação em gastronomia e hotelaria. Empresários também estão fazendo a sua parte, sobretudo com a ampliação da rede hoteleira, que vai aumentar significativamente o total de leitos na região metropolitana de Belo Horizonte.

A Copa das Confederações representará, portanto, uma oportunidade especial para projetarmos Minas Gerais como um relevante destino turístico. Um momento propício para divulgarmos para todo o mundo o rico patrimônio histórico e cultural, as belezas naturais e a típica gastronomia do nosso Estado, além da já conhecida hospitalidade da nossa gente. Um legado fundamental das Copas serão exatamente a inserção de Minas Gerais no circuito internacional de grandes eventos e o reconhecimento da nossa capacidade de promovê-los com maestria.

Uma boa Copa para todos!

Pronunciamento sobre a gestão da presidente Dilma

Senhoras e senhores senadores,

Vencido o período de crédito para a arrumação da casa, a que tem direito todo o governante que inicia um mandato, creio que é hora de começarmos, apenas começamos, a nos debruçar sobre os saldos e o desempenho do governo Dilma Rousseff.

Sra. Presidente,

Olhando desta perspectiva o que aconteceu e especialmente o que não aconteceu em 2011, tudo parece fora de lugar.

O principal: à população, vendeu-se a ilusão de nova versão do espetáculo do crescimento, um sem número de obras faraônicas e a continuidade das benemerências tradicionais do estado nacional.

Vendeu-se, acima de tudo, a imagem de uma gestora implacável e impositiva, que por si só seria capaz de tomar heroicamente as rédeas do país e transformar em realidade os tantos sonhos prometidos em vão.

É a mesma presidente que, recentemente, nas páginas da Veja desta semana, navega, impassível e eqüidistante, em meio às trovoadas e à verdadeira tempestade que se forma à sua volta e, aos poucos, engolfa e paralisa o seu governo.

Para onde quer que se olhe, o cenário é desolador.

Senão vejamos:

Na economia, alcançamos o impensável: deixamos de liderar o processo de crescimento da América Latina e, na contramão dos nossos vizinhos, puxamos o desempenho de todo o continente para baixo.

Não há outra definição: nossa posição é irreconhecível, à frente de Guatemala e El Salvador. Na América do Sul, acreditem, fomos o país que menos cresceu.

Só agora, ignorando tantas e reiteradas advertências, o governismo esboça as primeiras e tímidas reações ao gravíssimo processo de desindustrialização em curso no país.

Vejam o que está acontecendo com a indústria de transformação, que já chegou a responder por 26% do PIB, caiu para 16% em 2010 e para 14.6% em 2011.

Essa sim é uma das perversas, para não dizer maldita herança que esse governo do PT deixará para o futuro.

Não é mais hora de se discutir se há ou não desindustrialização no país – é fato. Voltamos à era pré-JK, aos longínquos anos 50.

E isso não pode mais ser mascarado.

A perda de competitividade da nossa indústria, como se sabe, é doença antiga, mas que se agrava em escala inédita por um conjunto de fatores entrelaçados na atual conjuntura: a valorização do câmbio, o peso dos juros nos financiamentos internos, o alto custo dos insumos, a elevada carga tributária nacional e absoluta ausência de infraestrutura adequada.

Ainda não se sabe ao certo a motivação de mais uma recente reunião convocada pela presidente com os lideres empresariais nacionais, para tratar do tema.

Se todos conhecem o problema, já encaminharam inúmeras sugestões e não há nada de novo no front, só um motivo a justificaria: a mesma pirotecnia de sempre com que se pretende ocupar o vazio propositivo e disfarçar a leniência do atual governo.

No campo político, uma inédita versão sobre “governo de coalizão” tisnou as já frágeis relações políticas e institucionais entre o Legislativo e o Executivo, às expensas da cessão de áreas inteiras da administração federal aos partidos.

Os escândalos se sobrepuseram em recorde de ministros caídos sob grave suspeição, enquanto avançou à luz do dia – e sem quaisquer constrangimentos – o gravíssimo aparelhamento partidário da máquina governamental.

A mão pesada do poder da presidência baixou sobre cada um dos suspeitos, como se não fosse a mesma mão que antes os nomeara e os conduzira para o governo.

Aí descobrimos o inacreditável: havia diversos ministros de Lula e uns poucos de Dilma.

Muito cômodo.

E foi assim que floresceu, em seguida, pelos cantos de página, a estranheza de que a presidente, na verdade, estaria refém do seu próprio governo.

É como se não tivesse sido a autoridade central nos oito anos da administração anterior.

É como se ela não houvesse, de próprio punho e com a sua consciência, colocado de pé o atual governo, com as suas incoerências e incongruências irremediáveis.

De crise em crise e de queda em queda de autoridades, uma parte importante do mandato presidencial simplesmente esvaiu-se.

Perdeu-se o momento mais propício – de popularidade em alta e de expectativas intactas – para aprovar as medidas necessárias de ajuste e encaminhar reformas que exigiriam alto capital político.

A esmagadora maioria congressual, montada ao custo que todos conhecemos, a que serviu nesses últimos 15 meses?

Eu respondo: Serviu para aprovar um sem número de medidas provisórias que aqui chegam a cada dia sem o mínimo respeito ao preceito constitucional da relevância e urgência, que deveria orientá-las.

Aliás, a falta de respeito ao Congresso, que contou com a reverência obsequiosa de muitos de seus membros, se transformou em marca registrada das atuais relações entre Executivo e Legislativo.

E a grande questão que se coloca é:

Onde estão as grandes iniciativas? Onde estão as reformas constitucionais, tão necessárias ao País?

Discutimos serena e abrangentemente a recomposição do Pacto Federativo?

Reformamos o rito das medidas provisórias?

Revisamos os royalties do petróleo e do minério?

Renegociamos as dívidas dos governos estaduais?

Criamos as melhores alternativas para prover recursos à saúde pública, maior tragédia nacional?

Não.

E, na segurança pública, hoje mesmo, o Ministério da Justiça anuncia o cancelamento do programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), anunciado também com grande alarde no final do ano de 2010, exatamente no momento em que recrudesce a violência em várias regiões do País.

A grande verdade é que, nesses primeiros meses, quando tudo era possível debater e eventualmente aprovar, até mesmo com a parceria dos membros da oposição, sempre responsáveis com as questões de Estado, o que foi feito de fato?

Absolutamente nada relevante.

O Governo perdeu a capacidade de propor, assim como já havia perdido o compromisso com o diálogo democrático.

Impõe a estados e municípios cada vez mais obrigações, ignorando as dificuldades por que passam, e alheio à crise de governabilidade que já assola vários deles.

Determina cortes em áreas vitais ao futuro, como a de pesquisa, ciência e tecnologia, sem qualquer preocupação com o que virá além do prazo do mandato formal.

E se falarmos em infraestrutura, senhoras e senhores?

Mas como nada é tão ruim que não possa piorar, o crônico imobilismo político transformou-se em inapetência executiva.

Vejam a situação do PAC, o tão propagandeado PAC.

Apenas 8% do total de recursos aplicados em 2011 – 204 bilhões – saíram diretamente do Orçamento da União.

Outros recursos referem-se a investimentos rotineiros feitos por empresas públicas que teriam ocorrido com ou sem PAC; referem-se a investimentos feitos pela iniciativa privada e pelos cidadãos que recorrem ao financiamento da casa própria. Até esses financiamentos são contabilizados pelo PAC!

Em 2011, além do PAC ter tido o mais baixo desempenho da sua história – apenas R$ 16 bilhões saíram efetivamente do tesouro nacional – 37% (ou 6,9 bilhões) do total referiam-se aos famosos “restos a pagar” de anos anteriores, sobrando quase nada para obras novas.

Em alguns casos o atraso é monumental.

Leio que dezenove obras “estruturantes” do País, com orçamento de 166 bilhões, se afastaram léguas do cronograma desenhado pelo governo e serão entregues com pelo menos quatro anos de atraso.

É essa a propalada eficiência gerencial do governo? Não acredito que possa assim ser compreendida.

Projetos que o ex-presidente Lula pretendia inaugurar ainda em seu mandato agora correm risco de não serem mais concluídos sequer no governo Dilma.

Isto sem falar na complexa transposição do Rio São Francisco, que viu seu custo passar de 4,6 bilhões para 8,2 bilhões de reais, por enquanto.

Recentemente, um grupo de parlamentares visitou trechos das obras onde a presidente foi aconselhada a não ir. O abandono é regra.

Outras visitas ocorrerão.

Lembro do simbolismo da Ferrovia Transnordestina, que tem a cara deste governo:

Com cerca de 1700 quilômetros de extensão, foi iniciada com pompa e festa em 2006 e deveria ter sido finalizada em 2010.

Pois já alcançamos 2012, o custo de 4,5 bilhões chegou a 7 bilhões e o que se construiu até agora não ultrapassou 10% do percurso previsto…

E as obras da Copa?

Não vou aqui cansá-los repetindo as mesmas críticas que fiz há mais de um ano.

Os investimentos em mobilidade urbana engatinham…

Se parte das obras nas arenas avançaram – ainda que com muitos problemas – é porque são os governos estaduais, que respondem por elas, e não o governo federal.

Aliás, a multiplicação dos números parece ser, ao final, a maior realização do atual governo.

A ausência de planejamento é a sua mais visível marca.

Orçamentos bilionários servem apenas como piso inicial para dispêndios que acabam por se mostrar gigantescamente maiores.

Neste caso, inclui-se o inacreditável trem-bala, verdadeira obsessão da atual administração, enquanto derretem estradas federais e ferrovias são abandonadas à própria sorte em todo o País.

Em 2008, ele custaria 20 bilhões de reais e seria licitado em 2009 para circular em 2014.

Em julho de 2010, o preço já havia subido para 33 bilhões e a inauguração ficara para 2016.

O preço final, porém, já não será mais esse – especula-se que irá custar mais de 53 bilhões. Agora, depois das tentativas do governo para licitá-lo, já não se tem mais datas, prazos ou valores.

Há apenas a previsão de que o projeto será divulgado no próximo mês de junho.

Com muito menos que isso, todo o problema do transporte de massas nos grandes centros estará resolvido.

Multiplicam-se números, multiplicam-se promessas, a maioria delas impossíveis de serem cumpridas.

Se desanimadores são os resultados verificados nos investimentos na infraestrutura do País, são também igualmente decepcionantes as realizações no campo social, que merecem análise em separado, em outra ocasião.

Senhores senadores,

Volto a essa tribuna para alertar que estamos avançando para o décimo ano do governo petista, segundo do governo Dilma, e pelo caminho vão ficando as promessas da campanha eleitoral, reduzidas a resultados medíocres, cujos números a contabilidade cruel dos fatos exibe a cada semana.

A leitura da entrevista concedida pela presidente à Revista Veja soa tão vazia quanto a realidade das promessas não cumpridas.

Nela encontramos contradições insanáveis, como o desejo de reduzir a carga de impostos…

Eu pergunto: e o compromisso assumido publicamente – e não cumprido – de desonerar as empresas estaduais de saneamento?

O projeto está na Casa.

Conectar o discurso à realidade me parece ser o maior desafio que esse governo terá que enfrentar.

Já não basta, senhoras e senhores, mais do mesmo, ou reduzir a ação pública à estreita faixa da redução das taxas de juros.

O país não tem projeto.

Responde estritamente às emergências, institucionalizando o regime do improviso.

Acumulamos um sem números de medidas paliativas, quando a hora exige reformas profundas, corajosas, estruturais, capazes de remover os entraves ao desenvolvimento.

Lembro aqui frase da jornalista e minha conterrânea Miriam Leitão: o governo distribui favores quando deveria trabalhar para melhorar o ambiente favorável ao crescimento.

Cito, por último, um grande poeta da minha geração, Cazuza, que não nos deixava esquecer: o tempo não para!

Se nada for feito, e rápido, para desatar os nós políticos e gerenciais que emperram a máquina pública, o Brasil vai perder a maior janela de oportunidades de sua história.

A grande verdade é que este governo envelheceu e envelheceu rápido demais.

Muito obrigado!

Aécio Neves – Brasília – 28/03/2012

Aécio Neves: Reabertura do Mineirão

O senador Aécio Neves comemorou a volta do futebol ao Mineirão na partida entre Atlético e Cruzeiro, válida pelo campeonato mineiro. Para Aécio, o estádio volta ao seu verdadeiro dono, o torcedor mineiro.

O legado do Mineirão

Minas Gerais devolve aos mineiros, rigorosamente dentro do prazo e do preço orçado, o novo Mineirão.

Classificar como grandiosa esta obra, que demandou durante três anos a dedicação de até 3 mil trabalhadores, não é nenhum exagero. Tudo nela é especial e reflete a busca pela excelência, inovação e respeito aos bens públicos e à cidadania. É, também, fruto de planejamento e execução rigorosos iniciados em 2007, tão logo Belo Horizonte foi confirmada entre as sedes da Copa do Mundo Fifa de 2014, exigindo os esforços de duas gestões consecutivas do governo de Minas.

Patrimônio histórico, cultural e afetivo de Minas, o Mineirão, agora uma sofisticada arena multiuso comparável aos estádios mais modernos do mundo, foi modernizado por meio de uma bem-sucedida parceria público-privada (PPP).

Nesse modelo, praticamente todos os recursos empregados são de responsabilidade da iniciativa privada, liberando, assim, o poder público para investir nas áreas essenciais, sob a responsabilidade do Estado. Válido por 25 anos, o contrato de concessão será permanentemente fiscalizado e terá que atender a 200 indicadores de qualidade e desempenho.

O estádio é sustentável, conta com energia solar e reaproveita a água das chuvas

O novo Mineirão já se realiza, portanto, como legado duradouro da Copa 2014: é um estádio financeiramente sustentável e completamente integrado à vida da comunidade. Além de receber dentro do campo conforto e segurança, o torcedor e sua família, tratados como cidadãos e clientes, terão à sua disposição uma área externa de 80 mil m², aberta à convivência, diversão e arte. Nessa imensa esplanada, urbanizada com todos os serviços, acontecerão shows e grandes eventos para até 80 mil pessoas.

Desde a entrega em abril do renovado Independência – o histórico estádio construído para a Copa de 1950 -, Minas Gerais vem liderando, dentre os 12 estados que sediarão os jogos, a preparação para a Copa do Mundo. Não apenas cumprimos rigorosamente os padrões internacionais e o cronograma exigidos pela Fifa, como o fizemos com economia de recursos públicos. Temos agora no Mineirão 62 mil assentos cobertos, tribuna para até 3 mil jornalistas, 98 camarotes, 3 mil vagas para carros e uma centena de lojas e lanchonetes. Além de um belíssimo restaurante panorâmico e um Museu do Futebol. E o Mineirão não é verde só no gramado: mitigará as emissões de carbono, conta com energia solar e reaproveita a água das chuvas.

O esforço e o esmero de milhares de mãos já foram reconhecidos pela Fifa e pela CBF. Antes da Copa das Confederações em junho, quando Minas sediará três jogos, o Mineirão receberá o amistoso Brasil x França. Somos pés-quentes: das 20 partidas que jogou em Belo Horizonte, desde 1965, a seleção perdeu apenas duas. Mas no gramado de artilheiros como Tostão, Dario, Reinaldo e Palhinha, a bola começa a rolar bem antes. Em 3 de fevereiro, o Novo Mineirão terá seu primeiro jogo: o clássico Cruzeiro x Atlético. É o recomeço das grandes emoções que nos aguardam em 2013 e 2014!

Aécio Neves e Antonio Anastasia