No palanque tudo é fácil

A presidente Dilma Rousseff acha que é “simples” enfrentar a seca no Nordeste.

Em discurso no Piauí, durante mais um dos eventos do calendário eleitoreiro do governo, Dilma declarou que o segredo é “conviver com a seca”.

Façamos um esforço para acompanhar seu raciocínio. Segundo a presidente, “a seca não é uma maldição, a seca é uma ocorrência, é algo que ocorre”, comparável aos “invernos rigorosos” dos países do Hemisfério Norte, que “duram seis, sete meses, todo ano, chova ou faça sol”. Conceda-se que o tal inverno rigoroso que dura “sete meses” seja apenas um arroubo retórico para reforçar seu argumento. Mas Dilma continua, animada: “Eles têm um inverno forte, que acaba com toda a produção, a neve mata tudo o que cresce, e eles sobrevivem muito bem, obrigada, e fortes. Nós também podemos enfrentar a seca, sim”.

Dilma descobriu agora que “a seca não deve ser combatida”. Em lugar disso, é preciso haver “ações emergenciais” para ajudar os agricultores a contornar os efeitos da estiagem enquanto as condições climáticas não melhoram. É a institucionalização do assistencialismo – e nesse campo, como de hábito, chovem apenas promessas.

Em novembro de 2012, quando o Nordeste enfrentava a maior seca em meio século, Dilma lançou o programa Mais Irrigação e garantiu que o sertão seria transformado em “um dos maiores produtores de alimentos que nosso país e o mundo necessitam” e que “a vítima da seca deixará de ser flagelado para se tornar um produtor rural”. Os investimentos anunciados para tão ousado objetivo somavam R$ 10 bilhões.

Seis meses depois, em abril de 2013, Dilma esteve no Ceará para prometer um novo pacote contra a estiagem, no valor de R$ 9 bilhões. Desse dinheiro, R$ 3,1 bilhões eram o quanto o governo estimava deixar de arrecadar em razão da renegociação de dívidas de agricultores que tiveram prejuízos com a seca. Outra parte dizia respeito à prorrogação de programas assistenciais, o Garantia Safra e o Bolsa Estiagem. Havia, portanto, pouco “dinheiro novo” no pacote, formado basicamente por verbas já empenhadas, seguindo a tradição dos governos petistas de reciclar programas antigos para apresentá-los como novidade.

Mas isso não é tudo. A caríssima e controversa transposição das águas do Rio São Francisco, prometida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o “compromisso não de um presidente, mas de um retirante nordestino”, tornou-se um autêntico elefante branco. Além dos seguidos atrasos em seu cronograma, a obra, se e quando estiver concluída, vai produzir água a um preço proibitivo para os pequenos agricultores, o que obrigará o governo a recorrer a subsídios, adicionando sacrifícios aos contribuintes.

Agora, em 2014, depois de tantas promessas, Dilma diz que é preciso aceitar a seca como um fato da vida, a exemplo do que fazem os agricultores do Hemisfério Norte ante a dureza do inverno. A presidente tem razão, mas há importantes diferenças. Em vez de prometer bilhões em “ações emergenciais” e em projetos que mal saem do papel, os países do Hemisfério Norte estimularam o desenvolvimento de avançadas técnicas agrícolas mesmo em pequenas propriedades, o que permite aos produtores retomar seu trabalho em alto nível após o inverno, reduzindo os prejuízos. Em relatório sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre a agricultura, a União Europeia diz que há uma “vasta gama de opções” para lidar com o problema, todas baseadas em tecnologia para prevenção. Considerar o inverno inevitável não significa aceitar, como uma fatalidade, as perdas decorrentes dele.

Ao dizer que é “simples” lidar com a seca no Nordeste, Dilma esbanja a mesma arrogância de seu criador, Luiz Inácio Lula da Silva, que, ao deixar a Presidência, disse que era “fácil” governar o Brasil. Quando se governa do palanque, tudo parece mais simples mesmo. Mas já passou da hora de tratar o centenário flagelo da seca no Nordeste com mais responsabilidade. Não se pode mais admitir que o sertanejo continue a ser tratado como mera commodity eleitoral, sempre à espera do caminhão-pipa.

 

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Aécio Neves e Eduardo Campos se encontram em Recife

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, encontrou-se, nesta sexta-feira (21/02), em Recife, com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Em entrevista coletiva após o encontro, Aécio Neves defendeu o diálogo entre homens públicos em favor do Brasil e afirmou que o país precisa de novos caminhos.

“É muito saudável para o Brasil que homens públicos que estão hoje militando em campos políticos diferentes, em partidos diferentes, tenham capacidade de conversar, e conversar sobre o Brasil. Quanto mais conversamos, maior convergência encontramos em relação à preocupação com o futuro do Brasil. Minha conversa com Eduardo não é uma conversa em razão da eleição, é uma conversa permanente que se iniciou há mais de 20 anos e não há porque ser interrompida agora. Ao contrário, no que depender de mim essas conversas continuarão, porque política é isso, é a arte do entendimento, da construção de caminhos. O Brasil precisa urgentemente de novos caminhos e esse é um ponto muito forte de identidade entre o governador e eu”, disse.

 

Brasil novo

Aécio Neves e sua esposa, Letícia Weber, estiveram na residência do governador Eduardo Campos, onde conheceram seu filho caçula, Miguel. Também estavam presentes o vice-presidente do PSDB, senador Cássio Cunha Lima, o presidente do PSB-MG, deputado federal Júlio Delgado, o ex-ministro Fernando Bezerra, e o líder do DEM na Câmara, deputado federal Mendonça Filho, entre outros.

Aécio Neves defendeu a política em que o adversário não seja tratado como inimigo. O presidente do PSDB afirmou que Campos e ele podem ser adversários nas eleições desse ano, mas estão juntos em defesa de um Brasil novo.

“Hoje foi uma visita muito pessoal, fiz questão de vir aqui conhecer Miguel e dar um beijo na minha querida amiga Renata, e ao lado de outros companheiros aqui. Acho que a política precisa ser um pouco mais leve, as pessoas não podem fazer política com raiva, com ódio, considerando que alguém que está no outro campo político é seu inimigo. Não é. Podemos até ser adversários na disputa eleitoral, mas somos aliados em favor de um Brasil novo, ético, eficiente. É isso que me traz aqui”, disse Aécio Neves.

 

Solidariedade

Após a visita ao governador, Aécio Neves participou de encontro com o presidente nacional do Solidariedade, deputado federal Paulinho da Força, e lideranças do partido em Pernambuco. Na manhã desta sexta-feira, também reuniram-se em Recife, Aécio Neves e lideranças do PSDB e do DEM no Estado. O presidente do PSDB destacou a importância que o Solidariedade terá na construção das propostas que serão apresentadas pelo PSDB nas eleições deste ano.

“O Solidariedade está muito próximo a nós. A oficialização dos entendimentos ocorrerá apenas em junho, mas conto muito com a participação do Solidariedade, inclusive na elaboração das nossas propostas. Tenho vários eventos marcados, a partir de março, com lideranças sindicais, com setores, principalmente da indústria brasileira, para discutir questões relativas a essa retomada de crescimento, com os aposentados. O Solidariedade, no que depender de mim, terá um papel de destaque nessa construção. Assim como o Democratas, com quem temos conversado”, disse Aécio.

Para Aécio, o PT transformou o Brasil em um cemitério de obras inacabadas

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, se encontrou nesta sexta-feira, no Recife, com lideranças do estado de Pernambuco, inclusive com o governador Eduardo Campos. Em entrevista após os encontros, Aécio criticou a gestão no setor de infraestrutura do governo do PT.

 

Fala do senador Aécio Neves 

“Hoje, o Brasil se tornou em um grande cemitério de obras inacabadas por toda parte, inclusive aqui no estado, como [a refinaria] Abreu e Lima, a transposição do São Francisco, a Transnordestina, as hidrovias da região central. Porque o PT demonizou, na verdade, por mais de dez anos as parcerias com o setor privado. Tenho dito sempre que o aprendizado do PT tem custado muito caro ao Brasil.”

 

E destacou que a falta de investimentos no setor tem prejudicado a economia do país.

Fala do Senador Aécio Neves 

“O governo do PT optou por um alinhamento ideológico, inclusive na região, com resultados muito ruins para o Brasil em todas as áreas. Somos a sétima economia do mundo, mas apenas o 25º país exportador, porque o Brasil não está conectado nas cadeias globais de produção, por uma visão equivocada do governo, e exatamente pelo custo Brasil e ausência de investimentos planejados em infraestrutura.”

 

Boletim

Sonora

Aécio Neves afirma que a presidente da República age apenas como candidata

O senador Aécio Neves afirmou, nesta quarta-feira (16/10), em Brasília, que a entrega feita pela presidente Dilma Rousseff de casas sem água e energia elétrica comprovam a agenda de candidata às eleições que ela vem cumprindo em viagens pelo país.  A presidente Dilma entregou ontem 1.362 casas do programa “Minha Casa Minha Vida”, em Vitória da Conquista (BA), sem sequer energia elétrica. Os novos moradores passam as noites à luz de velas e sem água encanada.

“É triste para um país como o Brasil. Não temos uma presidente com a agenda de presidente da República. Temos uma candidata no lugar da presidente. As suas movimentações são todas na busca de um segundo mandato. A grande pergunta que tem de ser feita é: para quê um segundo mandato? Para eternizar os amigos no poder? E o Brasil? O Brasil está ficando no final da fila. Temos uma candidata a presidente em campanha permanentemente. O resultado para o Brasil é muito ruim”, disse Aécio Neves, em entrevista.

Apesar do atraso e paralisação de obras importantes, como a transposição do rio São Franscisco, a rodovia Transnordestina e a duplicação de rodovias federais, como a BR 381, a presidente Dilma e pré-candidata à reeleição passou este ano 51 dias viajando pelo país sem explicar a interrupção das obras e as denúncias de irregularidades. O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou mais de 700 tipos em irregularidades em 191 obras federais. As principais delas, superfaturamento de preços e erros nos projetos.

O senador Aécio Neves disse que não existe mais confiança em relação à capacidade do atual governo de reerguer a economia e retomar os investimentos no país. “Não há mais confiança em relação à capacidade do governo de criar infraestrutura necessária para a retomada do crescimento. Acabo de chegar de um grande evento internacional e a percepção dos investidores, que são essenciais para o Brasil retomar o crescimento, é a pior possível. Não há mais confiança em relação a investimentos, não há segurança jurídica para se investir no Brasil. As próprias políticas sociais que foram o grande carro chefe do governo do PT mostraram também esgotamento. Até o analfabetismo voltou a crescer no Brasil”, afirmou.

Nova agenda para o Brasil

Em reunião, nesta quarta-feira, com a bancada do PSDB no Congresso, Aécio Neves disse que o partido está mobilizado na construção de novas propostas de avanço para o país.

“O PSDB tem uma proposta clara para o Brasil, da retomada do crescimento, da geração de empregos, da reinserção das empresas brasileiras nas cadeias globais de produção, dos avanços nas políticas sociais. Essa é a cara do PSDB. Esse ciclo de governo do PT encerrou-se e é muito importante que o PSDB se posicione com absoluta clareza para apresentar uma nova agenda. Essa nova agenda passa pelo crescimento, pelo avanço dos programas sociais e pela reinserção do Brasil no mundo”, disse o presidente nacional do partido.