Exercício de Cidadania

Aécio Neves – Folha de S. Paulo – 01/08/2016

O país começa a viver o clima das eleições municipais com a realização das convenções partidárias dos últimos dias. Por várias razões, os pleitos de outubro prometem emoções novas.

De um lado, mudaram as regras de financiamento de campanha, juntamente com o tempo mais reduzido para sua realização. Por outro, esse será o primeiro grande teste das urnas após a grave crise política e econômica que alcançou o Brasil nos últimos dois anos. Tudo converge para uma eleição diferente de qualquer outra.

Nunca foi tão importante tratar das cidades. Cerca de 85% dos brasileiros vivem nelas. Há muitos problemas comuns a todas elas, como habitação, saneamento, coleta de lixo, segurança, saúde pública e, especialmente nas capitais, a questão da mobilidade e do transporte coletivo (o estopim das manifestações de 2013).

São esses desafios do cotidiano que ganham relevância nos debates municipais. O cidadão eleitor quer ver o seu voto transformado em serviços públicos de maior qualidade.

O momento não poderia ser pior para a municipalidade. Com a bancarrota econômica promovida pelo petismo, as prefeituras faliram, milhares de pequenos e médios negócios, no comércio e indústria, fecharam suas portas e pararam de pagar impostos.

Estudo recente da Firjan aponta que apenas 42 dos 5.568 municípios do Brasil arrecadam o suficiente para pagar o funcionalismo. O país quebrou e levou para as cordas também as contas públicas municipais.

Frente a esse cenário complexo, as cidades precisam ser repensadas de forma inovadora, a partir de gestões transparentes, responsáveis e comprometidas com resultados.

Sem o financiamento empresarial para as campanhas e, portanto, sem recursos para um marketing mais oneroso, os candidatos terão de se aproximar mais dos eleitores.

É importante ter um histórico de credibilidade nas relações com a comunidade, de forma a entender as prioridades de cada região, de cada grupo social. E propostas claras, apresentadas sem o artifício de grandes tecnologias midiáticas. Sai na frente quem tem conteúdo, de fato.

Tudo isso é fundamental para dialogar com uma população não só castigada pela crise econômica e social mas também descrente da política.

Restaurar a confiança na representação partidária implica reconhecer a importância do pacto democrático que a sociedade brasileira vem construindo, com tanto esforço.

Isso só será alcançado com a emergência de um discurso político renovado, capaz de compreender as transformações ocorridas no país e de assimilar as expectativas de uma opinião pública atenta e crítica.

É hora de recomeçar pela base e mostrar que é possível fazer diferente.

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Ano Velho

Aécio Neves – Folha de S. Paulo – 18/01/2016

A sensação geral dos brasileiros é a de que 2015 teima em não terminar. Os problemas continuam os mesmos e vão se agravando todos os dias. Os desafios também, sempre maiores do que eram, na medida em que vão se acumulando e emperrando as raras portas de saída da crise.

A verdade é que este é um janeiro como poucas vezes já vimos. Depois de as festas tradicionais de fim de ano sofrerem um necessário ajuste e as viagens de férias minguarem a olhos vistos, quase 60 milhões de brasileiros estão no vermelho, atingidos pela inadimplência, pelo desemprego, pela inflação de dois dígitos e pelo peso crescente de impostos.

Além de preços que sobem sem parar, as tarifas públicas, que passaram anos manipuladas pelo governo com fins eleitorais, continuam a alta iniciada logo após as urnas da última eleição serem fechadas.

Energia, combustíveis -pagamos caro pela gasolina e pelo diesel no mesmo momento em que o preço do petróleo cai avassaladoramente no mundo todo- e transporte público movem o dominó da carestia, que ganha escala.

Os juros, os mais altos do mundo, devem subir de novo nesta semana. Também estão mais elevadas as taxas para o financiamento imobiliário, mais caro e escasso o crédito. Enfim, tudo ficou mais difícil.

Some-se a essas dificuldades a realidade expressa na execução orçamentária do governo no ano passado, que reflete a ausência de investimentos em áreas essenciais, para termos uma dimensão mais completa dos desafios.

Seguramente o mais grave e mais preocupante é o aumento do desemprego. Em pouco mais de um ano, o exército de brasileiros sem trabalho ganhou mais 2 milhões de pessoas. É certo que, infelizmente, o que já está bastante ruim ainda vai piorar.

É difícil encontrar esperança num cenário em que a economia pode ter despencado 4% no ano passado e deve cair mais 3% neste ano. São números que adiam o futuro de milhões de brasileiros.

Não foi apenas o ano novo que nasceu velhíssimo. As mesmas contradições e incoerências que nos trouxeram até aqui parecem continuar a orientar as ações do governo.

O Brasil precisa, mais do que nunca, de responsabilidade, contenção de desperdícios, transparência, segurança jurídica, foco em prioridades e, acima de tudo, clareza em relação às escolhas feitas e ao rumo definido. É essencial um esforço efetivo para recuperar a confiança perdida.

Sem isso, não há caminho para o crescimento. E sem crescimento, não há saída para a crise de governança em que o PT mergulhou o país. Espera-se que o governo, em benefício das atuais e, em especial, das futuras gerações, não insista em enveredar pelos mesmos e equivocados caminhos que nos trouxeram à catástrofe atual.

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Aécio propõe fazer um mutirão de mobilidade urbana no Brasil

O candidato à presidência da República pela Coligação Muda Brasil, senador Aécio Neves, disse, em visita ao Rio de Janeiro, que vai fazer um mutirão de mobilidade urbana no País. Aécio destacou a proposta que vai priorizar o investimento por meio da iniciativa privada para que, em pouco tempo, os brasileiros, principalmente de médias e grandes cidades tenham um transporte público de qualidade. O candidato foi de balsa da capital fluminense a Niterói. Aproximadamente 100 mil pessoas utilizam este transporte aquático que conta com sete veículos. Aécio enfatizou que vai priorizar a conclusão do trecho do metrô entre Rio de Janeiro, Niterói e Itaboraí, que deve beneficiar mais de sete milhões de pessoas. O presidenciável também destacou que vai priorizar a recuperação do transporte urbano ferroviário no país.

 

Sonora de Aécio Neves

“Parcerias com o setor privado para diminuir o sofrimento do trabalhador e da trabalhadora brasileira que hoje se sacode em transporte de péssima qualidade será uma prioridade do nosso governo, a exemplo daquilo que faremos com parcerias com o governo do estado do Rio de Janeiro, em relação a linha três do metrô que ligará o Rio de Janeiro a Niterói e Itaboraí. Essa promessa sempre é adiada e nosso governo será realizada. Nós teremos prioridade na definição do marco regulatório do setor ferroviário, inclusive para resgatar nas ferrovias a capacidade também de transportar passageiros. Um país das dimensões do Brasil precisa utilizar adequadamente esse potencial que vem sendo desprezado.

 

Em Niterói, Aécio Neves criticou o governo do PT ao dizer que as parcerias com a iniciativa privada foram deixadas de lado, na gestão de Dilma Rousseff. Aécio lembrou ainda que tem propostas claras para o Brasil voltar a crescer e citou seu crescimento nas últimas pesquisas como a onda da razão’ que vai levá-lo ao segundo turno.

 

Sonora de Aécio Neves

“No momento em que esse governo demoniza por 10 anos as parcerias com o setor privado, essas que eu quero resgatar, ela obviamente afasta investimentos, investimentos que poderiam estar permitindo um crescimento muito maior da nossa economia. Portanto, a clareza das nossas propostas é a razão pela qual a nossa candidatura é a que mais cresce em todas as pesquisas eleitorais.”

 

Aécio Neves ainda percorreu as ruas do bairro de Icaraí, em Niterói. Acompanhado por centenas de pessoas, o candidato à Presidência da República pela Coligação Muda Brasil cumprimentou e conversou com moradores e comerciantes na cidade. Na confeitaria Beira Mar, Aécio tomou um café ao lado da multidão que, aos gritos, apoiou a visita do presidenciável.

 

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