Aécio Neves – Entrevista em Teresina (PI)

O presidente nacional do PSDB e pré-candidato à Presidência da República, senador Aécio Neves, concedeu entrevista, nesta sexta-feira (27/06), em Teresina (PI). Aécio Neves falou sobre a chapa no Piauí, eleições 2014, PMDB, denúncia de monitoramento de prefeitos pelo governo e Bolsa Família.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre viagem ao Piauí.

É com uma alegria muito grande que chego hoje a Teresina, acompanhado dos meus companheiros do PSDB, companheiro Silvio Mendes, prefeito Firmino, lideranças, parlamentares, para selarmos aqui um entendimento. Um entendimento em favor do Piauí, em favor do Brasil, da boa política. Da política feita com respeito, com seriedade e também com eficiência.

A grande verdade é que este ciclo de investimentos por que passou o Brasil excluiu o Piauí. Dos grandes investimentos estruturantes feitos no Brasil, inclusive nessa região, o estado ficou fora. O que temos é que, rapidamente, efetivar uma reconciliação do Piauí com o governo central, garantindo investimentos que visem o desenvolvimento da região, seja na sua infraestrutura, na geração de energia, que é uma questão essencial aqui para o estado, no seu porto. Enfim, um conjunto de ações de infraestrutura que permita que o estado do Piauí cresça com indicadores ainda mais sólidos e vigorosos do que aqueles que vêm crescendo.

O Piauí tem um potencial de crescimento extraordinário. A sua fronteira Sul já é uma fronteira desbravada, que cresce na produção de grãos, de soja, especificamente. Tem um potencial turístico também extraordinário, o Delta do Parnaíba é uma das coisas mais extraordinárias e lindas que alguém pode conhecer. Temos que ter um projeto de desenvolvimento econômico e social. Com começo, meio e fim.

O Brasil virou hoje um grande cemitério de obras inacabadas por toda parte, com sobrepreços. Isso pune, e pune todos os brasileiros. O que quero hoje aqui, no momento em que selamos uma aliança com o governador Zé Filho, é propor um novo ciclo de desenvolvimento para a região e, em especial, para o Piauí, em parceria com os companheiros que estão aqui.

 

O apoio de lideranças do PMDB no Nordeste terá repercussão nacional?

Claro que sim. O que está havendo, de forma muito clara, é um distanciamento de lideranças importantes de vários partidos, especialmente do PMDB, do governo central. Porque o governo da presidente Dilma fracassou. Fracassou na condução da economia, ao nos deixar como herança a inflação voltando a atormentar a vida e a mesa do trabalhador brasileiro, o menor crescimento entre todos os países da região. Do ponto de vista da infraestrutura, como disse, é um governo que não entrega, pois as obras são orçadas por um preço, não ficam prontas, e esse preço já passou do dobro, como acontece com a transposição do São Francisco, a Transnordestina, Abreu e Lima, refinaria construída em Pernambuco, para citar apenas alguns exemplos.

E no campo social, onde o PT dizia que era o grande construtor de um novo Brasil, o que estamos percebendo é que a saúde piora a cada dia. Nos últimos onde anos de governo do PT, a cada ano o governo federal participa com um pouco menos do financiamento da saúde. Era 56% quando eles assumiram de financiamento do governo central, hoje são 45%. Na educação, em qualquer ranking internacional o Brasil está no final da fila em qualidade da educação.

E na segurança pública, essa tragédia com a qual somos obrigados a conviver todos os dias, e aqui na região isso é extremamente grave, sem que o governo federal assuma a sua parcela de responsabilidade. Há uma omissão criminosa do governo federal na questão da segurança pública brasileira. Para se ter uma ideia, 87% de tudo que se gasta em investimentos em segurança no Brasil vêm dos estados e municípios, apenas 13% vêm da União. E há uma aplicação de investimentos do orçamento muito aquém daquilo que seria minimamente razoável. O Fundo Penitenciário, por exemplo, no governo da presidente Dilma, apenas 10% de tudo que foi aprovado foi efetivamente gasto.

O que queremos é um governo onde a decência possa se juntar à eficiência, onde o governo possa entregar às pessoas, aos cidadãos, serviços de maior qualidade.

E uma outra questão que é extremamente grave, e que está na base da nossa proposta, é a refundação da Federação no Brasil. Os municípios hoje são pedintes do governo federal, isso não pode continuar acontecer. A Federação está acabando no Brasil. Temos que resgatar a capacidade dos municípios brasileiros e também dos estados enfrentarem suas dificuldades, com mais recursos, para atender melhor à população.

 

Sobre o ex-governador José Serra e o candidato a vice.

É uma honra para qualquer um ter o Serra como companheiro. Ele estará no nosso projeto de governo. A questão da Vice-Presidência será decidida na próxima segunda-feira, após uma consulta ampla que está sendo feita não apenas ao PSDB, mas aos partidos que estão ao nosso lado. Agora, nesse instante, há uma hora, o PTB, em uma convenção nacional, em Salvador, na Bahia, acaba de homologar, por aclamação, o apoio do PTB à nossa candidatura. É um partido que também será consultado, como outros que já integram a nossa coligação. Vamos ter uma composição de chapa que nos leve à vitória.

 

Sobre palanque no Piauí.

Conto certamente com a liderança dos companheiros do PSDB, a começar por eles aqui no Estado. Falei do prefeito Firmino, um dos grandes quadros do PSDB em todo o Brasil, com o companheiro, ex-prefeito Silvio, também um quadro político extraordinário, que honra qualquer partido, e que participará da chapa majoritária que hoje empresa seu apoio à nossa candidatura. Vamos fazer uma belíssima campanha, mostrando de forma muito clara quais são as prioridades do Estado, de que forma o governo federal vai estabelecer parcerias com estados e municípios para que essas prioridades sejam atendidas. Estou extremamente feliz com essa construção política que aqui foi feita. E alianças com o PMDB estão ocorrendo em muitos estados brasileiros. Os senhores terão notícia ainda durante esse final de semana de outras alianças do PSDB com o PMDB em alguns outros estados.

 

Sobre denúncia publicada pelo jornal Extra de que Secretaria ligada à Presidência da República monitora prefeitos com objetivos eleitorais.

O que há é um afastamento crescente de partidos e de lideranças desse governo. O que o PT faz, na verdade, mais uma vez, é confundir aquilo que é público com aquilo que é partidário e privado. O PT, ao promover essa caça às bruxas, na verdade, comete um crime eleitoral, porque a estrutura do Estado brasileiro e funcionários do Estado brasileiro não podem estar exercendo funções de campanha eleitoral, como fica claro nessa denúncia recentemente publicada. Por isso estamos arguindo a Justiça Eleitoral, ao Ministério Público, inclusive por crime de improbidade em relação ao ministro responsável por essa área e por fazer dossiês. Ele é conhecido e reconhecido no Brasil – vocês se lembrarão do episódio dos “Aloprados” – por fazer dossiês falsos em relação a adversários.

O Brasil está cansado daqueles que se apropriaram do Estado Brasileiro em benefício próprio, ou em busca de um projeto de poder. Vamos redemocratizar o Brasil. Respeitar os adversários, ter generosidade para com os cidadãos, cuidar da saúde, cuidar da educação, cuidar da segurança pública com eficiência. É isso que me move e, a partir de hoje, fortalecidos no Piauí por essa extraordinária aliança que nos traz o seu apoio.

 

Sobre o Bolsa Família.

Os programas sociais que dão resultado serão mantidos pelo governo do PSDB e aprimorados. Em relação ao Bolsa Família, ele será mantido e será ampliado. O Bolsa Família nasce, na verdade, de uma construção do PSDB, no governo do presidente Fernando Henrique com o Bolsa Escola e Bolsa Alimentação, que são unificados e se transformam no Bolsa Família. Governar é melhorar aquilo que está dando certo e, obviamente, inovar. Programas sociais, que vêm dando certo, serão ampliados no governo do PSDB.

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Aécio Neves e Eduardo Campos se encontram em Recife

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, encontrou-se, nesta sexta-feira (21/02), em Recife, com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Em entrevista coletiva após o encontro, Aécio Neves defendeu o diálogo entre homens públicos em favor do Brasil e afirmou que o país precisa de novos caminhos.

“É muito saudável para o Brasil que homens públicos que estão hoje militando em campos políticos diferentes, em partidos diferentes, tenham capacidade de conversar, e conversar sobre o Brasil. Quanto mais conversamos, maior convergência encontramos em relação à preocupação com o futuro do Brasil. Minha conversa com Eduardo não é uma conversa em razão da eleição, é uma conversa permanente que se iniciou há mais de 20 anos e não há porque ser interrompida agora. Ao contrário, no que depender de mim essas conversas continuarão, porque política é isso, é a arte do entendimento, da construção de caminhos. O Brasil precisa urgentemente de novos caminhos e esse é um ponto muito forte de identidade entre o governador e eu”, disse.

 

Brasil novo

Aécio Neves e sua esposa, Letícia Weber, estiveram na residência do governador Eduardo Campos, onde conheceram seu filho caçula, Miguel. Também estavam presentes o vice-presidente do PSDB, senador Cássio Cunha Lima, o presidente do PSB-MG, deputado federal Júlio Delgado, o ex-ministro Fernando Bezerra, e o líder do DEM na Câmara, deputado federal Mendonça Filho, entre outros.

Aécio Neves defendeu a política em que o adversário não seja tratado como inimigo. O presidente do PSDB afirmou que Campos e ele podem ser adversários nas eleições desse ano, mas estão juntos em defesa de um Brasil novo.

“Hoje foi uma visita muito pessoal, fiz questão de vir aqui conhecer Miguel e dar um beijo na minha querida amiga Renata, e ao lado de outros companheiros aqui. Acho que a política precisa ser um pouco mais leve, as pessoas não podem fazer política com raiva, com ódio, considerando que alguém que está no outro campo político é seu inimigo. Não é. Podemos até ser adversários na disputa eleitoral, mas somos aliados em favor de um Brasil novo, ético, eficiente. É isso que me traz aqui”, disse Aécio Neves.

 

Solidariedade

Após a visita ao governador, Aécio Neves participou de encontro com o presidente nacional do Solidariedade, deputado federal Paulinho da Força, e lideranças do partido em Pernambuco. Na manhã desta sexta-feira, também reuniram-se em Recife, Aécio Neves e lideranças do PSDB e do DEM no Estado. O presidente do PSDB destacou a importância que o Solidariedade terá na construção das propostas que serão apresentadas pelo PSDB nas eleições deste ano.

“O Solidariedade está muito próximo a nós. A oficialização dos entendimentos ocorrerá apenas em junho, mas conto muito com a participação do Solidariedade, inclusive na elaboração das nossas propostas. Tenho vários eventos marcados, a partir de março, com lideranças sindicais, com setores, principalmente da indústria brasileira, para discutir questões relativas a essa retomada de crescimento, com os aposentados. O Solidariedade, no que depender de mim, terá um papel de destaque nessa construção. Assim como o Democratas, com quem temos conversado”, disse Aécio.

Para Aécio, o PT transformou o Brasil em um cemitério de obras inacabadas

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, se encontrou nesta sexta-feira, no Recife, com lideranças do estado de Pernambuco, inclusive com o governador Eduardo Campos. Em entrevista após os encontros, Aécio criticou a gestão no setor de infraestrutura do governo do PT.

 

Fala do senador Aécio Neves 

“Hoje, o Brasil se tornou em um grande cemitério de obras inacabadas por toda parte, inclusive aqui no estado, como [a refinaria] Abreu e Lima, a transposição do São Francisco, a Transnordestina, as hidrovias da região central. Porque o PT demonizou, na verdade, por mais de dez anos as parcerias com o setor privado. Tenho dito sempre que o aprendizado do PT tem custado muito caro ao Brasil.”

 

E destacou que a falta de investimentos no setor tem prejudicado a economia do país.

Fala do Senador Aécio Neves 

“O governo do PT optou por um alinhamento ideológico, inclusive na região, com resultados muito ruins para o Brasil em todas as áreas. Somos a sétima economia do mundo, mas apenas o 25º país exportador, porque o Brasil não está conectado nas cadeias globais de produção, por uma visão equivocada do governo, e exatamente pelo custo Brasil e ausência de investimentos planejados em infraestrutura.”

 

Boletim

Sonora

Aécio Neves – Entrevista sobre o encontro com lideranças do PSDB e do DEM

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista, nesta sexta-feira (21/02), em Recife (PE). Aécio Neves comentou sobre a situação econômica do Brasil, os problemas de infraestrutura enfrentados pelo país, as alianças do PSDB e eleições 2014.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre o encontro com lideranças do PSDB e do DEM em Pernambuco.

Falamos de política, Brasil e Pernambuco. Houve uma antecipação muito grande do processo eleitoral desde o ano passado, por ação do próprio governo. Fiz um relato aqui da situação do Brasil, tenho muita confiança de que estamos vivendo no Brasil o encerramento de um ciclo. O governo do PT falhou na condução da economia, a herança que vamos receber é de um crescimento pífio, inflação alta, descontrole das contas públicas e uma perda crescente da credibilidade do Brasil, que impacta inclusive nos investimentos que seriam absolutamente necessários para que pudéssemos estar crescendo a níveis melhores. O governo falhou na gestão do estado da infraestrutura.

Hoje, o Brasil se tornou em um grande cemitério de obras inacabadas por toda parte, inclusive aqui no estado, como [a refinaria] Abreu e Lima, a transposição do São Francisco, a Transnordestina, as hidrovias da região central. Porque o PT demonizou, na verdade, por mais de dez anos as parcerias com o setor privado, seja concessões, seja PPP. Considerava isso quase um crime de lesa-pátria. Ao final, se curva a essas parcerias, mas faz isso longe do tempo, com atraso enorme. Tenho dito sempre que o aprendizado do PT tem custado muito caro ao Brasil. Perdemos competitividade externa, o Brasil é hoje um país muito pouco competitivo. O governo do PT optou por um alinhamento ideológico, inclusive na região, com resultados muito ruins para o Brasil em todas as áreas. Somos a sétima economia do mundo, mas apenas o 25º país exportador, porque o Brasil não está conectado nas cadeias globais de produção, por uma visão equivocada do governo, e exatamente pelo custo Brasil e ausência de investimentos planejados em infraestrutura.

No campo social, a criminalidade cresce no Brasil inteiro com uma omissão permanente do governo federal, uma omissão quase que criminosa do governo federal. 87% de tudo que se gasta em segurança pública no Brasil hoje vêm de estados e municípios, apenas 13% da União, que tem a responsabilidade do controle de fronteiras, tráfico de drogas, que está na matriz principal do aumento da criminalidade, tráfico de armas, tudo isso é responsabilidade do governo federal, que concentra mais de 60% da arrecadação e participa com 13% do investimento em segurança. Na saúde, uma outra tragédia nacional, há onze anos, em 2002, quando deixamos o governo, 56% do conjunto de investimento em saúde pública eram da União. Hoje, são 45%. Quem paga a conta? Municípios, principalmente, e estados, em parte. Precisamos fazer um esforço para a refundação da Federação no Brasil.

O PSDB está se preparando para esse grande debate, um debate nacional. Não é o projeto de um partido político, estamos discutindo o projeto de um país. Mais quatro anos de governo do PT farão imensamente mal ao Brasil. então, vim aqui me reunir com os companheiros de Pernambuco, faço uma visita de caráter pessoal ao governador Eduardo e estamos andando pelo Brasil. Ontem, tivemos mais um evento grande no interior de São Paulo, na Baixada Santista. Fizemos o lançamento da pré-candidatura do PSDB ao governo do meu estado, de Minas Gerais. Queremos isso, um debate franco, amplo, sobre todas as questões e estamos preparados para debater com o governo em cada um dos campos onde esse debate for necessário.

Sobre a situação econômica do país.

Todos os indicadores econômicos são preocupantes. O Brasil comemora muito hoje os índices de desemprego, que são baixos. Isso é muito positivo, mas não podemos perder de vista que o Brasil está se transformando no país no pleno emprego de dois salários mínimos. Onde isso vai nos levar? Temos que planejar investimentos em inovação, em competitividade para recuperarmos o poder da indústria brasileira, indústria de manufaturados. Voltamos a ser o que éramos na década de 50 do século passado: exportador de commodities, de matéria prima. Então, o governo comemora esses indicadores de empregabilidade que não são suficientes para o Brasil dar um salto na vida das pessoas. Então, esta é uma discussão que vamos tratar.

A deterioração dos indicadores econômicos é clara. O governo usa de artifícios que já se estabeleceu chamar de contabilidade criativa para mascarar o seu fracasso. O resultado da balança comercial é o pior em 13 anos. E só foi positivo por que exportaram, entre aspas, plataformas de petróleo que nunca saíram do Brasil. Cerca de R$ 7 bilhões contabilizados como exportação para um saldo final de US$ 2,5 bilhões. A nossa dívida bruta vem aumentando fortemente. O BNDES é hoje uma grande caixa preta que privilegia alguns amigos do rei ou da rainha em detrimento do conjunto da economia. A Petrobras hoje é empresa não financeira mais endividada do mundo. Ela perdeu simplesmente 85% do seu valor de mercado em quatro anos. Isso não é brincadeira. A Eletrobras que era uma empresa superavitária, depois do intervencionismo irresponsável do governo comandado pela presidente da República hoje é uma empresa que precisa ir ao BNDES para obter recurso para capital de giro. Esse populismo do governo tem trazido danos enormes ao Brasil.

Então, em todas as áreas, o governo deve ao Brasil. O que quero dizer hoje como presidente do maior partido de oposição é que estamos prontos para o enfrentamento, vamos fazer isso em altíssimo nível, mas vamos ter oportunidade de dizer aos brasileiros que o PT precisa encerrar esse ciclo para iniciarmos outro que seja ético do ponto de vista do comportamento e eficiente do ponto da gestão pública.

 

Sobre a relação com o PSB nacionalmente.

Desde o início dessa discussão, vamos chamar, eleitoral, no início do ano passado, sempre estimulamos que outras forças políticas pudessem entrar no jogo. O próprio governador Eduardo, a própria Marina, nós, inclusive, congressualmente, atuamos juntos com o PSB para impedir as manobras do PT para inviabilizar o partido da Marina, que acabou não se realizado, não se viabilizando. O PT, na verdade, é que sempre quis uma polarização. O PT fez o que pode fazer para inviabilizar a candidatura de Eduardo, sufocando alguns dos seus aliados e conseguindo, no caso do Ceará, especificamente, atrair para o seu campo, e tentou inviabilizar de todas as formas o partido da Marina.

Vejo como positiva a vinda para o campo oposicionista de atores políticos que em um passado não muito remoto atuavam no campo governista. O próprio governador Eduardo, a própria ex-ministra Marina. Então, acho que é positivo para o debate essa candidatura, a candidatura do Eduardo, como a candidatura do Randolfe que se apresenta também, através do PSOL.

Nós do PSDB não tememos essa discussão. E eu acho que todos que se colocarem na disputa, naturalmente, terão discurso de oposição ao governo, porque se fosse de apoio ao governo estariam apoiando a atual candidata. Então, acho que o caminho natural é uma migração desse discurso, que antes era de apoio ao governo para um discurso oposicionista.

O que pretendo manter em relação ao governador Eduardo é uma relação de absoluto respeito, tenho com ele uma relação pessoal que já beira os 30 anos. Acho, repito, positiva para o debate a sua candidatura. E vamos fazer em altíssimo nível. Ele tem toda a condição de ser competitivo, de chegar lá em condições de competitividade.

Agora, eu posso dizer que tenho uma expectativa que possamos, em um eventual segundo turno, estarmos juntos. Porque ambos temos em comum o sentimento de que o governo do PT faz muito mal ao Brasil.

 

Sobre alianças regionais com o PSB.

Essas alianças estaduais seguem uma lógica de muita naturalidade. Não é algo imposto. “Vamos fazer uma aliança aqui.” Mas onde estivemos juntos durante dez anos não há porque não estarmos juntos agora na campanha eleitoral, a começar pelo meu estado onde há uma aliança, e ontem o PSB de Minas Gerais esteve presente no ato de lançamento da pré-candidatura do PSDB declarando ali o seu apoio. Acho que a convivência harmoniosa entre nós existirá no Brasil inteiro, mas calculo que talvez em oito a dez estados o palanque pode ser o mesmo.

 

Sobre uma possível aliança com o PSB em Pernambuco.

O governador Eduardo está fazendo o que deve fazer, construindo aqui o seu palanque. A decisão do PSDB será tomada pela instância estadual do partido, em razão também das suas prioridades do ponto de vista de eleições de parlamentares. Não vou influenciar nessa decisão. E acho absolutamente natural que o governador lance o seu candidato, como eu ontem. O que posso dizer é que em Minas, ontem, o PSB formalizou o apoio à pré-candidatura do PSDB.

Vejo que tem setores aqui do PSDB – não quero avançar o sinal, porque não tomaram essa decisão formal –, mas existem setores do PSDB que tem aqui uma relação com o governador Eduardo. Não haverá da nossa parte qualquer impedimento ou qualquer ação da direção nacional que impeça essa manifestação do partido. Tenho aqui um extraordinário companheiro, queria frisar isso, que está se recuperando de problemas de saúde que é o Sérgio Guerra, que vai estar comandando este processo como sempre fez. O Sérgio é uma das lideranças nacionais mais importantes do PSDB, meu companheiro de direção partidária, preside o Instituto Teotônio Vilela, eu presido o partido, e estamos afinadíssimos. E o Sérgio, que esperamos possa estar se recuperando rapidamente, vai saber conduzir da melhor forma, ao lado dos nossos deputados, esse processo.

Aécio Neves – Entrevista coletiva em Porto Alegre

O senador Aécio Neves esteve em Porto Alegre, hoje (11/11), para ministrar uma palestra na Federação da Indústria do Rio Grande do Sul (Federasul) e concedeu entrevista à imprensa. Aécio Neves falou da alegria de estar na capital gaúcha e comentou sobre o intervencionismo do governo federal, que vem colocando em risco a estabilidade da moeda, a credibilidade do Brasil junto a investidores e, até mesmo empresários nacionais.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

 

Sobre a agenda em Porto Alegre

Queria dizer da alegria de estar hoje em Porto Alegre mais uma vez, aqui na Federasul. E aqui estou sendo recebido com grande alegria por um conjunto grande de lideranças do meu partido, do PSDB, a começar pelo presidente Adilson Trocas, o deputado Lucas Redecker, minha queridíssima amiga Zilá, o Jorge Pozzobom, Elisabete Felice, o Pedro Pereira, o meu grande companheiro de Câmara dos Deputados, Marchezan Jr., que é meu companheiro de Executiva Nacional do partido. Aqui também alguns prefeitos importantes. Eu os cumprimento através do meu queridíssimo amigo Eduardo Leite, nosso prefeito de Pelotas. Também o Moacir da Silva que vai nos receber daqui a pouco em São Leopoldo. São inúmeros os companheiros.

Venho mais uma vez ao Rio Grande como presidente nacional do PSDB para falar o que o PSDB pensa desse momento. O PSDB se prepara para apresentar ao país um conjunto de ideias, não diria ainda de programa, mas de ideias a serem debatidas com a sociedade brasileira, porque na nossa avaliação o governo do PT, esse longo período de governo do PT, coloca em risco algumas das principais conquistas que nos trouxeram até aqui. A partir da própria estabilidade da moeda, a credibilidade do Brasil junto a investidores e, até mesmo empresários nacionais, abalada em razão de um excesso de intervencionismo do governo. Setores essenciais da economia – terei oportunidade ainda quando falar um pouco mais tarde de discorrer sobre essas questões –, mas feita essa introdução, o que posso garantir é que o PSDB estará absolutamente unido porque ao PSDB não é uma opção, não é uma possibilidade ter uma candidatura presidencial. É uma obrigação. É a nossa responsabilidade com o país que nos levará a apresentar uma proposta alternativa a essa que está aí.

 

Sobre o PSDB e as declarações do ex-presidente FHC

O PSDB é um partido democrático, é um partido de quadros extraordinários. E que bom que temos dentro do PSDB quadros em condição de enfrentar o debate. Para não fugir à pergunta, o que diz o presidente Fernando Henrique é que acha muito bom que cresça a candidatura do governador Eduardo Campos. Nós também esperamos. Mas temos absoluta convicção de que pela clareza do discurso, pela história do partido, pela estrutura que temos no Brasil inteiro, o PSDB tem todas as condições de ser a principal das alternativas a esse modelo de gestão que aí está. Devo é saudar como presidente do maior partido de oposição a chegada no campo oposicionista, de importantes figuras políticas que até pouco tempo atrás estavam no campo governista. Estamos falando de dois ex-ministros do presidente Lula que hoje estão no campo oposicionista. Isso tem que ser visto por nós como mais uma constatação de que o Brasil precisa iniciar um novo ciclo, e esse ciclo de governo caminha para o seu final.

 

Sobre as propostas do PSDB e o anúncio de candidatura

Repito apenas para ficar muito claro, venho hoje a Porto Alegre como presidente nacional do PSDB. Vamos apresentar ainda este ano aquilo que não chamaria de um programa de governo porque não é. Um programa de governo demanda detalhamentos, propostas objetivas a serem discutidas com a sociedade, propostas legislativas a serem discutidas no Parlamento. Pretendo apresentar até a primeira quinzena de dezembro, fruto das inúmeras que viagens que tenho feito pelo país, e aqui é mais uma importante viagem, aquele que é o sentimento que colho, quais as necessidades mais urgentes do Brasil para que recuperemos a confiança na economia brasileira, e a partir daí, a retomada dos investimentos. O que faríamos para que aquilo que parece satisfazer o PT, que é a simples administração da pobreza, possa nos permitir um salto para sua efetiva superação. E o que faremos para destravar os investimentos que estão hoje, em infraestrutura, paralisados em grande parte do país. O Brasil virou, na verdade, um grande cemitério de obras inacabadas, e vocês aqui são testemunhas, no Rio Grande, disso. A absoluta falta de planejamento do governo está nos trazendo problemas gravíssimos.

 

Sobre as privatizações do governo do PT

Estava em Manaus (AM) dois dias atrás, atravessei o Brasil para estar hoje aqui, e disse lá algo que posso repetir aqui –, o aprendizado do PT tem custado muito caro ao Brasil. O PT demonizou ao longo de todos esses últimos anos, por exemplo, as privatizações, as concessões, a presença do setor privado em determinados setores da economia. Hoje, curva-se à necessidade de participação do setor privado, mas faz de forma atabalhoada, envergonhada e às pressas. E temos convicção de que o setor privado é um parceiro fundamental, não pode ser visto como um inimigo a ser batido, a ser enfrentado. Ao contrário, é um parceiro a ser permanentemente prestigiado. E como? A partir de regras absolutamente claras, sem intervencionismos absurdos que assistimos em determinados setores e que fizeram muito mal a esses setores, o de energia talvez seja o mais claro deles.

O que a gente vê no Brasil, hoje, na verdade é um software pirata em execução, porque quando o PT copia aquilo que vem do governo do PSDB, o PT acerta. Foi assim quando manteve, por algum tempo, já não é realidade hoje, o tripé macroeconômico de metas de inflação, de câmbio flutuante, de superávit primário, as coisas caminharam melhor. Quando adensou os programas de transferência de renda iniciados no governo do PSDB, acertou. Quando agora, já na fase final do governo, curva-se à necessidade de trazer parcerias para, por exemplo, o setor rodoviário e ferroviário, acerta, mesmo que fazendo de forma atabalhoada. Na verdade, temos que substituir software pirata pelo software original.

Acho que as privatizações que precisavam ser feitas foram feitas. Agora, atrair o capital privado para as concessões é muito importante, em todas as áreas. Mas isso só vai acontecer com um ambiente jurídico e institucional estável. O que o atual governo não conseguiu fazer. E vou mais longe: não tem mais tempo para fazer. Porque a confiança é algo que, quando se perde, não se resgata apenas com um sinal, com a assinatura de um contrato. É expectativa. E a expectativa que se tem em relação a esse governo é muito ruim fora daqui.

 

Sobre a avaliação do governo da presidente Dilma

Primeiro, há um monólogo hoje no Brasil. Você liga a televisão, você vê a presidente em todo instante. Uma bilionária propaganda institucional das empresas públicas para atender a este objetivo eleitoral. Cadeias de rádio e televisão convocadas como jamais antes na história desse Brasil foram. E não temos mais, me permitam a franqueza, uma presidente full time. Temos uma candidata a presidente da República com agenda de candidata a presidente da República. Mas se há alguém que deva estar reocupado neste instante com as pesquisas, e tenho convicção de que estão, é a presidente da República e seus aliados porque mesmo tendo ela 100% de conhecimento, esta exposição permanente em toda a mídia todos os dias, mais de 60% da população brasileira em todas as pesquisas têm dito que não quer dar um segundo mandato à atual presidente da República.

Fui governador de Minas por dois mandatos. Quando me aproximava da reeleição, as minhas indicações, ou pelo menos a intenção de voto, eram 25 ou 30 pontos acima do que tem a presidente hoje. Cito meu exemplo porque eu vivi, mas outros também. Para que ela tivesse uma posição confortável, ela precisaria estar com indicadores muito maiores do que estão. Então, você fazer uma avaliação apenas de intenção de votos, com pessoas que já disputaram uma eleição presidencial, com nível de conhecimento tão dispare entre uns e outros, obviamente, traz distorções.

O debate ainda não começou. O PSDB está se preparando para este debate. Portanto, em relação a pesquisas, a preocupação deve ser da presidente e vou um pouco além: o meu convencimento de que quem for para o segundo turno com a atual presidente da República, vai vencer as eleições. E o PSDB, muito mais do que definir e oficializar uma candidatura, hoje, na minha modesta avaliação, tem de apresentar uma proposta.

 

Sobre as propostas do PSDB

As pessoas têm de, no momento da campanha, olhar para o PSDB e entender como o PSDB vai tratar os municípios e estados, de que forma o PSDB vai financiar a saúde, diferentemente do que está acontecendo hoje.

Como vamos enfrentar a dramática questão da criminalidade e da violência no Brasil hoje. Há uma omissão absurda do governo federal nesta matéria. 87% de tudo o que se gasta em segurança pública no Brasil hoje vem dos cofres estaduais e municipais. Apenas 13% da União. E a União é responsável pelas nossas fronteiras, pelo tráfico de armas, pelo tráfico de drogas. Portanto, a União transfere esta responsabilidade para aqueles que menos têm.

Na saúde, há dez anos quando o PT assumiu o governo, de tudo o que se gastava em saúde pública no Brasil, do total de financiamento para saúde pública, o governo federal investia 56%. Hoje, passaram-se dez anos, o governo federal participa com 45%. Quem paga esta conta? Estados e, principalmente, os municípios que são os que estão hoje em situação pré-falimentar.

 

Sobre as desonerações e o baixo crescimento da economia

O governo cuidou da macroeconomia com instrumentos da microeconomia. As desonerações pontuais, onde você elege determinados setores, não se mostraram eficazes como política de estímulo ao crescimento da economia, que era o objetivo inicial. Estabeleceu-se que esses e esses eram os setores privilegiados. Ao mesmo tempo, o BNDES também com uma política absolutamente equivocada de ali os grandes campeões nacionais não nos ajudou a ter um crescimento minimamente razoável. O Brasil vai crescer em 2013 apenas mais que a Venezuela na nossa região. No ano passado crescemos apenas mais que o Paraguai.

O governo do PT gosta de fazer muitas comparações, mas comparações têm que ser feitas com qualidade e com correção. E, obviamente, dentro de um mesmo momento. Querem comparar o crescimento agora com o crescimento do governo Fernando Henrique. O crescimento do Brasil no período FHC tem que ser comparado com o crescimento daqueles países naquele mesmo o período. Óbvio que a situação do mundo mudou.  Crescemos no período FHC, mesmo com quatro grandes crises externas, um momento ainda de consolidação da estabilidade, alguma coisa como o dobro do que cresceram os nossos vizinhos na América do Sul.

O governo da presidente Dilma, vou falar nesses três anos, mas posso até incorporar o ano que vem, onde as perspectivas são menores que os dois e meio esperados para este ano. Nós crescemos nesses três anos um ponto oito por cento em média. Enquanto os nossos vizinhos, olha que não estou indo nem em países mais desenvolvidos, com parques industriais vigorosos, os vizinhos cresceram, em média, 5,1%.

Isso é inaceitável para um país com as potencialidades do Brasil. Não dá mais para terceirizar as responsabilidades, não dá mais para dizer que o problema é da economia externa. É claro que nesses próximos 10 anos nós vamos ter um crescimento do mundo muito menor que nós tivermos no passado, mas não se justifica o pífio crescimento que estamos tendo hoje, com a inflação remitente no teto da meta.

 

Sobre a inflação

Essa inflação em torno de 6% ao ano porque existem preços controlados. Na hora que essa tampa da panela de pressão sair, a inflação média vai a 9%. A de alimentos está em torno de dois dígitos e é essa que pune.  Então, a marca final do governo da presidente vai ser este: crescimento pífio, inflação alta, descontrole das contas públicas, maquiagem fiscal, que é o pior dos combustíveis para um país que queira trazer investimentos privados.  A desconfiança em relação ao Brasil é enorme em razão dessa montagem de números que já não se sabe mais quais que são reais e não quais não são.

Eu tenho um respeito pessoal pela presidente da República. Acho que ela é uma mulher de bem. Infelizmente, o governo da presidente Dilma fracassou. Essa é a realidade. Nós não podemos contentar com o que está acontecendo e achar que tudo é normal.

 

Sobre as obras inacabadas e o TCU

Não podemos achar que as obras com sobrepreço pelo Brasil afora e inacabadas sejam uma coisa normal. A transposição do São Francisco começou orçada em 3 bilhões e meio de dólares. Já gastou-se mais de 4 bilhões, era para ser inaugurada em 2010 e não se sabe quando que vai ser, se é que vai ser. A Transnordestina, um eixo importantíssimo também ferroviário de desenvolvimento regional. Orçada também em menos de 4 bilhões, já gastou isso, não se sabe quando que vai ficar pronta. Tem uma refinaria sendo construída, a Abreu e Lima, em Pernambuco, orçada em 4 bilhões. Já gastaram 17 bilhões, e não fica pronta por menos de 30. O governo não tem planejamento. Não adianta a presidente reunir num feriado, chamar a imprensa, para cobrar resultados, porque os resultados não virão. Não adianta criticar o Tribunal de Contas, ela deveria criticar são aqueles que não fizeram o projeto adequado, não mantiveram o preço previamente estabelecido e não conduziram a obra com gestão adequada. Não adianta transferir essa responsabilidade. É muito cômodo para qualquer governante. A responsabilidade é do Tribunal de Contas ou da Controladoria? Não, é da ineficiência de um governo que não planeja, faz tudo de forma absolutamente atabalhoada, e está colocando o Brasil, infelizmente, no final da fila dos investimentos.

 

Sobre as posições de economistas publicadas

Cada um dos economistas, e eu vi hoje a matéria do Valor, falou das suas convicções. Eu ouço economistas, como ouço cidadãos de todas as formações. Mas não tenho porta-voz nessa área. É muito bom que pensem também. Gosto muito das usinas de ideias. Mas eu não tenho porta-vozes. São economistas muito qualificados, eu os ouço, mas não quer dizer que o que está dito ali sejam posições minhas.