Brasil lidera queda entre gigantes globais

O mau momento da Bolsa e a perda de valor do real levaram as empresas brasileiras a liderar as perdas entre as maiores companhias do mundo, perdendo espaço entre as gigantes globais.

Das 10 empresas (entre as 500 maiores do mundo) que mais perderam valor de mercado nos últimos 12 meses, 4 são brasileiras. Valor de mercado é calculado de acordo com o preço da ação da empresa multiplicado pelo total de papéis dela que são negociados e é um indicador que aponta a confiança do investidor sobre a companhia.

 

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No palanque tudo é fácil

A presidente Dilma Rousseff acha que é “simples” enfrentar a seca no Nordeste.

Em discurso no Piauí, durante mais um dos eventos do calendário eleitoreiro do governo, Dilma declarou que o segredo é “conviver com a seca”.

Façamos um esforço para acompanhar seu raciocínio. Segundo a presidente, “a seca não é uma maldição, a seca é uma ocorrência, é algo que ocorre”, comparável aos “invernos rigorosos” dos países do Hemisfério Norte, que “duram seis, sete meses, todo ano, chova ou faça sol”. Conceda-se que o tal inverno rigoroso que dura “sete meses” seja apenas um arroubo retórico para reforçar seu argumento. Mas Dilma continua, animada: “Eles têm um inverno forte, que acaba com toda a produção, a neve mata tudo o que cresce, e eles sobrevivem muito bem, obrigada, e fortes. Nós também podemos enfrentar a seca, sim”.

Dilma descobriu agora que “a seca não deve ser combatida”. Em lugar disso, é preciso haver “ações emergenciais” para ajudar os agricultores a contornar os efeitos da estiagem enquanto as condições climáticas não melhoram. É a institucionalização do assistencialismo – e nesse campo, como de hábito, chovem apenas promessas.

Em novembro de 2012, quando o Nordeste enfrentava a maior seca em meio século, Dilma lançou o programa Mais Irrigação e garantiu que o sertão seria transformado em “um dos maiores produtores de alimentos que nosso país e o mundo necessitam” e que “a vítima da seca deixará de ser flagelado para se tornar um produtor rural”. Os investimentos anunciados para tão ousado objetivo somavam R$ 10 bilhões.

Seis meses depois, em abril de 2013, Dilma esteve no Ceará para prometer um novo pacote contra a estiagem, no valor de R$ 9 bilhões. Desse dinheiro, R$ 3,1 bilhões eram o quanto o governo estimava deixar de arrecadar em razão da renegociação de dívidas de agricultores que tiveram prejuízos com a seca. Outra parte dizia respeito à prorrogação de programas assistenciais, o Garantia Safra e o Bolsa Estiagem. Havia, portanto, pouco “dinheiro novo” no pacote, formado basicamente por verbas já empenhadas, seguindo a tradição dos governos petistas de reciclar programas antigos para apresentá-los como novidade.

Mas isso não é tudo. A caríssima e controversa transposição das águas do Rio São Francisco, prometida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o “compromisso não de um presidente, mas de um retirante nordestino”, tornou-se um autêntico elefante branco. Além dos seguidos atrasos em seu cronograma, a obra, se e quando estiver concluída, vai produzir água a um preço proibitivo para os pequenos agricultores, o que obrigará o governo a recorrer a subsídios, adicionando sacrifícios aos contribuintes.

Agora, em 2014, depois de tantas promessas, Dilma diz que é preciso aceitar a seca como um fato da vida, a exemplo do que fazem os agricultores do Hemisfério Norte ante a dureza do inverno. A presidente tem razão, mas há importantes diferenças. Em vez de prometer bilhões em “ações emergenciais” e em projetos que mal saem do papel, os países do Hemisfério Norte estimularam o desenvolvimento de avançadas técnicas agrícolas mesmo em pequenas propriedades, o que permite aos produtores retomar seu trabalho em alto nível após o inverno, reduzindo os prejuízos. Em relatório sobre os efeitos das mudanças climáticas sobre a agricultura, a União Europeia diz que há uma “vasta gama de opções” para lidar com o problema, todas baseadas em tecnologia para prevenção. Considerar o inverno inevitável não significa aceitar, como uma fatalidade, as perdas decorrentes dele.

Ao dizer que é “simples” lidar com a seca no Nordeste, Dilma esbanja a mesma arrogância de seu criador, Luiz Inácio Lula da Silva, que, ao deixar a Presidência, disse que era “fácil” governar o Brasil. Quando se governa do palanque, tudo parece mais simples mesmo. Mas já passou da hora de tratar o centenário flagelo da seca no Nordeste com mais responsabilidade. Não se pode mais admitir que o sertanejo continue a ser tratado como mera commodity eleitoral, sempre à espera do caminhão-pipa.

 

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Estrangeiros projetam PIB de 1,5% para 2014

A forte desaceleração da produção industrial em dezembro anunciada na terça-feira e a recente piora do cenário global surtiram efeito nas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2014. Os economistas de pelo menos dois bancos estrangeiros, o Credit Suisse e o JP Morgan, reviram seus cálculos e projetam agora um crescimento da economia brasileira de apenas 1,5% neste ano.

Trata-se de um corte significativo de projeção das duas instituições que antes estimavam que 2% e 2,1%, respectivamente. O novo patamar é mais pessimista que o consenso de mercado, medido pela pesquisa Focus do Banco Central, que mesmo antes dos novos dados projetava um crescimento de 1,9%.

A queda na produção industrial em dezembro já era esperada, mas o consenso esperava 1,7%, e não 3,5%. No ano, a produção cresceu 1,2%, impulsionada principalmente pela expansão de 13% do setor de bens de capital.

De acordo com o relatório do Credit Suisse, da equipe de economistas liderada por Nilson Teixeira, já se projetava uma queda da produção de bens de capital para 2014 por causa de um impulso menor da safra agrícola, da alteração das condições de financiamento do governo, de queda da confiança da indústria, da inflação elevada e de incertezas em relação à Copa e às eleições. Mas em dezembro a produção do segmento caiu mais de 11% em relação a novembro, o que fez o cenário piorar significativamente para o primeiro trimestre de 2014.

Apesar da revisão, Teixeira diz em seu relatório que o cenário global eleva a incerteza na dinâmica do crescimento do PIB nos próximos trimestres. Por outro lado, o PIB pode se beneficiar de uma taxa de câmbio mais depreciada associada à forte aceleração dos países desenvolvidos, que poderiam fazer com que a produção industrial nos setores exportadores compensasse menor crescimento em outros segmentos.

O banco JP Morgan entende que, mesmo com taxa de câmbio favorável, o cenário mais sombrio para a demanda de emergentes e a alta volatilidade dos mercados vão fazer com que a balança comercial não seja tão positiva quanto inicialmente projetado.

Assinado pelos economistas Fábio Akira e Cassiana Fernandez, o relatório diz que se esperava um cenário desafiador para o Brasil em 2014, mas o estresse no mercado financeiro piorou as expectativas. A revisão para baixo do PIB pelo JP também foi motivada pela forte queda da produção industrial.

Ontem, a Rosenberg Associados também refez suas projeções. A consultoria estava e ainda está um pouco mais otimista que a média do mercado. A previsão inicial era de um crescimento de 2,5% e agora entende que deve ficar em 2,1%.

 

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Vivendo do passado

A acreditar no discurso oficial, o Brasil caminha a passos firmes e largos para se tornar o paraíso na Terra; tudo de bom que aqui existe foi criado a partir de 2003, com a chegada do PT ao Planalto, graças à clarividência dos presidentes Lula e Dilma Rousseff.

Segundo essa narrativa, a economia vai bem, e o povo, ainda melhor. Centenas de bilhões de reais são investidos para garantir saúde, educação, segurança e emprego a todos os brasileiros; a população não precisa se preocupar com a crise, pois o governo já tomou as medidas necessárias e tem tudo sob seu controle.

Este, em suma, é o cenário descrito na mensagem de Dilma ao Congresso, entregue nesta segunda-feira pelo novo ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

Diante de tais palavras, não restaria aos parlamentares mais que ouvir e aplaudir, de preferência sem atrapalhar com projetos ameaçadores para as contas públicas.

Compreende-se que este governo –assim como todos os outros– queira realçar suas ações bem-sucedidas, tais como os inegáveis avanços sociais. Houve, de fato, forte geração de empregos, redução da desigualdade e melhorias propiciadas por programas nas áreas da educação e da saúde.

O que incomoda, para dizer o mínimo, é a falta de autocrítica e sobretudo de sinceridade quanto aos inegáveis problemas e desafios que o país precisará enfrentar no futuro próximo.

A presidente Dilma Rousseff perdeu uma oportunidade de descer do palanque e apresentar um diagnóstico honesto do quadro atual. Ao continuar dourando a pílula, reforça a percepção crescente de que é cada vez maior a distância entre a propaganda e a realidade.

O desempenho da economia, por exemplo, continua decepcionante, a despeito da retomada internacional. A produção industrial caiu 3,5% em dezembro, na comparação com o mês anterior, e encerrou 2013 com alta de apenas 1,2%.

As projeções apontam para alta do PIB de apenas 2% neste ano. Há perda de credibilidade no combate à inflação e na gestão das contas públicas – em 2013, os gastos do governo tiveram alta de 7,3% acima da inflação, embora os investimentos tenham crescido 0,5%. Os juros sobem e vão terminar 2014 no mesmo nível de quatro anos antes.

Persiste, ademais, a piora na balança comercial, com um deficit de US$ 4 bilhões em janeiro, o maior da série histórica. A situação é clara: a economia internacional está se reconfigurando de forma menos favorável ao Brasil e algumas das fontes internas de dinamismo dos últimos anos perdem força.

Enquanto isso, o governo insiste em jactar-se dos avanços passados e atribuir à crise internacional a culpa pelas mazelas de fabricação interna, que ficam cada vez mais evidentes. Não percebe que o futuro, para o qual não tem respostas nem planos, já bate à porta.

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Brasil cai em ranking de atração de investimentos

O Brasil segue um caminho inverso ao que foi registrado pelos demais mercados emergentes, cai no ranking dos destinos para investimentos em 2013 e, neste ano, pode sofrer uma nova contração por causa do impacto das eleições presidenciais.

O alerta é da ONU, que, na terça-feira, 28, publicou um informe sobre investimentos no mundo em 2013. Segundo dados da entidade, o fluxo internacional de investimentos voltou à média dos anos pré-crise, ainda que o pico de US$ 2 trilhões atingido em 2007 esteja distante de ser atingido. Em 2013, o volume total foi de US$ 1,4 trilhão. No ponto mais baixo da crise, em 2009, o volume foi de US$ 1,2 trilhão.

Já a economia brasileira recebeu 4% menos de investimentos em comparação com 2012, enquanto o fluxo mundial aumentou em 11%. Entre os emergentes, a alta foi de 6%, abaixo da média e já indicando que a desaceleração dessas economias poderia afetar sua capacidade de captar investimentos.

O resultado foi a queda da posição do Brasil de quinto maior destino de investimentos para sétimo lugar. Em 2013, o Brasil recebeu um total de US$ 63 bilhões em investimentos. Rússia e Canadá ultrapassaram o País.

Um detalhamento dos dados, porém, mostra que multinacionais promoveram uma redução significativa na aquisição de empresas brasileiras.

Em 2012, elas haviam gasto US$ 17 bilhões. Em 2013, esse volume caiu para US$ 9 bilhões. A compra de ações por empresas estrangeiras também caiu, de US$ 52 bilhões para US$ 40 bilhões. O único item que registrou alta foi o que mede o fluxo de empréstimos de uma matriz para uma filial no Brasil, passando de US$ 12 bilhões para US$ 18 bilhões.

Para 2014, a previsão da ONU é de que a expansão de investimentos para alguns emergentes pode sofrer uma desaceleração. Segundo James Zhan, chefe da divisão de Investimentos da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), o motivo seria a eleição. “Algumas multinacionais podem adotar uma estratégia de esperar e ver antes de realizar um investimento importante”, disse Zhan.

Além do Brasil, economias emergentes consideradas estratégicas também passam por eleições: Turquia, África do Sul, índia e Indonésia. “Existe o risco de uma desaceleração nos investimentos”, afirmou Zhan.

Segundo ele, o que também pode afetar o fluxo em 2014 é uma mudança na política monetária nos EUA, reduzindo a liquidez nos emergentes e atraindo capital de volta para o mercado americano. Zhan evita fazer uma projeção sobre o que pode ser o volume de investimentos no Brasil em 2014. Mas diz que o País tem sido “muito turbulento” na variação dos fluxos. “É difícil prever”, indicou.

O fluxo para o Brasil vai em sentido contrário ao crescimento de investimentos para a América Latina. Em 2013, o aumento foi de 18%, acima da média mundial e puxada principalmente pelo México. Mas países que atraem investimentos no setor de commodities foram afetados pelo fim no boom dos preços de minérios e de outros produtos primários.

Mas, para os próximos dois anos, a ONU prevê uma desaceleração da expansão dos investimentos aos emergentes. “A imprevisibilidade em alguns mercados emergentes pode afetar, assim como mudanças nas políticas nos EUA.”

Para 2014 e 2015, o volume global de investimentos deve crescer para US$ 1,6 trilhão e US$ 1,8 trilhão. Mas o motor será o mercado de países ricos, em recuperação.

 

Novo mapa

Apesar da desaceleração dos emergentes em 2013 e de uma previsão sombria para 2014, a ONU revela que os cinco anos de crise transformaram o mapa dos investimentos no mundo. Segundo os dados da ONU, pela primeira vez o fluxo de investimentos para a América Latina se equiparou a tudo o que a Europa recebe, cerca de US$ 300 bilhões. O Velho Continente foi por décadas o maior recipiente de investimentos no mundo.

Outra constatação da ONU é de que nunca a proporção de investimentos para os países ricos foi tão baixa quanto em 2013. De cada US$ 10 investidos no mundo, apenas US$ 4 foram para os mercados desenvolvidos. Para os emergentes, foram cerca de US$ 759 bilhões em 2013 e parte significativa foi para a Ásia.

Ásia, Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e o Mercosul dobraram sua participação no volume total de investimentos no mundo em comparação com os dados registrados antes da crise de 2008. A economia americana ainda é a maior recipiente, com US$ 159 bilhões. Mas os Brics já representam 20% dos investimentos. O Mercosul representa 6% dos investimentos mundiais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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Tempo de espera

Artigo do jornalista Celso Ming – Estadão – 24/01/2014

 

O Banco Central, presidido por Alexandre Tombini, não foi claro sobre os próximos passos da política de juros. A ata da última reunião do Copom, divulgada ontem, pareceu indicar que a hora é de esperar para ver.

É uma reação que aguarda novos dados. O primeiro deles é o comportamento da inflação. A evolução do IPCA em dezembro fora surpreendentemente alta e obrigou o Banco Central a puxar pelos juros mais do que pretendera até então.

As primeiras indicações de janeiro são parcialmente positivas. Ontem foi divulgada também a evolução do IPCA-15, que é o mesmo cálculo da inflação em 30 dias, com a diferença de que é medido do dia 15 de um mês ao dia 15 do mês seguinte. Não foi levado em conta para a redação da ata. Esse novo indicador apontou uma evolução bem mais baixa do que a de dezembro (de 0,75% em vez de 0,67%). Mas foi ainda mais baixa do que o 0,92% obtido em dezembro inteiro. Ou seja, a inflação voltou a desacelerar. A dúvida está em saber se a desaceleração é consistente. O alto índice de dispersão (mais de 75% dos itens da cesta de consumo acusaram elevação), o mais alto desde 2003, não dá muita esperança. É o que indica a forte resistência da alta de preços.

E há os puxadores de inflação, ainda não removidos: alta do dólar, aumento dos custos da mão de obra e indexação (reajustes automáticos de preços) extensa demais. Sobre o câmbio, o Banco Central avisa que já está trabalhando com uma cotação do dólar de R$ 2,40. Se é isso, pode ser mais. As contas externas deterioradas contribuem para empurrar a alta da moeda estrangeira.

O outro dado positivo aparentemente esperado pelo Banco Central é algum anúncio do governo federal de que a administração das contas públicas pode ser bem mais austera neste ano, mesmo tendo à frente as eleições de outubro.

No parágrafo 22 da ata está dito que a geração de superávits primários (ou seja, de sobra de arrecadação para pagamento da dívida) mais altos ajudaria a combater a inflação, a diminuir o custo de financiamento da dívida pública, etc. Traduzindo, isso parece certa pressão do Banco Central para que a política fiscal assuma uma parte maior da função do contra-ataque à inflação para que os juros básicos (Selic) não tenham de ser excessivamente acionados.

É possível que a presidente Dilma tire uma nova carta da manga para tentar melhorar o astral dos mercados e recuperar a confiança do setor privado. Até agora não há indicação disso.

Também importantes foram as indicações da ata de que não dá para esperar por uma melhora do crescimento econômico em 2014. O parágrafo 21 fala em “ritmo mais moderado do que é observado em anos recentes”. E, no entanto, em anos recentes, o crescimento do PIB foi muito fraco (2,7% em 2011, 1,0% em 2012 e, provavelmente, não mais do que 2,3% em 2013).

Enfim, não há firmeza de que a inflação esteja em retirada. O avanço em 12 meses pode recuar em janeiro e até mesmo em fevereiro, mas, se nada de importante se fizer para remover as causas, a alta de preços deve ser retomada mais à frente.

 

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