Resultado de pesquisa CNT/MDA

“O que há na verdade é um cansaço absoluto em relação ao que vem acontecendo hoje no Brasil. Acho que esse modelo de governança do PT que alia incompetência administrativa, irresponsabilidade fiscal e desapreço pela questão ética, fracassou. Agora, nós do PSDB temos um projeto para o Brasil. Apresentamos esse projeto durante a campanha eleitoral”, disse o senador Aécio Neves em entrevista nesta quarta-feira (24/02), em Brasília, ao comentar o resultado da pesquisa CNT/MDA, divulgada hoje, mostrando a presidente Dilma com 62% de reprovação do eleitorado brasileiro.

A pesquisa também mostra que Aécio Neves seria o grande vencedor da corrida presidencial caso as eleições fossem realizadas hoje. Em um cenário estimulado, quando os nomes dos candidatos são apontados aos eleitores, Aécio foi o candidato preferido de 24,6% dos brasileiros. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou com 19,1% dos votos, e Marina Silva (Rede) com 14,7%. Em segundo turno, Aécio teria uma vitória significativa sobre o petista, com 40,6% da preferência dos eleitores, enquanto Lula, em meio a denúncias que ligam o seu nome a empresas investigadas pela Operação Lava Jato, teria 27,5% das intenções de voto.

Brasil não tem futuro com governo do PT, diz Aécio sobre novo rebaixamento do país

O senador Aécio Neves lamentou hoje o novo rebaixamento do grau de investimento do Brasil pela agência Moodys, que retirou o selo de bom pagador do país. Em entrevista coletiva, em Brasília, o presidente nacional do PSDB disse que a perda de credibilidade do Brasil frente aos investidores internacionais agrava a crise econômica com maiores prejuízos para a população, com a redução de investimentos e de empregos.

“O Brasil prova o gosto amargo dos equívocos e das irresponsabilidades de um governo que não atendeu a nenhum dos alertas que foram feitos. A responsabilidade por este rebaixamento não é de nenhuma crise internacional, até porque ela não existe. É exclusivamente das irresponsabilidades e dos equívocos do governo brasileiro”, afirmou Aécio.

Com a retirada do selo de bom pagador, a nota do país caiu dois degraus de uma vez, passando para Ba2, que é a categoria de especulação. A Moodys também colocou o Brasil em perspectiva negativa, indicando que poderá ocorrer novo rebaixamento.

“A falta perspectiva futura talvez tenha sido o ponto mais grave para mais este rebaixamento. O Brasil não tem perspectivas enquanto este governo não tiver um projeto de país. O projeto hoje da presidente Dilma é única e exclusivamente se manter no poder. E as agências percebem isso. As agências sinalizam hoje aquilo que a perspectiva de futuro nos apresenta. Não temos futuro com este governo do PT”, afirmou Aécio.


A conta do desgoverno do PT

As agências Standard & Poor’s e Fitch já haviam rebaixado o país. A perda do selo de bom pagador sinaliza para os empresários que o Brasil não é um porto seguro para investimento. Aécio Neves lembrou os alertas feitos ao governo pela oposição e por diferentes setores da sociedade sobre os erros cometidos na condução da política econômica desde 2010.

“Quem sofre é a população brasileira, e principalmente os mais pobres. Aqueles que o governo do PT diz defender são os primeiros a pagar essa conta extremamente salgada dos equívocos e das irresponsabilidades de um governo que, para se manter no poder, fez ouvido de mercador a todos os alertas de correção de rumo na economia. Para ganhar as eleições, como a própria presidente disse, fez-se o diabo. E hoje, infelizmente, quem está comendo o pão que o diabo amassou são os brasileiros, principalmente os mais pobres”, lamentou Aécio.

Na avaliação do presidente do PSDB, a falta de empenho do governo do PT com as reformas estruturantes necessárias ao país, como a da Previdência, e a incapacidade de controlar os gastos públicos sinalizam para o mundo que a crise brasileira ainda está longe de ser superada.

“As reformas estruturantes em um país com o presidencialismo tão forte como o brasileiro só ocorrem se o governo tiver autoridade para conduzi-las. Em primeiro lugar, mobilizando sua base no Congresso e nós não temos mais isso no Brasil. Este governo não apresenta mais perspectivas de apresentar e aprovar uma agenda no Congresso Nacional”, disse Aécio Neves.


Argentina

O senador comparou a situação do Brasil com a da Argentina, onde a eleição de Maurício Macri à Casa Rosada criou um novo e positivo ambiente econômico.

“Veja o que aconteceu na Argentina. As medidas estruturantes ainda não ocorreram, mas a perspectiva de um futuro diferente daquele que vinha ocorrendo até o fim do governo Kirchner já mudou o ambiente. Os investimentos estão indo para lá. Brasileiros estão querendo novamente investir na Argentina, e no Brasil ocorre o oposto”, comparou.

Aécio Neves – Entrevista sobre o rebaixamento do grau de investimento – Agência Moody’s

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista coletiva, nesta quarta-feira (24/02), em Brasília. Aécio falou sobre o rebaixamento do grau de investimento da agência Moody’s, erros da política econômica, queda da popularidade da presidente Dilma e pesquisa CNT/MDA.


Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre novo rebaixemos do grau de investimento do Brasil pela Agência Moody’s.

É o pior sinal possível. E ao contrário do que o PT gosta de afirmar, a responsabilidade por mais este rebaixamento é exclusivo do governo brasileiro, dos inúmeros equívocos do governo do PT. O que hoje este rebaixamento significa? As empresas com maiores dificuldades de rolar suas dívidas, portanto, com menos competitividade, com mais desemprego e o descontrole da economia cada vez maior.

Hoje, o Brasil prova o gosto amargo dos equívocos e das irresponsabilidades de um governo que não atendeu a nenhum dos alertas que foram feitos inclusive na campanha eleitoral. A responsabilidade por este rebaixamento não é de nenhuma crise internacional, até porque ela não existe. É exclusivamente das irresponsabilidades e dos equívocos do governo brasileiro.

Um dos pontos que a agência pondera é que a dinâmica política desafiadora pode atrasar as reformas estruturais. Há uma cobrança muito grande por estas reformas. O que é esta dinâmica desafiadora?

As reformas estruturantes em um país com o presidencialismo tão forte como o brasileiro só ocorrem se o governo tiver autoridade para conduzi-las. Em primeiro lugar, mobilizando a sua base e nós não temos mais isso no Brasil.

Um dos fatores talvez mais relevantes para este rebaixamento é a ausência de perspectivas em relação ao futuro. Porque exatamente este governo não apresenta mais essas perspectivas de apresentar e aprovar uma agenda no Congresso Nacional. A responsabilidade é do governo que sequer consegue o apoio da sua base para reformas estruturantes. Nós da oposição continuaremos a fazer o que viemos fazendo. Aquilo que for de interesse do Brasil contem conosco. Mas aquilo que significar manutenção deste governo, certamente, o Brasil não pode contar com as oposições porque a manutenção deste governo como aí está não interessa aos brasileiros.

Tenho dito o seguinte, enquanto tivermos um governo sem autoridade, sem projeto, sem coragem para enfrentar as questões estruturais, o Brasil infelizmente continuará no final da fila como agora estamos vendo com mais este rebaixamento.


A perspectiva futura ainda é negativa?

A perspectiva futura é que talvez tenha sido o ponto mais grave para mais este rebaixamento. O Brasil não tem perspectivas enquanto este governo não tiver um projeto de país. O projeto hoje da presidente Dilma é única e exclusivamente se manter no poder. E as agências percebem isso. As agências sinalizam hoje aquilo que a perspectiva de futuro nos apresenta. Não temos futuro com este governo do PT.


Como o sr. avalia a pesquisa de popularidade da presidente com 62% de rejeição?

Tudo isso é consequência do desastre para as pessoas. Não comemoro este rebaixamento. Não acho que isso seja motivo de comemoração ou de aplauso por ninguém. Ao contrário. Isso impacto na vida real das pessoas. É o desemprego crescendo, a inflação sem controle, o endividamento das pessoas aumentando, o Brasil sem perspectivas de futuro. Enquanto não tiver um governo com autoridade, veja o que aconteceu na Argentina, as medidas estruturantes ainda não ocorreram, mas a mudança de ambiência, a perspectiva de um futuro diferente daquele que vinha ocorrendo até o fim do governo Kirchner já mudou o ambiente. Os investimentos estão indo para lá. Brasileiros estão querendo novamente investir na Argentina, e no Brasil ocorre o oposto.

Infelizmente, enquanto tivermos aí esse governo o Brasil vai continuar patinando, andando de lado. E quem sofre não é o governo, não é o PT, esses vão muito bem como vemos todos os dias. Quem sofre é a população brasileira, e principalmente os mais pobres. Aqueles que o governo do PT diz defender são os primeiros a pagar essa conta extremamente salgada dos equívocos e das irresponsabilidades de um governo que, para se manter no poder, fez ouvido de mercador a todos os alertas de correção de rumo na economia. Para ganhar as eleições, como a própria presidente disse, faz-se o diabo. E hoje, infelizmente, quem está comendo o pão que o diabo amassou são os brasileiros, principalmente os mais pobres.


Ainda sobre a agência, ela coloca que há expectativa que a dívida pública brasileira ultrapasse 80% nos próximos 3 anos. O Brasil continua sendo um país que gasta muito e como a oposição fala, gasta mal?

Gasta muito, gasta mal e não teve coragem de fazer as reformas para conter, para estabelecer limites para esses gastos. Essa dívida pública brasileira, que ultrapassará com certeza 83%, 85%, em 2018, é a mais alta dentre todos os países emergentes. A média dos países emergentes não chega a 60%. Isso é uma demonstração do descontrole das contas públicas, da irresponsabilidade fiscal que norteou, que orientou as ações naquela chamada nova matriz econômica. E repito, as consequências são reais nas vidas das pessoas, porque se fala de rebaixamento as pessoas não entendem bem como isso afeta as suas vidas. Significa, repito, as empresas brasileiras tendo uma incapacidade cada vez maior para rolar suas dívidas, para se autofinanciarem e mais do que isso, desemprego aumentando e a carestia chegando na vida das famílias brasileiras. Esse rebaixamento, mais uma vez, impacta na vida real dos brasileiros.


Foi divulgada hoje uma pesquisa dizendo que o senhor ganharia do ex-presidente Lula, se as eleições fossem hoje. Como o senhor vê esse resultado?

O que há na verdade é um cansaço absoluto em relação ao que vem acontecendo hoje no Brasil. Acho que esse modelo de governança do PT que alia incompetência administrativa, irresponsabilidade fiscal e desapreço pela questão ética, fracassou. Agora, nós do PSDB temos um projeto para o Brasil, apresentamos esse projeto durante a campanha eleitoral. Infelizmente não vencemos as eleições, mas continuamos a ter um projeto para o Brasil, que passa pela responsabilidade fiscal, pela meritocracia na administração pública, pela coragem para fazer as reformas que durante 13 anos não foram feitas pelo governo do PT
O PSDB, obviamente, no momento certo, no momento em que as eleições se aproximarem, terá uma candidatura que represente esse projeto. Fico feliz com os resultados das pesquisas, mas não vamos antecipar o calendário. Hoje, o que precisamos é encontrar caminhos para que o Brasil saia desse abismo no qual o PT nos mergulhou.

Popularidade x credibilidade

Aécio Neves – Folha de S. Paulo – 18/05/2015

Presenciei mais um amplo e justo reconhecimento internacional a Fernando Henrique Cardoso, o presidente que mais fez pelo desenvolvimento do Brasil e pelo fortalecimento de suas instituições, na nossa história contemporânea, e que recebeu semana passada, da Câmara de Comércio Brasil-EUA, o título “Pessoa do Ano”.

Ao lado do ex-presidente americano Bill Clinton e diante de um auditório repleto de políticos e empresários, FHC fez um discurso que já nasceu célebre, coroado por uma frase precisa: “Pode-se governar sem popularidade, mas não se pode governar sem credibilidade”. Nada mais atual.

Lembro que, em seus oito anos no Palácio do Planalto, FHC perdeu popularidade, mas jamais a credibilidade. Teve sempre como bússola a responsabilidade fiscal ao tomar medidas que, se não fossem as de aplauso fácil, eram absolutamente necessárias para colocar o país no mesmo passo do mundo em desenvolvimento ou impedir qualquer recuo ou risco às preciosas conquistas da estabilidade.

Leia mais aqui.

Aécio Neves – Entrevista sobre CPI da Petrobras

O senador Aécio Neves, em entrevista, nesta quinta-feira (27/03), comentou o resultado da avaliação do governo da presidente da República. Segundo o presidente nacional do PSDB, a queda da popularidade da presidente, apontada pelos indicadores, é resultado do “conjunto da obra” do atual governo. Aécio Neves também falou sobre a CPI da Petrobras. 

 

Leia a transcrição da entrevista do senador Aécio Neves

Sobre a queda da avaliação do governo da presidente Dilma

Esses indicadores, que mostram uma queda da popularidade da presidente e do seu governo, a meu ver, é resultado do conjunto da obra. Não é apenas Pasadena e a Petrobras. Certamente, impactam sim na consciência dos brasileiros ou na expectativa dos brasileiros todas essas denúncias. Mas é o conjunto da obra.

O Brasil, há dez anos, foi incluído nos Brics, os cinco países que buscavam um lugar ao sol. Hoje, estamos em um conjunto de outros cinco países, onde há um temor enorme, inclusive, que a má gestão de sua economia possa trazer problemas para outros países. A equação que o PT nos lega é de inflação alta com crescimento baixo. A perda de credibilidade do Brasil ocorreu em uma velocidade estratosférica. Do ponto de vista da infraestrutura, patinamos até aqui. Passamos 10 anos vendo o PT demonizar a participação do setor privado e o que ocorre hoje? Tudo parado, tudo no meio do caminho, custo Brasil elevadíssimo. E o Brasil cada vez encolhendo mais a sua participação no comércio externo.

Na área social, nem se fala. Patinamos na educação, nos últimos lugares nos rankings internacionais. Na saúde, a omissão do governo no financiamento, hoje, eles participam muito menos do que participavam há dez anos no conjunto do financiamento da saúde pública, de 54% para 46%. Na segurança pública, a omissão chega a ser criminosa. 87% de tudo o que se gasta em segurança pública vêm dos estados e dos municípios. O governo federal não tem uma política nacional de segurança pública.

Quero dizer que os resultados são a ponta do iceberg. Eles começam a apontar para um governo que vive, a meu ver, os seus estertores. A culpa é do conjunto da obra.

 

Sobre pressão do governo federal para que parlamentares retirem suas assinaturas do pedido de criação de CPI para apurar denúncias envolvendo a Petrobras.

É inaceitável que possa haver qualquer tipo de pressão sobre os parlamentares que assinaram o pedido de CPI. Não acredito que nenhum dos signatários possa se submeter a qualquer tipo de chantagem, mas é preocupante a declaração de líderes governistas. É hora de estarmos absolutamente alertas e a simples ameaça, a simples afirmação de lideranças do governo que vão retirar determinadas assinaturas, e isso ontem, de alguma forma, se ouvia no Plenário do Senado Federal, é uma ameaça. A simples perspectiva ou a simples manifestação de vontade de lideranças do governo de retirar essas assinaturas, a meu ver, é um ataque à integridade do Congresso Nacional.

Teremos a Comissão Parlamentar de Inquérito no Senado. Se alcançadas as assinaturas na Câmara, poderemos ter uma Comissão Parlamentar Mista. E o que me preocupa é por que tanta preocupação? Por que não estão logo preocupados em colocar pessoas qualificadas nessa Comissão, os partidos governistas, para que o debate possa haver, para que os diretores demitidos ou presos possam aqui depor, tendo os seus sigilos quebrados? É isso que o Brasil quer ouvir.

É inaceitável. É uma indignidade para com o país assistirmos sem nenhuma resposta do governo as empresas públicas estarem sendo dilapidadas como estão sendo. A Petrobras perdeu mais da metade do seu valor de mercado. A Eletrobrás mais de 70% do seu valor de mercado e nada? E permitir que isso ocorra naturalmente? Não, a oposição está aqui fazendo o que tem que fazer. Reagindo e cobrando explicações do governo, dos dirigentes da Petrobras e, se necessário, da então presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Não aceitaremos mais a terceirização de responsabilidades.

O que se cometeu foi quase um crime de lesa pátria, ao permitir que empresas, do porte, da história de uma Petrobras, fizessem negócios, e falo no plural, tão danosos. Pasadena é um negócio. Abreu e Lima é outro que precisa ser investigado. Uma empresa cuja planta foi concebida para um refino de um petróleo mais pesado produzido na Costa da Venezuela – portanto, com uma planta mais cara do que seria uma planta para o refino do petróleo brasileiro. Ela foi orçada inicialmente em US$ 2,5 bilhões, já gastou mais de US$ 18 bilhões, não ficará pronta por menos de US$ 20 bilhões. No meio do caminho a empresa venezuelana anuncia que está fora do projeto. Não há sanção? A Petrobras não teve nenhuma salvaguarda, não tem nenhum documento que a permite cobrar uma indenização da Venezuela? Ou foi um acordo de compadres, com tapinhas nas costas? Não.

O PT e seus dirigentes maiores não podem tratar as empresas públicas como patrimônio partidário e muito menos pessoal. Não podem usar as empresas brasileiras para buscar alinhamento político com base em vínculos ideológicos. É contra isso que estamos nos levantando. O que foi feito é de extrema gravidade. A CPI está aí com as assinaturas obtidas e o que queremos são investigações e a punição exemplar dos responsáveis.

 

Quando vocês esperam que seja lido esse requerimento de criação da CPI?

Esperamos que, no mais tardar, na terça-feira. O senador Renan, presidente do Senado, sabe que cabe a ele simplesmente conferir as assinaturas, ler o documento da sua criação e solicitar imediatamente aos líderes que possam indicar os seus representantes. E, não indicando, a mesa pode fazê-lo. Enquanto isso, na semana que vem, a Câmara dos Deputados também vai buscar alcançar o número de assinaturas e, alcançando, ela pode se transformar em uma comissão parlamentar mista de inquérito.

 

Sobre a possibilidade da pressão para retirada de assinaturas surtir efeito.

Espero que não. O simples esforço do governo para retirar assinaturas atenta, a meu ver, contra a dignidade do Congresso Nacional. Aqui estão parlamentares. No Senado, estão homens e mulheres que têm uma história de vida, têm satisfação a dar à sociedade brasileira. E o simples ataque a eles, ou a simples chantagem, ou a tentativa de mudar a sua consciência, já é uma violência inaceitável. Estou convencido que esse tipo de ação não surtirá efeito. O Brasil quer explicações, e cabe ao Senado Federal e à Câmara dos Deputados interpretarem o sentimento da sociedade brasileira.

É para isso que estamos aqui. Não estamos aqui para nomear gente no governo, não estamos aqui para obter favores do governo. Estamos aqui para garantir, com a nossa ação, a fiscalização dos atos do governo. E as denúncias que chegam são extremamente graves e têm que ser investigadas.

 

Sobre líder do PT ter dito que a oposição quer quebrar a Petrobras para privatizá-la.

Acho que ninguém deu maior contribuição para quebrar a Petrobras até agora do que o PT. Na verdade, o PT, que fez essa ameaça de privatização lá atrás, entregou a Petrobras a interesses privados. Nunca houve uma administração tão danosa à empresa como esta que aí está. A Petrobras se transformou na empresa não financeira mais endividada do mundo, quadruplicou o seu endividamento. Teve mais uma vez a sua nota de crédito rebaixada. Atrasa pagamento de fornecedores. Perdeu credibilidade no mercado internacional. Não somos sequer a maior empresa da região. Perdemos para a colombiana. E perdemos mais da metade do nosso valor de mercado. A Petrobras perdeu pela ação temerária do PT mais da metade do seu valor de mercado. O que queremos é reestatizar, devolver a Petrobras para os brasileiros. Fazer com que a Petrobras se submeta ao interesse do país e não mais aos interesses de um partido político, não mais a grupos de interesse, grupos de pessoas que dentro da Petrobras fizeram negócios absolutamente condenáveis.

 

Sobre a possível indicação de parlamentares da base para a relatoria e presidência da CPI.

A tradição da Casa é que haja o compartilhamento do comando das comissões. A presidência ficando com a base e a relatoria com as oposições, ou vice-versa. Mas a base tem maioria. Mas não há maioria que impeça as investigações. Vamos ocupar as vagas que nos forem, do ponto de vista proporcional, de direito. Vamos reivindicar sim o compartilhamento do comando da CPMI, esse seria um gesto do governo de que não teme a investigação. O simples fato de o governo querer ocupar a presidência e a relatoria já é uma demonstração de covardia, de medo em relação àquilo que pode ali ser apontado ou ser esclarecido, mas vamos estar na CPI e não há quem segure as investigações, por uma razão que sobrepõe a todas as outras. A sociedade vai cobrar. A Petrobras é patrimônio de todos os brasileiros, construída há mais de 60 anos, e está sendo aniquilada por uma gestão temerária, que atende a interesses de grupos, a interesses privados e, infelizmente, não ao interesse do Brasil.

 

Sobre a presidente da Petrobras, Graça Foster, ter declarado em entrevista que desconhecia a existência de comitê da Petrobras envolvido na compra da refinaria de Pasadena.

“Eu não sabia” é o que mais ouvimos do governo em todos os momentos. Isso é, inclusive, herdado do governo anterior. Não é adequado que uma presidente, que conhece a companhia como conhece, a presidente Graça (Foster), por quem tenho enorme respeito pessoal, minha conterrânea, dê uma desculpa como essa. Isso assusta a todos. Porque, para mim pessoalmente, ela, ali, ainda era, ou é, um dos pilares que impede que esse assalto aos cofres da Petrobras seja ainda maior.

Ela é uma mulher de bem. Mas ela perdeu a capacidade de comandar. Acho que as forças que estão no seu entorno são tão poderosas, e mandam tanto, que chegou a esse cúmulo. De haver um comitê que ela própria desconhecia definindo o destino de milhões e milhões de dólares da companhia. Está aí o problema com a refinaria japonesa, essa questão de Abreu e Lima. Quer dizer que fazemos uma planta, investimos quase US$ 18 bilhões em uma planta para refinar boa parte de petróleo venezuelano, que é mais pesado do que o nosso, portanto uma planta com outro custo, maior do que seria para refino do petróleo brasileiro? Em determinado momento, simplesmente, a Venezuela dá um adeus e fala: “Não. Estou fora.” Que salvaguardas [temos]? Qualquer companhia, por menor que seja, que faz um investimento conjunto tem salvaguardas se o outro sair do empreendimento. Não. Está tudo certo e agora o ônus é só da Petrobras? Não.

Infelizmente o PT trata as empresas públicas como se fossem suas, como se fossem suas propriedades. Isso tem que parar, isso tem que acabar no Brasil.

 

Sobre ação do governo para controlar a CPI.

Vergonhosa. A simples ameaça, que espero que não tenha efeito, é uma violência contra a dignidade do Parlamento. Aqui no Senado estão homens e mulheres que têm uma história de vida, têm serviços prestados, têm satisfação a dar à sociedade brasileira. Não acredito que nenhum senador que colocou a sua assinatura nessa comissão de inquérito vá tirá-la. Mas apenas essa movimentação no submundo da política por parte de lideranças do governo de que vão tirar, de que vão tirar nos últimos 5 minutos, mostra o desespero de um governo que vive, a meu ver, seus estertores. Para o bem do Brasil.