Aécio Neves – Entrevista em Campina Grande
O candidato à Presidência da República e presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista nesta sexta-feira (28/06), em Campina Grande (PB). Aécio Neves falou sobre a visita à Paraíba, definição do vice, gastos com a Copa e Nordeste.
Leia a entrevista do senador:
Sobre visita a Paraíba.
Em primeiro lugar, quero dizer da minha alegria de chegar novamente a Campina Grande, no momento em que esse São João, que é um orgulho, não apenas da Paraíba, não apenas do Nordeste, mas de todos os brasileiros, se realiza. Estou muito feliz de estar aqui ao lado do meu companheiro irmão Cássio Cunha Lima, futuro governador do estado, ao lado do Romero e de inúmeras lideranças que nos acompanham numa caminhada que já se inicia buscando encontrar um caminho novo para o Brasil. De eficiência, de decência na vida pública. E tenho dito sempre que, na nossa plataforma, ou nas propostas que vamos estar discutindo e apresentando aos brasileiros, todas elas se iniciarão com um capítulo para o Nordeste brasileiro. Mas, dessa vez, unindo duas questões em falta hoje no plano central, no governo federal: decência e eficiência.
Portanto, terei sempre, na construção desse programa para o Brasil, o olhar do meu companheiro Cássio e de inúmeras lideranças da região, como o senador Cícero também, meu colega. Estou muito feliz de estar aqui. Já vim a Campina inúmeras vezes, mas é a primeira vez que venho a Campina no São João. Estou doido para comer uma carne de sol, quero ver se você vai me apresentar uma aí mais tarde.
Sobre definição do nome do candidato a vice.
Vamos resolver na segunda-feira. Estou esperando que a construção de São Paulo, por envolver figuras centrais do partido, se dê com naturalidade. E a grande vantagem do PSDB é que temos nomes fora e dentro do partido altamente qualificados para nos ajudar nessa caminhada.
Mas o que eu percebo, e venho agora de Teresina, é que há um sentimento crescente, mesmo, de cansaço, de enfado, em relação a tudo isso que está aí, às promessas sempre reeditadas e jamais cumpridas, um desapreço para com os municípios brasileiros, a ausência de políticas efetivas para melhorar a qualidade da saúde pública, a omissão criminosa do governo federal na questão da segurança.
Enfim, há um conjunto hoje de obras inacabadas, abandonadas. Eu digo sempre que o Brasil é um cemitério de obras abandonadas por toda parte. E obras que seriam essenciais para minorar as dificuldades, os dramas por que passa, por exemplo, a população da Paraíba, mas não é só da Paraíba, como a transposição do São Francisco, que era para ter sido entregue em 2010, hoje já gastou-se o dobro do que se previa inicialmente, e a obra está na metade ainda.
Acho que essa incapacidade do governo de planejar e de realizar custa muito caro ao cidadão brasileiro. Infelizmente, teremos um governo que será entregue ao futuro governo pior do que a presidente recebeu – a verdade é essa – com crescimento pífio da economia, que impacta nos empregos, com inflação voltando a atormentar a vida das famílias brasileiras, do trabalhador, da dona de casa, da trabalhadora, e é para enfrentar tudo isso que estamos iniciando essa caminhada com muita alegria – e é bom que ela seja feita dessa forma – e não há lugar melhor para que essa alegria convirja do que estar aqui em Campina Grande, na festa de São João.
Sobre gastos excessivos com estádios da Copa.
Houve falta de planejamento. Porque a grande questão, o grande legado que várias partes do mundo, países que realizaram a Copa do Mundo e grandes eventos internacionais buscam usufruir, são os legados de mobilidade, investimentos da rede hospitalar, e nada disso aconteceu no Brasil. Os estádios ficaram prontos, em alguns estados será difícil encontrar alguma utilidade para esses estádios. Mas eu torço para que a Copa se realize de forma adequada, que os resultados venham, e eu torço para que o Brasil tenha duas grandes vitórias. Uma em campo, sendo novamente campeão do mundo, e outra dia 5 de outubro, iniciando um novo ciclo de desenvolvimento no Brasil. Porque o Brasil merece essas duas vitórias.
O vice pode ser do Nordeste?
Existe alternativa sim. O mais importante do que de onde seja o vice é o que a nossa campanha, a nossa proposta significa para o Nordeste. Como disse, pretendemos fazer, na primeira semana de agosto, o lançamento de um amplo programa na região Nordeste brasileira, trazendo para cá um choque de infraestrutura. O que eu quero dizer? Vamos ver as obras que estão no meio do caminho, inconcluídas, prioritariamente. Quais são aquelas outras que, essencialmente, contribuem para a melhoria da competitividade, enfim, dos vários produtos que aqui na região são produzidos. Vamos ver aquelas medidas que, do ponto de vista social, têm o maior alcance. O que vamos ter é um governo que planeje, não um governo que viva do improviso como existe hoje no Brasil.
Portanto, vamos ter a oportunidade de iniciar as discussões do nosso programa de governo pelo Nordeste. E cito o exemplo do que fiz no meu Estado. Governei Minas por oito anos, Minas tem um Nordeste, para muito orgulho nosso e para o Estado, no nosso território, onde vivem cerca de 4,5 milhões de mineiros nos Vales do Jequitinhonha, do Mucuri, do Norte de Minas. E quando terminei o meu oitavo ano de governo tínhamos investido nessa região três vezes mais por cidadão do que tínhamos investido nas regiões mais ricas do Estado.
Então, tratar de forma diferente as regiões que são diferentes é uma forma de diminuir as diferenças. E é o que vamos fazer, podem ter certeza que o Nordeste, a Paraíba em especial, pelos compromissos que tenho com as principais lideranças, pelo conhecimento permanente que tenho dos dramas por que passa a Paraíba em especial através do meu companheiro Cassio Cunha Lima, podem ter certeza que faremos um governo que vai honrar e orgulhar a cada um daqueles que caminham conosco.
Qual será a participação do senador Cássio na sua campanha?
Total. O Cássio, repito, é um dos amigos mais próximos que tenho. Tenho uma admiração pessoal pelo Cássio que vai além da política e Cássio terá um papel decisivo não apenas na nossa campanha na Paraíba, no Nordeste, mas também no nosso governo. Tenho com ele, compromissos de investimentos importantíssimos no Estado que, durante a campanha, vamos detalhar. Repito, Cássio é vice-presidente do partido, quem me substitui na presidência do partido. E isso por si só já é uma demonstração clara da confiança por Cássio que, na minha avaliação, é um dos mais completos e preparados homens públicos da nossa geração.
Aécio Neves – Entrevista sobre o PSDB e o encontro com o governador Eduardo Campos
Em entrevista para a imprensa, o senador Aécio Neves falou, hoje (30/08), em Campina Grande (PB), sobre o PSDB, o encontro realizado na noite de ontem com o governador Eduardo Campos, sobre as eleições de 2014 e a viagem a Campina Grande.
Leia a entrevista completa:
Sobre programa do PSDB
Estamos mostrando o Brasil como ele é. Vejo muita gente dizendo: “Eu mudei o Brasil para você”, “O governo tal mudou o Brasil para você.” Que nada, quem muda o Brasil são pessoas no dia a dia. Nossa intenção é essa, mostrar o Brasil real, sem maquiagem. Digo sempre, e fui governador do meu Estado, Minas Gerais, por oito anos, que o estado, em primeiro lugar não pode atrapalhar. Se o governo não atrapalhar já está fazendo um favor. Se puder ajudar, melhor ainda. Então o que tenho dito? Que o governo tem que dar educação de qualidade, saúde de qualidade, garantir segurança para as pessoas cresçam e empreendam.
Sobre o encontro com o governador Eduardo Campos
Conversamos sobre o Brasil. O governador Eduardo Campos é hoje também presidente do PSB e, eu, presidente do PSDB, são partidos que têm projetos distintos, mas temos muita convergência em relação a eficiência na gestão pública, uma gestão da economia muito mais rigorosa do que a atual, inclusiva na questão do controle da inflação, temos uma visão comum em relação à necessidade de fortalecermos os municípios e os estados. O governo do PT fragiliza a cada dia os municípios e os estados. Isso é muito ruim para o cidadão, que não mora não União, o cidadão mora na cidade, mora no município. Então conversamos muito sobre o Brasil, e vamos continuar conversando. Acho que é isso que as pessoas esperam de nós. Políticos que, independente de estarem no mesmo partido ou no mesmo projeto, têm a capacidade de pensar, juntos, coisas boas para o Brasil.
Essa convergência pode firmar em uma aliança do PSDB com o PSB?
O PSDB e o PSB têm alianças em vários estados do Brasil. Inclusive aqui tem uma aliança. Tem uma aliança no meu Estado. Mas a eleição de 2014, o quadro das alianças formais, vai ser decidido lá na frente. Não tenho dúvida de que, dependendo do resultado eleitoral, vamos estar juntos, seremos parceiros na construção de um novo modelo pro o Brasil. Esse ciclo que está aí, que teve virtudes, eu tenho muito respeito pelo trabalho que o presidente Lula fez de expandir os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, mas precisamos ir além. Esse ciclo precisa de um salto de qualidade maior, é isso que nós queremos fazer. Acredito muito que o Brasil pode continuar crescendo, mas com um governo mais transparente, mais eficiente.
Sobre definição de candidatura do PSDB e ex-governador José Serra
Meu papel hoje em varias regiões do Brasil, e hoje em Campina Grande, eu faço como presidente nacional do PSDB. A minha responsabilidade nesse momento é reorganizar o partido e apresentar uma proposta ao Brasil. A candidatura vai surgir naturalmente no ano que vem. Minha responsabilidade nesse momento é reorganizar o partido e apresentar uma proposta do partido ao Brasil. Tenho certeza de que não apenas Serra, mas o presidente Fernando Henrique, o governador Geraldo Alckmin, o governador de Minas, Anastasia, e tantas outros, como o senador Cássio, vamos estar juntos. Porque queremos a mesma coisa. Queremos um governo eficiente, um governo com olhar mais generoso para quem mais precisa. Tenho certeza que vamos estar todos juntos.
Sobre senador Cássio Cunha Lima
Cássio é hoje uma das lideranças políticas mais próximas. Ele está nos ajudando a coordenar o programa que vamos apresentar ao Nordeste e desejo a Cássio um futuro enorme, seja novamente como governador da Paraíba, seja como um dos principais coordenadores da nossa caminhada. Ele é quem vai decidir seu futuro. Temos também o companheiro Cícero Lucena, entre tantos outros.