Novos Horizontes

Artigo do governador Antonio Anastasia – Jornal O Globo – 14/08/2013

 

Promover de forma equilibrada o desenvolvimento de um estado com 853 municípios marcados por diferenças socioeconômicas é um desafio e tanto para a gestão pública. Garantir que renda, educação e saúde melhorem continuamente em pequenas cidades de perfil rural – sujeitas até aos rigores da seca – é a maneira mais justa e eficaz de diminuir a desvantagem das populações vulneráveis em relação às que vivem em áreas prósperas e urbanizadas. E fazer isso sem frear a elevação geral da qualidade de vida do Estado torna a tarefa ainda mais complexa. Minas Gerais obteve, entre 2000 e 2010, estas duas grandes conquistas, de acordo com o recente relatório do IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal).

Preparada pelo Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) em parceria com o Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e a FJP (Fundação João Pinheiro), a pesquisa mostrou que Minas não só avançou de IDHM médio (0,624) para alto (0,731), ficando acima da média nacional, como fez isso reduzindo a histórica desigualdade social e regional – resultado não verificado em Estados mais ricos e menores. Podemos comemorar o fato de não termos nenhum município com desenvolvimento muito baixo: eram 213 em 2000! E os ainda classificados com índice baixo são 73 (8% do total), ante 425 no início da década passada. Os demais 92% dos municípios mineiros alcançaram desenvolvimento médio, alto e muito alto.

A distância no IDHM entre a melhor e a pior cidade mineira posicionada no ranking caiu à metade, prova de que as políticas públicas buscaram a equidade de direitos entre os cidadãos, aperfeiçoando e ampliando suas oportunidades de desenvolvimento. Entre as 50 cidades do Sudeste com maior crescimento no IDHM na última década, 48 são de Minas, destacando-se as regiões Norte e Vale do Jequitinhonha, alvos prioritários do programa Travessia, que já beneficiou nos últimos ano 3 milhões de pessoas com investimentos de R$ 1 bilhão. Para reduzir cada vez a mais pobreza, será mantido o foco no conjunto de municípios cujo nível de privação social destoa dos demais. Além disso, é necessário destacar que Belo Horizonte superou os índices de duas capitais do Sudeste, São Paulo e Rio de Janeiro: ao lado de Vitória, está classificada entre as 20 cidades do país com melhor qualidade de vida, atingindo índice muito alto, de 0,81.

No geral, dentre as três dimensões – renda, longevidade e educação – que compõem o IDH municipal, a educação foi o índice que mais cresceu (36%) em Minas Gerais. Ficou acima da média nacional de 0,637 e foi superior também às marcas da maioria dos Estados. Devemos frisar que o IDHM mede escolaridade e frequência, mas não os progressos na qualidade de ensino, verificados por outros indicadores como o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) – em que Minas lidera. Já a expectativa de vida cresceu 10%, atingindo 0,838 (muito alto), quinto melhor do país. A renda no Estado subiu 7,4%, chegando a 0,730. Em dez anos mais do que quadruplicou o número de cidades mineiras com alta renda. Prosperidade que continuaremos a buscar sem trégua.

Mitologia

Os dados da evolução do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) no Brasil entre 1991 e 2010 demoliram, de uma vez por todas, uma das teses mais repetidas pela máquina de propaganda do PT — a de que o partido detém a exclusividade e a primazia do combate à pobreza no país.

A mais recente exposição dessa mitologia está no discurso da presidente da República na saudação ao papa Francisco, em sua chegada ao Rio, quando apontou “extraordinários resultados nos últimos dez anos na redução da pobreza, na superação da miséria e na garantia da segurança alimentar à nossa população”.

Não é o que mostra a comparação do IDHM nas duas décadas cobertas pelo estudo, na qual preponderaram os governos dos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

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