Aécio Neves: A presidente da República não tem noção da gravidade da situação na Petrobras

O senador Aécio Neves disse, nesta quarta-feira (25/02), em Brasília, que a presidente Dilma Rousseff desconhece o real tamanho dos problemas existentes na Petrobras e o impacto negativo que a situação da estatal causa na economia brasileira.

Aécio criticou a declaração dada hoje pela presidente da República sobre o rebaixamento da nota da Petrobras pela agência de classificação Moody’s. Segundo a presidente, o indicador que reduz o  grau de segurança da empresa para aplicações de investidores foi resultado da “falta de conhecimento” por parte da agência.

“A fala da presidente da República hoje é assustadora, pois ela não tem noção da gravidade da situação da Petrobras e das consequências disso para o restante da economia. Podemos estar a passos também do rebaixamento da nota de rattings da própria economia brasileira. Isso é extremamente grave e fruto da irresponsabilidade com a qual a companhia foi conduzida ao longo desses últimos anos. E o impacto da diminuição dessa nota se dá sobre toda a economia em razão da importância da Petrobras para a economia brasileira. Fornecedores estão hoje desempregando e a reação do governo qual é? Achar que está tudo normal”, destacou o senador.

Aécio Neves lembrou que a presidente, na demissão de Graça Foster, teve a chance de sinalizar para o mercado uma correção de rumos na gestão da Petrobras, pondo fim na interferência direta do Palácio do Planalto na empresa. Mas, mais uma vez, Dilma Rousseff errou.

“A presidente teve, a meu ver, uma oportunidade recentemente de conduzir a renovação do comando da Petrobras de forma absolutamente profissional, mas, mais uma vez, preferiu um dirigente, me parece, para protegê-la e proteger o PT de tudo que ocorreu na empresa. A sinalização não foi boa e, infelizmente, quem paga o preço por isso não é apenas a Petrobras, não são apenas seus funcionários dedicados, não é apenas o governo do PT. Infelizmente, pagamos o preço todos nós brasileiros”, disse.

 

Mais pobres

O senador acrescentou ainda que há a perspectiva de que o cálculo do PIB mostre resultado negativo da economia em 2014, que as expectativas para 2015 não são positivas e que a consequência do quadro ruim tende a ser sentido principalmente pela população mais pobre.

“Não são os petistas que pagarão o preço disso, mas sim aqueles cidadãos a quem o PT dizia defender. Os primeiros a serem punidos pela alta da inflação e pela perda do emprego são os mais pobres”, falou.

Aécio Neves ressaltou a contradição no discurso da presidente : “Isso significa, ao contrário do que dizia a campanha da presidente da República, menos comida na mesa do trabalhador”.

Aécio enfatizou também que o PSDB permanecerá na luta pelo combate à corrupção na Petrobras e em outras áreas do governo federal.

Aécio Neves – Entrevista sobre a Petrobras e a CPMI

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista coletiva, nesta quarta-feira (04/02), em Brasília. Aécio comentou a saída de Graça Foster, ressaltando que o seu desligamento tardio da diretoria da estatal trouxe diversos prejuízos para a Petrobras. O senador afirmou, também, que a coleta de assinaturas para a instalação de uma nova CPMI da Petrobras já começou.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre demissão Graça Foster. 
Ao longo desse último ano, a presidente Dilma teve todos os motivos para demitir a diretoria da Petrobras. Seja pela má governança, seja pela corrupção sem limite que tomou conta da companhia. Agora escolheu o único momento em que a presidente Graça Foster falou a verdade. No momento em que ela registra um prejuízo de ativos da Petrobras de mais de R$ 80 bilhões em razão da corrupção. No momento em que, no balanço, a Petrobras assume o prejuízo de obras das refinarias do Ceará e do Maranhão, que não deveriam ter sido iniciadas sequer se os pareceres técnicos valessem alguma coisa no governo do PT. Exatamente no momento em que ela diz a verdade, ela cai. Mas ela não cai porque foi demitida, ela cai porque ficou insustentável a sua permanência.

 

Quais foram os prejuízos dessa saída tardia dela?
Os prejuízos são enormes para a Petrobras. A maior empresa brasileira, a maior petroleira da América Latina é conhecida no mundo como a empresa da corrupção. E a questão vai além dos prejuízos financeiros. A governança da Petrobras inexistiu ao longo desses últimos anos. Obras absolutamente inexequíveis do ponto de vista econômico e financeiro foram realizadas. E o que eu quero afirmar é que nós estaremos instalando uma nova CPMI, e todas as irresponsabilidades e todas as irregularidades que foram cometidas continuarão a ser apuradas. A presidente Graça Foster buscou blindar a presidente da República ao longo de todo esse último ano, mas isso não foi suficiente. Nós vamos investigar quem foram os responsáveis pelos desatinos que comandaram as decisões da Petrobras ao longo desses últimos anos de governo do PT.

 

Uma nova diretoria pode mudar isso?
Certamente, será melhor do que a atual. Mas isso não apaga as irresponsabilidades, os crimes que foram cometidos contra o erário. Eu já dizia isso na campanha eleitoral. A Petrobras, na verdade, se transformou em um grande caixa para financiar um projeto de poder. Como diz a Polícia Federal, uma organização criminosa se instalou no seio da nossa maior empresa para sustentar um projeto de poder. Os responsáveis por isso têm que ser punidos exemplarmente, e é isso que a oposição estará fazendo no Congresso Nacional: exigindo a punição e a responsabilização daqueles que lesaram o patrimônio público.

 

A coleta das assinaturas da CPMI já começou?

Já começou. Na Câmara, já alcançamos, já foi protocolado o requerimento. Estamos colhendo hoje do Senado para buscar uma instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito.

 

O PSDB vai ficar fora da mesa, senador?

Nós vamos discutir isso aqui agora.

Aécio Neves – Sobre a renúncia de Graça Foster

“A queda da presidente da Petrobras Graça Foster não significa que os desvios na Petrobras serão anistiados”,  diz Aécio Neves, em entrevista nesta quarta-feira (04/02). O senador  disse que a oposição trabalha pela instalação da CPMI no Congresso Nacional que investigue a fundo os desvios na estatal.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

“A queda da presidente [da Petrobras], Graça Foster era inevitável. A presidente da República achou que mantendo Graça à frente da Petrobras ela estaria blindada das irresponsabilidades e dos desvios que ocorreram na companhia. A partir de agora, quero afiançar, estaremos instalando a CPMI no Congresso Nacional para que todos os desvios apontados continuem a ser investigados. É importante sim para o Brasil que a Petrobras se recupere. Mas o que assistimos, ao longo desses últimos anos, foi a falta de governança e a falta de responsabilidade daqueles que fizeram nomeações na Petrobras se sobrepondo ao interesse do país. Certamente, a presidente Graça perdeu as condições de continuar à frente da empresa, mas isso não significa que os malfeitos serão anistiados. Ao contrário, vamos investigá-los ainda com maior profundidade.”

 

Ouça a entrevista do senador:

Saída de Graça Foster da presidência da Petrobras

O curioso na saída de Graça Foster da presidência da Petrobras é que depois de mais de um ano fazendo de tudo para proteger a presidente da República, sua amiga Dilma Rousseff, a presidente Graça Foster resolveu falar a verdade e, há poucos dias, admitiu no balanço da empresa, uma perda de ativos de mais de R$ 88 bilhões. No mesmo momento, admitiu um prejuízo de mais de R$ 2,5 bilhões pelo início das obras feitas irresponsavelmente nas refinarias do Ceará e do Maranhão. Falar a verdade não faz bem a ninguém neste governo.

Aécio anuncia coleta de assinaturas para nova CPMI da Petrobras

Em meio aos rumores sobre a saída de Graça Foster da presidência da Petrobras, o senador Aécio Neves afirmou, nesta terça-feira (03/02), que a oposição já iniciou a coleta de assinaturas para criação de uma nova CPMI para investigar a fundo as denúncias de corrupção na estatal.

Ao falar sobre os prejuízos causados pelo escândalo à empresa, Aécio criticou a gestão atual da companhia e defendeu o aprofundamento das investigações no Congresso.

“O problema da Petrobras, além da corrupção, é um problema gravíssimo de governança. Assistimos isso com os prejuízos sucessivos, agravados agora por esses referentes às refinarias iniciadas no Nordeste, que já contabilizam no prejuízo da Petrobras alguma coisa em torno de mais de R$ 2 bilhões. E quem responde por isso? Ninguém? Não. É por isso que já estamos iniciando a coleta de assinaturas para que a nova CPMI seja instalada. Queremos saber quem foram os responsáveis diretos ou indiretos por todas essas irresponsabilidades, além das falcatruas que ocorreram na Petrobras”, disse Aécio Neves em entrevista no Senado.

Ao comentar as informações divulgadas pela imprensa sobre a demissão de Graça Foster, Aécio afirmou que Dilma permitiu que a presidente da Petrobras assumisse o desgaste pela crise na empresa como forma de se defender.

“O que ela fez com a presidente Graça Foster não se faz com um inimigo. Permitiu que ela assumisse um desgaste enorme ao longo desse último período, como se isso pudesse defendê-la ou pudesse de alguma forma anistiá-la das suas responsabilidades. E no momento em que fica insustentável a presidência de Graça Foster, ela anuncia ou pelo menos sinaliza com a sua saída”, criticou o presidente do PSDB.

Presidência da Graça Foster

“A presidente Dilma permitiu que Graça Foster assumisse um desgaste enorme ao longo desse último período, como se isso pudesse defendê-la ou pudesse de alguma forma anistiá-la das suas responsabilidades. No momento em que fica insustentável a presidência de Graça Foster, ela anuncia ou pelo menos sinaliza com a sua saída”, diz Aécio Neves, nesta terça-feira (03/02), sobre possível demissão da presidente da Petrobras.