Para Aécio, PT acerta quando segue a cartilha tucana, mas lamenta demora nas privatizações
O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), disse, neste sábado (23/11), que o PT acerta quando segue a cartilha dos governos tucanos. Em entrevista que antecedeu o Congresso Estadual do PPS, no Rio de Janeiro (RJ), Aécio saudou a realização dos leilões dos aeroportos do Galeão, no Rio, e Tancredo Neves, em Confins (MG). Mas ele lamentou o atraso das concessões em prejuízo da população.
“O aprendizado do PT tem custado muito caro ao Brasil”, disse ele, em entrevista coletiva. “O PT demonizou durante dez anos as concessões e as privatizações. Mas hoje as faz de forma improvisada e atabalhoada”, afirmou o senador.
Em seguida, Aécio acrescentou que: “Quando o PT começa a flexibilizar (os pilares do tripé econômico), como vem ocorrendo agora, o resultado é esse aí: inflação alta, crescimento pífio e perda da credibilidade do Brasil a partir dessa alquimia fiscal”.
O governo promoveu ontem (22) a terceira rodada de concessões de aeroportos brasileiros, assegurando uma arrecadação de R$ 20,8 bilhões. O valor representa um ágio de 251,74% em relação ao mínimo fixado pelo governo, de R$ 5,9 bilhões, segundo o site G1.
O aeroporto do Galeão, foi arrematado por R$ 19 bilhões pelo consórcio Aeroportos do Futuro. Já o de Confins foi arrematado por R$ 1,82 bilhão pelo consórcio AeroBrasil. Os lances mínimos eram de R$ 1,096 bilhão para Confins e R$ 4,828 bilhões para o Galeão.
Ouça trecho da entrevista do senador:
Aécio Neves analisa o resultado do leilão dos aeroportos do Galeão e de Confins
O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, comentou, hoje (22/11), em Goiânia (GO), o resultado do leilão dos aeroportos Galeão, no Rio de Janeiro, e Confins, em Belo Horizonte.
Fala do senador Aécio Neves:
“Em relação aos leilões do Galeão (Rio de Janeiro) e do aeroporto Tancredo Neves, em Confins (Minas Gerais) a grande constatação é de que quando o PT acompanha a agenda proposta pelo PSDB, o PT acerta. O lamentável é que essas concessões venham com dez anos de atraso. Infelizmente, os grandes eventos que teremos no ano que vem não contarão com essas obras sequer iniciadas. O PT, que demonizou a participação do setor privado em aeroportos, portos, rodovias e ferrovias durante toda sua história, se curva à realidade. Pena que com tamanho atraso. Mas, mesmo assim, temos saudar a conversão do PT à agenda da parceria com o setor privado, que está na alma, no cerne, da proposta que o PSDB tem defendido para o Brasil.”
Sonora
Devagar demais
Artigo do jornalista Celso Ming – Estadão – 25/09/2013
Não dá para dizer que o governo Dilma não esteja aprendendo a conduzir as concessões de serviços públicos. Aprendendo está, mas devagar demais e com alguma repetência.
Já se vão 13 meses após o anúncio do programa bilionário de concessões e, no entanto, as falhas de modelagem e de regulação vão se sucedendo. E os adiamentos dos leilões, também. Como se o processo fosse conduzido por amadores.
Por temer mais um episódio de baixo nível de competição das operadoras, o governo acaba de reduzir as exigências para o leilão do aeroporto de Confins, em Minas Gerais. Antes, os concorrentes tinham de ter experiência com a administração de aeroportos de pelo menos 35 milhões de passageiros por ano. Esse número baixou agora para 20 milhões. E, para que mais empresas possam se preparar para a concorrência, o leilão foi adiado de 31 de outubro para 22 de novembro, prazo adicional aparentemente curto.
O governo demorou para entender que o crescimento econômico depende de investimentos maciços em infraestrutura. Como não há recursos públicos nem para 10% do programa, não há saída senão atrair o setor privado, daqui e do exterior. Mas, enrolado em preconceitos ideológicos, partiu travado para as concessões, como se fizesse favor para as futuras concessionárias se topassem contratos sem remuneração satisfatória, sem regras claras e sem eliminar previamente os buracos negros jurídicos. Os fiascos se sucedem, as correções começam a ser feitas, é verdade, mas a baixa velocidade.
Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu em Nova York a existência de problemas e prometeu correções. Mas há razões para acreditar em que o governo continua com a intenção de atrelar o setor privado ao emperramento das instituições públicas. Nas licitações rodoviárias, até agora pretendeu que as futuras concessionárias ficassem excessivamente dependentes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Essa foi a principal razão do fracasso do leilão da BR-262, que liga Minas ao Espírito Santo. As atuais licitações dos trechos ferroviários preveem que os concessionários fiquem na mão da Valec – Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., empresa tão encrencada que deverá ser fechada e substituída, supostamente, por uma instituição mais moderna.
O governo não para de convocar para a ação, com discursos e alguma conversa, o espírito animal dos empresários. Mas o fator desconfiança continua obstruindo o entendimento.
O ex-ministro Delfim Netto resumiu ontem a situação a empresários reunidos em São Paulo para um fórum organizado pela Eurocâmaras: “O governo acha que os senhores são um bando de ladrões e egoístas. E os senhores acham que o governo só pensa em capitalismo com lucro zero. Os dois estão errados”.
Independentemente de quem cuspiu no outro primeiro, o fato é que o País não pode se arrastar. Há muito crescimento e muito emprego em jogo. As coisas ficariam bem mais fáceis se o governo olhasse para o interesse nacional, deixasse de lado dogmas gerados no tempo da guerra fria e se entregasse de uma vez a um choque capitalista, como tem feito, ao menos pragmaticamente, o governo comunista da China.
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Aécio Neves diz que PT deve um pedido de desculpas na questão da privatização dos aeroportos
O senador Aécio Neves disse, nesta quarta-feira (08/02), em Brasília, que o PT deve um pedido de desculpas aos brasileiros e aos candidatos que defenderam os programas de privatização no país, entre eles o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que disputou as eleições presidenciais pelo PSDB, em 2006. Aécio disse que o início do processo de privatização de aeroportos, esta semana, é mais uma contribuição do PSDB ao governo federal.
“Faltou o PT se desculpar com os brasileiros pelo estelionato eleitoral, principalmente no ano de 2006. Se desculpar, em especial, com nosso candidato, o governador Geraldo Alckmin, que foi satanizado por defender privatizações de determinados setores da economia e, ali, foi feita uma enorme injustiça com ele. Na verdade, lamentavelmente, a marca mais vigorosa que fica é essa, a falta de convergência entre o discurso e a prática. Isto serve para inúmeras outras atividades. Estão aí a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Proer, que foram combatidos violentamente pelo PT e, hoje, são pilares importantes na política econômica do Partido dos Trabalhadores”, afirmou Aécio.
O senador disse que o início do processo de privatização dos aeroportos precisa ser comemorado e significa um avanço para o país, mas que a demora na decisão do governo permitiu o caos no transporte aéreo. Aécio Neves reiterou que o PT precisa dar explicações ao país sobre as divergências existentes entre o discurso feito nas campanhas eleitorais e a prática do governo.
“O processo de privatização dos aeroportos, que esperamos possa atender a outras regiões do Brasil, deve ser saudado como um avanço, como uma nova visão do PT. Mas, na verdade, consagra a absoluta desconexão entre o que o PT prega e defende, principalmente em campanhas eleitorais, e aquilo que pratica. O que lamento é que essa decisão tenha vindo com tanto atraso, tenha trazido tantos prejuízos, como traz ainda hoje à população brasileira, com o caos em que se transformaram os principais aeroportos do Brasil. A grande questão que se coloca é esta: O que será que, efetivamente, pensa o PT sobre as mais relevantes questões? É aquilo que interessa aos brasileiros, é aquilo que ele diz na campanha eleitoral ou aquilo que pratica no governo?, questionou Aécio.
Aécio Neves diz que governo federal demorou a privatizar aeroportos
“Há um software pirata em execução no Brasil. Porque o original é nosso, diz Aécio
O senador Aécio Neves (PSDB/MG) afirmou, nesta terça-feira (7/02), em Cascavel (PR), que faltou coragem e decisão ao governo federal para executar a concessão de aeroportos à iniciativa privada. Na visita que fez hoje à feira agropecuária (Show Rural Coopavel), no Paraná, ao lado do governador Beto Richa, Aécio Neves disse que coube ao PSDB as principais iniciativas econômicas hoje praticadas pelo governo do PT.
“Há um software pirata em execução no Brasil. Porque o original é nosso. Quem concebeu essa construção macroeconômica de câmbio flutuante, superávit primário, foi o PSDB. A Lei de Responsabilidade Fiscal, as privatizações, o Proer, que foi fundamental para a solidez do nosso sistema financeiro. E todas essas conquistas, inclusive a maior delas, o Plano Real, foram feitas com a oposição ferrenha do PT. Temos que esperar e até nos alegrar quando as pessoas mudam de posição”, afirmou o senador.
Aécio Neves disse que houve demora excessiva na formalização nos procedimentos para as concessões dos aeroportos. O governo realizou ontem o leilão de privatização dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos, em São Paulo, e o de Brasília. O senador lembrou que, ainda como governador de Minas, em 2005, sugeriu a então ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, o modelo de concessão agora adotado pelo governo.
“Eu levei, acompanhado do então prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, hoje ministro do Desenvolvimento Econômico, à então chefe da Casa Civil, em 2005 ou 2006, a proposta de concessão do metrô da capital do meu Estado, Belo Horizonte, e do aeroporto Tancredo Neves, em Confins. Exatamente o modelo que, depois de toda essa resistência, eles assumem. Fico imaginando o ministro Guido Mantega, quando entrar esses R$ 25 bilhões da concessão de três aeroportos, pensar: por que demoramos tanto tempo para acordar e não assumimos mais essa proposta do PSDB. Teria sido melhor para o Brasil e para o próprio governo deles”, afirmou Aécio.
PPPs
O senador destacou ainda que permanece o atraso do governo na realização de parcerias público-privada (PPPs), que tiveram legislação aprovada desde 2003.
“Sempre houve posição muito ideológica do PT contrário às parcerias público-privadas, as PPPs. Em 2003, o governo federal aprovou a lei das PPPs. Grande discussão no Congresso e anunciada como um marco da administração pública federal pelo governo. Até hoje o governo federal não fez uma sequer”, disse Aécio.
Agronegócio
Aécio Neves alertou para a necessidade de aumento no valor agregado dos produtos brasileiros e de uma maior qualificação da mão-de-obra. O senador também cobrou uma política de estímulo ao agronegócio.
“Não há uma política de médio e longo prazo para estimular o agronegócio e para que ele cada vez mais industrialize os seus produtos no Brasil. Estamos perdendo força na nossa balança comercial nos produtos manufaturados, voltando a ser exportadores de commodities. E ficamos absolutamente vulneráveis, tanto diminuindo a geração de empregos quanto do ponto de vista dos preços internacionais. 95% dos empregos gerados no Brasil nos últimos oito anos foram de até dois salários mínimos. É esse emprego que queremos ou queremos qualificar mais a nossa mão-de-obra? Falta uma política estímulo à qualificação e ao desenvolvimento do setor agropecuário. No dia em que o Brasil compreender que esse é o setor que mais receitas e empregos gera, o Brasil dará um salto muito maior do que tem dado até hoje. E em Cascavel, hoje, vejo um exemplo muito claro do Brasil que dá certo”, disse Aécio.
Coopavel
Realizado anualmente pela Coopavel Cooperativa Agroindustrial, a feira é um evento tecnológico no qual empresas de pesquisa e equipamentos lançam novos produtos e tecnologias. Em sua última edição, mais de 185 mil visitantes acompanharam as apresentações técnicas promovidas. Fundada em 1970, a Coopavel conta com três mil filiados em suas 24 filiais, presentes em 17 municípios das regiões Oeste e Sudoeste do Paraná.
