Entrevista Aécio Neves em Belo Horizonte 28-08-26

“Quero ser muito direto e claro com cada um dos mineiros e das mineiras. Eu havia tomado uma decisão, uma decisão serena, refletida, de me dedicar, nos próximos anos, à recuperação do espaço político do centro do Brasil, através da presidência do PSDB, que exerço hoje.

A partir dessa decisão, que eu, inclusive, comuniquei a toda a Minas Gerais, eu passei a receber todo tipo de apelo, todo tipo de pedido à reflexão para que, nesse momento tão difícil, tão duro, porque passa Minas Gerais, eu, de alguma forma, me dispusesse a cooperar mais ou a participar mais desse processo. Eu quero dizer que depois, sobretudo do desprendimento do PDT e do meu partido, PSDB, da Federação PSDB-Cidadania, eu quero anunciar aqui hoje que mudei de rota.

Mudei de rota com um sentimento muito profundo de responsabilidade com Minas Gerais. São duas as razões fundamentais que me fazem hoje me colocar, mais uma vez, à disposição dos mineiros numa disputa eleitoral.

A primeira e a maior de todas sempre: Minas Gerais. Nós chegamos numa situação quase que inadministrável no nosso Estado. Não aponto aqui o dedo para ninguém, mas eu aponto sim o meu olhar para o futuro. Minas Gerais precisará ter no Senado da República uma representatividade muito maior do que em qualquer outro tempo. E olha que eu já estive lá.

O Senado é mais vital do que nunca para que nós possamos rediscutir a negociação da nossa dívida. É no Senado Federal, por exemplo, que vamos enfrentar uma imposição que já se apresenta como a valorização ou a avaliação dos ativos colocados à disposição do governo federal na negociação do Propag, que naturalmente o Governo Federal buscará subavaliá-los. Se nós não tivermos uma articulação sólida e forte no Congresso Nacional, já começaremos esse debate inferiorizados.

Já pagamos hoje pouco mais de 100 milhões de reais mensais, a partir da negociação do Propag. Em cinco anos, isso vai chegar a 500 milhões! O que é absolutamente impossível de o Estado pagar.

Eu, se eleito senador, no dia seguinte, estarei articulando as bancadas de todos os outros estados, especialmente os dos estados devedores. Vou criar, sim, a bancada no Senado dos estados devedores, para pressionarmos o governo federal para uma negociação mais realista e que respeite a necessidade de Minas continuar investindo na saúde, na educação, na segurança pública.

Repito, fui senador e fui governador de Minas Gerais por dois mandatos. Nunca o Senado foi tão vital, imprescindível à administração de Minas Gerais como é nesse momento.

Portanto, a razão da responsabilidade para com Minas Gerais me faz estar aqui hoje me apresentando como candidato ao Senado.

Mas existe uma segunda razão. Não menos importante. Nós entendemos, e aí a partir de um apelo de lideranças de todo o Brasil, e não apenas do PSDB, mas lideranças mais ao centro, eu acredito que no Senado e presidindo o PSDB, o partido que proporcionalmente mais vai crescer nessas eleições em todo o Brasil, eu acho que eu terei melhores condições de articular, sim, um projeto para 2030 ao centro, realista, um projeto que olhe o Brasil para o futuro, sem extremismos, sem essa radicalização pueril, essa radicalização penosa que tomou conta da política brasileira.

A razão de Minas é a primeira delas. Eu acredito que, com a minha experiência, com a minha trajetória, foi no Senado que eu articulei uma candidatura à presidência da República, que por muito pouco não foi vitoriosa, e o Brasil perdeu muito naquele momento.

É no Senado Federal que eu pretendo rearticular as forças de centro para apresentarmos ao Brasil um projeto transformador, como tentamos apresentar em 2014.

Portanto, eu me coloco nesse momento à disposição dos mineiros e das mineiras. Tenho enorme respeito por todos os candidatos que estão colocados ao Senado, ao Governo, à Câmara nessa eleição. Simplesmente se colocar como candidato já é um gesto de muita coragem e eu cumprimento a todos.

Olho para o lado, não vejo nenhum dos nomes colocados para o Senado adversários meus, nenhum deles, nem aqueles colocados mais à esquerda ou mais à direita.

Nosso adversário maior é a situação, a nossa adversária maior é a situação gravíssima porque passa Minas Gerais e nós temos, independente de partidos políticos, que estar à disposição da solução desses problemas.

Eu não serei o candidato de A, eu não pretendo ser o candidato de B. O que eu quero ser é o senador de Minas Gerais para, qualquer que seja o próximo presidente da República, eu esteja lá, em condições de negociar com ele, de defender em nome dos mineiros os interesses do nosso Estado.

Não posso deixar de dar uma palavra aqui de apreço e de cumprimentos ao nosso candidato Alexandre Kalil ao governo do Estado, que estará ao nosso lado nessa caminhada e que demonstrou na administração de Belo Horizonte, à frente da Prefeitura de Belo Horizonte, a sua capacidade e a qualidade da sua gestão.

Caminharemos todos juntos com um só sentimento: É a hora de Minas.

Não farei uma campanha com críticas, com ataques a quem quer que seja. Vou fazer uma campanha propositiva e estarei pronto para o debate em favor dos interesses de Minas Gerais.

Concluo para estar à disposição de vocês dizendo que não foi uma decisão fácil para mim, foi uma decisão muito refletida. Eu já estive no Senado, já estive na Câmara, fui presidente daquela Casa, já estive à frente do governo de Minas Gerais, portanto, acho que cumpri um papel relevante na política mineira.

Volto ao jogo, volto à disputa eleitoral, por responsabilidade para com Minas Gerais e por ter a consciência de que eu posso sim ajudar Minas a enfrentar e superar suas gravíssimas dificuldades. Que o povo diga o que acha dessa decisão.”

Fotos: Uarlen Valério

Leia a íntegra da entrevista

O Sr. vai embarcar no apoio ao presidente Lula?

Não. Nossas trajetórias não se confundem. Nós respeitamos a trajetória do PDT, a sua opção nacional. Nós estamos fazendo aqui uma opção por Minas Gerais. E é muito bom ter, ao meu lado, o PDT, que dialoga com o atual presidente da República, como eu tenho certeza que terei nessa caminhada também apoiadores que dialogam com outro campo político.

O que eu quero ser, repito, é o candidato de Minas Gerais. É natural que tenham candidatos mais próximos ao presidente Lula e à esquerda, candidatos mais próximos ao bolsonarismo, mais à direita. É legítimo que eles busquem esse espaço. Eu vou respeitá-los sempre, mas, repito, serei o senador de Minas Gerais em condições de dialogar e defender os nossos interesses com qualquer presidente da República que seja escolhido pelos brasileiros.

O que o sr. responde para os eleitores que enxergam a sua aliança com Alexandre Kalil, no mínimo, contraditória?

Eu não acho. A política é a arte de buscar o convívio, é buscar o convívio em torno de projetos comuns. Se estivermos distantes no passado, nada impede que estejamos juntos hoje.

Eu sou da cartilha tancrediana, que dizia que o seu adversário político eventual não precisa ser seu inimigo, porque as circunstâncias da política podem aproximá-los. E essa aqui é uma realidade.

Tenho enorme respeito pessoal pela trajetória do prefeito Alexandre Kalil. Da minha boca jamais saiu qualquer crítica a ele e fico muito feliz de vê-lo com a disposição, com a determinação que está de contribuir com Minas Gerais.

Vamos estar juntos, de cabeça erguida, andando por Minas Gerais. E eu, tenho certeza, de que estamos contribuindo para resgatar a política, a boa política tão em falta, não apenas em Minas, mas no Brasil.

Em 2022 havia o movimento do campo do centro para que você voltasse a disputar o Senado e você acabou disputando a eleição para deputado federal. O que mudou do Senado de 22 para atual?

Olha, eu vou ser muito franco. Eu tinha tomado uma decisão, sincera, uma decisão que eu anunciei ao Brasil inteiro, de que eu me dedicaria à liderança do PSDB, à presidência do PSDB, porque nós estamos reconstruindo, através do PSDB, esse caminho ao centro. Portanto, era uma decisão que já estava tomada.

O surgimento dessa candidatura agora, ou dessa possibilidade, não houve em 1922. Em 1922 não existia essas circunstâncias que hoje me fazem aceitar esse desafio.

Talvez tenha aprofundado no sentimento dos mineiros, não apenas das lideranças políticas, mas da sociedade mineira, a necessidade de um somatório de forças, a necessidade de não perdermos esse momento que estamos vivendo para construir uma bancada muito sólida e forte no Senado.

Vou ser absolutamente sincero. Recebi manifestações de apoio, de estímulo da esquerda e da direita. O telefone não parou nesses últimos dias. Gente com compromisso, inclusive, com candidatura do PT a outros cargos, com candidatura do PL a outros cargos.

É um sentimento de que, já que são dois votos, é possível até que aqueles que têm uma identificação ideológica, num ou no outro campo, possa compreender que é necessário ter alguém que dialogue com os dois extremos. Acho que, nesse momento, essas circunstâncias foram criadas e eu atendo a elas, eu atendo a essa convocação com muita humildade, mas com muita responsabilidade.

Vou andar por Minas Gerais, tentando olhar para o futuro e reunindo as pessoas de bem em torno de um projeto de fortalecimento do nosso Estado.

O que você e o PSDB de hoje representam de diferente daquele PSDB de 2014?

O PSDB é o partido que talvez tenha feito as mais importantes transformações com as quais nós convivemos hoje, na nossa contemporaneidade. Não há em nenhum momento ou em nenhuma região do país alguém que não se lembre de alguma medida tomada nos governos do PSDB, seja a estabilização da moeda com o Plano Real, seja a Lei de Responsabilidade Fiscal que botou ordem à gastança desenfreada.

Seja o SUS, cujo implementador mais importante é o deputado Carlos Moscone, nosso candidato a vice-governador na chapa com o Kalil. A modernização da nossa economia, a privatização do setor de telecomunicações, de mineração.

Tudo isso veio da lavra do PSDB. Em 2014, nós tentamos interromper o ciclo do PT para retomar a agenda de mudanças. Não fui feliz na eleição. Eu acho que ali o Brasil pegou uma encruzilhada equivocada que nos trouxe a essa radicalização que estamos vivendo aqui hoje.

O PSDB de hoje, ele vem revigorado, porque ele se escora de alguma forma, se ampara nas realizações do nosso passado, na coragem que nós demonstramos de fazer o que fizemos com uma visão de futuro, daquilo que é necessário, os investimentos em tecnologias, a utilização da inteligência artificial em benefício das pessoas, seja na saúde, seja na educação; uma política externa pragmática em defesa dos interesses brasileiros e não com esse viés ideológico que temos vivido, não apenas nesse governo, mas nos últimos governos.

Uma proposta que seja liberal na economia, mas que seja inclusiva no campo social, esse é o PSDB, um partido do centro.

Eu tenho absoluta convicção que vamos viver, nessas eleições, daqui a cerca de 40 dias, a última eleição extremada, a última eleição radicalizada.

E quero, sim, com a ajuda de Paulo Abi-Ackel e de tantos outros companheiros, de candidatos a governador como Ciro Gomes, como o JHC, como tantos outros, eu quero colocar o PSDB na liderança no Brasil de um projeto para 2030.

Talvez a minha presença no Senado, se eu merecer, claro, a confiança dos mineiros, vai ajudar muito a que o Brasil supere a radicalização e construa um projeto que olhe para frente, não apenas para os lados, como ocorre hoje.

Você falou que é uma candidatura de centro e, em Minas Gerais, para o Senado, existem várias outras de centro e de direita. Isso pode atrapalhar na campanha?

Acho que não, o contrário. Eu não vejo nos outros candidatos adversários – repito que tenho enorme respeito por quem se dispõe a disputar eleições – a democracia se faz com gestos de coragem, e você se colocar como candidato é um gesto de coragem – cada um terá a oportunidade de fazer a sua pregação, dizer aquilo em que acredita, e eu farei a minha olhando para frente, não olhando para os lados.

Os candidatos ao Senado não são meus adversários, eles são pessoas que buscam, à sua maneira, com as suas convicções, defender os interesses de Minas Gerais. Portanto, têm meu respeito.

Vou fazer uma campanha propositiva e dizendo,o que acabei de dizer aqui, que no dia seguinte, se eu for vitorioso nessas eleições, eu vou organizar a bancada da resistência no Senado Federal em apoio aos estados em situação difícil, como é o caso do estado de Minas Gerais.

Tomo essa decisão, e encerro aqui, como um gesto em favor de Minas Gerais, em favor dos nossos valores, da nossa história, mas principalmente em defesa do nosso futuro.

Acho, sim, que, no Senado, com a minha experiência, com as relações que eu construí ao longo de toda uma vida, inclusive já estando lá, posso, sim, ser extremamente útil a Minas e ao próximo governador do Estado na superação das nossas dificuldades.

É isso que me faz estar aqui e dizer a vocês que, a partir de hoje, sou candidato a ser o senador de Minas Gerais.

Entrevista durante Convenção Estadual PSDB/Cidadania – BH – 28-07-26

Convenção Estadual PSDB/Cidadania – Belo Horizonte – 28-07-26

Deputado fala pra gente o que foi discutido na convenção e as expectativas do partido para as próximas eleições.

O PSDB passa por um processo de reconstrução em todo o Brasil. Sairemos muito fortes dessas eleições com seis ou sete candidaturas a governos estaduais, vamos triplicar a nossa bancada na Câmara e voltar ao protagonismo da política nacional. O que queremos é ser a alternativa a esses polos que hoje radicalizam e fazem muito mal à política brasileira. O PSDB, portanto, se prepara para construir um projeto alternativo para o Brasil nas eleições de 2030, mas isso passa pelas eleições também nos estados.

Hoje, consagramos a nossa chapa, a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa e, até o dia 5, a Executiva da Federação, o PSDB-Cidadania, vai definir o seu posicionamento em relação às candidaturas ao governo do Estado. 

Temos conversas com várias correntes políticas de Minas Gerais, mas é preciso que o quadro se consolide para que tomemos uma decisão e as conversas estão a cargo do presidente estadual do partido, o deputado Paulo Abi-Ackel.  Mas eu saio da convenção hoje muito otimista em relação à nossa possibilidade de ampliar nossa bancada na Câmara Federal e, também, ampliarmos bem a nossa bancada na Assembleia Legislativa.

Na pesquisa Quaest que saiu hoje, o senhor aparece na segunda colocação como candidato ao Senado.  Qual foi a expectativa do senhor para essa disputa? 

Em primeiro lugar, eu tenho que agradecer aos mineiros essa demonstração de apreço, de carinho em todas as pesquisas, me colocando realmente como um candidato muito competitivo.  Já estive no Senado, como vocês se lembram, foi onde eu construí uma candidatura à Presidência da República que, infelizmente, não foi vitoriosa e eu acho que nos trouxe para esse momento que estamos vivendo hoje de imenso radicalismo na política.

Tenho conversado com meus companheiros, recebo estímulos por onde ando a essa candidatura, que seria uma forma de reposicionar Minas também no plano nacional, já que nesse último período de governo perdemos qualquer influência nas discussões relevantes para o Brasil. Estou avaliando a possibilidade dessa candidatura com enorme seriedade, mas devo tomar essa decisão de forma amadurecida até o próximo dia 5 de agosto. 

Deputado, a expectativa do senhor para poder fazer deputados estaduais e deputados federais com o PSDB já trabalhou com todo mundo? 

Eu, como presidente nacional do PSDB, asseguro que seremos talvez o partido que mais venha a crescer nessas eleições, com candidaturas competitivas a vários governos do Estado e com a possibilidade de triplicarmos a nossa bancada na Câmara Federal, o que significa que o PSDB, após essas eleições, se colocará em condições de liderar um novo projeto de Brasil longe dos extremos, com a coragem de fazer as mudanças que o país aguarda. Esse é o meu papel. E em relação a Minas Gerais, vamos aguardar até a semana que vem para que o quadro das candidaturas ao governo se consolide, se defina, para definirmos a posição que tomaremos.

Fico muito honrado com as manifestações que recebo, inclusive as pesquisas eleitorais, que colocam o meu nome como muito competitivo para o Senado, como você se lembra, eu já estive lá, foi onde eu construí uma candidatura à Presidência da República, que infelizmente, digo com absoluta franqueza, sem falsa modéstia, infelizmente para o Brasil não foi vitoriosa, porque teria transformado para muito melhor o nosso país, mas eu percebo que há, por parte dos mineiros, um sentimento de retomada do nosso protagonismo também a nível nacional, que a realidade é que perdemos esse protagonismo ao longo dos últimos anos. Estou avaliando com os nossos companheiros e recebo estímulos de toda parte, por onde eu ando, para que disputem essas eleições e essa decisão virá na semana que vem, a partir da consolidação do quadro para o governo do Estado.  

Então, por enquanto, nenhuma informação em relação a visto, por exemplo, de Kalil pelo PDT, alguma coisa sobre o nome dele? 

Temos conversado com várias forças políticas, com vários pré-candidatos e reconheço que existem conversas avançadas com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, mas a decisão do PSDB em relação a participar de qualquer chapa ocorrerá até o final do prazo, no dia 5. 

Portanto, política é assim mesmo. Eu brinco sempre que política é a arte de administrar o tempo e nessas últimas horas, nesses últimos dias, é que as decisões serão tomadas com maturidade e com muita serenidade, pensando naquilo que é melhor para Minas Gerais.

E para finalizar, e o peso de Minas Gerais no cenário nacional?

Temos que resgatar esse papel. Eu governei Minas por oito anos, onde Minas era uma voz muito ativa em todas as questões que diziam respeito à vida dos brasileiros, na questão tributária, na questão previdenciária, nas questões econômicas em geral, na questão da responsabilidade fiscal.

Infelizmente, Minas veio perdendo essa relevância. Portanto, o que hoje me estimula a discutir a possibilidade de uma candidatura, depois de 40 anos de mandatos consecutivos que eu exerço, acho que não existe hoje no Brasil ninguém com um número tão expressivo de mandatos consecutivos, o que me anima é realmente poder contribuir para que Minas volte a ser uma voz de equilíbrio num Brasil tão radicalizado, onde a discussão política se empobreceu tanto.  Mas, repito, essa decisão será tomada com muita calma, com muita serenidade e ouvindo, claro, os meus companheiros de Minas Gerais.

Entrevista após reunião da federação PSDB-Cidadania – Brasília – 26-05-26

Deputado, do que depende na sua decisão, sim, a esse convite feito hoje?

Olha, eu recebi com uma honra enorme essa manifestação tão contundente dos companheiros da Federação PSDB Cidadania, do companheiro Paulinho da Força Sindical, presidente do Solidariedade. Acho que nos clamando a despertar, a nos posicionarmos, a encontrarmos caminhos para apresentar uma alternativa para o Brasil. Sou presidente do PSDB e presidente agora da Federação PSDB-Cidadania e, acredito, que temos uma contribuição muito grande a dar ao país.

Portanto, a partir desse chamamento liderado pelo companheiro Roberto Freire, vamos avançar nas conversas, não apenas com partidos políticos, mas também com partidos políticos, mas na sociedade, com aqueles que estão, como eu, indignados e angustiados com a precariedade das opções que estão hoje colocadas. Agora, é hora de conversa. Política é, sobretudo, conversar, ouvir, para que nós percebamos se há espaço realmente para a construção desse caminho.

Não gosto de chamar de terceira via, porque eu não vejo nos outros dois uma via que nos leve ao futuro. Portanto, eu chamo de a via. Quem sabe nós possamos construir essa via, esse caminho de transformação para o Brasil. Portanto, agora é hora de reflexão, de conversas e, nas próximas semanas, conjuntamente, a Federação vai tomar uma decisão. Não me coloco nesse instante, eu preciso deixar isso muito claro, como pré-candidato à Presidência da República, mas eu me coloco como um brasileiro indignado com o que vem acontecendo com o Brasil e otimista em relação à possibilidade que nós possamos ter de construir um caminho diferente.

O Sr. é um político experiente, e o tempo é curto, você acha que dá para ter viabilidade em uma pré-candidatura lançada agora?

Olha, política é a arte de administrar o tempo. Temos que ouvir, temos que esperar ver como é que as coisas caminham. O quadro vem se alterando com uma certa rapidez, né? Vejo o quadro ainda com alguma instabilidade. O que eu tenho certeza absoluta é que somos capazes de apresentar um projeto transformador para o Brasil, liberal na economia, inclusivo no campo social, responsável na área fiscal, ousado nas reformas que precisam atingir todos os poderes e reconectarmos o Brasil com o mundo, com o mundo desenvolvido, com a política externa pragmática que defenda os nossos interesses e não os nossos aliados ideológicos, como aconteceu no Brasil nos últimos tempos, nesse e no último governo.

Portanto, estou muito honrado com essa manifestação. Não tenho uma data para tomar uma decisão e ela vai depender fundamentalmente do apelo, da resposta que setores importantes da sociedade brasileira e do mundo político derem a essa iniciativa que, por si só, já vai fazer parte da minha história, do meu currículo, do presidente Roberto Freire, do presidente Alex e dos companheiros do PSDB.

Esse eventual prejuízo na candidatura de Flávio Bolsonaro em relação ao caso Vorcaro pode abrir uma possibilidade para o senhor atrair o voto da direita?

Olha, não penso nessa construção buscando atingir ou atacar quem quer que seja. Quero olhar para frente, quero olhar para o futuro. O Brasil perdeu muito tempo olhando para os lados. É claro que os brasileiros vão estar dizendo se esse ou aquele candidato merece a sua confiança. Não é essa a questão, para mim, central. Se alguém vai se desgastar mais, se alguém vai se desgastar menos. O que eu quero ver é se eu tenho realmente capacidade, e eu não sei se a tenho, se eu tenho capacidade para construir um projeto viável. Repito o que disse ontem: Se vocês me perguntarem se eu tenho disposição de liderar um projeto transformador para o Brasil, eu digo que sim. Se vocês me perguntarem se eu estou preparado para construir esse projeto, eu digo que sim. Me preparei toda a minha vida durante esses 40 anos de mandato. Agora, se vocês me perguntarem se isso é viável, é vocês que vão dizer. É o tempo que vai dizer e é o reflexo que estamos fazendo hoje aqui na sociedade que vai nos levar a uma decisão. Não preciso ser candidato à Presidência da República para contribuir com o Brasil na superação dessa polarização.

Portanto, vamos continuar aqui trabalhando, conversando, sobretudo ouvindo. E quem sabe isso pode significar a possibilidade da construção da via, do caminho que tenho certeza grande parte dos brasileiros ainda aguarda que seja construído.

Deputado, em Minas Gerais o PSDB e a federação tende mais para Alexandre Kalil ou para Gabriel Azevedo?

Olha, o companheiro Paulo Abi-Ackel que é o nosso presidente regional do partido, tem tido conversas com todas essas forças. Tenho um respeito enorme pelo Gabriel. Gabriel começou conosco no PSDB, é um idealista, é alguém que, certamente, vai ainda contribuir muito para com a Minas Gerais, para com o Brasil. É um talento nato, vive lá também as suas angústias, as suas dificuldades.

Conversei também recentemente com o ex-prefeito Kalil, todos me estimulando muito uma candidatura minha ao Senado, mas agora eu tenho que recuar um pouco nessa questão mineira, deixar que o deputado Paulo Abi-Ackel, que é o presidente do partido, conduza essas conversas para eu me concentrar na responsabilidade, na missão que me foi dada hoje aqui.

Ouvir a sociedade dentro e fora dos partidos políticos e chegarmos à conclusão de que é possível ou não construir esse caminho, porque o nosso planejamento era para prepararmos a federação para os desafios de 2026.

Sobrevivemos de forma muito vigorosa nessa janela partidária, crescemos com o trabalho dos companheiros da Federação, do Adolfo em especial, do Paulo, o partido cresceu. Portanto, se prepara para voltar a ter um papel relevante, decisivo nas grandes questões nacionais.

Mas o projeto estava se encaminhando para a construção disso pelos próximos quatro anos com o exaurimento, com o cansaço, com a fadiga, que já é grande e vai ser ainda maior dessa polarização. Mas o que estamos vendo hoje é uma nova manifestação e essa nova manifestação vai me levar a uma profunda reflexão. Obrigado.

Entrevista durante encontro do diretório do PSDB-RS – Porto Alegre – 05/02/26

Sobre PSDB

O Brasil está inundado de partidos pragmáticos que vivem a lógica de aumentar o fundo partidário, com isso aumentam suas bancadas, aumentam mais ainda os fundos partidários, para depois apoiar qualquer governo, seja de esquerda, seja de direita. O PSDB optou pelo caminho mais difícil, de construir um projeto para o Brasil. Então, isso faz com que, mesmo com menos parlamentares que nós já tivemos lá atrás, estejamos hoje muito mais Unidos.

Estamos recebendo adesões no Nordeste, no Centro-Oeste, na região Central, na região Sudeste e sairemos dessa janela fortalecidos. Mas vamos ultrapassar 30 parlamentares federais eleitos nas próximas eleições, alguns governadores, e queremos voltar a apresentar um projeto para o Brasil. Por isso, estou aqui muito feliz com o que estou vendo. Temos uma pré-candidatura colocada do prefeito Maranata, que tem muita determinação, tem uma administração muito bem avaliada no seu município e vai mostrar isso no estado do Rio Grande.

Muitos mandaram coroa de flores para o PSDB, acreditando nas nossas exéquias. Não. O PSDB volta forte porque o Brasil precisa do PSDB.

Qual a importâncias desse encontro no Rio Grande do Sul e também no restante do país. Qual é a importância de fazer esse tipo de reunião e qual a sua expectativa para as eleições desse ano?

Olha, o PSDB É um partido que o Brasil conhece. O PSDB não é uma novidade. O PSDB tem uma história, as principais transformações ocorridas no Brasil nas últimas décadas tiveram ali a ação do PSDB em todas as áreas, não apenas na economia, mas também nas áreas sociais.

E nós estamos nos reencontrando com quadros antigos que, de alguma forma, já tinham saído do partido, e estão voltando, acreditando nesse novo momento. Mas isso só acontece falando com as pessoas.

O prefeito Maranata, nosso pré-candidato a governador, tem uma agenda de encontros regionais no Estado, outros pré-candidatos nossos estão fazendo isso em outros Estados e nós, logo após o fechamento da janela partidária, faremos uma grande reunião em Brasília com os novos filiados, com as novas adesões, para aí sim, partirmos para a campanha eleitoral com o discurso na questão nacional unificado.

Obviamente, os discursos regionais sempre têm que ter o seu espaço, as questões locais são muito relevantes, cada estado vai tratar das suas questões, mas é importante que quando alguém votar no candidato do PSDB, saiba em quem está votando. É no partido que tem um projeto no Brasil. O Brasil é o partido da responsabilidade fiscal, é o partido do pragmatismo na política externa, é o partido do desenvolvimento econômico, da administração das desigualdades sociais, então é um partido que tem a cara do que o Brasil precisa.

Sobre a volta à presidência nacional do PSDB

Eu só voltei à presidência do partido porque acredito que vamos construir um novo projeto presidencial em pouco tempo.

Há algumas especulações sobre as candidaturas gaúchas ao Senado. O PSDB deve lançar algum candidato gaúcho ao Senado?

Nós temos hoje colocada a pré-candidatura do prefeito Maranata ao governo e várias candidaturas à Câmara e à Assembleia, em especial do deputado Daniel Trzeciak caberá à direção estadual, presidida pelo governador Moisés construir, a nossa chapa. Essa é uma autonomia que a direção nacional dá aos Estados. Então, essa construção da chapa majoritária caberá ao governador Maranata, caberá à Executiva estadual.

Com relação aos candidatos presidenciáveis, o PSDB já tem alguma definição de quem apoiará?
O PSDB é adversário histórico do PT. Nós nunca nos identificamos com o PT. Ao contrário, ao longo de 30 anos, combatemos o governo, como diz o Maranata, da gastança, da gestão pouco qualificada, que a meu ver vem atrasando o Brasil.

Queremos buscar um caminho ao centro. Nós não nos identificamos também com a pauta de costumes, de valores, de setores mais radicais do bolsonarismo, principalmente quando ameaçam a democracia. Então nós temos tempo ainda para tentar construir um caminho ao centro. Eu tenho conversado com diversas lideranças políticas, inclusive de outros partidos, e acho que ainda vai ter movimentação nesse quadro partidário. O PSDB quer caminhar ao centro apresentando um projeto longe dos extremos.
O que eu tenho dito, existe vida inteligente longe dos extremos e nós viemos aqui para provar isso.

Entrevista após posse como presidente nacional do PSDB

Brasília – 27-11-25

Sobre quadro nacional

O PSDB se prepara para voltar a ser protagonista da política nacional. A ausência do PSDB no centro de debate político nos últimos anos fez muito mal ao Brasil. Vemos hoje que não há espaço para a agenda que interessa aos brasileiros. Vivemos uma agenda da polarização política que só interessa aos extremos. Chego à presidência do partido que já ocupei há alguns anos atrás, quando construímos uma candidatura à presidência da República que, infelizmente, não foi vitoriosa e, de lá para cá, acho que o Brasil cometeu equívocos sucessivos, mas nós voltamos com a mesma disposição de dizer ao Brasil que existe caminho inteligente ao centro, fora dos extremos. Nós temos que permitir que uma parcela da população que vem votando não, não a um extremo, aí vota no outro, e não a esse e vota naquele, acaba votando contra o Brasil. Não podemos mais continuar buscando o menos pior. O PSDB vem para apresentar um projeto para o Brasil, um projeto liberal na economia, inclusivo do ponto de vista social, pragmático nas relações externas, sem alinhamento ideológico, que preza a responsabilidade fiscal como instrumento adequado de gestão pública, que estimula portas de saída para emancipar os dependentes hoje dos programas sociais que, inclusive, foram criados inicialmente por nós. O Brasil está precisando de uma agenda real. O PSDB vem com essa ambição, com esse propósito de apresentar essa agenda ao Brasil. É ao centro, o centro que dialoga com os extremos, mas que não perde tempo nessa luta fratricida que só interessa eleitoralmente àqueles que dela fazem parte.

Candidatura do PSDB à Presidência

O PSDB tem o dever, nesse momento, de se reorganizar para retomar o seu espaço no Congresso Nacional, essa é a nossa primeira prioridade. Mas temos o dever, nossa responsabilidade, de trabalhar para construir uma candidatura viável de centro, que enfrente o atual governo e que permita que os problemas reais dos brasileiros voltem a ser debatidos, porque isso não está acontecendo. O que se debate hoje a favor da anistia é contra um, é contra outro. O Brasil é muito maior que Lula e Bolsonaro juntos. Então, o nosso primeiro esforço é na construção de uma candidatura ao centro que não precisa, necessariamente, ser do PSDB, mas, se não surgir, se as candidaturas colocadas representarem os extremos, o PSDB deve ter a responsabilidade de se preparar até mesmo para apresentar uma candidatura presidencial.

Esse centro pode ser Tarcísio?

Vai depender fundamentalmente dele, com quais propostas ele venha. Se ele vem apenas representante do bolsonarismo é muito difícil que seja uma alternativa para nós. Mas nós não colocamos um veto primário, um veto antecedente para quem quer que seja. Vamos conversar com todas aquelas candidaturas que se disponham a virar essa página que agora se encerra com o cumprimento de prisão daqueles que atentaram contra o Estado Democrático de Direito e não vamos permitir que nas eleições essa agenda seja levada para a campanha porque ela não interessa mais aos brasileiros.
Eu sou filho, eu sou neto da democracia. Atentar contra o Estado Democrático de Direito é um dos maiores crimes que se possa cometer. Os processos avançarem não cabe a mim julgar se a pena foi excessiva ou não é. Cabe a mim dizer: a decisão da Justiça tem que ser cumprida. Vamos virar essa página. O PSDB está aqui para dizer: vamos debater a continuidade da reforma tributária, seu aperfeiçoamento. Vamos debater a questão da educação, da segurança pública, esse tema tão adiado pelo PT ao longo de décadas. É isso que espera o Brasil de nós. Nós viemos para nós para qualificar o debate político e não fechamos porta para nada, nem para uma candidatura presidencial ao centro.

O senhor é contra a anistia?

A anistia não existe. A anistia é inconstitucional. Esse é um assunto que interessa aos extremos. Trazer essa pauta. É uma pauta fora da realidade do Brasil. O Supremo Tribunal Federal já disse de forma absolutamente clara que crimes contra a democracia, golpe de estado, atentado contra o Estado Democrático de Direito não são passíveis de anistia, portanto, sequer discuto isso. Isso não vai acontecer. Vamos discutir o Brasil real. Esse é o papel, essa é a contribuição que nós do PSDB temos a dar.

O PSDB apoiaria o Tarcísio?

Vamos ver com quais propostas ele se apresenta. Ele é governador de São Paulo. Tem de ser respeitado como tal. Se ele incorporar uma pauta de centro, com muitas das ideias que nós defendemos…Não há no Brasil hoje nenhuma transformação estrutural que não tenha sido originada pelo PSDB e pergunto quais são as do atual governo do PT ? Eu não conheço quais são as do bolsonarismo, eu não conheço. Quais são as do PSDB. Estão aí o SUS, a telefonia celular, as privatizações, a Lei de Responsabilidade Fiscal, a estabilidade da economia com o plano real. Essas são conquistas definitivas, então temos autoridade para dizer: nem um, nem outro. E acho que a maioria da população brasileira já compreende que não deve ou não se identifica já com um extremo nem com outro. Vamos ocupar o nosso espaço central na política brasileira.

Vários partidos prestigiaram a sua convenção. Isso significa uma aliança no futuro?

Política é feita de gestos, de sinais. Esta é uma lição que eu trago de casa, lá de Minas, de muito cedo. A presença de partidos da centro-direita, líderes de partidos da centro-esquerda, acho que é uma constatação de que estamos no lugar certo. Nós estamos no centro. Nós temos a capacidade de dialogar mesmo com os extremos, mas nós somos o único partido, o PSDB, que não se curvou a nenhum deles, que não participou de governo Bolsonaro e muito menos do governo Lula. Esse é um ativo político que temos que ressaltar e isso nos permite dialogar, mas dialogar sobre o que? Sobre a pauta dos extremos? Não. Me nego a fazer isso. Dialogar sobre o Brasil sobre os problemas reais do Brasil. Então, estamos aqui, como poderia dizer o meu antigo amigo colega governador da Califórnia “I’m back”, o PSDB está de volta.

Então se o Bolsonaro apoiar o Tarcísio, o senhor não apoia o Tarcísio?
Eu não posso questionar os apoios que o Tarcísio eventualmente venha a ter. Eu quero saber o que significa a candidatura de Tarcísio. O que ela oferece para o Brasil. Não há um veto prévio. Se for simplesmente representar a pauta bolsonarista, ele deixa de ser uma candidatura de centro. Se ele quiser discutir conosco problemas reais do Brasil eu sou o primeiro a estar disposto a sentar na mesa para discutir isso.

Sobre a cláusula de barreira, o PSDB vai insistir na fusão com o Podemos?

O PSDB vai disputar as eleições como está e vamos ultrapassar com muita folga a cláusula de barreira. Essa já não é mais uma preocupação nossa. Vamos receber muitas filiações de parlamentares agora na janela partidária, vindas de vários campos, possivelmente mais senadores, muitos deputados federais e estaduais. O PSDB vai vir forte nessa eleição e vai ocupar, pelo bem do Brasil, o seu papel de protagonista da política brasileira.

Discurso de posse como presidente do PSDB


Brasília – 27-11-25

Inicio saudando o nosso líder maior, querido amigo Fernando Henrique Cardoso, nosso Presidente de Honra e referência permanente dos valores e princípios norteadores da grande transformação do Brasil contemporâneo.
Caríssimo presidente Marconi Perillo, parceiro de todas as horas, a quem homenageio com um justo reconhecimento coletivo, pela jornada complexa e exaustiva desses anos. Trabalho que preservou a representação da social-democracia brasileira no quadro partidário nacional.
Caros membros do Diretório Nacional, companheiros de jornada nesses tempos tão difíceis.
Senhores parlamentares e dirigentes partidários, que nos honram com suas presenças nesse evento carregado de simbolismo.
Aproveito a oportunidade para também cumprimentar e agradecer à valorosa equipe do ITV, instituição que tive a honra de presidir nos últimos anos, e que se transformou em instrumento essencial de qualificação do posicionamento, das ideias e das propostas do PSDB.
Caros tucanos que nos acompanham pelas redes, espalhados por todo este imenso país.
Meus amigos,
Minhas primeiras palavras são de sincera gratidão à renovada demonstração de confiança e apreço que recebo neste momento, de cada um de vocês.
Mais uma vez, honrado, aceitei esta impositiva convocação, por entender o papel relevante do PSDB, nesse trecho tão estranho e obscuro da história nacional.
Sabemos todos que, com as circunstâncias atípicas deste momento político, poderíamos ter caminhado na direção de escolhas mais fáceis e confortáveis.
Resistimos a todas elas não por qualquer demérito das proposituras ou dos proponentes, mas porque soou mais forte, dentro de cada um de nós, o chamado da responsabilidade: o dever de não fraquejar e de jamais desistir.
Isso, apesar das perdas substantivas de quadros eleitos no último pleito nacional pela bandeira do PSDB, seduzidos pelas suas próprias circunstâncias.
Mas isso não nos abalou. Nascemos na adversidade.
Nos anos de 1988/89, saímos quase todos de partidos que governavam nossos Estados e o país para acreditar no sonho de construir no Brasil um partido político que defendia o parlamentarismo. Que acreditava na responsabilidade fiscal e na gestão eficiente como instrumentos essenciais à diminuição das desigualdades que ainda hoje nos assombram.
Não, não nos acovardamos diante do chamamento de Franco Montoro, que nos convidava, naquela época, a nos colocarmos “longe das benesses do poder e próximo ao pulsar das ruas”. Atendemos todos a essa convocação.
Ver companheiros valorosos fazendo hoje o caminho inverso nos entristece, mas não nos esmorece.
Não nos esmorece porque permanecem vivos, dentro de muitos de nós, os mesmos valores e princípios daquela época, e aquela velha chama da esperança que fizeram, há quase quarenta anos, nascer o PSDB, em pleno processo Constituinte.
Caras amigas e amigos
Nós, tucanos, compartilhamos um sentimento hoje cada vez mais raro na política: a crença em um ideário poderoso que nos foi legado pela dignidade de homens públicos da estatura de Mário Covas, de Franco Montoro, de José Serra, de José Richa, Euclides Scalco e Pimenta da Veiga, dentre tantos outros que nos ajudaram a escrever esta longa e inconfundível trajetória.
É um gigantesco legado consumado definitivamente sob a reformadora presidência de Fernando Henrique Cardoso.
Nos orgulhamos em constatar que governos do PSDB se tornaram ao longo do tempo paradigmas de boa e ousada governança, reconhecidos até mesmo pelos nossos mais ferrenhos adversários.
De tão marcantes, de tão emblemáticos e de tão transformadores, foram capazes de alterar o curso da história e mudar o destino do Brasil moderno.
Por tudo isso, o PSDB não é apenas este que aqui hoje está, em pleno processo de retomada e reconstrução.
Para onde quer que se olhe nesse imenso Brasil do nosso tempo, lá estará o PSDB. Está nas boas práticas de governo, nas políticas públicas mais avançadas. Basta lembrarmos aqui da estabilidade da nossa economia com o fim da inflação, o SUS, as privatizações que conectaram o Brasil ao mundo, a responsabilidade com o dinheiro público e com as causas sociais.
Desse ponto de vista, permito-me homenagear uma vez mais o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Não apenas como inspiração permanente que nos guia, mas especialmente como uma vibrante luz lançada sobre o obscurantismo que se abateu, irremediavelmente, sobre a política nacional nestes tempos tão difíceis.
Toda essa obra grandiosa se espalha por inúmeros outros estados e municípios brasileiros. Poderia falar de São Paulo, Minas, Ceará, Paraná, dentre tantos outros. Mas eu quero destacar nesse instante o vizinho estado de Goiás, Marconi, e as políticas inovadoras implementadas no seu governo quer inspiraram todo o Brasil.
A verdade, meus amigos e minhas amigas, é que fomos todos atropelados pela tragédia da polarização ideológica que se abateu sobre o Brasil e eu tenho o dever de fazer aqui uma reflexão sobre essa questão.
Essa polarização, nos últimos anos, sequestrou, de forma impiedosa, a racionalidade e o equilíbrio nas discussões sobre o Brasil. Não cabe aqui uma análise mais aprofundada das circunstâncias políticas que nos imobilizaram e que criaram as condições para que o povo brasileiro se tornasse refém dessa polarização estéril.
Mas é impossível não mencionar o efeito danoso da irresponsável criminalização generalizada da atividade política ocorrida no país há alguns anos.
Manifesto aqui a minha solidariedade aos companheiros tucanos e de outros partidos que, assim como eu, foram covarde e injustamente acusados por atos jamais praticados. Companheiros que, assim como eu, foram absolvidos de todas as irresponsáveis acusações de que foram vítimas.

Meus amigos, presidente Hugo, esse capítulo da nossa história ainda há de ser devidamente contado. Muito ainda há de ser dito e os interesses ocultos naqueles tempos sombrios, definitivamente revelados.
Amigos, amigas, a história do PSDB, acima de tudo, é uma história de coerência. De coerência e respeito enorme pelo Brasil. De coerência de quem jamais se negou, por exemplo, a apoiar políticas públicas que fossem benéficas ao país, vindas elas de onde viessem, de governos de esquerda ou de direita.
Mas a verdade é que assistimos, nos últimos anos, a política brasileira perder uma de suas mais valiosas qualidades: a capacidade de dialogar, d construir, de buscar consensos em torno do que interessa, em torno das das grandes causas nacionais.
Mas devemos reconhecer, e faço isso aqui de público, que o PSDB cometeu erros. Mas, dentre eles, o maior deles foi não ter defendido com o vigor e a coragem necessários, os avanços promovidos quando governamos o país. E hoje aqui estamos. E estamos onde sempre estivemos. E somos o que sempre fomos – a voz responsável do centro democrático, vocacionada a superar conflitos sob a inspiração do interesse nacional. E, assim, estamos prontos para voltar a construir pontes, onde só há tensão, onde so há enfrentamento.
É hora, amigos e amigas, de radicalizarmos ao centro. Vamos dizer aos brasileiros, de cada parte desse imenso Brasil, que há vida inteligente, comprometida com o país, fora dos extremos.
E que o Brasil não merece continuar a pagar a conta desta guerra interminável que nos amesquinhou e tenta reduzir a quase nada a imensa dimensão do povo brasileiro.
Não merecemos ser o país onde adversários viram inimigos irreconciliáveis. Onde famílias se fragmentam. Até mesmo porque sabemos que essa luta fratricida tem sido alimentada por uma perversa lógica eleitoral.
Nas próximas eleições, não podemos nos conformar em escolher o caminho menos pior. Hoje, já é possível constatar que grande parte dos brasileiros não se sente representada pelos extremos que têm polarizado a política brasileira nos últimos anos.
A maioria está cansada dessa confrontação inútil e interminável e busca alternativas para a solução dos graves problemas estruturais que se eternizam no país.
Aí está, meus amigos, aberta a avenida da pacificação nacional que devemos percorrer com confiança, coragem e determinação. É com esses brasileiros que precisamos voltar a conversar. Voltar a dialogar.
Temos a obrigação de agir para desobstruir o diálogo nacional, hoje anêmico e fragilizado.
E nesse momento, faço aqui uma homenagem ao presidente Hugo Motta. Já me sentei, presidente, naquela cadeira. Sei da sua relevância. Sei dos conflitos permanentes que Vossa Excelência tem que arbitrar, mas quando o vejo sentado na Presidência da Câmara dos Deputados, vejo um homem público completo, maduro, preparado e equilibrado para nos guiar para superarmos as dificuldades enormes que ainda temos.
Quero aproveitar e saudar a presença do companheiro amigo Pedro Campos, líder do PSB. Muito obrigado pela sua presença. Leve ao prefeito João Campos as minhas homenagens e sempre a minha homenagem do meu querido amigo e companheiro de trincheiras distintas, mas do mesmo sonho, Eduardo Campos, com quem tive a oportunidade de conviver junto na minha atividade política.
Mas para o PSDB, o compromisso com a democracia está na raiz da nossa própria existência. Sobre a sua antítese – a ditadura – é preciso repetirmos, todos os dias, com todas as letras, em alto e bom som, aquelas definitivas palavras de doutor Ulysses na histórica promulgação da Carta Cidadã brasileira: “Sobre a ditadura, temos ódio. Ódio e nojo!” Esse é o PSDB.
Portanto, promover a reconciliação nacional, tendo como base a preservação do estado democrático de direito, é tarefa urgente a um país dividido e convulsionado.
Senhoras e senhores, infelizmente, temos hoje um governo que atua apenas na direção dos seus próprios interesses. E peço licença a alguns líderes aqui para expor, de forma muito clara, o sentimento do PSDB. S eo governo vem nos expondo ao risco futuro das mesmas turbulências a que já nos expôs no passado, quando nossa economia enfrentou a pior recessão da história, causada por um governo que transformou as contas públicas em ferramenta para vencer as eleições. Me refiro ao ano de 2014.
É absolutamente crucial retomar, dentre outras, a discussão sobre a qualidade do gasto público. Mas não apenas isso. Há muitos outros grandes desafios a serem enfrentados. Vivemos em um país em que os índices de miséria e pobreza continuam a agredir nossas consciências diariamente.
É assim, porque não há, na minha visão, eu já discuti lá atrás, esforço contínuo e estrutural para alargar as portas de saída dos atuais programas sociais, com uma perspectiva de efetiva e transformadora mobilidade social.
Isso ocorre porque temos um governo que prioriza a administração diária da pobreza quando devem estar buscando a sua definitiva superação. Mais recentemente a discussão sobre segurança pública sempre adiada pelos sucessivos governos do PT, reduziu-se a uma guerra de narrativas onde sobrou muito pouco espaço para uma discussão aprofundada sobre os efeitos das medidas propostas na vida real das pessoas, principalmente aquelas que vivem sitiadas e sequestradas pelo crime organizado.
E, no Congresso, o PT, ao final, incompreensivelmente, votou contra o projeto em grande parte construído pelo próprio governo. Mas, como a avaliação era de que a proposta já não trazia dividendos eleitorais ao partido, o melhor a fazer era derrotá-la.
É o velho PT. O mesmo que se negou a apoiar Tancredo Neves no Colégio Eleitoral para colocar fim a 21 anos de ditadura no país. O mesmo PT que votou contra a Constituição de 1988, que votou contra o Plano Real ou que votou contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.
O mesmo PT, que sempre que teve que escolher entre o Brasil e o PT, escolheu o PT. E, no recente debate de segurança pública não foi diferente. Velhas práticas, senhoras e senhores, não constroem um novo país.
É nosso dever, no próximo pleito geral, denunciar o imobilismo e a leniência do estado nacional e o flagrante esgotamento da agenda governista. Vamos defender ou voltar a defender as causas nacionais que sucumbiram, anêmicas, à sanha das agendas extremistas e aquelas meramente eleitorais.
É também a hora de alertar o país para o aqui, para o agora. Os desafios do clima, da insegurança alimentar no mundo e da transição energética global estão colocados à nossa frente de forma irreversível. Precisamos enfrentar esses temas para, mais uma vez não titubearmos diante da possibilidade de o Brasil finalmente dar o esperado salto para o futuro.
Não aquele futuro tantas vezes prometido e frustrado pela inépcia e miopia dos que nos conduziram, não me refiro ao governo apenas, a bordo dos seus interesses. Mas falo um novo, de um possível futuro que juntos podemos construir. Esse futuro esmurra insistentemente a nossa porta, à espera de gestos de verdadeiro patriotismo. Está à nossa frente. O Brasil que queremos, podemos e merecemos ser.
Termino essa minha manifestação, meus amigos e minhas amigas, renovando minha determinação pessoal que, tenho certeza, é a mesma de inúmeros companheiros de todo país que aqui hoje estão, e de lideranças de outros partidos que aqui estão, das dificuldades para recolocar o PSDB no centro das grandes discussões nacionais estão sendo superadas. Devemos muito aos presidentes que me antecederam.
Vamos voltar, líder Pedro, a dialogar com todos aqueles que, como você, querem tirar o Brasil do imobilismo e da letargia e que querem construir um tempo em que os interesses dos brasileiros se coloquem à frente dos interesses eleitorais seja de quem for.
Esse a meu ver deve ser o nosso mais urgente e mais decisivo passo.
Já fizemos antes, é hora de trocar aquilo que nos distancia por aquilo que nos aproxima e une, tendo como condicionantes inescapáveis, as causas reais do povo brasileiro.
Precisamos nos despir das vaidades e da arrogância pretensiosa dos falsos heróis, para fazer o que o Brasil espera de nós. E, por fim, me permitam terminar lembrando algumas as sábias palavras do meu avô Tancredo que, estou certo, ainda ecoam na alma de muitos brasileiros. Dizia ele àquela época, senhor presidente, por favor, que “Pátria é tarefa coletiva e diária. Ninguém fará por nós o que é nosso dever fazer.” Conte conosco, vamos juntos. O Brasil é um só e é de todos nós. Que Deus nos ilumine!