Deputado, do que depende na sua decisão, sim, a esse convite feito hoje?
Olha, eu recebi com uma honra enorme essa manifestação tão contundente dos companheiros da Federação PSDB Cidadania, do companheiro Paulinho da Força Sindical, presidente do Solidariedade. Acho que nos clamando a despertar, a nos posicionarmos, a encontrarmos caminhos para apresentar uma alternativa para o Brasil. Sou presidente do PSDB e presidente agora da Federação PSDB-Cidadania e, acredito, que temos uma contribuição muito grande a dar ao país.
Portanto, a partir desse chamamento liderado pelo companheiro Roberto Freire, vamos avançar nas conversas, não apenas com partidos políticos, mas também com partidos políticos, mas na sociedade, com aqueles que estão, como eu, indignados e angustiados com a precariedade das opções que estão hoje colocadas. Agora, é hora de conversa. Política é, sobretudo, conversar, ouvir, para que nós percebamos se há espaço realmente para a construção desse caminho.
Não gosto de chamar de terceira via, porque eu não vejo nos outros dois uma via que nos leve ao futuro. Portanto, eu chamo de a via. Quem sabe nós possamos construir essa via, esse caminho de transformação para o Brasil. Portanto, agora é hora de reflexão, de conversas e, nas próximas semanas, conjuntamente, a Federação vai tomar uma decisão. Não me coloco nesse instante, eu preciso deixar isso muito claro, como pré-candidato à Presidência da República, mas eu me coloco como um brasileiro indignado com o que vem acontecendo com o Brasil e otimista em relação à possibilidade que nós possamos ter de construir um caminho diferente.
O Sr. é um político experiente, e o tempo é curto, você acha que dá para ter viabilidade em uma pré-candidatura lançada agora?
Olha, política é a arte de administrar o tempo. Temos que ouvir, temos que esperar ver como é que as coisas caminham. O quadro vem se alterando com uma certa rapidez, né? Vejo o quadro ainda com alguma instabilidade. O que eu tenho certeza absoluta é que somos capazes de apresentar um projeto transformador para o Brasil, liberal na economia, inclusivo no campo social, responsável na área fiscal, ousado nas reformas que precisam atingir todos os poderes e reconectarmos o Brasil com o mundo, com o mundo desenvolvido, com a política externa pragmática que defenda os nossos interesses e não os nossos aliados ideológicos, como aconteceu no Brasil nos últimos tempos, nesse e no último governo.
Portanto, estou muito honrado com essa manifestação. Não tenho uma data para tomar uma decisão e ela vai depender fundamentalmente do apelo, da resposta que setores importantes da sociedade brasileira e do mundo político derem a essa iniciativa que, por si só, já vai fazer parte da minha história, do meu currículo, do presidente Roberto Freire, do presidente Alex e dos companheiros do PSDB.
Esse eventual prejuízo na candidatura de Flávio Bolsonaro em relação ao caso Vorcaro pode abrir uma possibilidade para o senhor atrair o voto da direita?
Olha, não penso nessa construção buscando atingir ou atacar quem quer que seja. Quero olhar para frente, quero olhar para o futuro. O Brasil perdeu muito tempo olhando para os lados. É claro que os brasileiros vão estar dizendo se esse ou aquele candidato merece a sua confiança. Não é essa a questão, para mim, central. Se alguém vai se desgastar mais, se alguém vai se desgastar menos. O que eu quero ver é se eu tenho realmente capacidade, e eu não sei se a tenho, se eu tenho capacidade para construir um projeto viável. Repito o que disse ontem: Se vocês me perguntarem se eu tenho disposição de liderar um projeto transformador para o Brasil, eu digo que sim. Se vocês me perguntarem se eu estou preparado para construir esse projeto, eu digo que sim. Me preparei toda a minha vida durante esses 40 anos de mandato. Agora, se vocês me perguntarem se isso é viável, é vocês que vão dizer. É o tempo que vai dizer e é o reflexo que estamos fazendo hoje aqui na sociedade que vai nos levar a uma decisão. Não preciso ser candidato à Presidência da República para contribuir com o Brasil na superação dessa polarização.
Portanto, vamos continuar aqui trabalhando, conversando, sobretudo ouvindo. E quem sabe isso pode significar a possibilidade da construção da via, do caminho que tenho certeza grande parte dos brasileiros ainda aguarda que seja construído.
Deputado, em Minas Gerais o PSDB e a federação tende mais para Alexandre Kalil ou para Gabriel Azevedo?
Olha, o companheiro Paulo Abi-Ackel que é o nosso presidente regional do partido, tem tido conversas com todas essas forças. Tenho um respeito enorme pelo Gabriel. Gabriel começou conosco no PSDB, é um idealista, é alguém que, certamente, vai ainda contribuir muito para com a Minas Gerais, para com o Brasil. É um talento nato, vive lá também as suas angústias, as suas dificuldades.
Conversei também recentemente com o ex-prefeito Kalil, todos me estimulando muito uma candidatura minha ao Senado, mas agora eu tenho que recuar um pouco nessa questão mineira, deixar que o deputado Paulo Abi-Ackel, que é o presidente do partido, conduza essas conversas para eu me concentrar na responsabilidade, na missão que me foi dada hoje aqui.
Ouvir a sociedade dentro e fora dos partidos políticos e chegarmos à conclusão de que é possível ou não construir esse caminho, porque o nosso planejamento era para prepararmos a federação para os desafios de 2026.
Sobrevivemos de forma muito vigorosa nessa janela partidária, crescemos com o trabalho dos companheiros da Federação, do Adolfo em especial, do Paulo, o partido cresceu. Portanto, se prepara para voltar a ter um papel relevante, decisivo nas grandes questões nacionais.
Mas o projeto estava se encaminhando para a construção disso pelos próximos quatro anos com o exaurimento, com o cansaço, com a fadiga, que já é grande e vai ser ainda maior dessa polarização. Mas o que estamos vendo hoje é uma nova manifestação e essa nova manifestação vai me levar a uma profunda reflexão. Obrigado.
