“Sem equilíbrio das contas públicas não há saída para o Brasil”, diz Aécio

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, voltou a defender, nesta segunda-feira (12/09), a aprovação de medidas, pelo Congresso, que permitam ao Brasil sanear as contas públicas e reencontrar o caminho do crescimento econômico e da geração de empregos. Em entrevista no STF, onde participou da cerimônia de posse da ministra Cármen Lúcia na presidência do tribunal, Aécio Neves reiterou que, sem o equilíbrio das contas públicas, o país continuará mergulhado na crise econômica.

“Nós não iremos colocar o Brasil no rumo do crescimento, da recuperação, do emprego, sem dias difíceis pela frente. Então, é hora de investirmos no convencimento do Congresso, dos vários partidos da base, para a absoluta necessidade e urgência desse conjunto de reformas que começa a ser discutido. Esse não pode ser um ano perdido no segundo semestre. Apesar das eleições, temos que avançar, seja na votação final, que eu acredito possível, da PEC do teto dos gastos públicos, mas também avançando na discussão da PEC da reforma previdenciária”, ressaltou o senador Aécio.

O presidente nacional do PSDB afirmou também que essas medidas já deveriam ter sido tomadas há anos, mas foram adiadas em prejuízo do país.

“É preciso que fique bem claro que essas reformas – que já eram necessárias a um Estado moderno – hoje se tornaram inadiáveis, imprescindíveis e absolutamente urgentes. Se hoje o Brasil tem um quadro social calamitoso, com 12 milhões de desempregados, com 60 milhões de brasileiros endividados, com cerca de 10 milhões de famílias voltando às classes D e E, é por conta da irresponsabilidade, da leniência e do projeto de poder que orientou as ações dos governos petistas sucessivos”, criticou.

O senador voltou a se posicionar contra a proposta, em tramitação no Congresso, que reajusta os salários pagos pelo STF, que provocará impactos diretos na folha de pagamento de todo o funcionalismo público também nos estados.

“Somos contra desde o primeiro dia que tramita esta proposta, mas não é em relação ao Judiciário, ao Supremo Tribunal Federal. Somos contra aumento, sobretudo aqueles que levam os estados juntos. Que tenham este efeito cascata nos estados, numa hora em que precisamos é do inverso. Precisamos é de controle de gastos, de equilíbrio. Sem equilíbrio das contas públicas não há saída para o Brasil”, reiterou.

Ministra Cármen Lúcia

O senador falou com os jornalistas na saída da cerimônia de posse da ministra Cármen Lúcia Antunes da Rocha na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). Na entrevista, Aécio Neves destacou a trajetória da ministra mineira e afirmou que o Brasil vai se orgulhar da gestão dela à frente da Suprema Corte.

“Acho que a ministra Cármen Lúcia tem o perfil, a tradição, o espírito mineiro da grande conciliação e, ao mesmo tempo, a coragem para fazer as grandes transformações. Portanto, é um momento de festa para Minas Gerais, é um momento de muita alegria para aqueles que acompanharam, como eu, a sua trajetória ao longo dos últimos 30 anos. Acho que o Brasil que não conhece ainda Cármen Lúcia vai se orgulhar muito da mulher presidente do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

Aécio Neves – Entrevista sobre a posse da ministra Cármen Lúcia

Sobre sessão de julgamento de Eduardo Cunha

Eu respondo a tudo isso. Mas antes quero dar uma primeira palavra, como mineiro, da nossa alegria de ver uma mulher, uma jurista, uma cidadã brasileira – na dimensão maior que essa expressão possa conter – assumindo a Presidência do Supremo Tribunal Federal.

A presidência de um Poder no momento em que o Brasil precisa de harmonia. Como foi dito aqui, em um dos discursos: a independência tem que vir acompanhada da harmonia entre os Poderes. E depois do momento difícil por qual passou o Brasil há poucos dias, acho que a ministra Cármen Lúcia tem o perfil, a tradição, o espírito mineiro da grande conciliação e, ao mesmo tempo, a coragem para fazer as grandes transformações.

Portanto, é um momento de festa para Minas Gerais, é um momento de muita alegria para aqueles que acompanharam, como eu, a sua trajetória ao longo, pelo menos, dos últimos 30 anos. Acho que o Brasil que não conhece ainda Cármen Lúcia vai se orgulhar muito da mulher presidente do Supremo Tribunal Federal.

E em relação ao Cunha?

É uma decisão que a Câmara haverá de tomar, tomará dentro de poucas horas, e esse desfecho precisa ocorrer. Assim como o Brasil precisava ver virada a página do impeachment, precisará ver virada agora essa página. O que me preocupa, e falo como presidente nacional do PSDB, é a agenda que teremos pela frente. Uma agenda que não será de facilidades. Mas nós não iremos colocar o Brasil no rumo do crescimento, da recuperação, do emprego, sem dias difíceis pela frente.

Então, é hora de investirmos no convencimento do Congresso, dos vários partidos da base, para a absoluta necessidade e urgência desse conjunto de reformas que começa a ser discutido. Esse não pode ser um ano perdido, agora, no segundo semestre. Apesar das eleições, temos que avançar, seja na votação final, que eu acredito possível, da PEC do teto dos gastos públicos, mas também avançando na discussão da PEC da reforma previdenciária. A partir de ontem é hora de botar mãos na massa e entregarmos um Brasil diferente no final desse ano, enfrentando com coragem, com determinação, as dificuldades que se colocarão à nossa frente.

O ex-presidente Lula disse que é contra a reforma trabalhista, e disse que os protestos vão continuar por isso.

É preciso que fique bem claro que essas reformas – que já eram necessárias a um Estado moderno – hoje se tornaram inadiáveis, imprescindíveis e absolutamente urgentes pelo que os sucessivos governos do PT fizeram com o país. Se hoje o Brasil tem um quadro social calamitoso, com 12 milhões de desempregados, com 60 milhões de brasileiros endividados, com cerca de 10 milhões de famílias voltando às classes D e E é por conta da irresponsabilidade, da leniência e do projeto de poder que orientou as ações dos governos petistas sucessivos, inclusive do ex-presidente Lula. Basta hoje você ver o que está acontecendo com o Brasil e o que está acontecendo com outros países ao nosso redor, ou mesmo em outras regiões do mundo.

Achei muito curioso a ex-presidente Dilma dizer que soube da crise no final das eleições e que em 2015 fomos varridos ou fomos levados por uma crise internacional. O Brasil cresceu menos 4% em 2015. O mundo cresceu mais de 3%. Países dependentes de commodities, e ela acusa as commodities e a queda dos preços das commodities como a razão do aprofundamento da nossa crise. O Chile, que cresceu 3% naquele ano, vá ao Peru, que cresceu 2,5%. Nós crescemos menos 4%. Então, a crise pela qual passa o Brasil hoje é tupiniquim, é uma jabuticaba aqui inventada pelos governos do PT. Mas temos de ter a coragem necessária para tomar as medidas que o Brasil aguarda para tirar o país da crise e recuperar, principalmente, o emprego dos brasileiros

Em relação ao aumento dos salários do STF, se vota hoje?

Acho que não. Somos contra. Acho que não vota nada hoje. Acho que aquela pressão que havia está diminuindo.

Mas a tese do presidente Renan de desvincular o aumento dos ministros do efeito cascata?

Não foi discutida conosco. Somos contra desde o primeiro dia que tramita esta proposta, mas não é em relação ao Judiciário, ao Supremo Tribunal Federal. Somos contra aumento, sobretudo aqueles que levam os estados juntos. Que tenham este efeito cascata nos estados, numa hora em que precisamos é do inverso. Precisamos é de controle de gastos, de equilíbrio. Sem equilíbrio das contas públicas não há saída para o Brasil.

Por isso, é imprópria nesse momento, pelo menos, esta discussão. E acho que já há um convencimento mais amplo do que aquele que existia duas semanas atrás. Vejo setores do PMDB que estavam muito firmes, um pouco já considerando não urgente a votação seja vinculando ou desvinculando.

Aécio Neves – Posse da Ministra Cármen Lúcia no STF


Trechos da entrevista

Sobre sessão de julgamento de Eduardo Cunha

Eu respondo a tudo isso. Mas antes quero dar uma primeira palavra, como mineiro, da nossa alegria de ver uma mulher, uma jurista, uma cidadã brasileira – na dimensão maior que essa expressão possa conter – assumindo a Presidência do Supremo Tribunal Federal.

A presidência de um Poder no momento em que o Brasil precisa de harmonia. Como foi dito aqui, em um dos discursos: a independência tem que vir acompanhada da harmonia entre os Poderes. E depois do momento difícil por qual passou o Brasil há poucos dias, acho que a ministra Cármen Lúcia tem o perfil, a tradição, o espírito mineiro da grande conciliação e, ao mesmo tempo, a coragem para fazer as grandes transformações.

Portanto, é um momento de festa para Minas Gerais, é um momento de muita alegria para aqueles que acompanharam, como eu, a sua trajetória ao longo, pelo menos, dos últimos 30 anos. Acho que o Brasil que não conhece ainda Cármen Lúcia vai se orgulhar muito da mulher presidente do Supremo Tribunal Federal.

E em relação ao Cunha?

É uma decisão que a Câmara haverá de tomar, tomará dentro de poucas horas, e esse desfecho precisa ocorrer. Assim como o Brasil precisava ver virada a página do impeachment, precisará ver virada agora essa página. O que me preocupa, e falo como presidente nacional do PSDB, é a agenda que teremos pela frente. Uma agenda que não será de facilidades. Mas nós não iremos colocar o Brasil no rumo do crescimento, da recuperação, do emprego, sem dias difíceis pela frente.

Então, é hora de investirmos no convencimento do Congresso, dos vários partidos da base, para a absoluta necessidade e urgência desse conjunto de reformas que começa a ser discutido. Esse não pode ser um ano perdido, agora, no segundo semestre. Apesar das eleições, temos que avançar, seja na votação final, que eu acredito possível, da PEC do teto dos gastos públicos, mas também avançando na discussão da PEC da reforma previdenciária. A partir de ontem é hora de botar mãos na massa e entregarmos um Brasil diferente no final desse ano, enfrentando com coragem, com determinação, as dificuldades que se colocarão à nossa frente.

O ex-presidente Lula disse que é contra a reforma trabalhista, e disse que os protestos vão continuar por isso.

É preciso que fique bem claro que essas reformas – que já eram necessárias a um Estado moderno – hoje se tornaram inadiáveis, imprescindíveis e absolutamente urgentes pelo que os sucessivos governos do PT fizeram com o país. Se hoje o Brasil tem um quadro social calamitoso, com 12 milhões de desempregados, com 60 milhões de brasileiros endividados, com cerca de 10 milhões de famílias voltando às classes D e E é por conta da irresponsabilidade, da leniência e do projeto de poder que orientou as ações dos governos petistas sucessivos, inclusive do ex-presidente Lula. Basta hoje você ver o que está acontecendo com o Brasil e o que está acontecendo com outros países ao nosso redor, ou mesmo em outras regiões do mundo.

Achei muito curioso a ex-presidente Dilma dizer que soube da crise no final das eleições e que em 2015 fomos varridos ou fomos levados por uma crise internacional. O Brasil cresceu menos 4% em 2015. O mundo cresceu mais de 3%. Países dependentes de commodities, e ela acusa as commodities e a queda dos preços das commodities como a razão do aprofundamento da nossa crise. O Chile, que cresceu 3% naquele ano, vá ao Peru, que cresceu 2,5%. Nós crescemos menos 4%. Então, a crise pela qual passa o Brasil hoje é tupiniquim, é uma jabuticaba aqui inventada pelos governos do PT. Mas temos de ter a coragem necessária para tomar as medidas que o Brasil aguarda para tirar o país da crise e recuperar, principalmente, o emprego dos brasileiros

Em relação ao aumento dos salários do STF, se vota hoje?

Acho que não. Somos contra. Acho que não vota nada hoje. Acho que aquela pressão que havia está diminuindo.

Mas a tese do presidente Renan de desvincular o aumento dos ministros do efeito cascata?

Não foi discutida conosco. Somos contra desde o primeiro dia que tramita esta proposta, mas não é em relação ao Judiciário, ao Supremo Tribunal Federal. Somos contra aumento, sobretudo aqueles que levam os estados juntos. Que tenham este efeito cascata nos estados, numa hora em que precisamos é do inverso. Precisamos é de controle de gastos, de equilíbrio. Sem equilíbrio das contas públicas não há saída para o Brasil.

Por isso, é imprópria nesse momento, pelo menos, esta discussão. E acho que já há um convencimento mais amplo do que aquele que existia duas semanas atrás. Vejo setores do PMDB que estavam muito firmes, um pouco já considerando não urgente a votação seja vinculando ou desvinculando.

Senado tem o dever de dar uma satisfação para o sentimento das ruas, afirma Aécio Neves

“As ruas do País inteiro, de forma espontânea, vêm se manifestando. Esta Casa tem o dever de ser a ressonância dos sentimentos múltiplos, vários, estratificados por todas as regiões do País, que nós temos colhido durante esses dias”, afirmou o senador Aécio Neves em pronunciamento no Senado nesta quinta-feira (17/03) ao ocupar a tribuna com outros líderes da oposição para avaliar os desdobramentos da posse do ex-presidente Lula como ministro da Casa-Civil, ocorrida esta manhã no Palácio do Planalto.

O senador também comentou a gravidade do conteúdo das gravações, feitas com autorização da Justiça, de ligações telefônicas mantidas entre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff.

Leia, a seguir, trechos do pronunciamento do senador Aécio Neves:

“Hoje não é um dia comum, e não podemos perder a percepção disso. As ruas do País inteiro, de forma espontânea, vêm se manifestando. Esta Casa tem o dever de ser a ressonância dos sentimentos múltiplos, vários, estratificados por todas as regiões do País, que nós temos colhido durante esses dias. Portanto, eu quero sugerir que hoje seria o dia para o Senado Federal, durante todas as horas que se sucederão, e se for o caso, durante o dia de amanhã, debatermos em profundidade, mas com responsabilidade, a gravidade desta crise e os caminhos que esta Casa tem a sugerir, as contribuições que os senadores, experientes que são, muitos governadores de Estado, outros tantos com larga experiência nas mais variadas atividades, não apenas na política. Mas quem sabe, em alto nível, como convém aos belos momentos desta Casa, que tem como patrono Rui Barbosa, quem sabe nós possamos transformar o dia de hoje num dia de um grande debate, duro, como é natural em tempos duros como os que estamos vivendo, mas respeitoso, como é dever desta Casa.

A questão central hoje, e que colho como presidente do PSDB, é que os brasileiros se sentem ultrajados com uma decisão tomada com um sentido que não seria o mais nobre deles, com um sentido explicitado pelas últimas gravações tornadas públicas, que significava a possibilidade de impedir que o ex-Presidente da República – e nada de pessoal contra o ex-Presidente da República – pudesse ter a sua prerrogativa (Fora do microfone.) de foro alterada. Eu não vou adentrar ainda esse tema. Vamos estar aqui, nós da oposição, durante todo o dia. Acho que é importante que a base também esteja – nos reunimos até agora há pouco – para demonstrar ao País a necessidade de, por meio da política, da boa política, das boas formulações da política, apresentarmos para o País um desfecho para esta Crise, que não pode ainda continuar a ser alimentada.

O Brasil merece o início de um novo tempo, de uma nova quadra, para que nós possamos, oposicionistas, governistas, não importa, mas cidadãos brasileiros como um todo, iniciar uma nova história no Brasil, com respeito às instituições, com respeito à Lei e à Constituição, da qual somos todos escravos, mas com a coragem necessária para rompermos com o que está aí e, dentro daquilo que prevê a Constituição, iniciarmos uma nova página, como disse, na história do País. Fica, portanto, esse convite, e nós da oposição estaremos aqui prontos para um debate contundente, mas obviamente no nível que os membros do Senado Federal certamente saberão manter.

Não vou tomar muito tempo deste plenário, neste instante, pretendo voltar ainda à tribuna, e talvez com o senador Paulo Rocha um pouco mais sereno, um pouco mais tranquilo, mas para dizer algo aqui que me parece muito distante das preocupações do senador. Ele nos acusa de ter acirrado os ânimos do país. Teremos nós esta força? Nós da oposição acirramos os ânimos do país? Ou são essas denúncias sucessivas que não cessão, ou são as medidas absolutamente equivocadas, irresponsáveis e atrapalhadas na economia que nos levam a pior recessão da nossa história, um desemprego sem precedentes no Brasil que estão levando as pessoas às ruas. Me acusa o senador Paulo Rocha de, como presidente do PSDB, ter impetrado uma ação na Justiça Eleitoral a partir de inúmeras denúncias que nos chegavam.

O PT fez isso corriqueiramente em inúmeros estados. Se não tivesse cumprido a minha obrigação, e não é o PSDB que produz essas provas, de solicitar ao Tribunal Eleitoral de investigar as denúncias que nos chegavam, eu certamente estaria prevaricando. Mais, se não entro eu com esta ação como presidente do PSDB o Brasil não estaria tendo conhecimento das gravíssimas denúncias que vinculam sim recursos da Petrobras ou do propinoduto ao financiamento da campanha eleitoral. É essencial que o direito à livre e ampla defesa seja garantido. A presidente terá lá todas as condições de demonstrar que essas acusações ou que essas delações são falsas.

Agora o que eu percebo de forma muito clara e essas gravações de ontem trazem tudo isso à luz. Há sim uma tentativa de nivelar aquilo que não é nivelável. Percebi claramente em algumas dessas gravações que vale a pena sim, vamos citar uma, duas, dez, quinze vezes alguma figura independentemente do que isso represente para que quem sabe com isso haja uma pressão explícita como uma dessas gravações coloca em torno do procurador geral da República ou do Supremo Tribunal Federal. Não, temos instituições que funcionam. Que funcionam com independência, que funcionam com altivez. Se eventuais excessos forem cometidos por alguma delas caberá à sociedade reagir a esses excessos. Mas em relação a aquilo que é dito sobre o PSDB, a nossa postura é muito diferente da postura do PT. Não atacamos as nossas instituições, não demonizamos a imprensa. Ao contrário, não consideramos como considera o PT um ataque à democracia.

Queremos que tudo seja investigado em profundidade, não há, para os homens de bem, nada, absolutamente nada mais relevante do que a verdade e é isso que estamos buscando. Não acredito que serão apenas essas as citações a nomes da oposição e ao meu próprio, muitas outras virão e todas serão respondidas de forma cabal, clara, com serenidade, mas com absoluta firmeza. Mas é preciso, que coloquemos nossos olhos no futuro, vamos olhar o que está acontecendo com o Brasil, vamos encontrar caminhos para que o Brasil rompa definitivamente com o que está aí ancorado na Constituição, para construirmos um tempo novo, de convergência e não de divisões.

Quisera ter o poder de mobilizar as massas que ocuparam ontem e no último domingo as ruas do Brasil inteiro. Não tenho! E, se V. Exªs não compreenderam de forma clara o que está acontecendo no sentimento e na alma dos brasileiros, certamente não estarão em condições de contribuir para uma saída que seja de interesse dos brasileiros e dos trabalhadores. Por último, jamais senador Paulo Rocha, quando V. Exª teve seu nome citado no mensalão e depois absolvido, V. Exª jamais teve, desse parlamentar, uma citação que não fosse digna e de respeito. É isso que o PSDB e os tucanos esperam também de V. Exª.”

Aécio Neves – Reunião de Líderes

O senador Aécio Neves reúne líderes da oposição em seu gabinete e decidem ocupar a tribuna do Senado, nesta quinta-feira (17/03), em protestos contra nomeação do ex-presidente Lula na Casa Civil.

Foto: George Gianni

Foto: George Gianni

Vozes de Março

Aécio Neves – Folha de S. Paulo – 14/03/2016

Os brasileiros fizeram bonito neste domingo. De forma pacífica, em centenas de municípios, milhões de pessoas de todas as idades ocuparam as ruas do Brasil para protestar contra o governo e pedir uma solução para a crise em que fomos — e estamos — mergulhados. O grito que ecoou das multidões foi incontestável: basta, não suportamos mais.

Homens e mulheres, famílias inteiras, jovens, idosos e crianças, gente de todas as raças e credos, de cabeça erguida, se irmanaram no sentimento de revolta e indignação contra um governo que esgotou sua capacidade de iludir e mentir. Não dá mais para enganar ninguém: além do fracasso na gestão, há um fracasso ético e moral que arruinou o projeto de poder em curso. É contra este estado de coisas que o Brasil foi às ruas.

Foi uma manifestação de consciência cívica como poucas já vistas no país. É impossível ficar insensível ao grito uníssono contra a corrupção e a gestão calamitosa, contra a mentira e a favor do trabalho independente das instituições brasileiras. Em defesa da democracia e das conquistas que tanto nos custaram em sacrifício e luta.

No momento em que o discurso do radicalismo e da intolerância ameaça conturbar o ambiente social, como óbvia reação aos resultados das investigações da Lava Jato e outras operações policiais em curso, os manifestantes de domingo deram um exemplo de serenidade, maturidade e responsabilidade. Indignação sim, violência nunca.

Precisamos aprender com a mobilização gigante e seguir adiante em busca de saídas para a crise. As vozes de março nos colocam diante de um imperativo histórico: a nação precisa construir uma solução para o impasse em que se encontra. Reencontrar o caminho da confiança e da esperança.

Mais que nunca, o Congresso Nacional tem o dever de dar ressonância a este clamor. A classe política precisa cumprir com responsabilidade seu papel. Neste mar de insatisfações, precisamos ir além de denunciar, criticar e cobrar. Precisamos transformar.

Vivemos um momento único, fértil e de grande convergência em torno de um sentimento de país, que, em plano ampliado, já significa um precioso recomeço. O país que floresce das ruas não pode se perder. Ele precisa nos conduzir adiante.

Não basta encerrar o regime dos escândalos em série e da corrupção institucionalizada. Estão à espera do Brasil desafios de grande envergadura, que demandarão reformas profundas no plano político, econômico, ético, social e do modelo de gestão pública.

É hora de estarmos à altura desse sentimento nacional que clama por mudanças. Com ele – e só com ele – será possível reduzir drasticamente o abismo existente entre a realidade e o sonho dos brasileiros e o país que queremos e merecemos.

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