Aécio Neves defende guerra ao custo Brasil em palestra para empresários em São Paulo

O combate ao elevado peso dos impostos e da burocracia sobre a produção industrial, o chamado custo Brasil, será prioridade no plano de governo do PSDB a ser apresentado aos eleitores durante a campanha eleitoral deste ano, afirmou, nesta quinta-feira (08/05), o presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG).

Durante palestra para empresários na Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo, Aécio defendeu uma agenda positiva para retomar a competitividade não só da indústria, que vive uma das piores crises de sua história, com perda de participação no PIB, mas também para outros setores da economia.

“O custo Brasil inviabiliza a competitividade de qualquer setor da nossa economia. O próximo governo, e espero que seja o nosso governo, tem que decretar guerra absoluta ao custo Brasil. Isso precisa ser perseguido por uma administração que sabe o que quer e não tenha receio de tomar as medidas que sejam necessárias”, afirmou o tucano durante a palestra.

Entre as medidas que avalia necessárias para a retomada da competitividade da indústria nacional, Aécio Neves destacou a simplificação do sistema tributário. O senador anunciou a intenção de criar uma secretaria especial, em um eventual governo do PSDB, para estudar o assunto com sugestões da sociedade.

“Temos de enfrentar a questão da carga tributária de forma realista e verdadeira, em duas etapas. A primeira é a simplificação rápida do nosso sistema tributário, para que possamos abrir espaço para uma diminuição horizontal da carga tributária. Para isso, é preciso a qualificação dos gastos do governo para que haja espaço para a redução”, afirmou ao comentar o aumento crescente dos gastos públicos em detrimento do crescimento das receitas.

Aécio Neves foi o primeiro pré-candidato a presidente a fazer palestra na Abimaq este ano. O encontro foi acompanhado por cerca de 150 empresários e pelo presidente do diretório do partido em São Paulo, deputado federal Duarte Nogueira, pelos deputados tucanos Mendes Thame e Vanderlei Macris, pelo presidente do Partido Solidariedade, Paulinho da Força, e pelo ex-governador e um dos vice-presidentes nacionais do PSDB, Alberto Goldman.

 

Empregos

Para Aécio, a retomada da indústria na recomposição do PIB é fundamental para recuperar os milhares de empregos perdidos no setor. “O mal aos trabalhadores já foi feito. O mal é a perda de competitividade da nossa economia em seus mais variados setores, o mal é a inflação retomando. Não há como a população viver bem se a economia vai mal”, disse numa crítica ao crescimento pífio do PIB no governo da presidente Dilma Rousseff.

 

Redução de ministérios

Aécio Neves também reafirmou o compromisso do PSDB com o corte pela metade do atual número de 39 ministérios criados pelo governo do PT. “Considero esse número um acinte não apenas pelo custo operacional, mas também por achar que um governo não se pode permitir governar com quase 40 ministérios. Temos que cortar isso pela metade”, defendeu o presidente nacional do partido.

 


Iniciativa privada

Aécio também destacou durante a palestra que a saída para a retomada do crescimento da economia brasileira passa por mais políticas públicas que incentivem o investimento privado, com menos intervenção estatal e mais segurança jurídica. O tucano lembrou que o atual governo demonizou durante uma década as parcerias com o setor privado, numa referência às privatizações, e falhou na geração de condições adequadas para que os investimentos pudessem ocorrer.

“Assistimos, ao longo de todo esse período, o distanciamento do governo federal daquilo que seria essencial para a retomada do crescimento em bases sustentáveis. Buscou-se um alinhamento ideológico atrasado e anacrônico com determinados países da nossa região que pouco benefício trouxe para o Brasil”, criticou Aécio Neves.

 

Gestão eficiente

Ao final da palestra, Aécio disse aos empresários que acredita na retomada do crescimento e da credibilidade da economia brasileira. “É possível construir um estado moderno e ágil e desconstruir o sentimento de pessimismo, com compromissos com gestão eficiente, desburocratização e política fiscal transparente. Tenho muita confiança no Brasil. O problema não é o Brasil, o problema é o governo que está aí”, ressaltou o presidente nacional do PSDB.

Estrangeiros projetam PIB de 1,5% para 2014

A forte desaceleração da produção industrial em dezembro anunciada na terça-feira e a recente piora do cenário global surtiram efeito nas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2014. Os economistas de pelo menos dois bancos estrangeiros, o Credit Suisse e o JP Morgan, reviram seus cálculos e projetam agora um crescimento da economia brasileira de apenas 1,5% neste ano.

Trata-se de um corte significativo de projeção das duas instituições que antes estimavam que 2% e 2,1%, respectivamente. O novo patamar é mais pessimista que o consenso de mercado, medido pela pesquisa Focus do Banco Central, que mesmo antes dos novos dados projetava um crescimento de 1,9%.

A queda na produção industrial em dezembro já era esperada, mas o consenso esperava 1,7%, e não 3,5%. No ano, a produção cresceu 1,2%, impulsionada principalmente pela expansão de 13% do setor de bens de capital.

De acordo com o relatório do Credit Suisse, da equipe de economistas liderada por Nilson Teixeira, já se projetava uma queda da produção de bens de capital para 2014 por causa de um impulso menor da safra agrícola, da alteração das condições de financiamento do governo, de queda da confiança da indústria, da inflação elevada e de incertezas em relação à Copa e às eleições. Mas em dezembro a produção do segmento caiu mais de 11% em relação a novembro, o que fez o cenário piorar significativamente para o primeiro trimestre de 2014.

Apesar da revisão, Teixeira diz em seu relatório que o cenário global eleva a incerteza na dinâmica do crescimento do PIB nos próximos trimestres. Por outro lado, o PIB pode se beneficiar de uma taxa de câmbio mais depreciada associada à forte aceleração dos países desenvolvidos, que poderiam fazer com que a produção industrial nos setores exportadores compensasse menor crescimento em outros segmentos.

O banco JP Morgan entende que, mesmo com taxa de câmbio favorável, o cenário mais sombrio para a demanda de emergentes e a alta volatilidade dos mercados vão fazer com que a balança comercial não seja tão positiva quanto inicialmente projetado.

Assinado pelos economistas Fábio Akira e Cassiana Fernandez, o relatório diz que se esperava um cenário desafiador para o Brasil em 2014, mas o estresse no mercado financeiro piorou as expectativas. A revisão para baixo do PIB pelo JP também foi motivada pela forte queda da produção industrial.

Ontem, a Rosenberg Associados também refez suas projeções. A consultoria estava e ainda está um pouco mais otimista que a média do mercado. A previsão inicial era de um crescimento de 2,5% e agora entende que deve ficar em 2,1%.

 

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