Aécio Neves – Entrevista sobre o programa de governo do PSDB

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista coletiva, hoje (15/05), em São Paulo (SP), sobre o programa de governo do partido. Aécio Neves falou sobre a escolha do ex-secretário de Estado e ex-deputado federal Fabio Feldmann como coordenador da área de meio ambiente e sustentabilidade do programa de governo do PSDB.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre anúncio de Fabio Feldman como coordenador de Meio Ambiente e Sustentabilidade do programa de governo.

Estou imensamente feliz hoje em poder receber como coordenador do nosso programa de governo na área de meio ambiente e da sustentabilidade meu amigo e querido companheiro Fabio Feldman. Uma das maiores referências que o Brasil tem hoje no tema, referência não apenas interna, mas referência internacional, que será extremamente importante para estarmos atualizados e mais do que isso, buscando um papel que perdemos de liderança nessa discussão. Fabio tem uma interlocução ampla com todos os setores da sociedade organizada que tratam dessa questão. Incorporará, permitirá que esse tema da sustentabilidade possa caminhar de forma transversal em todas as outras áreas.

O coordenador do nosso programa de governo é o ex-governador Anastasia, ninguém mais qualificado hoje, pelo menos na minha visão, no Brasil para fazer esse trabalho, pelo extraordinário gestor que é, pela visão moderna, atualizada que tem do mundo, e da gestão pública, em especial. Ele assume, portanto, a coordenação geral do nosso programa. Estaremos ao longo das próximas semanas, também, anunciando outros coordenadores, de outras áreas. Acho que é o que a sociedade espera, saber de cada candidato o que ele pensa em relação às questões que são essenciais à melhoria da qualidade de vida, à ampliação de oportunidades na vida doa brasileiros.

Nós, que já fizemos lá atrás uma discussão ampla, que possibilitou o anúncio de 12 caminhos, ou de 12 aspectos que seriam relevantes na nossa proposta, agora vamos começar a dar forma a essas propostas. Estou extremamente feliz com essa companhia e esse realmente é um time extraordinário que estamos montando. Um time que não é do PSDB apenas, é a favor do Brasil.

 

Sobre plano de governo.

Em dezembro, apresentamos de forma muito clara, e até com certa ousadia para aquele momento, a um ano praticamente das eleições, as diretrizes gerais do nosso programa de governo. A visão que tínhamos de Estado, de política externa, de meritocracia na gestão pública, o fortalecimento da Federação e a própria questão ambiental, para citar apenas alguns temas. Estamos nos esforçando para dar forma agora e detalhamento a essas questões. O programa de governo não é uma obra que se começa e se encerra num dia, é uma discussão permanente. Mas, seguramente, durante o processo eleitoral vai ficar claro o que o PSDB pensa sobre cada um dos aspectos que são responsabilidade do Estado, do governo. Acho que será um avanço em relação ao que ocorreu nas últimas eleições.

 

Sobre programa de televisão do PT.

Vejo um governo que perdeu a capacidade de gerar ou de inspirar esperança nas pessoas para um futuro melhor. Acho que com esse programa o PT carimba na sua própria testa um atestado de fracasso. Se depois de praticamente 12 anos governando o Brasil, o que eles têm a oferecer aos brasileiros é o terrorismo, é o medo? Acho que é muito pouco. Tenho absoluta convicção que os brasileiros não estão com medo da volta ao passado. Os brasileiros estão com medo de o PT continuar no governo. E as pesquisas mostram isso.

 

Sobre o candidato a vice.

Esse é um processo que vai ocorrer com muita naturalidade. Fico até feliz de ver que surgem nomes a todo momento. Nomes extremamente qualificados, que honrariam qualquer chapa. Mas essa é uma discussão que não é individual, não é uma escolha pontual do candidato. É uma escolha, uma opção do conjunto de forças políticas que nos apoiam, e até da sociedade. Então não tenho pressa para isso. Em 14 de junho é a nossa convenção e espero até lá essa questão possa estar decidida. Mas o que é mais importante é que existem nomes muito qualificados que vêm surgindo e que me animam muito nessa caminhada.

 

Sobre declaração do ex-presidente Lula de que políticos no Brasil torcem pelo fracasso na Copa por interesse eleitoral.

Uma grande bobagem. Todos nós somos brasileiros vamos torcer para que o Brasil vença a Copa. O que existe claro hoje é que grande parte das obras de mobilidade que foram anunciadas lá atrás pelo próprio governo, como compromisso do governo, ficaram pelo meio do caminho. Talvez um ex-presidente atormentado por aquilo que o ministro Gilberto Carvalho disse: de que o governo fracassou, o governo falhou na execução de muitas dessas obras. Isso é o próprio governo que compreende que eles não tiveram a capacidade de gestão para poder botar de pé as obras fundamentais de mobilidade e acessibilidade.

Agora vejo cada vez mais um governo muito assustado. Até antes da hora. Assustado com esse sentimento claro e crescente de mudança que hoje permeia toda sociedade. O dado relevante, na verdade, das pesquisas eleitorais não é a intenção de voto. Porque, quando você coloca nomes que têm níveis tão discrepantes de conhecimento, há uma distorção clara no resultado. O dado consistente e consistente, porque você o encontrará absolutamente em todas as pesquisas, é o de que mais de 70% da população querem mudanças e mudanças profundas. É isso que deve estar atormentando o governo, é isso que deve estar fazendo com que o governo mude tão radicalmente a sua política de comunicação. É uma política em ziguezague hoje. Não sei se conseguirão o êxito que buscam ter.

 

Campanha do PSDB

Faremos a nossa campanha sem alterar absolutamente nada. Uma campanha propositiva, reunindo, como fiz hoje aqui, as figuras mais qualificadas de absolutamente todas as áreas. E o que mais me anima nisso, e é um diferencial importante, é o conjunto de pessoas que vêm participar desse projeto a favor do Brasil. Não vêm porque gostam do Aécio ou porque são filiados ao PSDB. São pessoas que acreditam que podemos ser uma alternativa nova para o Brasil, para iniciar um ciclo novo no Brasil. É isso que vai ser o grande diferencial.

Não importa o que os outros candidatos busquem fazer, eu respeitarei sempre a estratégia de cada um. A nossa não mudará, ela é propositiva, ela é corajosa, ela é ousada e ela é responsável. O que queremos é que o Brasil volte a crescer de forma sustentável, não da forma tímida como vem crescendo hoje. Queremos o controle efetivo da inflação e a geração de um ambiente mais propício a que os investimentos possam gerar renda e empregos cada vez mais de melhor qualidade no Brasil.

 

Sobre as manifestações no país marcadas para hoje.

Tenho dito sempre as manifestações têm que ser respeitadas e que as forças de segurança têm que estar cada vez mais qualificadas para compreendê-las como expressão democrática absolutamente natural. Temos também que estar atentos é para o cometimento de crime nessas manifestações, os atos de vandalismo, depredação de patrimônio, atentado contra a vida. Isso não tem nada a ver com manifestação. Ao contrário, quem mais atenta contra as manifestações legítimas da sociedade brasileira são aqueles que de forma violenta impedem ou até inibem as pessoas de saírem de casa. Nós vamos ter que conviver adequadamente com isso. Nossas forças de segurança de todo país vão ter que estar aprimorando as suas ações para separar uma coisa da outra.

Aécio reforça compromissos do PSDB com benefícios para os trabalhadores em evento da Força Sindical

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), afirmou nesta quinta-feira, Dia do Trabalhador, que o partido continuará lutando pelo reajuste real do salário mínimo e por políticas públicas que melhorem as condições de vida e de trabalho no país. O compromisso foi assumido durante festa organizada pela Força Sindical em comemoração ao 1º de Maio, na Praça Campos de Bagatelle, em São Paulo.

“Estou aqui para reafirmar o compromisso com o fim definitivo da inflação e de fazer políticas públicas que melhorem a saúde, a educação e a segurança do trabalhador. Queremos também fazer um esforço para recuperarmos a indústria e os empregos no país. O Brasil precisa de seriedade e de competência. O Brasil precisa de trabalho e de decência”, ressaltou Aécio Neves durante discurso para milhares de trabalhadores.

Aécio lembrou que o PSDB e o Solidariedade, partido presidido pelo deputado federal Paulinho da Força, protocolaram no início desta semana uma proposta para garantir o reajuste real do salário mínimo.

O presidente nacional do PSDB também afirmou que o partido possui um projeto em tramitação na Câmara dos Deputados para reajustar a tabela do Imposto de Renda de acordo com a inflação, ao contrário do anúncio feito pela presidente Dilma Rousseff em rede nacional de rádio e TV na noite de quarta-feira (30).

Aécio lembrou que a correção de 4,5%, proposta por Dilma, ficou abaixo da inflação, que hoje ameaça romper o teto da meta de 6,5% do governo federal.

“No momento em que ela fala do reajuste da tabela do Imposto de Renda, uma outra demanda inclusive nossa do PSDB, temos um projeto tramitando na Câmara dos Deputados que garante o reajuste da tabela do Imposto de Renda pela inflação, mas ela omitiu os números. O reajuste de 4,5% não atende aos índices inflacionários. Não chega à inflação de 6% que deveria atender”, disse Aécio em entrevista as jornalistas na chegada ao evento.

 

Bolsa Família

O senador Aécio Neves também afirmou que a presidente Dilma mentiu aos brasileiros sobre o aumento do Bolsa Família, anunciado durante pronunciamento em rede nacional de rádio e TV na quarta-feira.

De acordo com o tucano, o reajuste de 10% prometido pela presidente não permitirá que os beneficiários saiam da linha de pobreza de acordo com os parâmetros estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

“A presidente da República, infelizmente, mente aos brasileiros no momento em que diz que o reajuste de 10% no Bolsa Família permite que a remuneração alcance aquele patamar mínimo estabelecido pela ONU de 1,25 dólares por dia, com uma renda mínima para se estar acima da linha da pobreza. Para que isso fosse verdade, o reajuste teria que chegar a 83 reais e não a 77 reais como ela propõe”, explicou.

 

Presidente Dilma não foi

Aécio também criticou o não comparecimento da presidente Dilma ao evento, apesar do convite feito pela Força Sindical à Presidência da República. O representante enviado por ela, o ministro Gilberto Carvalho, foi vaiado ao defender a petista e criticar o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.

“A presidente foi ontem à televisão, falando que quer dialogar com a classe trabalhadora, e hoje está fechada no Palácio do Governo, não veio aqui para olhar para os trabalhadores e explicar por que a inflação voltou, por que o crescimento sumiu e por que a decência anda em falta no atual governo. Acho sim que é uma presidente que está acuada pelas pressões internas e, infelizmente, pelos atos do seu governo que levaram ao recrudescimento da inflação, isso sim, algo perverso com a classe trabalhadora”, afirmou Aécio Neves.