Apoio às investigações da Operação Lava Jato

“Defendo que tudo seja apurado, investigado em profundidade. É isso que vai separar o que eventualmente é verdadeiro daquilo que é falso, daquilo que é uma tentativa de nivelar a todos. Nós não seremos nivelados. Não seremos nivelados àqueles que ocuparam, que se apropriaram do Estado Nacional em benefício de um projeto de poder e em benefício próprio. Continuo onde sempre estive: combatendo o PT, combatendo o partido do senador Delcídio, – o que fiz a vida inteira – combatendo o governo da presidente Dilma, que vem infelicitando o país. E, agora, o que temos que buscar rapidamente é uma saída para o Brasil, e a saída que queremos para o Brasil não cabe a presidente da República, que perdeu as condições mínimas de governabilidade”, afirmou o senador Aécio Neves, em entrevista coletiva nesta terça-feira (15/03), depois de divulgada a delação de Delcídio Amaral, do PT, com acusações falsas ao presidente nacional do PSDB.

Aécio Neves disse que as acusações não são verdadeiras e que aumentaram o seu apoio e esforços para que as investigações da Operação Lava Jato alcancem todos os envolvidos.

“Já alertava lá atrás desde o início para essa tentativa sucessiva de vincular nomes da oposição nesse processo. Acho que tudo que vier tem que ser investigado a fundo. Obviamente, vocês encontrarão aí argumentos para dizer que isso é verdadeiro e que isso é falso, como já aconteceu no passado. Estou absolutamente preparado não apenas para mais essa tentativa, mas para outras futuras que virão”, afirmou.

Aécio contesta acusações do petista Delcídio e pede aprofundamento das investigações

REPÓRTER:

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, afirmou nessa terça-feira, em entrevista coletiva, que as acusações feitas a ele pelo senador petista, Delcídio do Amaral, na delação premiada que firmou com o Ministério Público Federal, são falsas e requentadas. Aécio ainda defendeu uma investigação aprofundada de todas as citações de Delcídio a políticos para que sejam esclarecidas as verdades e as mentiras ditas pelo delator.

SONORA SENADOR AÉCIO NEVES

“É, portanto, em uma hora como esta que devemos ser firmes na busca da apuração. Quero que isso vá a fundo. Sou o maior interessado em que tudo isso seja esclarecido, pois isso será um atestado de idoneidade que receberei, ou mais um. Não é a primeira que vez que tentam colocar não apenas o meu nome, mas de outros agentes da oposição, nesse mar de lama que a Lava Jato vem mostrando a todo o país. E todas as três citações tratam-se de matérias absolutamente requentadas, sem qualquer – a meu ver – comprometimento meu ou dos outros agentes políticos citados”.

REPÓRTER:

Ao contestar as acusações feitas por Delcídio, Aécio Neves disse que notícias sobre supostos beneficiários de um esquema de corrupção em Furnas existem há anos e que já houve investigações por parte do Ministério Público Federal.

SONORA SENADOR AÉCIO NEVES

“São inúmeras listas de Furnas para todos os gostos. Constituída para chantagear determinados agentes políticos, inclusive do PT. O senador Delcídio na sua delação comete pelo menos uma contradição que considero grave. Ele diz que a lista de Furnas não é verdadeira, mas, mesmo assim, políticos teriam recebido dinheiro dela. Isso é falso. É mais uma vez a repetição daquilo que já foi de forma cansativa repetido ao longo dos últimos meses e dos últimos anos, inclusive objeto de arquivamento por parte da PGR”.

REPÓRTER:

Aécio contestou também a afirmação de Delcídio apontando que os dados fornecidos pelo extinto Banco Rural à CPI dos Correios o atingiriam se não tivessem sido “maquiados”. O presidente tucano ressaltou que nunca teve nenhum tipo de relação com a instituição financeira. Aécio ainda desmentiu Delcídio sobre o suposto controle feito por ele de uma fundação criada por sua mãe, em 2000, e lembrou que esse assunto já foi objeto de uma investigação pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro e que, inclusive, já foi arquivado pela Justiça Federal do Estado depois de comprovada a ausência de qualquer irregularidade. De Brasília, Shirley Loiola.

Aécio Neves – Entrevista coletiva

Brasília

Sobre delação de Delcídio Amaral.

Tomei conhecimento hoje da íntegra da delação do senador Delcídio do Amaral. E além de absurdas e requentadas as citações ao meu nome, ou apesar disso, quero dizer de antemão que é preciso que se aprofunde na apuração de todas as citações ali contidas. Este aprofundamento vai separar o verdadeiro do falso.

No que diz respeito ao meu nome quero dizer que sou o maior interessado que isso seja apurado, em profundidade, são três questões que não se conectam e que, na verdade, são questões conhecidas e requentadas. Quero aqui fazer referência a elas.

A primeira diz respeito a uma fundação que cuja constituição foi iniciada pela minha mãe, no início do ano 2000, quando ela ainda era casada e o seu marido era do sistema financeiro. Com a doença dele e depois a morte, essa fundação não foi concluída. Jamais houve qualquer transferência de recursos para ela. E esse assunto já foi objeto de uma investigação pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro que pediu há vários anos o arquivamento que foi feito pela Justiça Federal no Rio de Janeiro.

Esse assunto já habitou o submundo dos sites petistas nos últimos anos. Durante a campanha eleitoral tentou-se levantar alguma irregularidade e não foi encontrada. Tanto que este assunto que circulou por várias redações jamais foi tratado com seriedade porque não tem absolutamente nada a ver com a política.

Lista de Furnas

A segunda questão diz respeito à conhecida lista de Furnas, talvez a maior fraude da política brasileira nos últimos anos. A lista de Furnas já teve o seu autor condenado por mais de sete anos. Cumpriu pena em Minas Gerais. É ainda investigado e processado por inúmeros outros crimes e essa lista não é uma, são inúmeras listas de Furnas para todos os gostos. Constituída para chantagear determinados agentes políticos, inclusive do PT. O senador Delcídio na sua delação comete pelo menos uma contradição que considero grave. Ele diz que a lista de Furnas não é verdadeira, mas, mesmo assim, políticos teriam recebido dinheiro dela. Isso é falso. É mais uma vez a repetição daquilo que já foi de forma cansativa repetido ao longo dos últimos meses e dos últimos anos, inclusive objeto de arquivamento por parte da PGR.

CPI dos Correios

Ao final, o senador Delcídio surge com uma história de que, durante a CPI dos Correios, houve uma interferência minha, através de outros agentes políticos, para que o Banco Rural de Minas Gerais pudesse maquiar dados. Vejam bem: muitos daqui participaram e acompanharam aquela CPI. Em nenhum momento, meu nome sequer foi citado para colaborar em qualquer uma das investigações que ali existiam. Jamais tive conta, jamais fiz um empréstimo, jamais tive qualquer relação com o Banco Rural e é incompreensível que esses interesses do Banco Rural, que ele relata, pudessem de alguma forma me atingir. Ao contrário, repito mais uma vez, o que queremos é que seja apurado em detalhes, e que seja apurado em profundidade. Soube agora há pouco, inclusive, que o relator da CPI na época, deputado Osmar Serraglio, publicou uma nota desdizendo o que disse o senador Delcídio, que em nenhum momento houve qualquer ação ou qualquer pedido meu e de quem quer que fosse no sentido de atender a interesses do Banco Rural, assim como já foi negado pelos outros agentes citados.

É, portanto, em uma hora como esta que devemos ser firmes na busca da apuração. Quero que isso vá a fundo. Sou o maior interessado em que tudo isso seja esclarecido, pois isso será um atestado de idoneidade que receberei, ou mais um.

Não é a primeira que vez que tentam colocar não apenas o meu nome, mas de outros agentes da oposição, nesse mar de lama que a Lava Jato vem mostrando a todo o país. Portanto, minha resposta a isso é de forma serena, pedir que se aprofundem nas apurações para que possamos ter isso clareado. E todas as três citações tratam-se de matérias absolutamente requentadas, sem qualquer – a meu ver – comprometimento meu ou dos outros agentes políticos citados.

Por que o senador Delcídio tem interesse em envolver o nome do sr. nessa delação?

Não consigo compreender essa razão. Mas repito: todas as questões citadas são questões velhas, requentadas, que já foram noticiadas em jornais ou em blogs que ele traz na sua delação. Não há absolutamente nada de novo e nada consistente e que, do meu ponto de vista, mereça qualquer tipo de preocupação.

A oposição pretende aditar essa delação ao processo de impeachment contra a presidente Dilma?

Os advogados do PSDB estão reunidos junto com advogados de outros partidos da oposição exatamente nesse instante, ou se reunirão daqui a pouco, exatamente para ver as ações que serão tomadas. Defendo que tudo seja apurado, investigado em profundidade. É isso que vai separar o que eventualmente é verdadeiro daquilo que é falso, daquilo que é uma tentativa de nivelar a todos. Não seremos nivelados. Não seremos nivelados àqueles que ocuparam, que se apropriaram do Estado Nacional em benefício de um projeto de poder e em benefício próprio.

Já alertava lá atrás desde o início para essa tentativa sucessiva de vincular nomes da oposição nesse processo. Acho que tudo que vier tem que ser investigado a fundo. Obviamente, vocês encontrarão aí argumentos para dizer que isso é verdadeiro e que isso é falso, como já aconteceu no passado. Estou absolutamente preparado não apenas para mais essa tentativa, mas para outras futuras que virão.

Continuo onde sempre estive: combatendo o PT, combatendo o partido do senador Delcídio, – o que fiz a vida inteira – combatendo o governo da presidente Dilma, que vem infelicitando o país. E, agora, o que temos que buscar rapidamente é uma saída para o Brasil, e a saída que queremos para o Brasil não cabe a presidente da República, que perdeu as condições mínimas de governabilidade. O nosso esforço é, em entendimentos, em conversas com as outras forças políticas do Congresso Nacional, e o PMDB em especial pelo papel estratégico que ele aqui exerce – buscarmos um entendimento que apresse a substituição desse governo, seja pelo impeachment, seja por uma outra saída.

Ele está mentindo em relação a presidente Dilma?

Eu não sei, eu não tenho informações. O que posso garantir é que todas essas questões nas quais eu fui referido são velhas, requentadas e absolutamente frágeis, falsas e não se sustentam.

Ele cita uma conversa com o sr.

Sobre CPMI é uma mentira, porque essa conversa – basta ver as datas – ela ocorre mais de dois meses depois da CPMI já ter sido extinta, já ter sido encerrada. O senador Delcídio me pediu, à época, uma audiência, falou da sua candidatura ou pretensa candidatura ao governo do Mato Grosso do Sul, buscando ali algum entendimento com o PSDB, falamos de assuntos do Brasil e absolutamente nada, até porque, repito, ao contrário do que ele faz crer em delação, a CPMI já havia sido concluída com o seu relatório votado e aprovado mais de dois meses antes.

Então não há, a meu ver, o que temer. Ao contrário. Eu quero que isso seja apurado em profundidade, porque eu quero entender as razões que fazem o senador Delcídio, que não é meu aliado, jamais foi meu parceiro em absolutamente nenhuma ação política, possa querer envolver um nome da oposição.

Sobre pedido de impeachment da presidente Dilma.

Só fortalece para mim. A minha determinação hoje é muito maior de ir em frente. O Brasil não aguenta mais esse governo como está. Então essas citações absurdas e laterais, do meu ponto de vista, só aumentam a minha determinação de ir em frente e colocar fim a esse governo.

Dilma, indevidamente

Artigo da jornalista Dora Kramer – Jornal O Estado de S. Paulo – 18/11/2014

 

Partindo do pressuposto de que não lhe falha a memória e de que o Brasil não sofre epidemia de amnésia, a presidente Dilma Rousseff incorre em ato de deliberada apropriação indébita ao atribuir ao seu governo o marco histórico no combate à corrupção, devido ao desmonte do esquema de ilícitos em funcionamento na Petrobrás entre 2003 e 2012.

Da Austrália, a presidente se pronunciou dizendo que esse é um escândalo de características especiais. Segundo ela, “o primeiro a ser investigado”. E por isso mesmo, um divisor, “capaz de mudar para sempre as relações entre a sociedade brasileira, o Estado brasileiro e as empresas privadas”, em relação à impunidade. Avocou para si o mérito, quando ele se deve a instituições que funcionaram com independência: Congresso, Polícia Federal, Ministério Público e Supremo Tribuna Federal.

Em matéria de amplitude há, de fato, ineditismo, como demonstraram as prisões dos executivos de empreiteiras na última sexta-feira e já indicam as notícias sobre a próxima fase da Operação Lava Jato sobre o envolvimento de algumas dezenas de políticos. Nem de longe, porém, é possível dizer que esse seja o primeiro escândalo a ser investigado e muito menos que seja a causa de mudança de procedimentos.

Na realidade, é consequência de um escândalo produzido pelo PT, o mensalão: desde a denúncia de Roberto Jefferson, passando pela bem sucedida CPI dos Correios, o trabalho do Ministério Público, a denúncia do procurador-geral Antonio Fernando de Souza, o julgamento e as condenações no Supremo Tribunal Federal, até as prisões dos réus.

Enquanto os políticos estão quase todos cumprindo suas penas em prisão domiciliar, os operadores do esquema nos bancos e agências de publicidade continuam na cadeia. O principal deles, Marcos Valério ainda ficará por muito tempo em regime fechado. Confiou na influência dos donos do poder e calou-se na CPI e na Justiça. Quando quis fazer delação premiada era tarde.

Deu-se ali a mudança de paradigma que serviu de exemplo e, depois de alguma resistência, incentivou Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef a optarem pelos acordos de delação premiada. A eles recentemente juntaram-se outros, no que em breve talvez seja uma fila.

Com base nas informações prestadas em exaustivos depoimentos é que a polícia está conseguindo desmontar o que a PF já havia chamado de “organização criminosa” montada dentro da Petrobrás. Isso ao tempo em que o governo tratava o assunto em estado de total negação de que houvesse qualquer tipo de irregularidade na estatal – no máximo se admitia erros administrativos, nunca decorrentes de “má-fé”, muito menos de intenções delituosas.

De onde não se pode aceitar como verossímil a versão de que foi a presidente quem “mandou” investigar. Inclusive porque o trabalho foi feito em conjunto pela Polícia Federal, Ministério Público e Justiça do Paraná, instâncias cuja autonomia é assegurada pela Constituição.

Até meados do ano, antes de aparecerem evidências mais consistentes, o governo só fez trabalhar intensamente para inviabilizar as comissões de inquérito no Congresso que pretendiam investigar os negócios na Petrobrás, tentar adiar decisões do Tribunal de Contas da União sobre a refinaria de Pasadena e por várias vezes ministros, políticos governistas e a própria presidente insistiam na versão de que quem lança suspeições sobre a empresa tinha como objetivo enfraquecer um patrimônio nacional e impor prejuízos políticos à candidatura da presidente.

Houve mesmo um momento em que Dilma pôs em dúvida a veracidade do conteúdo das delações premiadas e acusou a oposição de usar as “supostas denúncias” para dar “um golpe” no País.

Diante de tanta contradição e ambiguidade, é de puro exercício de ficção transformar o governo de agente a combatente da corrupção na Petrobrás.

 

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