Aécio Neves – Entrevista coletiva sobre os projetos do PSDB

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista coletiva, nesta quinta-feira (25/02), em Brasília. Aécio falou sobre mudanças nas regras do pré-sal, Petrobras, PEC cargos comissionados, projeto que altera Fundos de Pensão, impeachment presidente Dilma e PMDB.

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre o projeto aprovado ontem que altera regras da exploração do pré-sal. Apesar das mudanças acordadas com o governo, o PT se posicionou contra. O sr. concorda?

O que assistimos ontem foi absolutamente inédito e mostra a ausência de governo pela qual passa o país. Nós assistimos o líder do governo orientando a bancada do PT, o partido do governo e da presidente da República, a votar contra o governo! É algo absolutamente inusitado.

Estou no Parlamento há muitos anos e não tinha visto uma cena como essa. Numa matéria que é de importância enorme para o Brasil, para o próprio Rio de Janeiro. O que fizemos ontem não foi sequer entrar na discussão do modelo de partilha, no modelo de concessão, qual seria o mais adequado, por mais eu considere que o modelo de concessões seria o mais adequado. O que fizemos ontem, isso diz muito a respeito também ao Rio de Janeiro, foi tirar da Petrobras a obrigatoriedade de ser ela operadora única e participar com pelo menos 30% da exploração de todas as áreas.

A Petrobras, por obra e graça do PT e deste governo, é a empresa não financeira mais endividada do mundo. A Petrobras tem uma dívida de R$ 500 bilhões. A Petrobras apresentou um projeto de desinvestimento, que poderíamos sem esforço chamar de privatização, de mais de US$ 50 bilhões, representa mais do que o conjunto de todas as privatizações do setor de telecomunicações do governo do presidente Fernando Henrique e fazem isso, não por uma visão estratégica, poderia até ser justificável em determinados setores, mas pela necessidade de caixa para diminuir seu endividamento.

Se não se aprova essa proposta, os leilões de novas áreas estarão sempre condicionadas à capacidade de caixa da empresa, o que não é lógico, não é racional. E a própria indústria do petróleo, que depende de investimentos da Petrobras, está sendo esfacelada, cidades que vivem, que tem no petróleo sua base econômica mais sólida, estão virando, em grande parte delas, cidades abandonadas, desassistidas. Este setor será o maior beneficiário da vinda de novos capitais, de capitais estrangeiros para participar da exploração de áreas do pré-sal.

A Petrobras não perde a prerrogativa. Ela é quem vai definir o que ela quer. Se ela quiser participar de determinada área por julgar estratégica, com 100%, ela poderá fazer. O que nós fizemos, em síntese, para terminar, foi tirar dela o ônus de participar obrigatoriamente de todas as áreas, de ser operadora de todas as áreas, dando a ela o bônus da escolha daquilo que é estratégico. Uma medida extremamente correta, que lamentavelmente o PT, com a sua visão arcaica, atrasada do Brasil, do papel do Estado, ainda não compreendeu.


Está na pauta a PEC do senhor que trata dos cargos comissionados. Haverá resistência por parte do governo?

A minha ideia é colocá-la na pauta logo após a votação do projeto das estatais, do senador Tasso. E essa proposta restabelece a meritocracia na ocupação desses cargos em comissão. Você sabe que tudo que o governo disse que ia fazer, não fez. O governo está tão fragilizado que sequer cortar os cargos comissionados, ou dar a eles um viés mais qualificado, com critérios para sua ocupação, o governo conseguiu fazer. A presidente anunciou que ia cortar o seu salário – um gesto de sinalização de uma nova postura do novo governo – e sequer isso ela conseguiu fazer. Esse nosso projeto estabelece critérios para a ocupação desses cargos. As pessoas têm que ter conhecimento específico na área onde vão atuar, e não basta apenas ter a carteirinha de filiação partidária.

Eu pretendo também nas próximas duas semanas colocar em votação no plenário um projeto que eu relato que estabelece uma nova governança nos fundos de pensão, que foram ocupados, aparelhados e assaltados por este governo. Nós estamos profissionalizando os fundos de pensão, trazendo as mais modernas práticas que ocorrem no mundo, especialmente na Holanda, que está mais avançada nisso, com transparência, com qualidade dos gestores. Portanto, o Brasil precisa virar esta página terrível, perversa, de governo que o PT representa para que outros avanços, como esses a que me referi, possam fazer parte da vida cotidiana dos brasileiros.


Seria o fim do apadrinhamento político?

O absoluto fim do apadrinhamento político. Os fundos de pensão têm servido à companheirada, a negócios escusos. Todos eles, sem exceção, estão com déficits bilionários. Isso significa que são os contribuintes desses fundos que vão ter de arcar com os prejuízos causados por gestões temerárias, feitas por pessoas sem qualquer qualificação, apadrinhados em especial pelo PT.

Pelo projeto não poderá haver qualquer nomeação, seja para conselho desses fundos ou para direção dos fundos, pessoas que tenham vinculação partidária. Não poderá haver nomeação de pessoas que tenham qualquer tipo de interesse em relação à controladora. As pessoas têm de passar por um processo de certificação externa. Empresas independentes serão contratadas para identificar os melhores perfis daquelas pessoas que vão ocupar os cargos nesses conselhos que definem investimentos extremamente vultuosos. Os fundos de pensão bem geridos são instrumentos essenciais ao desenvolvimento de qualquer país. No Brasil virou instrumento para que a companheirada fizesse a farra como a CPI dos Fundos de Pensão na Câmara dos Deputados está mostrando a todo o país.


O partido tende a uma reaproximação com o PMDB agora que o debate do impeachment está reaquecendo?

Como diria os meus conterrâneos de Minas Gerais, o PSDB é como Minas: está onde sempre esteve, fazendo oposição a este governo com a sensação cada vez maior de que a atual presidente da República não tem mais as condições mínimas de liderar o processo de retomada do crescimento no país. As alternativas estão aí colocadas. O PSDB não as escolhe até porque não temos número para isso. Não temos a prerrogativa de definir se será pelo impeachment, será pela cassação no TSE ou pela renúncia da presidente. Mas a sensação, que não é apenas minha, como presidente do partido, é da sociedade brasileira, dos agentes produtivos, dos cidadãos, que estão vendo o desemprego avançar em todas as áreas. Este governo perdeu aquilo que é essencial para que o Brasil vire esta página: confiança, credibilidade. Vejam o que aconteceu na Argentina. Sem nenhuma medida estrutural ter sido aprovada, o ambiente já mudou. Por que? Por que o governo sinaliza de forma clara aquilo que pretende fazer. E esse governo não tem mais a confiança da população, a credibilidade necessária, para fazer a guinada que o Brasil precisa. Se setores do PMDB ou de outras forças políticas se somarem a esse esforço da oposição, não sei se isso vai ocorrer, tanto melhor para o Brasil.

Divulgação de dados de empréstimos no exterior reforça necessidade de CPI do BNDES, defende Aécio Neves

O senador Aécio Neves (PSDB) avalia que a divulgação de dados sobre empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para obras no exterior reforça a necessidade de abertura de uma CPI no Senado para aprofundar os critérios utilizados pelo banco para a liberação dos financiamentos.

Após pressão de partidos de oposição e da sociedade, o banco divulgou na terça-feira (02/06) informações que eram mantidas em sigilo. Apenas cinco grandes empreiteiras concentram 99,4% das operações financiadas no exterior, que somam US$ 11,9 bilhões desde 2007.

De acordo com informações do próprio BNDES, projetos para obras em países como Cuba e Venezuela foram financiados com juros mais baixos do que os cobrados para projetos no Brasil e com prazos maiores de pagamento, como no caso de Cuba, que terá 25 anos para pagar o empréstimo.

“É preciso que o BNDES dê o segundo e fundamental passo, que é esclarecer de que forma esses empréstimos são escolhidos, de que forma as empresas e os países são determinados, e qual o benefício que esses empréstimos trazem a quem os financia, que é a população brasileira. Por exemplo: é importante que o BNDES explique em documentos, de forma clara, por que Cuba, uma ditadura, recebe um financiamento com cerca de 25 anos de carência para o pagamento”, criticou Aécio Neves em entrevista à imprensa no Senado.

Aécio Neves questionou também os critérios utilizados pelo banco para oferecer melhores condições para o financiamento de obras no exterior em detrimento de projetos de infraestrutura no Brasil.

“Viajei por todo o Brasil na campanha eleitoral. Temos portos com obras interrompidas, outros com a obras sequer iniciadas, e que demandariam empréstimos como esse. Qual o critério para se dar a Cuba um empréstimo de forma tão favorecida? 25 anos para pagar. Que garantias o governo cubano está oferecendo? Que benefícios isso traz aos brasileiros que são os financiadores desse empréstimo? Essas questões ainda estão sem resposta. Cabe ao BNDES explicar também isso”, afirmou.

 

Mentira

Aécio Neves disse ainda que a divulgação dos dados que eram mantidos em sigilo também comprova que a presidente Dilma Rousseff mentiu aos eleitores ao dizer que os empréstimos não eram destinados a Cuba e a outros países.

“O que ficou claro é que a presidente mentiu na campanha eleitoral, mais uma vez, ao dizer que esse financiamento não era para Cuba. Foi sim para o governo cubano. É ele que deverá pagar para o governo brasileiro. Por que Cuba merece ter um financiamento com 25 anos, enquanto a maioria dos outros financiamentos estão entre 10 e 15 anos?”, questionou Aécio Neves.

Aécio Neves – Entrevista sobre Projeto de Lei Governança das Estatais

O senador Aécio Neves concedeu entrevista coletiva, nesta quarta-feira (03/06), em Brasília. Aécio falou sobre o seu Projeto de Lei Governança das Estatais, apresentado hoje, que estabelece a implantação nas empresas públicas de mecanismos obrigatórios nas áreas de gestão, controle e prestação de contas, ética e conduta,  além de alterar normas das Sociedades de Economia Mista.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre o Projeto de Lei Governança das Estatais.

Durante a campanha eleitoral debatemos muito a questão da gestão, porque o Brasil tem dois males que, infelizmente, caminham juntos: de um lado a corrupção, agora feita de forma descarada nesse governo – e a Petrobras infelizmente é o mais triste exemplo disso -, por outro lado, a ineficiência, a incompetência da gestão das empresas estatais é um mal talvez das mesmas dimensões do mal da corrupção.

Desde a campanha eleitoral, reunimos um grupo de economistas que já vinham tratando dessa questão sob a coordenação do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e do economista Marcelo Trindade, que construíram ouvindo membros da sociedade civil, representantes de bolsa de valores, economistas que já participaram da gestão de estatais. Construímos um projeto a várias mãos que busca, de um lado, garantir transparência nessa gestão. Estamos falando de cerca de 150 empresas estatais sob o controle da União que ninguém sabe até hoje quais os critérios para indicação dos seus dirigentes do seu conselho de administração.

Estamos, portanto, criando regras rígidas, transparentes para a indicação desses membros. No nosso projeto, diferente do anteprojeto apresentado pelo senador Renan e pelo deputado Eduardo Cunha, que vem na mesma direção, não falamos de sabatina, mas falamos da aprovação dos presidentes e dirigentes dessas empresas pelo Senado da República, da necessidade de pelo menos 30% dos cargos de conselhos de administração de todas essas empresas serem ocupados por pessoas independentes, garantido inclusive, uma quarentena para a ocupação desses cargos, seja de conselho ou direção das empresas para dirigentes de partidos por exemplo.

Não queremos que se repitam episódios Vaccari da vida, onde o fato de ser dirigente de um partido que está no poder dá a ele imediatamente a capacidade para, por exemplo, ser conselheiro de uma empresa da importância de Itaipu, o que certamente ele não tinha. Então, para evitar casos como esse, estamos criando vedações para ocupantes de cargos eletivos por um período de três anos e também de altos dirigentes de partidos.

O que queremos é a profissionalização da gestão das empresas estatais. Isso vem ao encontro de tudo aquilo que propusemos durante a campanha eleitoral, inclusive com sanções no campo cível, no campo criminal, para aqueles que cometeram desvios e irregularidades, e também outras sanções, como afastamento para aqueles que não cumpriram as metas estabelecidas nesse projeto, que é um projeto denso.

Hoje estou distribuindo para que os senhores tomem conhecimento de todos os seus aspectos, mas extremamente equilibrado. E que vem na direção, repito, de sanar um dos principais problemas pelo que passa hoje o Brasil: a governança das empresas estatais, que viraram cabide de emprego e instrumentos de ação política, como assistimos, por exemplo, nos Correios e Telégrafos, de forma vergonhosa, criminosa, nessa eleição, para transformar a gestão das nossas empresas em algo de interesse da sociedade brasileira.

 

O presidente Renan disse que a sabatina e a exigência de passar pelo crivo do Senado é um detalhe menor e que ele pode retirar do projeto.

Se ele voltou atrás é porque fez uma reavaliação. No nosso projeto, não estamos chegando ao ponto da sabatina porque não queremos estabelecer um conflito ou uma subordinação do Executivo ao Senado Federal em questões de nomeação de cargos do Poder Executivo. Mas uma das atribuições fundamentais do Senado é fiscalizar as ações do Poder Executivo. E o nosso [projeto] vai no limite dessa fiscalização. Avaliar a qualidade, o histórico dos nomes que vão ocupar esses cargos, é responsabilidade do Senado. E queremos estender isso inclusive aos diretores, e não apenas aos presidentes, dessas empresas.

Portanto, acho que no momento em que ele for lido, for compreendido, é um projeto que supre muitas das lacunas que hoje existem, repito, e que permitem a indicação de companheiros sem a menor qualificação profissional, por um lado, e a continuidade de desvios, por outro, que nós assistimos não apenas na Petrobras, mas em inúmeras empresas públicas.

 

Como vai ser essa avaliação? Não é sabatina, mas tem que passar pelo crivo do Senado?

Os nomes vão ser indicados e uma comissão irá avaliar o histórico desses nomes. Se esses nomes cumprem as pré-condições estabelecidas no projeto, como determinado tempo de militância naquele setor ou, complementarmente a isso, pelo menos 10 anos de serviço naquela instituição. O servidor que tiver pelo menos 10 anos numa determinada instituição pode estar apto a ascender ao cargo de diretor. Cumpridos esses pré-requisitos, vai caber ao Senado apenas avaliar o histórico desse nome, e acho que esse é o limite, a meu ver, adequado para que o Senado participe dando à sociedade brasileira o que ela mais quer: fiscalização desses dirigentes e transparência dessa gestão. É algo inovador.

O ex-presidente do Banco Central, o ex-ministro Armínio Fraga tratou essa questão com interesse enorme ao longo desses últimos meses. Foram dezenas de pessoas consultadas, o texto teve vários formatos e acabamos por chegar nessa formatação que me parece a mais adequada, e é uma grande contribuição a esse processo que acredito que todos queremos. Felizmente agora apoiado inclusive pelo presidente do Senado e o presidente da Câmara. Não apenas de subjugar o poder Executivo às vontades do poder Legislativo.

O nosso projeto não tem o sentido revanchista. Ao contrário, ele tem o sentido de aprimorar a gestão das empresas estatais, e não há hoje, acredito, nenhum país no mundo onde seja mais urgente pelo que virou hoje as indicações ou pelo perfil que tomaram hoje os dirigentes de várias das empresas públicas brasileiras.

 

Pode se juntar com o projeto dos presidentes da Casa tramitando sobre o mesmo tema?

Acho que sim. O que existe é um anteprojeto, que vai ser discutido em uma comissão e, obviamente, se transformará em um projeto. Estou apresentando hoje um projeto de lei, faço isso em nome do PSDB, com autoridade de um partido que tentou durante toda a campanha trazer o tema da gestão pública de qualidade para a agenda do país. Infelizmente, as mentiras sucessivas do governo impediram que esse tema tivesse tido maior espaço para o debate. Estamos com absoluta coerência fazendo aquilo que dizíamos que iríamos fazer. Se governássemos o país, certamente estaríamos apresentando, a partir do poder Executivo, esse conjunto de medidas. Esse era o nosso compromisso.

Não vencemos as eleições, mas o nosso papel como opositores desse governo não diminui a nossa responsabilidade. É isso que estamos fazendo aqui hoje: apresentando um projeto amplamente e profundamente discutido em todo o Brasil durante esses últimos quatro meses. E acho que, em determinado momento, vamos encontrar convergências com essa iniciativa dos presidentes das duas Casas, e o objetivo final é a aprovação. Se pudermos aprová-lo será um ganho extraordinário para o país.

 

Sobre aprovação de altos dirigentes de estatais pelo Senado.

Estou propondo uma fórmula nova, que não vai no limite da sabatina. Estamos estabelecendo critérios para essas nomeações, de militância na área específica daquela instituição ou daquela empresa, ou um tempo determinado de serviço naquela empresa como funcionário. Atendidas essas prerrogativas, o nome vem ao Senado Federal, que vai, nessa Comissão, aprovar. Não fará a sabatina. Avaliar se esse nome cumpre aquelas determinações ou pré-condições que a lei estabelece, e, a partir daí, esse nome é aprovado. Queremos estabelecer uma corresponsabilidade sem adentrar no critério da escolha pessoal, porque se cumprido o rito, se atendidas as pré-condições estabelecidas, naturalmente o Congresso, o Senado da República aprovará. Caberá ao Senado averiguar se todas aquelas pré-condições que foram estabelecidas para aquela indicação estão supridas. Se eventualmente vier um nome que não atenda essas pré-condições estabelecidas no projeto, esse nome será devolvido.

Na sabatina, alguém pode preencher os requisitos e ser rejeitado. Pode ser rejeitado porque não agradou na sabatina ou não atendeu às perguntas de forma que o conjunto do Senado acha que deveria atender. A nossa avaliação é que o Senado deve apenas fiscalizar se os nomes indicados atendem as pré-condições estabelecidas, militâncias no setor, participação durante determinado período na estrutura funcional daquela instituição, daquela empresa. Cabe ao Senado apenas fiscalizar o cumprimento das pré-condições estabelecidas no projeto de lei. Se atendidas essas pré-condições, aí obviamente cabe ao Senado aprovar.

 

Passa pelo plenário?

Acho que a formalização terá de ser feita em última instância em plenário. É o que gostaríamos de discutir.

 

Sobre metas para estatais.

As empresas têm metas a serem cumpridas. Se eventualmente não cumprir essas metas, tem que haver uma explicação clara em razão disso. Se a empresa resolve, por exemplo, fazer um projeto de alto alcance por determinação do governo, de alcance social, isso tem que ser explicitado claramente de que forma isso vai ser feita, até porque em alguns casos é necessário, mas com que recursos isso será feito? Porque não podemos ter empresas que se conduzam pela lógica do governo de plantão, como assistimos muito recentemente. Empresas que subordinam a sua governança, e obviamente comprometendo os investimentos dos seus acionistas, à posição de um governo de momento, como aconteceu na Petrobras, e vimos isso de forma escancarada nas degravações de uma das últimas reuniões do Conselho de Administração, ainda com a presença do ministro Guido Mantega.

Estamos também impedindo que ministros de Estado e dirigentes partidários participem dos conselhos de administração. Por quê? Porque o que estamos vendo é um conflito de interesses. A empresa tem determinados objetivos, muitas delas são de capital aberto, portanto têm que dar satisfação aos seus acionistas. E, por outro lado, seguem, no frigir dos ovos, o interesse do governo de plantão. E o custo ao final quem paga é a sociedade brasileira, como estamos assistindo.

 

Sobre o anteprojeto do senador Renan.

Existe um anteprojeto que vem na mesma direção, de trazer transparência à gestão das estatais e, obviamente, profissionalismo nessa gestão. O nosso projeto, ele não surge em decorrência desse projeto. Vocês verão pela complexidade da sua elaboração. É um projeto que nós temos discutido há muitos meses, há pelo menos quatro meses com grande intensidade. E, coincidentemente, está pronto para ser apresentado agora. Inclusive, se o presidente Renan ou se líderes do Senado acharem que ele supre todas essas demandas, ou essas expectativas, ele está pronto inclusive para ir a voto. Nós não queremos ultrapassar o outro projeto. Mas eu não considero agora que ele possa ser apensado ao outro. Nosso projeto é um projeto muito bem elaborado e pronto para ir a voto. Mas, obviamente, será discutido antes em comissão.

Eu comuniquei ontem ao presidente Renan que nosso projeto estava pronto, ele tinha ciência dele, e que eu apresentaria hoje.

 

Sobre BNDES dar início à divulgação de dados dos empréstimos.

O BNDES quebra esse sigilo não por geração espontânea, mas por enorme pressão das oposições ao longo dos últimos anos, da sociedade, e pela eminência de ter que fazer isso aqui no Congresso Nacional. Isso vem na direção correta. Mas, mais do que a simples liberação das condições desses empréstimos, é preciso que o BNDES dê o segundo e fundamental passo, que é esclarecer de que forma esses empréstimos são escolhidos, de que forma as empresas e os países são determinados, e qual o benefício que esses empréstimos trazem a quem os financia, que é a população brasileira. Por exemplo: é importante que o BNDES explique em documentos, de forma clara, por que Cuba, uma ditadura, recebe um financiamento com cerca de 25 anos de carência para  o pagamento. Algo muito maior do que a média do que vinha acontecendo, tanto para empréstimos internos quanto para outros países. Por que o privilégio, tanto no tempo para o pagamento, quanto na taxa de juros?

 

Sobre empréstimo a Cuba.

Fica claro mais uma vez que a presidente Dilma mentiu na campanha eleitoral quando disse que esses financiamentos não eram para esses países. Sim, esses financiamentos foram para Cuba, Angola e vários outros países. Não há uma justificativa hoje razoável porque os grandes investimentos que ainda precisam ocorrer no Brasil de portos, de outras obras de infraestrutura não têm estes mesmos juros subsidiados que Cuba e outros países recebem.

É importante que nós saibamos o que justifica isso. O BNDES tem o dever de explicar. O que ficou claro, no momento em que esses números são socializados com a população brasileira, é que a presidente mentiu na campanha eleitoral, mais uma vez, ao dizer que esse financiamento não era para Cuba. Foi sim para o governo cubano. É ele que deverá pagar para o governo brasileiro. Por que Cuba merece ter um financiamento com 25 anos, enquanto a maioria dos outros financiamentos estão entre 10 e 15 anos? Por que nenhum financiamento no Brasil, por exemplo, tem os juros tão subsidiados quanto tem o financiamento a Cuba? E serve isso também para outros financiamentos, como Angola e Moçambique.

O que o BNDES tem que fazer nesse instante é explicar os critérios que fazem com que financiamentos como esse sejam dados, a meu ver, em detrimento de outras prioridades que nós teríamos aqui no território nacional.

 

Justifica ter taxas e prazos tão favoráveis para Cuba?

Na minha compreensão, não justifica. Eu viajei por todo o Brasil na campanha eleitoral. Nós temos portos com obras interrompidas, outros com a obras sequer iniciadas, e que demandariam empréstimos como esse. Qual o critério para se dar a Cuba um empréstimo de forma tão favorecida? 25 anos para pagar. Que garantias o governo cubano está oferecendo? Que benefícios isso traz aos brasileiros que são os financiadores desse empréstimo? Essas questões ainda estão sem resposta. Cabe ao BNDES explicar também isso.

 

Diminui a necessidade de uma CPI no Congresso para investigar o BNDES?

Ao contrário. Até mesmo a forma com que estas informações vêm chegando estimulam esta CPI. Precisamos compreender qual governança do BNDES? O que define um financiamento desta forma? É a força da empresa, é a amizade do presidente com determinado país ou é o interesse da sociedade brasileira. Aquele que gere recursos, como a direção do BNDES, tem de dar satisfações não apenas ao presidente da República, tem de dar satisfação à sociedade brasileira. Eu não consigo compreender que benefícios os brasileiros terão com estes investimentos, que repito, são feitos em taxas extremamente favoráveis que não são feitas aqui internamente e com prazo para pagamento que não são dados a outros financiamentos internos e mesmo a outros países.

 

Sobre eleições municipais. 

O que nós queremos é estar disputando essas eleições nas 300 maiores cidades brasileiras. Ou com candidatos próprios, preferencialmente, ou com aliados. Mas o fato é que nós estaremos presentes. Com o nosso discurso, com as nossas propostas, com os nossos questionamentos em relação ao governo que está aí. Porque nós vamos perceber, e vocês vão perceber isso claramente durante essa campanha eleitoral, e até antes dela, que o PT vai fazer um esforço enorme para dissociar-se do governo. Como se o governo pudesse ser uma coisa, e o PT uma coisa diferente. E nós vamos mostrar que o Brasil só tem o melancólico governo que tem porque é o governo do PT.

 

Qual o balanço o sr. faz dos dez anos no mensalão do PT?

Infelizmente o PT parece que não aprendeu, porque durante o mensalão já atuavam fortemente no Petrolão. Mas, sem dúvida alguma, do ponto de vista da relação da sociedade com o poder público, as coisas mudaram. O brasileiro sabe que tem o dever e o direito de cobrar, de acompanhar as investigações. Acho que há um Brasil, nesses dez anos, que veio despertando, que veio acordando, que veio compreendendo que ele, o brasileiro, o cidadão, a cidadã, podem ser protagonistas do seu próprio destino, e têm responsabilidade, inclusive, em cobrar transparência e eficiência dos gestores da coisa pública. Acho que se de um lado o PT parece que não aprendeu, eles pelo menos sabem que a cobrança da sociedade será cada vez mais dura, cada vez mais forte como vem acontecendo hoje.

PSDB protesta contra manutenção do sigilo de empréstimos do BNDES

A presidente Dilma Rousseff deu mais um golpe na credibilidade e na transparência do seu governo. Vetou o fim do sigilo em todas as operações financeiras realizadas pelo BNDES. A quebra do sigilo foi proposta pela oposição no Congresso por meio de emenda à Lei 13.126, e aprovada na Câmara e no Senado.

O presidente do PSDB, senador Aécio Neves, considerou inaceitável o veto da presidente ao artigo da lei, pois garantiria transparência aos empréstimos realizados integralmente com recursos públicos. Ele afirmou que o PSDB buscará no Congresso novas medidas para que os brasileiros possam acompanhar todas as movimentações da instituição financeira, entre elas os empréstimos mantidos em segredo concedidos a Angola, Cuba e Venezuela.

“São inaceitáveis o veto e as explicações dadas pela presidente Dilma ao recusar, mais uma vez, dar transparência às operações do BNDES feitas integralmente com recursos públicos. O PSDB buscará todos os caminhos, incluindo a CPI, para que os brasileiros conheçam o destino e as condições em que seu dinheiro vem sendo utilizado através de financiamentos internos e, em especial, aqueles feitos a países considerados pelo governo do PT como “nações amigas”, a exemplo dos contratos feitos com Cuba e Venezuela, mantidos sob o crivo de secretos. Tratam-se de negociações que não podem ocorrer sob sigilo. O segredo alimenta a suspeição. O país já assiste ao assombroso escândalo do Petrolão. Não podemos aceitar que amanhã o país esteja frente a um novo escândalo de enorme proporção”, disse Aécio Neves.

O presidente do PSDB de Belo Horizonte, deputado estadual João Leite, afirmou que o governador Fernando Pimentel deveria esclarecer porque, em 2012, quando era ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, tornou secretos os empréstimos do BNDES feitos a Cuba e Angola. Os dois países socialistas são os únicos que têm os documentos dos financiamentos mantidos sob sigilo por decisão do ex-ministro Pimentel.

“Esta é uma oportunidade para o governador Fernando Pimentel explicar ao Brasil porque tornou secretos os documentos relacionados aos financiamentos para os governos socialistas de Cuba e Angola. De todas as operações com países, somente aquelas com Cuba e Angola receberam o carimbo de ‘secreto’ do ministério de Pimentel. É uma medida que envergonha o país e expõe a falta de transparência do governo do PT”, afirmou João Leite.

Veto da presidente Dilma Rousseff à emenda que acaba com o sigilo de financiamentos concedidos pelo BNDES

“São inaceitáveis o veto e as explicações dadas pela presidente Dilma ao recusar, mais uma vez, dar transparência às operações do BNDES feitas integralmente com recursos públicos. O PSDB buscará todos os caminhos, incluindo a CPI, para que os brasileiros conheçam o destino e as condições em que seu dinheiro vem sendo utilizado através de financiamentos internos e, em especial, aqueles feitos a países considerados pelo governo do PT como “nações amigas”, a exemplo dos contratos feitos com Cuba e Venezuela, mantidos sob o crivo de secretos. Tratam-se de negociações que não podem ocorrer sob sigilo. O segredo alimenta a suspeição. O país já assiste ao assombroso escândalo do Petrolão. Não podemos aceitar que amanhã o país esteja frente a um novo escândalo de enorme proporção”.

Partidos de oposição apresentam pedido de abertura da CPI do BNDES na Câmara

Os partidos de oposição apresentaram nesta quinta-feira (16) requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação do BNDES. Apenas integrantes do PT e do PCdoB se recusaram a endossar o pedido, que tem 199 assinaturas. O 1º vice-líder do PSDB na Câmara, Nilson Leitão (MT), participou do ato de entrega do requerimento. O anúncio do protocolo do pedido foi feito durante o depoimento do presidente do banco de fomento, Luciano Coutinho, à CPI da Petrobras.

O presidente havia sido convidado para explicar aos parlamentares os financiamentos concedidos a empresas investigadas pela Operação Lava Jato. Os deputados que acompanharam a oitiva viram contradições nas falas de Coutinho e afirmaram que seu depoimento reforça a necessidade de investigar o banco brasileiro. Os financiamentos secretos a países como Cuba e Angola e os critérios de repasse de recursos para empreiteiras estão entre os focos da investigação.
“Os brasileiros têm enormes dúvidas sobre alguns dos negócios realizados pelo BNDES. Os empréstimos feitos de forma secreta levam os brasileiros a questionar por que o banco tem que emprestar dinheiro a países como Cuba”, frisou Nilson Leitão durante discurso na tribuna da Câmara. “O dinheiro enviado a locais mantidos por ditaduras sai do caixa do Tesouro Nacional”, ressaltou o tucano.

O deputado Antonio Imbassahy (BA), 1º vice-presidente da CPI da Petrobras, lembrou que o banco tem grande importância para o desenvolvimento nacional, mas os empréstimos bilionários realizados desde o governo Lula geram suspeitas que precisam ser esclarecidas. Segundo ele, há um grande volume de financiamentos direcionados a países ideologicamente alinhados ao PT e que não fiscalizam esses recursos. “Como o banco não tem esclarecido essa situação da maneira como a sociedade espera eu concordo que tem que haver a CPI do BNDES”, avaliou.

Para o deputado Otavio Leite (RJ), o anúncio de que haviam conseguido o número necessário para pedir a instalação da CPI do BNDES, feito por parlamentares da oposição durante o depoimento de Coutinho, refletiu no comportamento do presidente da instituição. “Ao longo dessa sessão ele se revelou titubeante e inseguro. É incompatível com alguém com a experiência dele. Precisamos ir a fundo nessas questões todas”, avaliou o parlamentar.

Otavio destaca que o BNDES teve prejuízos com a roubalheira na Petrobras, já que o banco é acionista da petroleira. “Ele falou que o balanço do BNDES do ano passado sofreu um impacto. E Esse impacto, é claro, foi negativo. Estamos diante de uma situação muito séria e a CPI do BNDES será muito importante para o Brasil”, disse.

No requerimento em que pedem a instalação da nova comissão de inquérito, os deputados destacam que os termos dos contratos secretos de financiamentos a outras nações só poderão ser conhecidos pelos brasileiros em 2027. O texto reforça que apenas em 2012, Angola e Cuba receberam US$ 875 milhões do banco.

Otavio avalia que o BNDES foi um braço financeiro fundamental para a atuação de uma rede de corrupção que agiu em diversas esferas do Poder Público federal durante os governos do PT. “Empréstimos foram concedidos a Taxas de Juros de Longo Prazo (TJLP) com inúmeras facilitações. Isso gerou também muito prejuízo ao banco, o que é péssimo para o Brasil. Quem atuou nesse sentido indo contra a ética e a moral tem que ir para cadeia”, alertou o deputado.

Ao todo, foram obtidas 199 assinaturas requerendo a criação do colegiado. O número mínimo necessário é 171. O Regimento Interno da Câmara só permite o funcionamento de cinco CPIs ao mesmo tempo e atualmente há quatro em andamento. Como existem outros pedidos na fila para instalação de novas investigações, os deputados vão apresentar projeto de resolução para garantir a instalação da CPI do  BNDES.

Do PSDB na Câmara