Aécio Neves – Entrevista coletiva em Brasília

O senador Aécio Neves comentou, hoje (10/12), em entrevista coletiva, o pedido do STF de inconstitucionalidade de doações de empresas às campanhas eleitorais. Aécio Neves também falou sobre o adiamento da votação dos royalties do minério e sobre a dívida dos estados brasileiros.

 

Leia a transcrição da entrevista do senador:

Sobre pedido do STF de inconstitucionalidade de doações de empresas às campanhas eleitorais. O Congresso se omitiu em não fazer a reforma política?

Acho que é de responsabilidade do Congresso sim a ausência de uma reforma política no Brasil. Uma reforma política que aproximasse o eleitor, o cidadão, dos seus representantes. Isso poderia ter passado pelo voto distrital misto, pelo fim das coligações proporcionais, na nossa avaliação, pelo fim da reeleição. Em razão até do mau exemplo que a atual presidente da República vem dando na utilização do cargo para construir as suas alianças em favor da sua reeleição. Não gosto muito deste ativismo político do Supremo Tribunal Federal. Nas vezes em que decidiu, não decidiu a favor, infelizmente, do aperfeiçoamento do processo político brasileiro. Foi assim no final da cláusula de desempenho, a chamada cláusula de barreira. Foi assim quando permite a portabilidade do tempo de televisão e da parcela do fundo partidário quando o parlamentar migra para um novo partido. E em relação ao financiamento de campanhas, o que temos de estabelecer é a transparência absoluta. É saber quem doou e para quem doou, para que não possamos, até a pretexto de estarmos criando limites, estar estimulando o caixa 2, que é o que me parece que pode acontecer.

 

O adiamento da votação dos royalties para o ano que vem prejudica os estados?

Certamente. Falta determinação do governo na condução dessa matéria. O código mineral está sendo discutido pelo Poder Executivo desde o início do segundo mandato do presidente Lula. Eu era governador de Minas Gerais, cobrávamos insistentemente, desde o ano de 2007, para o envio dessa proposta ao Congresso.

Apresentamos inúmeras sugestões como o maior Estado minerador brasileiro, como fez o Pará, Goiás e outros estados. O governo impediu que essa matéria fosse enviada ao Congresso, impediu que outras matérias tramitando no Congresso fossem votadas – eu próprio sou relator dessa matéria no Senado –, a maioria do governo com sucessivos pedidos de vista impediu que essa matéria fosse votada e a realidade hoje é que, mais uma vez, os estados e os municípios mineradores perdem.

Estamos falando de alguma coisa em torno, talvez, de R$ 3 bilhões por ano de receitas a menos dos estados e dos municípios. Mais uma vez a omissão do governo federal prejudica a Federação. Aliás, é bom dizer que na pauta federativa, as questões que dizem respeito ao fortalecimento de estados e municípios, nenhuma delas o governo do PT permitiu que avançasse. O Brasil vive hoje, infelizmente, quase que em um estado unitário. Os estados e municípios dependendo em tudo da União. Nenhuma matéria. Seja o impedimento, por exemplo, das desonerações na parcela de receitas dos estados e municípios, o governo não permitiu que votasse – projeto inclusive de minha autoria. O fim da tributação do PASEP de estados e municípios pagando a União, o governo não permitiu que isso acabasse. O aumento percentual do IPI e do Imposto de Renda na constituição do Fundo de Participação – da senadora Ana Amélia –, o governo impediu que avançasse. E agora a renegociação das dívidas dos estados, o governo também recua.

O que temos hoje no Brasil, infelizmente, é um governo que prefere transformar-nos em um estado unitário, onde a União pode tudo, tem tudo e todos dela dependem. E os municípios e os estados cada vez mais fragilizados. Não só do ponto de vista administrativo, mas o que é mais grave, do ponto de vista político, o que traz também consequências à própria democracia. Porque municípios mais pobres, estados com maiores dificuldades sequer podem exercer, sequer podem manifestar sua posição política, porque a dependência em relação ao governo é absoluta.

Portanto, o PSDB, no momento da apresentação da sua proposta, e no próximo dia 17/12, terça-feira, estaremos aqui a Câmara dos Deputados apresentando as 12 questões que, para nós, são essenciais para serem enfrentadas pelo Brasil, a base dela está na refundação da Federação. Estados e municípios mais vigorosos para eles próprios enfrentarem as suas dificuldades não tendo a absurda e perversa dependência que têm hoje do governo central, da União.

Aécio Neves: Nova legislação mineral trará mais recursos para estados e municípios mineradores

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) retoma, na próxima semana, no Senado, os entendimentos pela aprovação da proposta que aumenta o valor da Compensação Financeira sobre a Exploração dos Recursos Minerais (CFEM), os royalties do minério pagos aos municípios mineradores.

A correção no valor dos royalties é uma antiga reivindicação dos estados e municípios mineradores e está sendo discutida há mais de quatro anos pelo governo federal sem que haja uma decisão final.

Mês passado, o senador Aécio Neves reuniu os senadores e as mineradoras para buscar um novo acordo que aumenta os valores pagos aos municípios e estados. Em entrevista, o ex-governador de Minas disse que acredita na aprovação das mudanças propostas e no entendimento com as empresas de mineração.

O governo federal deve anunciar até o final do ano o novo Código de Mineração do país. O senhor é autor de uma proposta em discussão no Senado, que aumenta o valor dos royalties pagos aos municípios e estados mineradores. Qual a expectativa do senhor para que esta antiga reivindicação dos municípios seja atendida?

Em primeiro lugar é preciso que se diga que não há nenhuma matéria em tramitação no Congresso Nacional que traga maiores benefícios para Minas Gerais em especial, e para os estados mineradores do que esta, que permitirá que os municípios e estados mineradores recebam o retorno mais digno da exploração da mineração. Sabemos que historicamente esta luta vem sendo travada por mineiros e por brasileiros de todos os partidos na busca de um ressarcimento mais justo. Para se ter apenas uma ideia, enquanto o estado do Rio de Janeiro, por exemplo, recebe de royalties do petróleo, algo em torno de R$ 7 bilhões por ano, Minas Gerais, que é responsável por 50% da exploração mineral do Brasil, recebe apenas R$ 250 milhões. Portanto, o que estamos buscando com o meu substitutivo que poderá ser votado nas próximas semanas, é exatamente garantir que as empresas mineradoras continuem trabalhando e gerando divisas, gerando renda, para o estado e para o país, mas que elas possam ressarcir de forma mais digna os estados e municípios mineradores. A atividade mineradora é degradante do ponto de vista ambiental e, ao mesmo tempo, quando as minas se exaurem, quando elas deixam de produzir comercialmente, uma grande parcela dos funcionários desta atividade precisam de uma outra alocação, precisam de uma outra atividade econômica. E esses recursos visam exatamente isso, fomentar também uma atividade que possa suprir, que possa vir depois, da atividade mineral.

A proposta apresentada pelo do senhor e a do governo federal atendem aos municípios?

Esse substitutivo que vamos apresentar provavelmente, na próxima semana, ele tem na verdade, dentre os seus objetivos, além de requalificar a alíquota, trazer a alíquota para um valor mais justo para a recuperação dessas regiões degradadas, ela busca estimular o governo federal a enviar ao Congresso, um novo marco regulador do setor mineral. Há cerca de quatro anos o governo federal iniciou esta discussão e, até hoje, infelizmente, não houve o envio ao Congresso Nacional desta proposta. Eu era ainda governador de Minas quando discutimos com o ministério das Minas e Energia, apresentamos as nossas sugestões, mas infelizmente até agora essa proposta não foi enviada. Portanto, estamos apresentando este substitutivo também com o objetivo de apressar o governo federal a fazer a discussão que já deveria ter feito há muito tempo. Porque o nosso sentimento é de que se não tomarmos a iniciativa, o governo poderá permitir que o tempo passe mais uma vez, mais um mandato termine sem que Minas Gerais e os estados mineradores, em especial os municípios mineradores, tenham o retorno que precisam ter. Eu estou extremamente otimista. Na próxima semana, vamos fazer um amplo entendimento dentro do Congresso Nacional com várias forças partidárias. Existem vários parlamentares envolvidos nesta discussão de Minas Gerais, do Pará, de Goiás e de alguns outros estados, e a nossa intenção é que este meu substitutivo possa ser votado na Comissão de Infraestrutura até o final da próxima semana, transformando as alíquotas que hoje são calculadas pelo valor líquido, pelo resultado líquido, pelo resultado bruto, e a partir daí, portanto, garantir o ressarcimento mais justo aos estados e municípios.

O senhor considera que esta nova legislação, então, vai ser importante para os estados e municípios mineradores?

Ela na verdade vai ser a redenção dos municípios e estados mineradores. Tanto para a recuperação ambiental, quanto também para que outra atividade econômica possa vir após a atividade mineradora. Portanto é preciso que haja um grande união de todos parlamentares, de todos os partidos, para que possamos aprovar essa matéria, não obstante o governo federal, até agora, não ter enviado a sua proposta que, repito, cuja discussão se iniciou há quatro anos atrás.

Aécio Neves – Entrevista – Novo Código Mineral

Assuntos: novo Código Mineral, aumento dos royalties do minério

O governo federal deve anunciar até o final do ano o novo Código de Mineração do país. O senhor é autor de uma proposta em discussão no Senado, que aumenta o valor dos royalties pagos aos municípios e estados mineradores. Qual a expectativa do senhor para que esta antiga reivindicação dos municípios seja atendida?

Em primeiro lugar é preciso que se diga que não há nenhuma matéria em tramitação no Congresso Nacional que traga maiores benefícios para Minas Gerais em especial, e para os estados mineradores do que esta, que permitirá que os municípios e estados mineradores recebam o retorno mais digno da exploração da mineração. Sabemos que historicamente esta luta vem sendo travada por mineiros e por brasileiros de todos os partidos na busca de um ressarcimento mais justo. Para se ter apenas uma ideia, enquanto o estado do Rio de Janeiro, por exemplo, recebe de royalties do petróleo, algo em torno de R$ 7 bilhões por ano, Minas Gerais, que é responsável por 50% da exploração mineral do Brasil, recebe apenas R$ 250 milhões. Portanto, o que estamos buscando com o meu substitutivo que poderá ser votado nas próximas semanas, é exatamente garantir que as empresas mineradoras continuem trabalhando e gerando divisas, gerando renda, para o estado e para o país, mas que elas possam ressarcir de forma mais digna os estados e municípios mineradores. A atividade mineradora é degradante do ponto de vista ambiental e, ao mesmo tempo, quando as minas se exaurem, quando elas deixam de produzir comercialmente, uma grande parcela dos funcionários desta atividade precisam de uma outra alocação, precisam de uma outra atividade econômica. E esses recursos visam exatamente isso, fomentar também uma atividade que possa suprir, que possa vir depois, da atividade mineral.

A proposta apresentada pelo do senhor e a do governo federal atendem aos municípios?

Esse substitutivo que vamos apresentar provavelmente, na próxima semana, ele tem na verdade, dentre os seus objetivos, além de requalificar a alíquota, trazer a alíquota para um valor mais justo para a recuperação dessas regiões degradadas, ela busca estimular o governo federal a enviar ao Congresso, um novo marco regulador do setor mineral. Há cerca de quatro anos o governo federal iniciou esta discussão e, até hoje, infelizmente, não houve o envio ao Congresso Nacional desta proposta. Eu era ainda governador de Minas quando discutimos com o ministério das Minas e Energia, apresentamos as nossas sugestões, mas infelizmente até agora essa proposta não foi enviada. Portanto, estamos apresentando este substitutivo também com o objetivo de apressar o governo federal a fazer a discussão que já deveria ter feito há muito tempo. Porque o nosso sentimento é de que se não tomarmos a iniciativa, o governo poderá permitir que o tempo passe mais uma vez, mais um mandato termine sem que Minas Gerais e os estados mineradores, em especial os municípios mineradores, tenham o retorno que precisam ter. Eu estou extremamente otimista. Na próxima semana, vamos fazer um amplo entendimento dentro do Congresso Nacional com várias forças partidárias. Existem vários parlamentares envolvidos nesta discussão de Minas Gerais, do Pará, de Goiás e de alguns outros estados, e a nossa intenção é que este meu substitutivo possa ser votado na Comissão de Infraestrutura até o final da próxima semana, transformando as alíquotas que hoje são calculadas pelo valor líquido, pelo resultado líquido, pelo resultado bruto, e a partir daí, portanto, garantir o ressarcimento mais justo aos estados e municípios.

O senhor considera que esta nova legislação, então, vai ser importante para os estados e municípios mineradores?

Ela na verdade vai ser a redenção dos municípios e estados mineradores. Tanto para a recuperação ambiental, quanto também para que outra atividade econômica possa vir após a atividade mineradora. Portanto é preciso que haja um grande união de todos parlamentares, de todos os partidos, para que possamos aprovar essa matéria, não obstante o governo federal, até agora, não ter enviado a sua proposta que, repito, cuja discussão se iniciou há quatro anos atrás.

Aécio comenta a elaboração de novo Código Mineral

O senador fala sobre sua proposta que aumenta os royalties da mineração e sobre a elaboração de um novo Código para o setor.