Entrevista senador Aécio Neves – Brasília – 21/08/17

Há hoje um grande esforço, não apenas da classe política, mas de toda Minas Gerais na busca da reversão das consequências da Medida Provisória 579, editada pela ex-presidente Dilma Rousseff, e que poderá levar a Cemig a perder 50% do seu parque de geração. A Cemig não é apenas a empresa mais importante de Minas Gerais, é aquela que mais contribui para o desenvolvimento das regiões mais desassistidas, mais carentes do Estado, com inúmeros programas de iluminação e geração de energia naquela região. Portanto ela é fundamental para a economia mineira e também para a vida dos mineiros.

Por isso estamos fazendo um esforço enorme na busca de uma saída que seria a própria Cemig adquirir essas usinas com financiamento do BNDES, financiamento que seria pago ao longo do tempo com a própria geração de receitas dessas usinas. Alguns anos atrás, em 2012, a presidente Dilma editou uma medida provisória que impedia a Cemig de fazer a renovação da concessão dessas usinas, que estava inclusive prevista em contrato, e, a partir daí, estamos vivendo esse imbróglio, estamos vivendo esse conflito.

Hoje me reuni com o deputado Fabio Ramalho, com o presidente da Cemig, com o secretário da Fazenda, com técnicos do governo de Minas Gerais, porque, neste momento, acima das nossas divergências partidárias está o interesse de Minas Gerais. Conversei com o presidente Temer longamente por duas vezes na última semana e estamos encaminhando hoje ainda ao ministro Diogo, com quem estive agora há pouco, uma proposta que possibilite o BNDES financiar a Cemig em algo que é de altíssimo interesse de todos os mineiros.

Na última sexta-feira, me reuni com o presidente Temer para tratar de uma saída para que a Cemig não perca 50% do seu parque gerador de energia. Todos sabemos da relevância da Cemig, não apenas para a economia, mas também para a vida de Minas Gerais com inúmeros programas sociais que ela desenvolve, de geração de energia, de renda, em várias regiões do Estado. Tudo isso, é consequência da desastrada medida provisória editada em 2012 pela ex-presidente Dilma que impediu a Cemig de exercer um direito contratual e renovar o contrato dessas usinas.

Sobre a reunião desta segunda-feira.

Hoje me reuni com o presidente da Cemig, com o deputado Fábio Ramalho, com o secretário de Fazenda de Minas Gerais e com outros técnicos para buscar ainda uma alternativa para que o leilão marcado para o mês de setembro não ocorra nos termos em que está colocado. Também estive com o ministro do Planejamento Dyogo (Oliveira) na busca de uma medida provisória que permita ao BNDES financiar a Cemig, que pagaria ao banco com os recursos da própria geração e não perderia, portanto, este ativo extremamente relevante. É hora de, acima das divergências partidárias, estarmos mais do que nunca juntos em favor dos interesses de Minas Gerais e dos mineiros.

Aécio defende edição de MP pelo governo em apoio à Cemig

Senador conversou com presidente e diretores da estatal sobre proposta de BNDES garantir aporte para usinas.

Três dias depois da reunião com o presidente da República, Michel Temer, para tratar do risco de perda pela Cemig das usinas que respondem por quase 50% da geração de energia do Estado, o senador Aécio Neves apresentou ao ministro do Planejamento a proposta da empresa para garantir o controle das hidrelétricas de São Simão, Miranda e Jaguara.

Antes da reunião, realizada nessa segunda-feira no Ministério do Planejamento, o senador avaliou com o presidente da Cemig, Bernardo Alvarenga, e o secretário da Fazenda, José Afonso Bicalho, a proposta de um aporte à empresa via BNDES para aquisição das usinas, que têm leilão previsto para o mês que vem.

“O ministro Dyogo Oliveira e eu avaliamos a proposta de um financiamento do BNDES à Cemig para aquisição das usinas. Para que isso ocorra é preciso uma autorização do governo federal por meio de uma medida provisória. O ministro espera que a Cemig apresente o quanto antes uma proposta formal, o que ainda não ocorreu, para análise dos técnicos do governo. Pedi ao ministro que receba o presidente da Cemig, com quem também estive nesta segunda-feira, para detalhamento da proposta”, afirmou o senador Aécio.

Mobilização política

Na reunião com a direção da Cemig o senador voltou a destacar a união das bancadas estadual e federal de Minas em defesa do parque gerador de energia do Estado. O encontro teve a presença do vice-presidente da Câmara dos Deputados, deputado federal Fábio Ramalho, do PMDB.

Na sexta-feira, o senador e ex-governador de Minas tratou do assunto diretamente com o presidente Michel Temer.

“Acima das divergências partidárias com o atual governo do Estado está o interesse dos mineiros. Conversei com o presidente Temer por duas vezes, na última semana, e hoje (21/08) encaminhamos ao ministro do Planejamento a proposta que possibilita à Cemig manter sob gestão do Estado algo que é de altíssimo interesse de todos os mineiros”, ressaltou Aécio.

O senador voltou a lamentar a edição, em 2012, da MP 579 pela ex-presidente Dilma Rousseff. A medida afetou todo setor elétrico nacional, mas, em especial, a Cemig e as empresas de energia do Paraná, Santa Catarina e São Paulo que se recusaram a assinar contrato de renovação à época e aceitar a definição de preços pelo governo federal.

“Todo esforço busca a reversão das consequências da medida provisória 579, editada pela ex-presidente Dilma. Estamos fazendo um esforço enorme na busca de uma saída”, afirmou Aécio Neves.

A reunião com o presidente da Cemig teve também as presenças dos diretores Cesar Vaz de Melo (Negócios), Adezio de Almeida Lima (Financeiro) e Luciano Ferraz (Jurídico).

Aécio anuncia que PSDB irá pedir à Justiça que impeça Dilma de usar estrutura do governo para se defender

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, anunciou que o partido vai entrar com uma ação na Justiça Federal nesta sexta-feira para impedir que a presidente Dilma Rousseff continue a usar os eventos públicos e a estrutura do governo para defender-se das acusações relacionadas ao processo de impeachment. O tucano condenou, nesta quinta-feira, o fato de a presidente Dilma promover atos oficiais pagos com dinheiro público no Palácio do Planalto, para articular sua defesa, como o encontro com 30 juristas, realizado essa segunda-feira.

Sonora do senador Aécio Neves
“O PT sempre teve uma enorme dificuldade de diferenciar aquilo que é público daquilo que é privado. Portanto, essa defesa deve se ater o nome do pessoal da presidente da República e obviamente também no âmbito partidário. Utilizar como nós assistimos esses chamados juristas, essa semana. E o Palácio do Planalto e também os inúmeros eventos oficiais bancados, financiados pela estrutura do Estado. Usar esses eventos para defender-se dessas acusações, ao meu ver, é mais uma incorreção da presidente da República”.


Aécio Neves ainda ressaltou que a presidente Dilma utiliza o poder de comunicação que tem como presidente para confundir a população ao dizer que as fraudes cometidas pelo governo nas contas públicas foram cometidas para pagamentos dos programas “Minha Casa, Minha Vida” e “Bolsa Família”. O senador desmente a versão. Ele afirmou que as chamadas pedaladas fiscais foram cometidas para financiar, via BNDES, grandes grupos empresariais no país. De Brasília, Shirley Loiola.

Boletim

Aécio Neves – Entrevista em Brasília

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, concedeu entrevista coletiva, nesta quinta-feira (10/12), em Brasília. Aécio falou sobre a reunião com governadores e líderes do partido, impeachment da presidente Dilma, Michel Temer, pedaladas fiscais, ministro Fachin, decisão do STF e TSE.

Leia a transcrição da entrevista do senador:
Qual teor da conversa com o governador Geraldo Alckmin?

Fui apenas cumprimentá-lo pela instalação do novo escritório de São Paulo em Brasília, mas teremos hoje, a partir, das 19 horas, uma importante reunião com a presença de todos os governadores do PSDB, dos líderes na Câmara e no Senado, e do ex-presidente Fernando Henrique.

Nós reuniremos na sede do partido para discutirmos o cenário político e, obviamente também a questão da tramitação do impeachment, a decisão do Supremo e as suas consequências.

Quero dizer também que li declarações publicadas hoje na imprensa atribuídas ao ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, que são absolutamente inaceitáveis para um ministro de Estado. Segundo essas afirmativas, ele considera que as chamadas pedaladas e aqueles decretos que foram assinados sem a autorização prévia do Congresso Nacional – que na verdade violam a Lei de Responsabilidade Fiscal – foram política e juridicamente corretos. Não foram nem uma coisa, nem outra.

Politicamente incorretos porque permitiram a contaminação do processo eleitoral no ano passado. E do ponto de vista jurídico, também condenáveis como já fez o Tribunal de Contas, e prepara-se para fazer o Congresso Nacional. Faria melhor o ministro se sinalizasse pelo reconhecimento dos equívocos e das ilicitudes cometidas, até para que pudéssemos perceber que não é sua intenção cometer outras ilicitudes. O próprio ministro hoje é alvo no Tribunal de Contas da União de investigações sobre a sua responsabilidade nesses desmandos.

Não é aceitável que o ministro do Planejamento possa dizer ao país que a presidente da República pode cometer qualquer tipo de ilícito e que isso é politicamente correto. Quero aqui rechaçar de forma clara. As ações da presidente da República são incorretas, condenáveis e é por isso que ela está hoje tendo o constrangimento de responder junto à Câmara dos Deputados e ao Congresso Nacional, em última instância, pelos crimes ali cometidos.


Sobre a nova ação na PGR contra presidente Dilma.

Quero dizer que o PSDB estará, amanhã, entrando com uma ação na Procuradoria Geral da República para impedir que a presidente da República continue a utilizar a estrutura do governo e o Palácio do Planalto para defender-se das acusações que a ela são feitas em relação ao impeachment.

O PT sempre teve uma enorme dificuldade de diferenciar aquilo que é público daquilo que é privado. Aquilo que é público daquilo que é partidário. Portanto, esta defesa deve se ater no âmbito pessoal da presidente da República e, obviamente, também no âmbito partidário. Utilizaram, como assistimos nesse convescote dos chamados juristas, essa semana, o Palácio do Planalto e também os inúmeros eventos oficiais bancados, financiados pela estrutura do Estado. Usar esses eventos para defender-se dessas acusações é, a meu ver, mais uma incorreção da presidente da República, e vamos solicitar que a Procuradoria se manifeste para dizer à presidente da República que o Palácio do Planalto, a sede do governo brasileiro, deve ser utilizado para questões de Estado e não para questões que envolvem pessoalmente, ou partidariamente, a presidente da República.


O que é essa ação?

É uma ação na qual solicitamos à Procuradoria Geral que se manifeste sobre a legalidade da utilização de espaços públicos, de eventos públicos, porque isso está vindo em um crescente e sequer iniciamos ainda a discussão do processo de impeachment no Congresso Nacional. Queremos deixar claro que, a nosso ver, essa defesa não pode ser feita instrumentalizando, mais uma vez, o Estado, utilizando a estrutura do Estado, os eventos públicos do Palácio do Planalto. Deve ser feita, obviamente, por ela, do ponto de vista pessoal e também pelo seu partido.


E a atuação do advogado-geral da União? Porque ele também tem tido reuniões com o presidente Temer e tem sido o interlocutor do governo.

Provavelmente sim, porque ali também estamos assistindo a abusos. Estamos redigindo hoje essa ação e vamos dar entrada amanhã e passo para vocês o conteúdo.


A reunião de hoje à noite é uma tentativa de formar uma espécie de frente pró-impeachment, com o apoio dos governadores?

Acho que nem tanto. O que temos que fazer – enquanto maior partido de oposição no Brasil, um partido que tem responsabilidade para com o país, que tem um projeto futuro de país – é examinarmos todas as consequências para a vida do país, dos estados, já que governamos vários estados, nesse processo que se inicia agora.

Vamos avaliar a decisão que será tomada pelo Supremo (STF). E quero aqui antecipar que, a nosso ver, a decisão inicial do ministro Fachin, se se detiver à questão do rito, estabelecendo normas claras que regulamentem a tramitação do processo de impeachment, é muito benvinda. Até porque não houve esse regramento claro que deveria ter ocorrido após o impeachment do ex-presidente Collor.

A nossa expectativa é que não haja uma intromissão excessiva em atribuições que são do Poder Legislativo. Caberá ao Supremo Tribunal Federal, e externo meu respeito ao ministro Fachin, manifestar se houve alguma ilegalidade cometida ou obviamente impedir que outras sejam cometidas no futuro, estabelecendo esse rito. Adentrar em atribuições que são do Poder Legislativo ou legislar em vácuos que possam existir no regimento em relação à questão do impeachment, a meu ver, pode agravar essa crise.

Portanto, a nossa expectativa é de que a decisão do ministro Fachin possa dar celeridade a esse procedimento, e não criar um novo e desnecessário impasse. Por isso, confiamos na decisão dele e no alerta que ele faz em relação à necessidade de ter um rito. Se for isso, estaremos apoiando.


Corre risco de haver pedido de vistas de algum ministro. O sr. defende uma decisão na quarta-feira ou fique para o ano que vem?

Eu defendo que acabe na quarta-feira. Acho que não tem sentido atravessarmos todo período de recesso com esse impasse. Apresentei, no início dessa semana, ao presidente Renan, uma proposta, e fiz isso pessoalmente, para que nós fizéssemos a autoconvocação do Congresso, aprovada por maioria das duas casas para algo em torno do dia 15 de janeiro, um pouco antes ou um pouco depois.

Seria a interrupção pela metade do recesso. Me disse ontem, o presidente Renan, que conversou com a presidente da República sobre essa alternativa e que ele achava que poderíamos avançar nessa direção. Isso, eu acho que acalmaria um pouco os ânimos. Não precisamos ter derrotados e vitoriosos nessa questão que é absolutamente secundária. Acho que é razoável que o Congresso paralise agora no final do ano, até porque isso é natural, que os parlamentares possam também banhar-se no sentimento das suas bases e, a partir do dia 10, poderíamos estar voltando para dar prosseguimento a essa discussão.

Não me parece adequado que o Supremo entre em recesso sem que o Congresso resgate o seu poder de conduzir este processo. Se isto acontecer, acho que, aí sim, haverá uma incompreensão grande por parte da sociedade brasileira.


O sr. encontrou ontem o vice-presidente no jantar do senador Eunício. Como foi?

Um jantar de confraternização que ocorre todos os anos, que o senador Eunício oferece aos parlamentares e conversas absolutamente triviais. Ao final, chegou o vice-presidente Michel Temer, a quem cumprimentei. Tenho com ele uma relação pessoal muita antiga, eu sucedi o presidente Michel Temer na presidência da Câmara dos Deputados e construímos, desde então, uma relação muito sólida, mas absolutamente nada, pelo menos enquanto eu estava lá, político foi tratado. Até porque a reunião era extremamente eclética, tinha lá senadores do PT, do PSDB e de todos os partidos da base acho que, praticamente, sem exceção.

Foi uma confraternização entre homens públicos que, independentemente da posição que tenham, circunstancial em relação ao que está acontecendo no Brasil, têm a capacidade de conversar, de se respeitarem, nada além disso.


O deputado Eduardo Cunha e suas encrencas atrapalham o processo de impeachment?

Não é bom, eu acho, esse adiamento permanente das decisões do Conselho de Ética. Não faz bem ao Parlamento, não faz bem ao processo democrático. Agora, o presidente da Câmara deixou de ser ator principal, ele já não tem, em relação à questão do impeachment, nenhum papel mais relevante. Ele será conduzido por essa comissão, que, espero, esteja formada na semana que vem. A partir daí pelo plenário da Câmara dos Deputados e, em última instância, pelo Senado.

Portanto, o presidente da Câmara já não tem protagonismo nessa questão e, por isso, vai soar cada vez mais falso ou distante da realidade essa tentativa política do governo e do PT de transformar a discussão do impeachment, que deve se ater às acusações formais que ali estão sendo feitas à presidente da República, num Fla-Flu, numa disputa entre a presidente Dilma e o presidente Eduardo Cunha. Não há mais espaço para isso.

A presidente da República hoje se apresenta quase que diariamente, se defendendo daquilo que não é acusada e, obviamente, omitindo, esquecendo de falar sobre as acusações efetivas que lhe são feitas. Quero, mais uma vez, corrigir a presidente da República: não foi para pagar o Minha Casa, Minha Vida, o que nem sequer poderia ter ocorrido, que as pedaladas ocorreram. A parte menor das pedaladas representam pagamentos tanto de Minha Casa, Minha Vida quanto do Bolsa Família. Mas a maior parte, cerca de dois terços daquilo que se estabeleceu chamar de pedaladas, foi para financiar, via BNDES, grandes grupos empresariais no país.

É hora da presidente da República começar a se preocupar com a sua defesa efetiva em relação às acusações que lhe são feitas, de ter assinado decretos não numerados sem a prévia autorização do Congresso Nacional e ter permitido que os bancos públicos sob o controle do Estado, o que é vedado pela Lei, pudessem estar financiando programas sociais, inclusive com o agravante de que isso ocorreu no período eleitoral com o claro intuito de influenciar o processo eleitoral.

Essa é a questão formal a qual deve dedicar-se a presidente da República. E não fosse isso suficiente, eu sugeriria também que ela reservasse um pouco do seu esforço para defender-se das gravíssimas acusações que hoje pesam sobre ela no TSE, o Tribunal Superior Eleitoral, em razão da abertura de uma investigação por haver indícios fortes da utilização de dinheiro da propina da Petrobras para financiar a sua candidatura à reeleição.


Qual a sua opinião sobre o fato de o vice-presidente Michel Temer também ter assinado esses decretos sem número?

Vi as notícias, não tenho um conhecimento formal em relação a isso e esse tema ainda não foi colocado. A ação sobre a qual deve debruçar-se a Câmara dos Deputados é em relação à presidente da República. Se amanhã isso for comprovado e houver uma ação nessa direção, caberá à Câmara dos Deputados decidir, com amplo direito de defesa, como eu defendo para a própria presidente da República.

Seja aqui na Câmara, como já aconteceu no TCU, seja no Tribunal Eleitoral. A presidente deve ter direito a apresentar a sua defesa. Isso nos garante o Estado de Direito. Nós, da oposição, não prejulgamos. Não depende de nós ter ou não ter impeachment. Depende de nós garantirmos que as instituições funcionem e depende de nós dizermos com muita clareza que o impeachment, ou a sua possibilidade, é uma previsão constitucional, e nisso a decisão do ministro Fachin é importante e contribui, porque no momento em que o Supremo aprova um rito para o processo do impeachment caminhar no Congresso Nacional, ele está obviamente afastando qualquer possibilidade de golpe.

Portanto, sob esse aspecto também é construtiva a posição do ministro Fachin, que esperamos todos nós não seja de adentrar em decisões que são de responsabilidade do Congresso. Se amanhã, no futuro, surgir alguma ação que envolva o vice-presidente da República, obviamente ele terá direito de se defender, como já vem fazendo informalmente.

Aécio critica ministro de Dilma que considera corretas manobras fiscais que violaram Lei de Responsabilidade Fiscal

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, criticou nesta quinta-feira (10/12), o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, por declarações dadas à imprensa nas quais ele afirma que as pedaladas fiscais e os decretos publicados pela presidente Dilma Rousseff sem autorização prévia do Congresso Nacional, prática que foi considerada crime de responsabilidade por unanimidade dos ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), foram adequados tanto do ponto de vista político como jurídico.

“Não foram nem uma coisa, nem outra. Politicamente incorretos porque permitiram a contaminação do processo eleitoral no ano passado. E do ponto de vista jurídico, também condenáveis como já fez o Tribunal de Contas, e prepara-se para fazer o Congresso Nacional. Faria melhor o ministro se sinalizasse pelo reconhecimento dos equívocos e das ilicitudes cometidas, até para que pudéssemos perceber que não é sua intenção cometer outras ilicitudes”, criticou o senador Aécio Neves, em entrevista no Senado.

O presidente nacional do PSDB lembrou que o próprio Nelson Barbosa é alvo de investigação no processo aberto pelo TCU para apurar a responsabilidade da presidente da República nas manobras fiscais realizadas ano passado, além de outras 17 autoridades, como o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

Aécio avaliou que o ministro do Planejamento deu um mau exemplo aos brasileiros.

“Não é aceitável que o ministro do Planejamento possa dizer ao país que a presidente da República pode cometer qualquer tipo de ilícito e que isso é politicamente correto. Quero aqui rechaçar de forma clara. As ações da presidente da República foram incorretas, condenáveis e é por isso que ela está hoje tendo o constrangimento de responder junto à Câmara dos Deputados e ao Congresso Nacional, em última instância, pelos crimes ali cometidos”, ressaltou o presidente nacional do PSDB.


Ação na Justiça

Aécio Neves anunciou que o PSDB entrará, nesta sexta-feira (11), com uma representação junto à Justiça Federal para impedir que a presidente Dilma Rousseff continue a usar recursos públicos e as instalações do Palácio do Planalto para promover eventos políticos com grupos que são contra o processo de impeachment aberto pela Câmara dos Deputados.

A oposição quer que a Justiça se manifeste sobre a legalidade do uso de eventos pagos com dinheiro público para a realização de atos políticos em favor da presidente, como o encontro de 30 juristas realizado segunda-feira passada, no Palácio do Planalto.

“É uma ação na qual solicitamos que a Justiça se manifeste sobre a legalidade da utilização de espaços públicos e de eventos públicos, porque isso está vindo em um crescente e sequer iniciamos ainda a discussão do processo de impeachment no Congresso Nacional. Queremos deixar claro que, a nosso ver, essa defesa não pode ser feita instrumentalizando, mais uma vez, o Estado, utilizando a estrutura do Estado, os eventos públicos do Palácio do Planalto. Deve ser feita, obviamente, por ela, do ponto de vista pessoal e também pelo seu partido”, cobrou Aécio Neves.

Impeachment no STF

Na entrevista, o senador voltou a demonstrar confiança no Supremo Tribunal Federal (STF), que, por decisão do ministro Edson Fachin, suspendeu a instalação da comissão especial do impeachment na Câmara dos Deputados. Aécio avaliou que a Corte não irá interferir no rito a ser seguido pelo Legislativo, mas sim definirá normas claras para a tramitação do impeachment no Congresso Nacional.

“Vamos avaliar a decisão que será tomada pelo STF e quero antecipar que, a nosso ver, a decisão inicial do ministro Fachin, se se detiver à questão do rito, estabelecendo normas claras que regulamentem a tramitação do processo de impeachment, é muito benvinda. A nossa expectativa é que não haja uma intromissão excessiva em atribuições que são do Poder Legislativo. Caberá ao Supremo Tribunal Federal, e externo meu respeito ao ministro Fachin, manifestar se houve alguma ilegalidade cometida ou obviamente impedir que outras sejam cometidas no futuro”, afirmou Aécio.

Dilma cometeu pedaladas fiscais para financiar grandes empresas e não para pagar Bolsa Família, rebate Aécio Neves

O presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, rebateu, nesta terça-feira (08/12), as declarações da presidente Dilma Rousseff de que cometeu as chamadas pedaladas fiscais para pagar benefícios dos programas Bolsa Família e do Minha Casa Minha Vida.

Em entrevista à imprensa no Senado, Aécio ressaltou que a maior parte das manobras fiscais, consideradas crime de responsabilidade por unanimidade dos ministros do Tribunal de Contas da União (TCU), foi usada na verdade para cobrir financiamentos dados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para grandes empresas.

“A presidente da República e o governo passaram meses dizendo que não cometeram crime, dizendo que as pedaladas não ocorreram. Ouvi, ontem, a presidente da República confessando que cometeu as pedaladas para pagar o Bolsa Família. Quero dizer à presidente que, em parte, ela está certa. Houve, sim, o cometimento das chamadas pedaladas, mas o pagamento do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida a que ela se refere foi a parte menor destas pedaladas. O maior volume de recursos foi para as grandes empresas, através do PSI [Programa de Sustentação do Investimento] e do BNDES”, ressaltou o senador Aécio Neves.

Ao contrário do que afirmou a presidente Dilma, ontem, as manobras não foram usadas para o governo pagar os benefícios do Bolsa Família ou concluir casas do Minha Casa Minha Vida. Os dois programas representaram ano passado R$ 42,4 bilhões de uma despesa total de R$ 1,031 trilhão. Ou seja, os dois programas responderam juntos por menos de 4% da despesa primária do governo.

O que levou o governo federal a fraudar suas contas foram os subsídios concedidos para atender grandes empresas via bancos públicos (BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), que emprestaram recursos a uma taxa de juros menor, com a promessa de que o Tesouro cobriria esse prejuízo. O que ocorreu foi que o Tesouro Nacional não cumpriu o prometido, acumulando uma dívida de mais de R$ 50 bilhões no final de 2014 junto a esses bancos.