Aécio Neves defende fim do “Custo Brasil” e simplificação da carga tributária

Em palestra, na Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos em São Paulo, nesta quinta-feira, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, defendeu a redução da máquina pública e o fim de obstáculos econômicos que dificultam a entrada de novas empresas no mercado brasileiro e reduzem a competitividade do setor produtivo do país, conhecido como custo Brasil. Na ocasião, o tucano afirmou que o atual modelo econômico do país é a causa da crise enfrentada por diversos setores, inclusive o de indústria de máquinas e equipamentos. Aécio reiterou o compromisso do PSDB de reduzir a máquina pública e criar uma secretaria especial para simplificar o sistema de cobranças de impostos do Brasil. Para ele, estas são medidas essenciais para a retomada do crescimento da economia.

 

Sonora de Aécio Neves

“A questão da carga tributária nós temos que enfrentá-la de forma realista e verdadeira em duas etapas. A primeira delas é essa: uma simplificação rápida do nosso sistema  tributário para que nós possamos abrir espaço, aí sim, para diminuição horizontal da carga tributária. Para isso, é preciso fundamentalmente da qualificação dos gastos do governo.”

 

Boletim

Aécio Neves defende guerra ao custo Brasil em palestra para empresários em São Paulo

O combate ao elevado peso dos impostos e da burocracia sobre a produção industrial, o chamado custo Brasil, será prioridade no plano de governo do PSDB a ser apresentado aos eleitores durante a campanha eleitoral deste ano, afirmou, nesta quinta-feira (08/05), o presidente nacional do partido, senador Aécio Neves (MG).

Durante palestra para empresários na Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo, Aécio defendeu uma agenda positiva para retomar a competitividade não só da indústria, que vive uma das piores crises de sua história, com perda de participação no PIB, mas também para outros setores da economia.

“O custo Brasil inviabiliza a competitividade de qualquer setor da nossa economia. O próximo governo, e espero que seja o nosso governo, tem que decretar guerra absoluta ao custo Brasil. Isso precisa ser perseguido por uma administração que sabe o que quer e não tenha receio de tomar as medidas que sejam necessárias”, afirmou o tucano durante a palestra.

Entre as medidas que avalia necessárias para a retomada da competitividade da indústria nacional, Aécio Neves destacou a simplificação do sistema tributário. O senador anunciou a intenção de criar uma secretaria especial, em um eventual governo do PSDB, para estudar o assunto com sugestões da sociedade.

“Temos de enfrentar a questão da carga tributária de forma realista e verdadeira, em duas etapas. A primeira é a simplificação rápida do nosso sistema tributário, para que possamos abrir espaço para uma diminuição horizontal da carga tributária. Para isso, é preciso a qualificação dos gastos do governo para que haja espaço para a redução”, afirmou ao comentar o aumento crescente dos gastos públicos em detrimento do crescimento das receitas.

Aécio Neves foi o primeiro pré-candidato a presidente a fazer palestra na Abimaq este ano. O encontro foi acompanhado por cerca de 150 empresários e pelo presidente do diretório do partido em São Paulo, deputado federal Duarte Nogueira, pelos deputados tucanos Mendes Thame e Vanderlei Macris, pelo presidente do Partido Solidariedade, Paulinho da Força, e pelo ex-governador e um dos vice-presidentes nacionais do PSDB, Alberto Goldman.

 

Empregos

Para Aécio, a retomada da indústria na recomposição do PIB é fundamental para recuperar os milhares de empregos perdidos no setor. “O mal aos trabalhadores já foi feito. O mal é a perda de competitividade da nossa economia em seus mais variados setores, o mal é a inflação retomando. Não há como a população viver bem se a economia vai mal”, disse numa crítica ao crescimento pífio do PIB no governo da presidente Dilma Rousseff.

 

Redução de ministérios

Aécio Neves também reafirmou o compromisso do PSDB com o corte pela metade do atual número de 39 ministérios criados pelo governo do PT. “Considero esse número um acinte não apenas pelo custo operacional, mas também por achar que um governo não se pode permitir governar com quase 40 ministérios. Temos que cortar isso pela metade”, defendeu o presidente nacional do partido.

 


Iniciativa privada

Aécio também destacou durante a palestra que a saída para a retomada do crescimento da economia brasileira passa por mais políticas públicas que incentivem o investimento privado, com menos intervenção estatal e mais segurança jurídica. O tucano lembrou que o atual governo demonizou durante uma década as parcerias com o setor privado, numa referência às privatizações, e falhou na geração de condições adequadas para que os investimentos pudessem ocorrer.

“Assistimos, ao longo de todo esse período, o distanciamento do governo federal daquilo que seria essencial para a retomada do crescimento em bases sustentáveis. Buscou-se um alinhamento ideológico atrasado e anacrônico com determinados países da nossa região que pouco benefício trouxe para o Brasil”, criticou Aécio Neves.

 

Gestão eficiente

Ao final da palestra, Aécio disse aos empresários que acredita na retomada do crescimento e da credibilidade da economia brasileira. “É possível construir um estado moderno e ágil e desconstruir o sentimento de pessimismo, com compromissos com gestão eficiente, desburocratização e política fiscal transparente. Tenho muita confiança no Brasil. O problema não é o Brasil, o problema é o governo que está aí”, ressaltou o presidente nacional do PSDB.

Indústria já considera 2014 um ano perdido

Diante da piora nas expectativas e da previsão de crescimento da economia cada vez menor, setores dinâmicos da economia dão como perdido o ano de 2014. Incapazes de vislumbrar de onde virá o aquecimento da atividade econômica e com a alta disseminada no nível dos estoques, empresários industriais reveem para baixo suas estimativas, que vão de queda até uma leve alta na produção. Enquanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê avanço de 1,5% na indústria da transformação, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) passou a projetar queda de 0,8% na produção nacional este ano, sem boas perspectivas para 2015. A previsão anterior da Fiesp era de crescimento de 1%.

O longo ciclo de alta de juros, a reversão de desonerações tributárias e a provável alta no custo de produção, sobretudo em função do encarecimento da energia elétrica e dos insumos importados, estão entre os fatores que dificultam a vida dos fabricantes. Segundo o diretor do Departamento de Economia da Fiesp, Paulo Francini, o chamado carry-over (efeito estatístico que informa quanto do crescimento do ano anterior foi transferido para o seguinte) foi muito negativo para o setor, que virou o ano passado com queda de 3,7%. Além disso, 2014 começou pouco promissor, com redução do consumo das famílias e do crédito, associado a outros fatores “complicados”, como Copa do Mundo e eleições.

— A sensação que temos é que 2014 será mesmo um ano perdido — afirma Francini.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, disse que, em 2014, não haverá crescimento da produção de eletroeletrônicos. O faturamento do setor deve subir entre 3,5% e 4%, mas puxado pelas importações, que correspondem a 26% dos produtos acabados.

A pesquisa de sondagem junto às empresas associadas à Abinee, que será divulgada na próxima semana e foi adiantada ao GLOBO, mostra uma piora nos negócios do setor em março: 44% dos empresários entrevistados responderam que houve aumento nas vendas, contra 61% em fevereiro, e 17% deles informaram que as vendas ficaram estáveis, percentual que correspondia a 25% em fevereiro. Para 39% das empresas, houve queda nas vendas, contra 14%, no mês anterior.

— Diante do calendário que nós temos, o ideal seria que este ano passasse bem rápido — destacou Barbato.

A indústria de máquinas e equipamentos, depois de amargar uma redução de 3% no faturamento em 2012 e de 5,7% em 2013, espera uma estagnação, ou até mesmo uma nova queda de até 3% nos resultados deste ano. Na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, com a conjuntura atual, uma retomada dos investimentos será possível apenas a partir de 2016.

— Este ano é de eleições. E o ano que vem será de ajustes, de corte de despesas, com um cenário que não será favorável para a indústria — disse.

A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) estima um crescimento do setor de 4,5% no faturamento este ano mas, diante da desaceleração nas vendas de materiais de construção no varejo, o presidente da entidade, Walter Cover, avisou que os números podem mudar. Já a Anfavea, representante dos fabricantes de veículos automotores, espera que, no fechamento de 2014, seja registrado um crescimento de 1,4% na produção de veículos e de 1,1% nos licenciamentos (mercado interno). No ano passado, esses percentuais foram de 10% e -0,9%, respectivamente.

O presidente da Anfavea, Luiz Moan, reconheceu que, na atual conjuntura, o setor registra avanço em ritmo menos acelerado que o verificado durante a crise de 2008/2009. Ele observou, porém, que hoje as bases de comparação são bem maiores.

— Isso faz parte de um processo absolutamente natural que costumo batizar de dores do crescimento. Quando se vende pouco, é mais fácil registrar um aumento elevado. Mas, num patamar lá em cima, é mais difícil ter o mesmo ritmo de crescimento — disse Moan.

Dados da Anfavea mostram que o licenciamento de veículos registrou queda de 15,2% em março, com 240,8 mil unidades, na comparação com igual mês do ano passado. No primeiro trimestre, o recuo foi de 2,1%.

Perda de competitividade

Para o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo, o setor deve registrar crescimento em 2014, mas em cima de uma base reprimida. No caso do aço bruto, que registrou retração de 1% no ano passado, as projeções são de crescimento de 5%. As vendas internas devem subir 4,1% e as exportações, 2,3%, depois de uma queda de 17,5% em 2013.

Ele destacou que toda a indústria de transformação vem perdendo competitividade de forma sistemática, sobretudo com a entrada de importados, e não consegue aumentar as exportações. Já Fernando Pimentel, diretor superintendente da Associação Brasileira da Industria Têxtil e de Confecção (Abit), disse que a expectativa para a produção é entre alta de 1% e queda de 1%.

— Este ano deverá repetir 2013, porém com mais emoções. Temos eleições e Copa do Mundo, o que altera o movimento no comércio — disse Pimentel.

De acordo com o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Aloisio Campelo Júnior, as pesquisas de sondagem industrial realizadas pela instituição entre fevereiro e março revelam crescimento disseminado do nível dos estoques nos setores industriais, sobretudo automotivo, mecânico, têxtil, vestuário e calçados, associado a uma demanda fraca, tanto no mercado interno, quanto externo.

— Não quero ser alarmista, mas não vejo sinais positivos na indústria, que deve terminar o ano em ritmo lento de atividade — disse o professor.

Ele destacou que a conjuntura é desfavorável aos investimentos. Lembrou que o setor de bens de capital, depois de resultados positivos entre o fim de 2012 e boa parte de 2013, com aumento nas vendas de caminhões e máquinas agrícolas, voltou a se desacelerar. A queda no índice de confiança neste segmento, salientou Campelo, deve se estender até o segundo semestre. Outro fator agravante são as incertezas envolvendo o setor energético.

 

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