Pronunciamento nos 35 Anos da Constituição Federal

Sr. Presidente, senhoras e senhores membros da Mesa Diretora destes trabalhos, Sras. e Srs. Parlamentares Constituintes e demais convidados desta sessão histórica, caro Presidente, permita-me lembrar muito rapidamente um ex-Governador do nosso Estado, as Minas Gerais, que teve por muito tempo também uma cadeira aqui no Plenário desta Casa, o Francelino Pereira, que costumava dizer que, quando a autoridade maior, no caso, ele, o Governador, estava presente, todos os demais oradores estavam dispensados de ler a nominata.

Então, peço licença a V.Exa., Sr. Presidente, para na sua pessoa cumprimentar os demais membros da Mesa Diretora destes trabalhos e passar a fazer aqui uma reflexão extremamente pessoal de alguém que viveu — e viveu intensamente — como um jovem, um dos mais jovens Parlamentares que aqui chegava, o mais sublime momento do Congresso Nacional. Nós certamente assistimos a uma inédita reconciliação da sociedade brasileira com os seus representantes.

Eu começo fazendo também um registro histórico de que a ideia inicial do Presidente Tancredo Neves, que havia sido eleito com um discurso nesta mesma tribuna que eu ocupo hoje no Colégio Eleitoral, era de que a Assembleia Nacional Constituinte se iniciaria com uma espinha dorsal, com um pré-projeto que seria a base das discussões que aqui se dariam.

Depois, com o falecimento do Presidente Tancredo, o Presidente Sarney — e aqui é importante que se faça um justo registro, muitas vezes omitido, da importância do Presidente Sarney, que foi, na verdade, quem convocou a Assembleia Nacional Constituinte para que os trabalhos se dessem daquela forma, daquela maneira — optou por iniciar do zero.

Isso, se trouxe alguns desencontros, o acirramento dos ânimos em alguns debates, e vão se lembrar disto os Senadores Renan Calheiros e Paulo Paim, que aqui estavam, possibilitou que esta a Casa, Senador Rodrigo Pacheco, fosse ocupada, literalmente, fisicamente, pelos mais diversos movimentos da sociedade brasileira, de direita, de esquerda, movimentos ambientais, movimentos sociais, o agronegócio, enfim, todos tinham espaço para debater os mais variados temas e faziam isso com uma certa harmonia. Esses corredores, essas galerias, hoje ocupados por jovens estudantes, eram permanentemente lotados por setores da sociedade brasileira que queriam influenciar de forma definitiva na construção dos nossos destinos.

Certamente, longe disto, não fizemos uma Constituição perfeita. Ao contrário, ela trouxe desencontros, ela é por demais detalhista, mas foi ela que nos permitiu superar, nos anos recentes, momentos graves para a democracia brasileira, com o impeachment de dois Presidentes da República, com os inomináveis atos do dia 8 de janeiro, sem que as nossas instituições de qualquer forma estivessem abaladas.

Foi essa Constituição, foram esses debates que permitiram que nós passássemos a ter uma jornada de trabalho de 8 horas diárias e 44 horas semanais, o 13º salário, o direito ao aviso prévio, a licença-maternidade de 120 dias, a licença-paternidade, o direito de greve. Qualquer cidadão que entrou no mercado de trabalho após a promulgação da Constituição, colega Valmir, talvez ache que esses direitos já estavam incorporados na sua vida sem que houvesse qualquer esforço para isso, mas eles só ocorreram porque os debates nesta Casa vieram de forma extremamente calorosa, franca e ampla.

Portanto, todos nós que de alguma forma tivemos o privilégio de testemunhar aqueles momentos sentimos, Sr. Presidente, um certo orgulho, uma certa ponta de satisfação ao ver que aquela Constituição, tão combatida e tão atacada nos seus primórdios, é hoje quase uma unanimidade nacional.

Certamente, os avanços na área da saúde, que é pela primeira vez considerada um direito social, um direito do cidadão brasileiro, ou os avanços na educação que estabeleceram os limites de participação de cada ente federado na construção de uma educação de melhor qualidade no Brasil, tudo isso contribui para que nós hoje estejamos, de forma geral, através dos mais variados espectros ideológicos da vida brasileira, celebrando a nossa Constituição.

Mas não foi sempre assim. Eu me permito, com enorme franqueza, Sr. Presidente, em respeito à história, fazer aqui alguns registros. A vida dá a nós homens públicos oportunidades extraordinárias, muitas vezes até a de escrever um novo destino ou um futuro para a nossa sociedade, como aconteceu na Assembleia Constituinte, mas ela não dá a nenhum de nós, nem àqueles que se acham circunstancialmente e excessivamente poderosos o poder de reescrever a história. Não. A história está lá com os seus fatos, a história está lá com os seus registros para nos ensinar a não cometer os erros do passado novamente.
Caro Senador Renan, triste é um povo ou uma sociedade que não conhece a sua história, porque terá muito maiores dificuldades, Deputado Marcel, de construir o seu futuro.

E faço aqui um registro histórico, uma lembrança que me parece oportuna, porque eu estava sentado nessas cadeiras, eu via quão frágil era a Constituição nos seus primórdios, nos seus primeiros meses, nos seus primeiros anos. O combate a ela era muito grande. Nenhum dos setores aos quais eu me referi, senhoras e senhores, jovens que nos acompanham, estava plenamente satisfeito com o desfecho da nossa Carta Magna, o que era positivo. Não poderíamos ter uma Constituição que atendesse a determinado segmento totalmente em detrimento de outro. Ela era, na verdade, a busca da síntese, do equilíbrio entre as várias proposições. Mas, desde o seu início, demonstrava de forma clara que tinha uma prioridade, que era os avanços sociais. Inclusive o Capítulo dos Direitos Sociais, diferente de todas as Constituições anteriores, passa a ser o segundo dessa Constituição, atrás apenas dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, como uma sinalização à sociedade brasileira de que aquela era a nossa prioridade absoluta.

Mas infelizmente, Sr. Presidente, no momento mais difícil de afirmação daquela Constituição que os analistas não sabiam se duraria 6 meses, se duraria 1 ano ou anos, ela caminha hoje para ser a mais longeva de todas as Constituições da nossa era republicana, já que a primeira delas, a Constituição da República de 1889, completou 43 anos, não muito distante dos 35 anos que comemoramos hoje.

Mas eu me lembro e trago aqui esse registro — peço licença a todos para tratá-lo como uma reflexão histórica —, que, no dia 22 de setembro de 1988, reunimo-nos nesse plenário lotado todos os Srs. Constituintes, as galerias repletas de participantes, para encaminharmos a votação do texto final da nossa Carta Magna. Todos estavam compreendendo as suas limitações, os equívocos que poderiam constar do texto, mas também a relevância e a importância de aprovarmos a nossa Constituição.

Houve uma voz dissonante, Sr. Presidente — e fica aqui o registo histórico principalmente às novas gerações. Um importante Líder partidário subiu nesta tribuna que ocupo hoje e disse: “Ainda não foi desta vez que a classe trabalhadora pôde ter uma Constituição efetivamente voltada para os seus interesses. Ainda não foi dessa vez que a sociedade brasileira, a maioria dos marginalizados vai ter uma Constituição em seus benefícios”. E, dessa forma, encaminhou o voto “não” e levou o seu partido a ser o único a votar contra a Constituição que hoje todos homenageiam. Essas palavras foram do, então, Líder do PT nesta Casa, Luiz Inácio Lula da Silva, hoje Presidente da República.

Reconhecer os erros e equívocos do passado é o caminho mais sensato, é o caminho mais curto para não voltarmos a cometê-los no futuro.

E faço aqui esse registo, porque, naquele momento, o PT incorreu novamente e repetiu um erro que havia cometido há 3 anos, quando o Presidente Tancredo Neves — repito —, nesta tribuna, anunciou ao Brasil que: “Esta será a última vez que o colégio eleitoral se reunirá”. Falava de forma premonitória, porque já são quase 40 anos em que as eleições diretas prevalecem no País. Pedia o apoio e a compreensão de todos os atores políticos aliados ou não. E, naquele momento, infelizmente — e essa mágoa ele levou pelo restante da sua vida —, o Partido dos Trabalhadores não só não votou pela conclusão do processo de redemocratização, como expulsou os Parlamentares que ousaram votar a favor de Tancredo, cuja eleição garantiu a convocação da Assembleia Nacional Constituinte.

Fica aqui, Sr. Presidente, este registro de que todos nós erramos. A Constituição certamente tem muitos erros. É natural que, em qualquer obra humana, os erros estejam presentes. Mas quem sabe, nesta oportunidade de tantas homenagens à Constituição e à própria Assembleia Nacional Constituinte, não tenha chegado, Sr. Presidente, mesmo que tardiamente, o momento de o Presidente da República, Líder até então do seu partido nesta Casa, e que hoje está convalescente de uma recente cirurgia e desejamos a ele pronta e plena recuperação, quem sabe, fica aqui uma sugestão neste momento emblemático em que o Congresso Nacional se reúne para saudar a nossa Carta Magna, não seja o momento de ele se dirigir à sociedade brasileira e ao País e pedir desculpas pelo equívoco que seu partido cometeu? Se houvesse vencido essa posição, nós não teríamos esta Carta Magna que garante a democracia no Brasil e que todos nós respeitamos e hoje aplaudimos.

Pronunciamento sobre repúdio à visita de Nicolás Maduro – 31-05-23

A defesa da ditadura venezuelana foi um desastre ético, político, humanitário e territorial que atinge fortemente a imagem do presidente da República, mas lamentavelmente, atinge também o Brasil enquanto Nação democrática”, diz Aécio Neves, em pronunciamento da Câmara dos Deputados.

Ao subir à tribuna da Casa, nesta noite, Aécio defendeu que o Congresso Nacional se manifeste claramente contra as homenagens prestadas pelo governo brasileiro a Nicolás Maduro. Na segunda-feira, Maduro foi recepcionado com honras pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto.

Aécio destacou o papel que o Legislativo brasileiro sempre teve ao longo da história na defesa das liberdades democráticas.

“Em momentos importantes na história do país, quando a democracia e as liberdades foram atacadas, foi o Congresso Nacional, e especialmente esta Casa, que se levantou”, disse.

E acrescentou:

“Aprovamos hoje na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional uma moção de repúdio à presença do ditador no Brasil e a forma como o governo brasileiro o recebeu. Esta manifestação deve se tornar uma manifestação desta Casa e do Congresso Nacional, para que não confundam a posição circunstancial de um líder político, como o presidente da República, com a posição do país e do Congresso Nacional”.

Durante o pronunciamento, Aécio enumerou as denúncias feitas por organismos internacionais sobre as graves violações cometidas pelo regime de Nicolás Maduro contra adversários políticos na Venezuela. Ele citou os documentos divulgados oficialmente pela ONU e pela Human Rights Watch.

Durante o pronunciamento, Aécio enumerou as denúncias feitas por organismos internacionais sobre as graves violações cometidas pelo regime de Nicolás Maduro contra adversários políticos na Venezuela. Ele citou os documentos divulgados oficialmente pela ONU e pela Human Rights Watch.

Assista aqui ao pronunciamento do deputado federal Aécio Neves.

Leia abaixo a íntegra do pronunciamento

Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares, em primeiro lugar, quero agradecer ao Líder do meu partido, o Deputado Adolfo Viana, e ao Líder do nosso bloco, o Deputado Felipe Carreras, por terem me cedido o tempo do bloco para fazer aqui uma manifestação eminentemente política.

A razão, Sr. Presidente, de eu vir hoje a esta tribuna é para expressar um sentimento que é meu e é do meu partido, mas acredito que seja também de grande parte dos brasileiros. O sentimento é, em primeiro lugar, de assombro e, em seguida, de repulsa, de enorme repulsa às manifestações recentes do Presidente da República, que reduz o Governo ditatorial da Venezuela e as atrocidades cometidas contra seu povo em uma simples narrativa.

O PSDB — como sabe V.Exa., Sr. Presidente — é oposição ao atual Governo, mas jamais deixou de apoiar medidas favoráveis ao País no passado e no presente. Apenas para ficarmos nos dias atuais, podemos lembrar o arcabouço fiscal, que contou com o nosso apoio, ou o novo Bolsa Família. Nós sempre soubemos diferenciar as questões de interesse de Governos, que são circunstanciais, passageiros, efêmeros, com aquelas de interesse do País.

O PSDB jamais seria capaz, por exemplo, em qualquer momento da história, de votar contra o Plano Real, que debelou a inflação, o mais perverso dos impostos a punir os mais pobres, ou mesmo seria capaz de se opor à eleição do Presidente Tancredo Neves, que restabeleceu a democracia neste País. Essa é a nossa formação, Sr. Presidente. Essa é a natureza de um partido que ajudei a construir nos últimos 35 anos. Mas, quando se fala em garantir respeito aos direitos humanos e à própria democracia, não deve haver fronteiras, sejam elas de qualquer ordem, sejam elas políticas, partidárias, ideológicas ou mesmo físicas.

Eu compreendo, Sr. Presidente, meus ilustres colegas, a necessidade de mantermos relações diplomáticas e mesmo comerciais com países que não tenham apreço pela democracia. É assim que gira a roda do mundo. Temos relações com a China — hoje, o nosso maior parceiro comercial —, com a Arábia Saudita e com outras nações. E não seria justo nem justificável que não as tivéssemos com um país vizinho, como é a Venezuela.

Mas não é disso que se trata. E por considerar o que ocorreu no Brasil extremamente grave é que subo a esta tribuna. Sr. Presidente, o que o mundo e vários visitantes ilustres, chefes de nações presentes no Brasil, assistiram assombrados foi o Presidente da República celebrando, quase que em euforia, uma ditadura e considerando um encontro com um ditador um momento histórico.

Sras. e Srs. Parlamentares, em junho de 2015, eu liderei uma comitiva de Senadores da República — eu ocupava uma cadeira no Senado Federal — à Venezuela. Éramos Parlamentares de diversos partidos e íamos lá prestar solidariedade a Leopoldo López, líder de oposição que estava em greve de fome e preso na penitenciária de Ramo Verde. Fomos em emissão oficial. Descemos em Caracas. Já fomos recebidos por um aparato policial ostensivo, que buscava nos intimidar. Depois de muita resistência, entramos numa van e seguimos no caminho que achávamos que nos levaria à penitenciária de Ramo Verde, para prestar uma justa solidariedade política àquele preso eminentemente político, Sr. Presidente. Menos de 10 minutos depois, nosso trajeto foi interrompido, nosso veículo foi cercado por mais de 50 cidadãos, que faziam questão de mostrar o coldre de suas armas, alguns com paus e ferros nas mãos, começaram a bater no nosso carro. E o embaixador do Brasil, desesperado, dentro daquele carro, nos fez retornar ao aeroporto. Resistimos, Sr. Presidente, em retornar ao Brasil, mas fomos quase que expulsos da Venezuela, em uma demonstração clara de como aquele País trata os que discordam das suas posições políticas.

Eu volto rapidamente, no retrovisor da história, para lembrar esse episódio e apenas para dizer que ninguém me contou, Deputado Gilberto. Eu vi, eu vi de perto o que começava a acontecer naquele País. E, de lá para cá, as coisas não melhoraram.

Sr. Presidente, se ainda houvesse alguma dúvida em relação ao que ocorre no País vizinho, uma comissão da ONU, Srs. Deputados, através do seu Comitê de Direitos Humanos, em abril do ano passado, afirmou que o Presidente Lula havia sido vítima de um julgamento parcial, o que foi celebrado por ele e por toda a sua base de apoio, talvez como a necessária e definitiva absolvição política do hoje Presidente da República. Essa mesma organização das Nações Unidas, através de uma comissão especiada criada para avaliar a situação da Venezuela, concluiu — Sr. Presidente, é dela a conclusão, não é minha — que o regime de Maduro, além de promover torturas, espancamentos, asfixia e violência sexual nas prisões, realiza detenções arbitrárias, censura e outras variadas violações de direitos humanos. Quem disse isso, repito, foi a Organização das Nações Unidas, não foi nenhum adversário do Governo daqui nem do Governo de lá.

Além disso, Deputado Osmar Terra, a prestigiosa organização internacional que realiza pesquisas sobre direitos humanos em todo o mundo, a Human Rights Watch, conforme publicou hoje a Folha de S.Paulo, tem denunciado violações sucessivas dos direitos humanos cometidas pelo Governo de Maduro. Desde 2014 — não vamos nos esquecer desses dados —, segundo a organização, ocorreram 15.700 prisões por motivos políticos e hoje, ainda hoje, 280 pessoas permanecem detidas pelos mesmos motivos. Ressalto que o regime passou a controlar o Poder Legislativo e subordinou o Judiciário aos seus interesses.

Democracia, Srs. Parlamentares, sem Parlamento livre, sem Judiciário livre? Seria isso uma narrativa? De acordo com esse mesmo documento também citado pelo jornal ao qual me referi, as crises políticas e econômicas da Venezuela aumentaram a pobreza e criaram uma enorme crise migratória. Segundo a entidade, são 7,2 milhões de venezuelanos que fugiram do País desde 2014. Isso não é narrativa, são dados reais.

As Nações Unidas têm relatado que a desnutrição no País é a mais alta da região, afetando 6,5 milhões de pessoas. Nós estamos falando de um dos mais ricos países da nossa região. E a Human Rights comprovou também o colapso no sistema de saúde daquele País.

Eu cito esses dados, meus ilustres colegas, aqueles que nos assistem, para ilustrar a extensão perversa da opressão que vem ocorrendo nesse País cujo ditador foi aqui homenageado pelo nosso Presidente. Essa mesma entidade cobra do Presidente Lula que demonstre apoio — e abro aspas para ela — “aos presos políticos, aos jornalistas ameaçados, aos doentes e famintos, aos migrantes e refugiados da Venezuela.” E, mantendo as aspas, a entidade diz mais: “O Presidente Lula deveria aproveitar todas as oportunidades para restaurar a liderança que seus comentários imprudentes minaram e cumprir sua promessa de ser um líder na defesa e na promoção dos direitos humanos.”

A crise venezuelana, Sr. Presidente, e a crise migratória que ela gerou continuarão sendo um tema importante sempre que os Líderes sul-americanos se encontrarem. E essa discussão foi a ausência mais sentida na recente reunião dos Líderes sul-americanos. Faltou essa discussão, porque esse encontro ficou definitivamente maculado pelas imprudentes declarações do Presidente da República. De todas as declarações — e foram muitas que ouvimos mundo afora —, eu destaco a fala do Líder de esquerda e Presidente do Chile, Gabriel Boric. Abro aspas para ele: “A situação dos direitos humanos na Venezuela não é uma construção narrativa; é uma realidade grave” — disse ele em solo brasileiro. “Tive a oportunidade de ver. Vi o horror dos venezuelanos que migraram para o Chile. Essa questão exige uma posição firme” — conclui o Presidente chileno.

Jamais, Srs. Parlamentares, jamais, Senador Cid Gomes, nós havíamos visto, em território brasileiro, um chefe de Estado responder com tanta firmeza e afrontar um Presidente da República, mas fez isso com convicção e com justiça. Por isso, Sr. Presidente, estou nesta tribuna, porque, em momentos importantes da vida deste País, quando a democracia, quando as liberdades foram, de alguma forma, atacadas, foi o Congresso Nacional, especialmente esta Casa, que se levantou.

Aprovamos hoje, na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, uma moção de repúdio à presença do ditador no Brasil e à forma como o Governo brasileiro o recebeu. Essa manifestação, Sr. Presidente, deve se tornar uma manifestação desta Casa e do Congresso Nacional, para que não confundam aí fora a posição circunstancial de um líder político, o Presidente da República, com a posição do País e do Congresso Nacional.

Caminho para encerrar, Sr. Presidente, dizendo que não condenar, por exemplo, o recrudescimento do Governo de Daniel Ortega, na Nicarágua, considerar a Ucrânia corresponsável pela invasão do seu próprio território — talvez, por extensão, os cerca de 100 mil civis mortos e os cerca de 14 milhões de refugiados — e, somando-se a essas atitudes, elevar o encontro com o Sr. Nicolás Maduro a um momento histórico, tudo isso retira progressivamente do Presidente Lula a possibilidade de exercer qualquer liderança mundial e coloca em xeque até mesmo uma natural liderança regional.

Encerro, Sr. Presidente, agradecendo o tempo por V.Exa. aqui disponibilizado, para dizer que a defesa da ditadura venezuelana foi um desastre ético, político, humanitário e territorial, que atinge fortemente a imagem do Presidente da República, mas lamentavelmente atinge também o Brasil enquanto nação democrática. Muito obrigado, Sr. Presidente.

Entrevista durante encontro de prefeitos com a bancada de MG no Congresso

OUÇA A ENTREVISTA

Sobre a importância da bancada mineira nas pautas municipalistas

É absolutamente fundamental que haja essa integração entre os administradores municipais e os representantes de Minas no Congresso. O Congresso Nacional é a Casa da articulação política e se nós não nos articulamos, não definimos prioridades, vai ficar muito difícil o governo sequer conhecê-las. Portanto, a bancada está renovada. Temos uma nova coordenação da bancada com o deputado Luiz Fernando e há uma prioridade hoje, a meu ver, para o estado como Minas Gerais, da dimensão de Minas Gerais, que diz respeito, em primeiro lugar, a questão rodoviária. Temos inúmeros projetos de melhoria da nossa malha rodoviária federal. Minas é o estado que tem a maior malha rodoviária federal do Brasil e há muito tempo sem os investimentos necessários a dar a ela condições de desenvolver as várias regiões do estado.

Mas tem uma questão fundamental que me preocupa, e que me traz aqui, que é a questão da reforma tributária que começará a ser discutida agora. Reforma tributária deve passar pela garantia de que os municípios não terão perdas, né? Essa expressão é muito antiga, era do ex-governador Franco Montoro, que dizia que o cidadão não mora no país, ele não mora no estado, ele mora na cidade, no município. E eu tenho uma preocupação grande de o projeto, a base do projeto que está começando a ser discutido aqui, não passou pelo crivo dos municípios. Portanto, a Confederação Nacional dos Municípios e a Associação Mineira dos Municípios (AMM) têm que se engajar de forma mais profunda na sensibilização, primeiro dos parlamentares de Minas, em seguida, dos parlamentares do Brasil, para que a reforma tributária tenha sua lógica invertida, para que ela comece a ser discutida a partir da garantia das receitas dos municípios, em especial do ISS. Tenho uma grande preocupação de que possamos ter uma reforma que concentre ainda mais receitas nas mãos da União que é tudo que Minas Gerais não precisa.

E essa disputa do Lira e do Pacheco por conta do protagonismo frente as medidas provisórias, qual sua visão aqui no Congresso a respeito disso?

Acabei de ter uma reunião agora com o presidente Rodrigo Pacheco e lembrava, inclusive, que foi na minha presidência, na Câmara dos Deputados, que demos o passo mais vigoroso para que as medidas provisórias fossem discutidas e votadas no Congresso. Quando eu assumi a presidência da Câmara, em 2000, as medidas provisórias podiam ser reeditadas infinitamente. Você imagina o poder, quase que absolutista, que tinha o Presidente da República. Ele editava uma medida provisória sobre qualquer assunto, não existia prazo para a sua discussão, e sequer a necessidade de que elas fossem discutidas.

Apenas como exemplo, eu me lembro que quando assumi a presidência da Câmara em 2000, a medida provisória do Plano Real de 1994 não tinha sequer sido discutida no parlamento. Fui eu que liderei, numa negociação com o Governo, uma modificação, a PEC 32, que garantiu que elas fossem votadas. Já foi um grande avanço. Agora, é preciso equilíbrio entre as duas casas, mas pelo que eu percebi na conversa agora com o Rodrigo Pacheco, estarei à noite com o presidente Arthur Lira, vamos caminhar ainda essa semana para um entendimento.

Entrevista em Belo Horizonte – 05-08-22


Sobre as eleições em Minas

Estou muito animado. O PSDB tem a legitimidade consagrada por quatro mandatos nas últimas décadas e três agora muito recentemente governando Minas Gerais com resultados extraordinários. O PSDB se coloca novamente como postulante ao Palácio da Liberdade ou ao Palácio Tiradentes com o objetivo de resgatar aquilo que Minas perdeu, influência nacional, capacidade de interferir nas grandes questões do Brasil, planejamento, eficiência, coragem para fazer as mudanças como fizemos no nosso tempo. Estou entusiasmado com a candidatura de Marcus Pestana. Estamos aqui com o presidente Paulo Abi-Ackel, com o vice-governador Paulo Brant, com o deputado Eduardo Barbosa, com um conjunto de aliados que, tenho certeza, vão fazer com que esta campanha, e começo agora. Aqueles que acham que esta campanha já está definida entre o candidato A ou candidato B terão surpresas. Marcus Pestana traz qualidade ao debate. Ele traz propostas. Ele vai permitir que os mineiros uma nova alternativa e, sem dúvida alguma, acredito que os mineiros ao final vão votar no melhor candidato e o melhor candidato é Marcus Pestana.

O PSDB vai com o Bruno para o Senado já que o sr. abriu mão?

É verdade. Apesar de todas as pesquisas, de todas sem exceção, me colocarem em primeiro lugar para o Senado, e eu agradeço as manifestações de reconhecimento dos mineiros em relação a tudo o que fizemos nos últimos anos no Estado, mas eu priorizei aquilo que é essencial para nós neste momento, recolocar o PSDB como alternativa de poder, de governo em Minas Gerais. E para isso era preciso fortalecer a nossa aliança. Com isso, abri mão da disputa ao Senado. Vamos apoiar o vereador Bruno Miranda, um quadro extraordinário do PDT. Estamos iniciando aqui uma caminhada que pode ter um resultado num curtíssimo prazo, esperamos que possa ter, mas garanto a vocês que no médio prazo Minas vai voltar a sorrir com o PSDB governando novamente os nossos destinos.

Como o sr. avalia a polarização na disputa ao governo?

Acho que é uma falsa polarização. Acho que ela ocorre em razão de a campanha não ter ainda iniciado. A partir de hoje, sim. Os candidatos estão colocados, respeito todos eles. Faz bem à democracia que eles apresentem propostas. Espero que esta campanha transcorra à altura das melhores tradições do nosso Estado. O velho Tancredo, ex-governador de Minas, dizia que na política não são os homens que devem brigar, mas sim as ideias. O Marcus Pestana, que está aqui ao meu lado, qualifica este debate. Como secretário de saúde, fez uma transformação no atendimento de saúde em Minas Gerais. É um parlamentar respeitadíssimo no plano nacional. Tenho absoluta certeza de que como governador do Estado ele vai recolocar Minas na liderança dos grandes debates nacionais. Hoje, há uma ausência absoluta de Minas quando se discute qualquer questão que interessa ao país. Isso é ruim para Minas é, mas é pior para o Brasil. Acho até que esta polarização que estamos vendo no nível nacional, esta campanha quase que fratricida que vamos enfrentar, ela está acontecendo também pelo vácuo que Minas deixou. Minas sempre foi o equilíbrio, Minas sem foi a ponderação. Não acredito que as virtudes estejam nos extremos. Acredito que elas estejam sempre muito próximas do Centro. Se nacionalmente o PSDB cometeu um gravíssimo equívoco, ao não lançar um candidato à Presidência da República, em Minas não repetimos isso. Vamos ter uma belíssima campanha. Os mineiros vão se orgulhar ao verem Marcus Pestana falando das suas propostas, Marcus Pestana mostrando que é o melhor candidato para governar Minas Gerais.

Entrevista Rádio São João del-Rei – 18-03-2022

Aécio Neves conversou nesta sexta-feira (18/03) com o radialista Geraldinho, da Rádio São João del-Rei

Entrevista Aécio – Rádio Itatiaia – 11-03-22

Entrevista concedida após decisão da Justiça que absolveu o deputado de acusações da JBS.

Ouça aqui a entrevista

Como o sr. recebeu esta notícia ontem no dia do aniversário do sr.?

Bom Edilene. Bom dia amigos da rádio Itatiaia. Depois de 5 anos a farsa foi desmascarada. Eu sempre tive muita serenidade para aguardar que a Justiça tomasse a sua decisão final que tomou ontem demonstrando que eu não cometi qualquer irregularidade. Na verdade, fui vítima de uma grande armação política feita por um empresário inescrupuloso em parceria com membros do Ministério Público, o que é ainda mais grave. Portanto, por servidores públicos que, para liberarem esse empresário dos vários crimes que cometeu, criou uma narrativa absolutamente falsa. A Justiça ontem deu a sua decisão dizendo que eu jamais cometi qualquer irregularidade. Na verdade, recebi um empréstimo que ali ficou comprovado pela palavra dos próprios delatores, onde não houve nenhuma contrapartida, portanto, não houve nenhum crime. E eu recebo com alívio muito grande. Se você conhece, e os mineiros conhecem a minha história, governei Minas por oito anos, fiz um governo honrado que transformou a realidade do nosso estado. As obras mais importantes de Minas Gerais foram feitas ainda no nosso governo. Está aí a Linha Verde, está aí a Cidade Administrativa, está aí o Circuito Cultural Praça da Liberdade. Todas as cidades de Minas ligadas por asfalto. A melhor saúde do país, a melhor estrutura de segurança do país. Tudo isso foi feito com muita honradez, com muita seriedade. Na área de segurança pública, estamos tendo aí hoje esses exemplos, basta perguntar para qualquer policial militar ou civil de Minas Gerais, o tempo em que eles foram mais valorizados foi no tempo do nosso governo. Portanto, recebo com enorme alívio essa decisão da Justiça que demonstra que aquilo que eu dizia o tempo inteiro é a verdade. Jamais cometi qualquer irregularidade. E vou continuar aqui em Brasília trabalhando por Minas, trabalhando pelo Brasil, com a mesma serenidade e com a honra que jamais me faltou. Quero agradecer a todos que sempre confiaram em mim, que sempre apostaram na nossa honradez e tenho certeza que hoje todos eles estão aliviados com esta decisão que repõe a verdade depois de 5 anos.

O sr. vai ser candidato a deputado nesta eleição?

Certamente, eu serei candidato. A o quê, vou decidir com meus amigos, vou decidir aquilo que for mais relevante para Minas.